Elo Irrevogável

26 Capítulo 26 - Sem teu amor


Notas iniciais
Muito obrigada pelos muitos comentários e elogios para o capítulo 25, vocês me deixaram muito feliz, de verdade. Tanto que senti até um certo medo de decepcioná-los com a sequência da história. Mas fico muito, muito feliz que estejam gostando. Acompanha o capítulo a canção "Sin Tu Amor" da banda Camila, sugestão da leitora Samara Godinho, gracias ;) A ideia dos flashbacks foi algo que incluí depois da ideia da Giovanna. Sobre eles, deixo uma explicação, acompanhem como flashbacks da história, não dos personagens porque é como uma "volta no tempo", não lembranças propriamente ditas. A música podem ouvir aqui: https://www.youtube.com/watch?v=wLWBg-jpjGI Beijocas da Loreh e ótima leitura!!

***

Maria entrou no carro e levou alguns minutos antes de tomar coragem de ligar a ignição. Estevão não se moveu. Com as mãos nos bolsos observava como toda sua vida estava indo embora. Maria respirou fundo, secou as lágrimas e arrancou com o carro. Estevão observava como o carro ia ficando menor ao se afastar de sua casa, até que o portão se abriu e ela entrou na rua. Ele teve um impulso de detê-la, de pedi-lhe que não fosse embora, mas não o fez. Manteve-se firme em sua dignidade e em seu orgulho, embora, inevitavelmente, lágrimas tenham rolado por seu rosto ao ver o portão se fechar enquanto o carro tomava o seu caminho. Em sua mente ainda ecoavam lembranças inevitáveis do que havia sido aquele amor.

Era um sentimento intenso, magnífico, grandioso. Por isso mesmo ele não podia lidar com a mágoa que sentia de Maria. Ela havia traído aquele amor que, para Estevão, era o elo que existia entre os dois, mas, com a descoberta da verdade sobre Estrela, ficou claro que o elo entre eles através do amor era só de sua parte, não da de Maria. Lhe doía, lhe doía profundamente, lhe esmiuçava o peito, mas ele sentia que era o fim, o fim de sua história com Maria, não podia perdoá-la por havê-lo enganado daquela maneira. Jamais conseguiria confiar nela outra vez. Estava decidido a manter-se firme e encerrar tudo entre eles ainda que isso lhe dilacerasse a alma.

Maria dirigia sem dar-se conta de muito bem para onde. Presumia-se que tomaria o caminho de sua casa bela e confortável onde vivera por muitos anos e que estava fechada desde que se casara. Mas, se por dentro ela se sentia sem rumo, também estava assim por fora. As lágrimas corriam em seu rosto, seu coração estava rompido, lhe ferira na alma a inclemência de Estevão para com ela. Não sabia se suportaria a dor.

Parou em um ponto alto da cidade e, de dentro do carro, observava a paisagem como que tentando encontrar um norte. Questionava-se em como lhe ferira aquele rompimento, era como se não fosse ela. Ela sempre foi forte, independente, determinada, autoconfiante. Sempre soubera como enfrentar a vida sozinha, mas agora não. Agora era como se tivesse deixado parte dela com Estevão. A imagem dele tirando a aliança na frente dela e colocando sobre a mesa girava em sua mente sem o controle dela. “Como viver sem ele, meu Deus? Como enfrentar a vida sem ele, meu Deus”, era o que pensava enquanto parecia fitar a paisagem, mas estava muito intrincada dentro de si para se dar conta do que passava lá fora.

***

De repente, Maria se lembrou de Estrela. Que a havia deixado com Camila para ter aquela conversa com Estevão. Precisava voltar para a filha, mas como encará-la tão destruída daquela maneira? Resolveu ligar para Camila, a única pessoa que entenderia sua situação, a única com quem sentia que podia se entender sem ter que falar tudo. Tudo aquilo que machucava tanto.

_ Pela sua demora, imagino que a conversa foi longa! – Camila já atendeu indo direto ao ponto. A objetividade era um dos traços mais visíveis de sua personalidade.

_ Muito... – Maria não conseguia falar, não queria voltar a chorar.

_ Pelo tom da sua voz, já imagino como foi difícil. – observou compreensiva.

_ Não falemos disso por telefone. É que... eu não sei se vou conseguir encarar minha filha depois disso. – Começou o assunto pela explicação.

_ Não se preocupe por isso, eu não estou mais com ela. Heitor chegou e disse que ia passar o dia no hospital e me agradeceu por ter ficado aqui. Disse que ia inclusive te avisar para você não vir dormir aqui hoje que ele sente que você está muito cansada, todos esses dias no hospital com Estrela.

_ Ah, que providencial. Eu realmente preciso me recompor antes de voltar a falar com Estrela e não é bom que ela fique sozinha.

_ Onde você está? Eu vou me encontrar com você.

_ Eu vou para casa... Quero dizer, a minha casa, a casa na qual eu vivia antes de casar e que volta a ser minha casa a partir de hoje... – explicou cheia de dor.

_ Você não sabe como eu lamento. – Camila sentiu a dor nas palavras da amiga.

_ Eu imagino. Mas não precisa ir me encontrar, eu preciso ficar sozinha. – tentou dissuadi-la da ideia de acompanhá-la. Não queria desabafar, não queria falar com ninguém, se sentia frágil, deprimida.

_ Maria, você não precisa ficar sozinha e nós somos amigas para todos os momentos. Eu já estou à caminho da sua casa.

***

Foi difícil para Estevão entrar no quarto do casal. Ele havia evitado fazê-lo nos últimos dias. Estava magoado com Maria, mas não conhecia os fatos como agora, depois daquela conversa. Se sentia mortificado, como se houvesse perdido sua alma. Antes ele tinha dúvidas, incertezas, muita raiva, mas agora... Agora só restava o vazio. Caminhou até a delicada e antiga penteadeira na qual ele observara Maria se arrumar algumas vezes. Em cima dela, um frasco de seu perfume quase no fim. Ele o pegou e levou até próximo do nariz, mas não precisava disso para imaginar seu cheiro, o aroma dela estava impregnado nele. Só o vazio, o vazio...

Ni mas palabras que decir

Tampoco historias que contar

Lo que un día a mi llegó

Hoy ya no está

Creo que el amor nunca se va

Tan sólo pide libertad

Maria chegou em sua casa antes de Camila. O porteiro do condomínio levou as malas até a sala e ela sentou no sofá, deprimida. Recordou os momentos de paixão que tiveram ali, de intimidade. Como ele a tocara com romantismo e carinho, como fora terno com ela, como havia sido fácil se entregar a ele, viver aquela história, aquele amor, mas, e agora? Como sobreviver sem ele?

Pero el destino decidió una vez más

A poco tiempo de sentir, que eras todo para mí

Yo no puedo mensionar tu nombre

Y saber que estoy aquí

Yo sin tu amor! Yo sin tu amor!

Yo sin tu amor!

Estaba a punto de ir a buscarte

Y entregar de nuevo el corazón

_ Se separaram? – assim Heitor reagiu quando Estevão lhe disse que Maria havia ido embora de casa. – Mas vocês pareciam tão unidos. Não entendo essa separação justo agora. Você foi atrás de Evandro com intenção de acabar com ele depois que soube que ele a violentou.

_ Esse desgraçado! – Amaldiçoou Estevão na sala de espera da clínica. Ele foi um canalha com ela, mas não foi esse o motivo de nossa separação. Não diretamente. – Estevão não conseguia conter a consternação e tristeza na voz.

_ E qual foi?

_ Ela não me ama. Nunca me amou. Se aproximou de mim, quis se casar comigo depois de descobrir que Estrela era sua filha. – soltou Estevão sem se preocupar com rodeios. Heitor o olhou assustado.

_ Estrela? Estrela é sua filha com Maria?

_ Não. Estrela não é minha filha biológica. – levantou os olhos observando a descrença na expressão de Heitor. – Eu sinto muito te dizer isso, mas sua mãe, sua mãe nos enganou filho. Nos enganou a todos. Estrela é a filha de Maria com o desgraçado do Evandro. Ela teve uma filha depois de ser violentada por ele. A filha que sua mãe esperava não sobreviveu. Não conheço os detalhes, mas Evandro e ela maquinaram um plano sórdido: sequestraram a filha de Maria e colocaram no lugar da nossa. Maria esteve toda sua vida procurando por essa filha. Procurando por essa filha que é Estrela.

_ Minha mãe? – repetia Heitor incrédulo. – Minha mãe foi capaz de algo tão baixo?

_ Infelizmente sim, filho. Seus métodos e seus motivos nós nunca vamos conhecer porque Consuelo está morta...

Yo sin tu amor! Yo sin tu amor!

Estaba a punto de recuperarme

Y dejar atras este dolor

Yo sin tu amor

No ha sido fácil aceptar

Que tú ya no regresaras

Como me duele recordar

Que ya no estás

Flashback on

***

Consuelo observava como Maria e Estevão estavam felizes perto da piscina. Não deixavam de sorrir e de se alegrar. Era aniversário de Estevão. Ele não a tinha convidado, mas obviamente, queria seu filho na festa e ela, como sempre fazia, aproveitou a oportunidade com a desculpa de acompanhar o pequeno Heitor. Não fizeram uma grande festa, os pais de Estevão haviam morrido há pouco, mas ainda assim resolveram celebrar aquele aniversário justamente porque a vida era algo a celebrar mesmo num momento tão triste.

_ Amor, eu estou adorando a festa, está tudo tão lindo. Mesmo que Consuelo tenha dado um jeito de se enfiar aqui. – reclamou Maria sem deixar claro que estava feliz de estar ali.

_ Consuelo está aqui? Eu não a vi... – brincou Estevão sorrindo.

_ Seu bobo, eu estou falando sério!

_ Eu também estou falando sério Maria. Onde você está eu não vejo mais ninguém, mulher nenhuma existe para mim, nem ninguém. Você é a única, a única. Meu amor, meu mundo. – Estevão não era um homem romântico, mas com Maria facilmente destilava todo o mel, ela o fascinava.

Maria sorriu e o beijou. Brincavam durante o beijo, sorriam. Ela tinha ciúmes de Consuelo, mas Estevão a deixava segura, a fazia esquecer que sua ex namorada estava sempre rondando os dois e tentando se fazer notar como uma ameaça. Cada vez que os ciúmes e a insegurança apareciam nela, Estevão os dissipava com romantismo. Além disso, era fácil notar que ele não dava atenção à mais ninguém quando estava perto de Maria, como dissera, ela era seu mundo. Nunca pensou estar tão apaixonado aos 24 anos que completava naquele dia, mas o amor não escolhe momento, acontece e pronto. E os dois se sentiam maravilhosos por experimentarem esse sentimento. Por estarem tão perdidos em seu amor não perceberam como despertavam inveja, sobretudo, de duas pessoas: Evandro e Consuelo.

Evandro se aproximou de Consuelo com um copo de bebida. Era uma batida tropical de frutas e vodka:

_ Você gosta?

_ Obrigada! – ela pegou o copo com um sorriso cínico nos lábios ao que Evandro correspondeu cúmplice.

Flashback off

A poco tiempo de sentir, que eras todo para mí

Yo no puedo mensionar tu nombre

Y saber que estoy aquí

Yo sin tu amor! Yo sin tu amor!

Yo sin tu amor!

***

_ E foi isso, Camila. – Maria terminava de contar com o rosto banhado em lágrimas. – Nunca me humilhei tanto na minha vida. Despi minha alma para ele, lutei como nunca para que ele conseguisse me perdoar, mas ele foi implacável. Tirou a aliança do dedo na minha frente e me mandou arrumar minhas coisas.

Camila, que se sentava no sofá da frente, segurava suas mãos. Queria dar força à Maria naquele momento. Estar ao lado dele e segurar suas mãos era tudo, tudo o que podia fazer.

_ Eu imagino como foi doloroso. – foi só o que disse Camila.

_ Você me advertiu. Você já sabia que seria assim, não?

_ Não se torture, Maria. Eu sabia que seria muito difícil de essa história terminar bem, mas sempre fui otimista quanto ao amor de vocês. As coisas ainda podem se resolver, amiga, não se entregue. – ela tentava animar Maria.

_ Se resolver? – ela repetiu descrente. – Ele acha que eu sempre fingi. Que tudo sempre foi mentira. Me chamou de dissimulada, disse que a mulher que ele amou não existe. É impossível ser otimista depois de ouvir algo assim.

_ Ele só está magoado, Maria, ferido. Mas com o tempo ele vai reconsiderar e ver a intensidade do amor que vocês se tinham.

_ Eu sou muito burra, muito burra! – se censurou Maria aos prantos.

_ Porque você diz isso, amiga? Você se equivocou, mas se equivocou porque estava endurecida pela vida. Porque tantos impactos te fizeram desconfiar de tudo e de todos.

_ Burra sim, eu fui burra Camila. Burra de acreditar que o destino me permitiria viver esse amor duas vezes. – disse sem deixar de chorar.

_ Não fale assim, eu não gosto de te ver derrotada, Maria, você não é assim. – Camila fazia tudo para animá-la.

_ Ele não vai voltar! – Sentenciou Maria. – Não é a primeira vez que eu caio das nuvens com o amor do Estevão. Da última vez eu fiquei esperando-o por mais de 20 anos. Ele não voltou. Não acreditou em mim, se casou com outra e em mim só deixou o anseio o doce desse amor que se torna amargo quando se deixa de tê-lo. Mas agora é diferente. É muito pior, muito mais amargo.

Yo sin tu amor! Yo sin tu amor!

Yo sin tu amor!

Estaba a punto de ir a buscarte

Y entregar de nuevo el corazón

Yo sin tu amor! Yo sin tu amor!

Estaba a punto de recuperarme

Y dejar atras este dolor

Yo sin tu amor

Flashback on

***

_ E como está o escritório? – Consuelo indagou curiosa.

_ Está muito bem. Seu ex é um jovem advogado da moda. Todos o elogiam e estamos cheios de clientes. Quero dizer. Ele está cheio de clientes, todos querem ser representados por ele. – disse Evandro sem evitar que a inveja fosse perceptível na sua fala.

_ Eu estive pensando naquilo que você me falou outro dia... – começou Consuelo

_ Sobre destruir essa imagem de idoneidade da Maria? – Evandro se animou

O som da gargalhada de Maria chamou a atenção de todos no ambiente inclusive de Evandro e Consuelo que olharam com desprezo. Estevão e ela riam e se divertiam como se não existisse o resto do mundo.

_ Do jeito que estou vendo as coisas, eles não demoram a se casar. Vamos fazer o que você disse. Já falei com a Alba e sei uma maneira. Agora... Se ela for para a cadeia, em que isso vai ser vantagem para você? Eu vejo como você a olha, como a despe com os olhos. Aliás, não sei o que Estevão e você veem nessa sem graça.

_ O que Maria tem, mulher nenhuma tem. – respondeu Evandro. – Se ela for para a cadeia, vai estar exatamente como eu espero que esteja: sozinha e sem ninguém para protegê-la, vai confiar em mim...

_ E você acha que se ela confiar em você, você vai conseguir levá-la para a cama? – sorriu Consuelo.

_ Ela vai ser minha! De um jeito ou de outro ela vai ser minha! – disse Evandro de maneira ameaçadora.

***

Sem que todos se dessem conta, Maria e Estevão se retiraram da festa e foram para a saleta.

_ Que intenções o senhor tem me trazendo para cá? – Maria perguntou com olhar pícaro.

_ Nenhuma má intenção, pode ter certeza. – ele disse acariciando os cabelos dela que o fascinavam. – Queria ficar mais à vontade pra falar com você, estar com você, namorar... – disse beijando-a longamente e recebendo uma entrega abstraída dela ao beijo que também o beijava com paixão.

_ Estevão! – ela disse logo que sentiu as mãos dele subindo por sua cintura e alcançando maliciosamente seus seios.

_ Desculpa. – ele disse respirando fundo. – Você é tão maravilhosa, me deixa louco, perco a razão.

_ Pois a encontre! Você está louco? Está acontecendo uma festa nessa casa, SUA festa! Louco! – ela o advertiu.

_ Louco por você! — ele voltou a beijá-la sorrindo. – Também queria te fazer um convite. Almoce comigo amanhã, ao lado daquela joalheria que você gosta, no shopping.

_ Claro que sim. – ela aceitou prontamente. – Alguma razão especial para esse convite? Para você ter me tirado da festa para fazê-lo.

_ Eu não te tirei da festa para fazer o convite só, meu amor. Eu te tirei da festa para estar à sós com você. Não estou falando de fazermos amor. A única companhia que me interessa é a sua. Não sei o que você tem...

_ Nem eu! Devo estar muito louca para estar assim tão apaixonada por você.

_ Então estamos loucos juntos porque eu te amo. Te amo minha princesa!

_ E eu a você!

Voltaram a se beijar apaixonadamente como o jovem casal enamorado que eram.

Flashback off

***

Maria e Estevão não voltaram a se encontrar em mais 4 dias que Estrela permaneceu no hospital. Claro que Estevão evitava a todo custo voltar a vê-la, se pesava seu coração só olhar para um ou outro objeto que ela deixou no quarto dos dois, imagina o pesar que sentiria ao olhá-la? Além do mais, sabia que, em algum momento, teriam que falar juntos com Estrela, ela tinha o direito. Mas tinham medo de submetê-la a uma emoção tão forte no momento em que sua saúde ainda inspirava cuidados. Mesmo sem se falarem, tinham claro esses fatos em comum. Maria permaneceu acompanhando a Estrela, mas não lhe contou sobre a separação. Na quinta-feira ela teve alta e pediu ajuda a Maria animada para arrumar suas coisas.

_ Finalmente eu vou para casa! A senhora sabe que nada como a casa da gente, não é mesmo? – quase toda a aspereza entre elas havia desaparecido naquele tempo em que conviveram.

_ Claro que sim, Estrela. Ainda mais no seu caso. Você foi muito valente. Não foi pouca coisa que você teve que enfrentar, mas está deixando tudo para trás.

_ Sim, eu confesso que, nesses dias que estive aqui eu repensei muita coisa na minha vida. Inclusive, coisas com relação à senhora. – ela disse surpreendendo Maria.

_ A mim?

_ À senhora! Percebi que boba eu estava sendo de colocar empecilhos entre a senhora e meu pai. Vocês se amam. É evidente. E a senhora é uma boa pessoa. Me fez muito bem convivermos aqui no hospital. Muito obrigada pela companhia, por cuidar de mim como uma mãe, por tudo. – disse comovendo Maria com um abraço.

Estevão entrou no quarto e sentiu uma confusão de sentimentos ao ver aquela cena. Ciúmes de sua pequena e o coração explodir no peito por voltar a ver Maria. Deus! Como ela mexia com ele... Maria e Estrela se afastaram ao ver Estevão entrar com Heitor. Maria já se sentia emocionada pelas palavras da filha, gelou com a chegada de Estevão.

_ Ai papai, que bom que você chegou para levar a gente para casa. – Estrela disse andando vagarosamente até Estevão e Heitor pelo cuidado com o ferimento. Suas palavras provocaram um clima e todos se entreolharam.

_ Eu... Eu não vou para casa com vocês. – disse Maria com pesar sem poder evitar olhar a mão de Estevão sem a aliança. Como a machucava.

_ Não vai? – Estrela se surpreendeu. – Vai para a joalheria?

_ Não... – Maria começou a responder, mas foi interrompida por Estevão.

_ Maria já não mora na nossa casa filha. Nós nos separamos! – disse impiedosamente Estevão.

_ Se separaram? Por quê?