Elo Irrevogável

17 Capítulo 17 - No Amor, A Verdade (+18)


Notas iniciais
Um capítulo um pouco mais "hot" gente, desfrutem!!

***

Maria baixou os olhos naquele momento. Seu corpo ainda evidenciava cansaço por haver tido um orgasmo há tão pouco, porém, o corpo de Estevão também ainda experimentava as reações do momento de entrega ao amor que os dois haviam tido. Ela suspirou forte para controlar a respiração, mas também para pôr em ordem e calma seus sentimentos totalmente desordenados e impactados pelas emoções do casamento, da entrega e, agora, daquela pergunta. Por mais que tentasse esconder seus sentimentos quando estava com Estevão, sua emoção a delatava, era inevitável. Durante alguns instantes procurou encontrar as palavras para deixar claro a Estevão porque agia daquela maneira. Mas como explicar o que nem mesmo ela podia entender?

_ Você não precisa ter receio de falar abertamente comigo, Maria. – ele, sempre extremamente compreensivo, disse sem deixar de acariciar seus cabelos repousados sobre seu peito e sobre as costas dela.

_ Não é receio e nem medo. – Ela justificou sem convencer sequer a si mesma porque sim, era muito medo e também era receio.

Receio de entregar-se, de delatar-se. Maria tinha uma ineficaz ambição de ter o controle das coisas. Por mais que Estevão e ela já tivessem se amado no passado ela ainda não havia aprendido que o amor é uma força impossível de que você tenha controle. Se por ela fora, jamais havia admitido a Estevão que o amava porque, como poderia amá-lo, se seu coração estava carregado de dúvidas sobre o passado dos dois? Se nos quase vinte e dois anos que estiveram separados ela não sabia o que ele havia feito, o tipo de vida que havia levado, o tipo de pessoa que havia sido? Se, por mais que tentasse, era muito difícil perdoá-lo por seu descrédito na ocasião de sua prisão?

E da mesma maneira que ela não sabia o quanto Estevão estava diferente daquele garoto que ela havia amado tão desprotegida e intensamente, Maria sabia bem que ela era uma mulher muito diferente agora. Que agora ela chegava a construir algumas barreiras para se proteger, para evitar sentir novamente aquele sofrimento do passado e que quanto mais se envolvia naquela história com Estevão percebia que não estava tão no passado assim.

_ É o passado? É ele que te dá medo? Você ainda tem mágoa de mim? Não tem certeza se me ama? – Estevão a encheu de perguntas porque estava aflito por descortinar seus sentimentos. Queria fazê-la feliz por isso necessitava tanto conhecer tudo o que se passava dentro dela. Ainda que fosse aos poucos, ainda que ela não pudesse fazê-lo de uma vez, ele se esforçaria para desvendar os fascinantes mistérios do coração da mulher que amava.

_ É um pouco de tudo isso, Estevão, – ela começou ainda surpresa pela forma como ele parecia estar dentro dela e conhecer o que ela estava pensando e sentindo, todas as suas dúvidas.

_ Você não sabe o quanto é maravilhoso para mim, escutar que você me ama. E é maravilhoso porque eu sei que você não diria se não sentisse... – ele disse acariciando ternamente o rosto de Maria.

_ Não, eu jamais diria. A verdade é que eu jamais disse para nenhum outro homem. – Maria contou-lhe com plena sinceridade. – Mas não é simples para mim dizê-lo depois de tudo, Estevão.

_ Que tudo, Maria? A que tudo você se refere? A tudo que nos passou mais de vinte anos atrás, ou a tudo que nos aconteceu no curto tempo em que nos reencontramos? – ele a questionou.

_ É possível separá-los? – ela o encarou de frente. – Os dois momentos, ainda que distintos, e que nós dois também sejamos distintos por tudo o que vivemos entre essas “duas” histórias, toda uma vida cabe nesses vinte anos, Estevão. Apesar de tudo isso, não é possível separar as coisas. Tenho dentro de mim recordações daquele momento, de como você me deixou, não acreditou em mim, se casou com outra tão pouco tempo depois de haver me prometido que viveríamos aquele lindo amor toda a vida.

_ Sim, eu te falhei gravemente – ele reconheceu baixando os olhos. – Mas nós temos a vida de agora em diante Maria para viver juntos. Eu ainda posso te cumprir aquelas promessas.

_ Não, Estevão, não pode! – ela se levantou rapidamente de seu tórax onde estava aninhada desde que começaram a conversar, sentando-se na cama e ficando de costas para ele cobrindo parte do seu corpo com o lençol. – Aquelas promessas você não pode mais cumprir! Como eu te disse, a vida que você me prometeu, você não pode mais me dar. Nos 20 anos que estivemos separados você e eu vivemos outra vida, nos tornamos pessoas diferentes e você não cumpriu, não cumpriu as promessas que me fez, me deixou sozinha naquela cadeia para que aquele imbecil se aproximasse, ganhasse minha confiança e... – se interrompeu assustada enquanto as lágrimas corriam por seus olhos.

_ Me perdoe, me perdoe – ele suplicou segurando seus ombros por trás. – Me perdoe por te fazer chorar agora recordando esse passado tão triste e... e por ter te falhado. Por não ter cumprido minhas promessas, por não ter estado aí para te proteger.

_ Ah, Estevão... – ela disse virando-se para ele abraçando-o, novamente aninhando-se em seus braços. Em seus braços ela ficou aninhada e chorou tentando colocar para fora aquela tristeza.

_ Hoje é nossa noite de núpcias, meu amor. – ele disse. – Perdoa-me por te fazer chorar. Você tem razão, não podemos voltar no tempo e recuperar aquela vida que sonhamos ter e não tivemos por... por minha culpa! Mas podemos construir uma nova, você só precisa querer, você só precisa permitir. Entre nós vai ser tudo como você queira.

_ Talvez... – ela disse afastando-se um pouquinho do peito dele e olhando em seus olhos – Talvez eu não consiga tão facilmente te dizer que... que te... que te amo. – ela disse com intensa dificuldade.

_ Bom, – Estevão olhou para ela de maneira pícara – eu conheço uma maneira de fazer com que você diga que me ama. – mordeu o lábio inferior enquanto sorria para ela.

_ Estevão nós acabamos de... – ela advertiu.

_ Isso é um problema para você? – disse aproximando-se dela e beijando levemente sua boca e sua orelha.

Os beijos e carícias foram ficando mais intensos e, enquanto Estevão fazia movimentos com a língua em seu rosto, em seu pescoço ela começava a sussurrar de prazer. Maria soltou o lençol que segurava desde que se sentara na cama e agarrou Estevão pelo pescoço como que pedindo para que ele seguisse lhe dando prazer. Estevão a deitou na cama e observou-a nua. Tinha os seios bem desenhados, era linda, seu corpo era um convite para que ele encontrasse formas de satisfazer todos os seus desejos. “Eu poderia fazer amor com ela a noite toda”, pensou. Não podia acreditar que ela era sua esposa. Que a mulher que amava, que a mulher mais linda do mundo era sua esposa e se entregava a ele com amor.

Deitou-se sobre ela e passou a beijá-la de maneira quente enquanto ela sentia a agitação de sua ereção próxima a sua intimidade, mas ele não a penetrou de imediato. Fazia movimentos leves, mas intensos pela receptividade e sensibilidade de Maria e ela segurava fortemente o lençol com os olhos fechados e o corpo se arqueava enquanto ele a beijava com dificuldade pelo modo como o corpo dela reagia aos seus estímulos introduzindo sedutoramente sua língua em sua boca. Sentir o calor dos seus lábios, do seu hálito, da sua respiração enquanto ele estimulava sua intimidade tocando-a com seu membro parecia já desesperante para Maria, ela gemia fortemente de prazer. O tempo que ele tomava em dar-lhe prazer sem penetrá-la gerou uma ansiedade muito excitante em ambos os corpos e refletiram um no outro as mais variadas expressões de prazer e luxúria.

Ele tocou seus seios com ânsias, apertando-os fortemente antes de ela estar tão tomada pelo prazer que lhe suplicou:

_ Meu amor, me pos...sua, eu quero.... ahhhhh eu quero... ser inteiramente ahhhhh... su...a, me possua, Estevão, por... por fa...vor ahhhhh.

_ Nós temos tempo, meu amor – ele disse com dificuldade sem deixar de acariciar seus seios e tocar sua intimidade com seu membro.

Ela tirou as mãos da cama e acariciou seu peito. Com os olhos abertos, de frente pra ele, sussurrou entre gemidos:

_ Por favor! Eu te amo! Te amo Este... ahhhhh... vão, te amo. Por favor, me possua.

Estevão atendeu imediatamente seu pedido e se deitou sobre ela penetrando a inicialmente com movimentos leves. O corpo de Maria se contorcia enquanto ele entrava e saía e ela gritava sem conseguir controlar o prazer que ele lhe proporcionava. Girava a cabeça no travesseiro e repetia entre sussurros, respiração ofegante e gemidos:

_ Te amo, te amo ahhhhhhhh... te amo, Estevão, sou sua. Só su... sua, meu ahhhh... amor.

Ele passou a invadí-la com movimentos mais fortes até que ela não resistiu e chegou ao orgasmo desprezando seu corpo completamente sem forças. Ele ainda lhe penetrou algumas vezes antes de também atingir o ápice e deixar parte de si dentro dela. Deitou-se ao seu lado cansado, acariciando seu rosto e seus cabelos. Fascinava a Estevão o modo como os lindos e sedosos cabelos negros de Maria ficavam jogados sobre a cama depois que ela tinha um orgasmo. Alguns fios cobriam seu rosto e ela afastava delicadamente para olhar pra ela. A amava, queria vê-la, observá-la, desfrutar de sua beleza e do fato de ela ser dele, só dele.

Ele a puxou para junto de si e deu um beijo terno e ao mesmo tempo quente, cheio de desejo desfrutando totalmente da boca de sua amada.

_ Você é minha só minha, para sempre! – sentenciou.

_ Para sempre? – ela indagou ainda tomada pelas sensações de fazer amor com ele duas vezes em tão pouco tempo.

_ Para sempre! Foi você disse enquanto fazíamos amor. – ele disse sorrindo.

_ Sim, eu disse. – ela respondeu devolvendo o sorriso e dando-lhe um selinho no lábio inferior. – Eu te amo Estevão. Apesar de tudo, eu te amo.

O rosto de Estevão se iluminou com as palavras dela, não podia conter a emoção. Apertou-a fortemente contra si em um abraço caloroso, daqueles de quem não quer mais soltar a mulher que ama de medo de perdê-la. Pouco a pouco estava conseguindo vencer as maiores e mais fortes barreiras que existiam entre ele e Maria. Os dois estavam casados, eram uma família e ela o amava. Nunca mais permitiria que Maria saísse de junto de si, se fez um juramento.

_ E por que você está me apertando tão forte assim? Vai me quebrar! – ela brincou.

_ Para que você não saia de junto de mim nunca. Para que você seja para sempre minha.

_ Estevão, nós dois estamos nus, abraçados, em um cama de uma suíte nupcial de um hotel e temos desde hoje ou ontem, não sei bem, um documento que depois de assinarmos nos tornou marido e mulher. – ela disse em tom de brincadeira, mas girou a cabeça rumo ao rosto dele porque continuaria com um tom mais sério – Eu não vou a lugar nenhum. Estar ao seu lado, nesse momento, é tudo o que eu quero para... para o resto de nossas vidas.

Beijaram-se e selaram o fim daquela noite que, apesar de ter visto algumas lágrimas, foi perfeita para ambos. Não se deram conta do momento que adormeceram cansados porém extremamente felizes, satisfeitos por uma satisfação que só o amor pode dar e assim, nus e um nos braços do outro tão próximos como se fossem um só, receberam os raios de sol da manhã no quarto que testemunhou a primeira noite do apaixonado casal.

***

De alguma forma, a nova vida de Estevão e Maria como marido e mulher começou tranquila. Durante os 15 primeiros dias tiveram uma vida normal em família. Por mais que os filhos de Estevão não concordassem com a relação, sobretudo Estrela, e fizessem o possível para impedir uma aproximação mais calorosa da madrasta, também não a tratavam mal. Heitor se limitava a ser cortês e muito educado com ela, como era sempre, uma pessoa bastante educada. Estrela era mais impetuosa. Recusava conviver com ela, queria manter uma distância segura porque Maria seguia confundindo-a. Ela sabia que se convivesse, se se permitisse conhecê-la melhor poderia não conseguir seguir odiando-a como queria. Dizia para si mesma que jamais aceitaria Maria como a esposa do seu pai por ela tê-la enganado, ter fingido ser uma pessoa que não era, não ter lhe contado que estava no passado dos pais. Tinha medo de pensar que, inclusive podia ser Maria a causa do suicídio da sua mãe.

Ao mesmo tempo, sua teoria de que Maria era uma pessoa calculista e interesseira, por isso tinha se casado com Estevão, cada dia caía mais por terra. Estava claro que os dois se amavam e ver a felicidade do pai também a confundia.

Naquela manhã todos tomavam café-da-manhã juntos. Não era raro que fizessem as refeições juntos à mesa, mas era raro que essa convivência durasse muito tempo. Os filhos de Estevão se esforçavam para manter aquela distância que construíram com a madrasta e evitavam conversar e permitir quando ela esboçava algum conselho sobre a vida dos dois. Especialmente Estrela. Por isso Maria precisava aproveitar a oportunidade ainda que o que ela queria dizer lhe dava medo. Tudo que tinha a ver com Estrela acabava deixando-a receosa.

_ Queria aproveitar que estamos todos reunidos e fazer um convite para Estrela e Heitor.

_ E para quê? – Estrela perguntou curiosa.

_ Amanhã é o lançamento da nova coleção de joias da minha joalheria e, pelo que eu sei você gostava das minhas peças.

_ Sim, é verdade, sua joalheria é ótima.

_ Estou preparando um evento que contará com exposição das peças, também faremos um pequeno desfile com algumas peças, aquelas mais chamativas. Será amanhã a noite, no salão da minha joalheria mesmo. Gostaria de contar com vocês dois. Principalmente com você Estrela.

_ Por que principalmente comigo?

_ Está claro, não? É a área que você estuda, eu gosto de ver sua opinião sobre meu trabalho, gosto de ver como você se interessa por sua futura carreira... – Maria expôs seus argumentos tentando convencer a jovem.

_ Tá bom, tá bom, tá bom! Não precisa desperdiçar mais argumentos, eu vou! Você vai Heitor? – Estrela concordou rapidamente surpreendendo a Maria, a Estevão e a Heitor.

_ Sim, maninha, eu vou. Senhora Maria, há algum problema se eu levar minha namorada? – Heitor também concordou.

_ Claro que não, Heitor, se é sua namorada você deve sim leva-la aos eventos com você. – Maria não colocou impedimento.

_ Fico feliz por essa prova de maturidade, Estrela. Você sabe que será muito bom para você mesma participar desse evento.

_ Sim, papai, eu não penso diferente. A Joelheria de Maria é uma referência de um bom trabalho no país e antes de conhece-la e saber quem ela era – disse com certa ironia – eu já sabia que a Acuña teria muito que me oferecer e, apesar de todos me julgarem como maluca e volúvel, sim eu valorizo minha carreira.

_ Por isso mesmo eu gostaria de fazer uma extensão nesse convite, Estrela.

_ Extensão?!

_ Você quer trabalhar comigo amanhã, me ajudar a organizar os últimos detalhes do evento, organizar a ordem da exposição, conhecer parte do processo de trabalho da minha joalheria?

_ Sim, claro que sim! – ela aceitou sem muita dificuldade. – É uma ótima oportunidade, já poderei utilizar esse trabalho no meu currículo.

Maria não pôde conter o sorriso e a alegria que aquela resposta positiva lhe provocava. Passaria todo o dia com a filha, compartilhariam tempo, trabalho, estariam próximas, se conheceriam melhor, essa era a oportunidade que ela procurava...

_Porém – Estrela surpreendeu a todos quando pensavam que o assunto já estava resolvido. – Eu aceito seu convite com uma condição.

_ Condição? – Maria indagou. – Que condição?