Elo Irrevogável
14 Capítulo 14 - Nos Hizo Falta Tiempo (+18)
Notas iniciais
***
Evandro se assustou muito ao ver Estevão observando perplexo o fim de uma intensa discussão entre ele e Maria ali na biblioteca. Queria recobrar a sanidade, estava nervoso consequência de haver estado tão alterado com Maria e da surpresa por terem sido flagrados por Estevão. Normalmente a presença de Maria já provocava alteração em seus sentidos. Numa situação como aquela, era pior e ainda mais frente a Estevão por quem ele temia muito que grande parte de suas vergonhosas atitudes fossem descobertas.
_ Estevão... – Evandro disse soltando o braço de Maria
Maria respirou fundo e caminhou até perto de Estevão.
_ Eu estou esperando, Evandro! O que é que estava acontecendo aqui? Por que vocês dois estão tão alterados e porque você estava ameaçando Maria segurando sua mão intimidando-a? – Estevão falou de maneira firme, sem deixar de encarar Evandro.
_ Maria e eu tivemos um desentendimento...
_ Isso está claro para mim! – disse Estevão abraçando Maria com um sorriso sarcástico. – Nunca te vi assim, muito menos com uma mulher. No que é que Maria supostamente quer medir forças com você?
_ Estevão, nós podemos ir embora? – Maria perguntou. – Você pode me levar em casa? Prometo que lá eu te explico tudo.
_ Maria, ele estava gritando com você e suas palavras foram ameaçadoras. Nós dois ainda não nos casamos, mas eu quero que você saiba que eu vou te defender de tudo e... – olhando para Evandro – de todos!
_ Eu te explico. Prometo! Vamos, por favor? – ela pediu.
_ Está bem. Porque você está me pedindo. E saiba, Evandro, que nossa conversa ainda não terminou. Você vai me explicar porque ousou tratar Maria assim mesmo depois de saber que ela e eu estamos comprometidos.
Evandro não respondeu. Respirou fundo e sentou-se no sofá que ficava próximo à prateleira de livros antigos. Maria puxou Estevão pela mão que a acompanhou ainda que, a contragosto. Ao passarem pela sala Maria fez menção de se despedir de Estrela, mas ela a evitou, saindo de onde estava e chamando seu amigo Greco para dançar. A jovem tinha uma maneira própria de ignorar as pessoas, ainda mais no que se tratava de Maria. Ela estranhamente conhecia o poder que tinha sobre ela e tinha um raro prazer em lhe provocar aquele sentimento de desamparo com seu desprezo.
Durante o caminho Estevão notou que Maria estava muito afetada, muito nervosa. Ela não queria falar e ele não a forçou, dirigiu em silêncio até sua casa. Apesar de terem voltado a se ver a tão pouco tempo ele parecia conhecer bem o terreno em que estava pisando quando se tratava dela. Entendia quando ela precisava de silêncio e de espaço e respeitava todas as vezes. Sabia que mostrar-se frágil era um grande temor de Maria e não queria que ela se sentisse desconfortável por estar assim. Mas dentro de si se consumia, tinha muita vontade de saber o que aconteceu entre ela e Evandro e porque eles discutiam tão acaloradamente. Tinha um intenso afã por protege-la, por cuidar dela e percebeu que teria que fazer isso muitas vezes sem que ela lhe pedisse. Naquele momento ele entendeu que, por mais que ela não pedisse e insistisse que não era necessário, seria seu dever protegê-la e defendê-la não só em nome do amor dos dois, mas também em nome de tudo o que Maria sofrera na vida que não era pouca coisa, cada vez mais ele se dava conta.
***
Quando entraram em sua casa Maria o olhou penalizada e, caminhando até o bar, deteve-se por alguns segundos, olhou-o firme e disse:
_ Eu vou te explicar o que aconteceu.
_ Maria, meu amor, – ele caminhou até ela pegando sua mão esquerda. – eu não quero saber para te pressionar ou para te trazer mais problemas e sim porque eu me preocupo com você.
_ Não precisa, Estevão. Eu sei me defender bem sozinha.
_ Eu não disse que você não sabe. – acariciou ternamente seu rosto. – Estou dizendo que eu QUERO te proteger. – deu ênfase em demonstrar que aquele era seu desejo. – Eu quero cuidar de você, quantas vezes eu já te disse isso?
_ Muitas! – ela respondeu sorrindo – Mas você também tem que entender que eu estou muito acostumada a me defender sozinha, Estevão. Não é fácil para mim me colocar nas mãos de outra pessoa e esperar que alguém me defenda. – ela se virou como para soltar-se dele.
_ Mas eu não sou uma pessoa qualquer. – ele disse puxando-a pela mão fazendo com que ela ficasse colada em seu corpo. – Eu sou o homem que muito em breve, mas muito em breve mesmo, vai se tornar o seu marido. E, supostamente, em um matrimônio as pessoas compartilham tudo, não é?
_ É o que dizem – ela respondeu sorrindo. – Como eu vou saber se nunca me casei?
_ Ah, então vai ser a sua segunda primeira vez de alguma coisa comigo? – ele perguntou pícaro.
_ Segunda primeira vez? – ela fez um olhar interrogativo.
_ Se esqueceu? – ele disse beijando seu rosto próximo à sua orelha. – Se esqueceu que eu fui o primeiro homem da sua vida?
_ Claro que não esqueci – respondeu olhando-o o nos olhos. – E você também foi o único homem com o qual eu tive sexo com amor. – baixou os olhos tristemente.
_ Meu amor, – ele ergueu seu queixo de maneira terna – todas as cicatrizes que deixaram em você eu vou curar. Eu vou sanar com meu amor, confie em mim. – disse antes de envolver os lábios dela com o seu num beijo quente e doce ao qual ela só se entregou.
Maria quebrou a barreira do medo que aquela situação lhe provocava e o abraçou entregando-se vagarosamente àquele beijo que se aprofundava no encontro de suas línguas e na exploração convergente que ambos faziam da boca um do outro. Estevão parou de beijá-la devagar e perguntou:
_ Você não quer? – seus olhos a olhavam suplicantes.
_ O quê? – perguntou ainda inebriada pelo calor daquele beijo.
_ Voltar a experimentar a sensação única de fazer amor com um homem que te ama desesperadamente e que você também ame? Voltar a sentir o sexo com amor?
_ Estevão... – ela ameaçou se negar
_ Você consegue se entregar aos meus beijos, às minhas carícias com tanta paixão. Está claro que você também deseja, meu amor. Seus beijos, suas mãos, seu corpo dizem isso. O que te impede é só o medo. E eu prometo vencer seu medo com ternura.
Ela se virou muito mexida com suas palavras. O desejava, estava claro que o desejava desesperadamente. Ele se aproximou de seu ouvido por trás beijando-a e descendo até o pescoço fazendo com que ela se arrepiasse de desejo.
_ Entre nós dois nunca... – disse ele sem deixar de beijar seu pescoço e seu colo e de roçar seu rosto no dela – nunca vai acontecer nada que você não queira, meu amor.
Ela se virou muito confusa, queimando de amor de desejo e olhou-o firmemente nos olhos suplicante. Sabia que não conseguiria resistir à ele, que no fundo do seu coração ansiava muito voltar a se entregar a ter intimidade com ele. Estevão estava se portando de maneira tão terna, tão romântica com ela que isso fazia com que ela não conseguisse resistir. E a verdade é que ela não queria.
_ Eu tenho medo, Estevão. – ela disse como uma última tentativa de resistir à se entregar a ele.
_ Deixa eu tirar seu medo com amor? – disse segurando sua mão e beijando-a romanticamente.
Ele se afastou dela, foi até o aparelho de som na sala e colocou para tocar na música que já estava programada no aparelho.
🎵 Nos hizo falta tiempo
Nos comimos el tiempo
El beso que forjamos
Aquél vino que probamos
Se fue de nuestras manos🎵
_ Aceita dançar comigo? – ele convidou estendendo a mão.
Ela sorriu e segurou sua mão se aproximando, fazendo com que os corpos dos dois estivessem colados. Ele a abraçou acariciando seus cabelos, colando seu rosto no dela fazendo com que os dois sentissem a música e a magia daquele momento.
🎵Nos hizo falta tiempo
De caminar la lluvia
De hablar un año entero
De bailar tú y yo un bolero
Mira que hizo falta tiempo🎵
_ Meu amor... – ele disse emocionado. – Eu estive todo esse tempo te esperando. Sempre te esperei. Sempre esperei que a vida nos desse essa segunda oportunidade. – enquanto falava acariciava seus cabelos, descia suavemente suas mãos por suas costas enquanto dançavam sem afastarem seus rostos. – Te amo, Maria, eu te amo. – disse antes de devorar com ânsias seus lábios e beijá-la com desespero.
Os corpos dos dois respondiam aos estímulos provocados por um beijo que acontecia com tanta paixão. Maria sentia que lhe faltava o ar, o chão, que flutuava. Era mais que desejo, era uma necessidade de que ele a seguisse beijando e que as carícias se tornassem mais intensas. Os dois apenas dançavam, mas Estevão sentia que seus corpos se fossem convertendo em um só e que, lentamente, Maria se entregava, ainda que convencê-la disso não fosse tarefa fácil.
Ele seguia sendo extremamente carinhoso com ela intensificando seus beijos e demonstrando naquele contato que a amava com loucura e necessidade. Necessidade de que seus corpos se encontrassem, se envolvessem, estivessem juntos, mas também de tocar sua alma com amor, ternura e, por que não também com paixão? A música seguia dando o tom daquelas carícias que os dois trocavam.
🎵 Nos hizo falta tiempo
Para andar en una playa
Inventar una aventura
Dedicarse a la locura
Dibujarte los antojos
Descifrar que hay en tus ojos
Mira que hizo falta tiempo 🎵
Estevão deixou de beijá-la lentamente e com suas mãos segurou seu rosto olhando-a firmemente com anseio nos olhos:
_ Eu te amo, Maria. Você é a única mulher que eu amei. Você quer que eu te demonstre como pode ser bonito o sexo com amor outra vez? Você quer que eu te faça minha... só minha? – disse olhando-a suplicante.
_ Eu também te amo, Estevão. Te amo! Quero ser sua, quero que você me faça sua.
Estevão sorriu vitorioso. Não só pela resposta positiva que ela dera à seu anseio desesperado de fazer amor com ela, mas porque, pela primeira vez, depois de mais de 20 anos, ela reconheceu que também o amava. A envolveu num beijo ainda mais apaixonado e desesperado, mordiscando seus lábios e brincando com sua língua enquanto a música dava o tom daquela entrega que começava a acontecer
🎵 Nos hizo falta tiempo
Para que te convenciera
Que eras tú mi vida entera
Que de blanco te vistieras
Que mi abrazo consintieras
Que en verdad me conocieras
Mira que hizo falta tiempo
Mucho tiempo por vivir...🎵
Estevão a pegou nos braços e a levou para seu quarto que ele ainda não conhecia, ela sorria indicando-lhe o caminho. A declaração dela de que o amava e que queria ser dele provocou uma intensa excitação em Estevão. Tinha urgência por possuí-la, mas, ao mesmo tempo, queria desfrutar de cada instante daquele momento e torna-lo único. Maria sabia o que estava fazendo. Sabia que seus medos não decorriam de um único lugar ou acontecimento, mas que, se tinha decidido se arriscar precisava se entregar por inteiro. Além disso, não podia mais negar, ela queria. Queria se entregar à Estevão, o amava. Também queria fazê-lo feliz, devolver parte daqueles intensos sentimentos que ele lhe estava provocando por mais que ela tivesse se aproximado dele com outro tipo de interesses. Agora sentia que estava presa em sua própria armadilha. Queria viver aquele amor apesar de tudo que significasse.
Quando os dois entraram no quarto Estevão colocou Maria no chão e os dois se olharam aflitos. Maria mordeu o lábio inferior ao perceber que Estevão a despia com o olhar e isso a deixou excitada. Ele se aproximou um pouco mais dela e acariciou seus cabelos antes de voltar à beijá-la. Enquanto ele a beijava desabotoou três botões do seu vestido atrás afastando o suave tecido com suas mãos até o ombro fazendo com que o vestido caísse no chão. A visão de Maria somente de lingerie deixou-o bastante excitado enquanto ela começou a desabotoar sua camisa sorrindo. Em pouco tempo os dois estavam somente com roupas íntimas e ele novamente a pegou em seus braços e caminhou até a cama com ela em seus braços sem que os dois deixassem de se beijar.
_ Estevão eu... – Maria disse deixando de beijá-lo alguns instantes.
_ Não tenha medo, meu amor. Eu vou voltar a te mostrar que o amor não machuca, que o amor é bonito. Confie em mim. – ele pediu.
_ Eu confio! – ela respondeu envolvendo o pescoço dele com seus braços e recebendo a boca dele na dela se entregando num desesperado beijo de amor.
Ele levou sua mão até a intimidade de Maria, estimulando ainda mais o seu desejo e fazendo com que seu corpo todo se arqueasse e ela começasse a ter sensações que iam além da emoção, que vinham da sua libido que mostrava a receptividade de todo seu corpo aos estímulos de Estevão. Ela revirou os olhos agarrando fortemente o lençol com as duas mãos e olhou firme para ele como que convidando-o a seguir, deixando Estevão animado. Perceber que estava proporcionando prazer à Maria, à mulher que amava também o excitava muito e ele terminou de despir-se e de despi-la para seguir avivando o desejo dela com suas mãos e no leve contato com seu corpo provocando vibrações em ambos que desfrutavam com calma aquele momento. Com a intensificação dos estímulos os gemidos de Maria aumentaram e ela gritou
_ Ahhhhhhhhhhhh – ela disse curvando a cabeça para trás.
Estevão arrefeceu um pouco tirando sua mão e perguntou a ela:
_ Você está bem? Quer que eu pare?
Ela olhou-o firme nos olhos, cheia de desejo:
_ Não pare, por favor! Me faça sua, Estevão! Eu quero ser sua! – ela suplicou
Estevão obedeceu a seu apelo e se deitou sobre ela embebendo seu mamilo com a boca fazendo com que o desejo e o anseio de Maria por ser dele aumentassem. Ela arqueava seu corpo e gemia deixando Estevão satisfeito pelo prazer que proporcionava a ela. Ele ajeitou-se sobre o corpo dela afastando suas coxas e começando a penetrá-la fazendo com que Maria perdesse totalmente o controle de seu corpo.
Ele desceu sua cabeça sobre o rosto dela para beijá-la dando leves toques sobre sua pele e ela envolveu seu pescoço com os braços enquanto ele seguia penetrando-a aumentando o ritmo provocando fortes gemidos em Maria e fazendo com que a respiração de Estevão se alterasse muito. Com a intensificação do ritmo, os dois estavam muito próximos do orgasmo quando Maria se soltou do pescoço dele como que procurando um lugar para refugiar-se revirando a cabeça enquanto repetia:
_ Meu amor... ahhhhh... meu amor.
Ouví-la dizer essas palavras o excitou ainda mais fazendo com que o ritmo de seus movimentos aumentassem enquanto Maria contorcia-se toda por causa dos espasmos provocados pelo orgasmo que ela acabava de atingir fazendo com que ela gemesse enquanto tentava recuperar o ritmo da respiração. Estevão também atingiu o orgasmo antes de se deitar sobre ela e dizer:
_ Eu te amo, Maria. Te amo.
Ele saiu de cima dela e se deitou de lado, frente a ela, olhando-a com muita ternura sem dizer nada.
_ Você tinha razão – ela disse com um leve sorriso ainda ofegante.
_ Em quê? – ele perguntou enquanto acariciava seus cabelos olhando para ela mais contemplando-a e admirando sua beleza que ficara mais intensa com os anos.
_ Sobre fazer sexo com amor. Só com você, Estevão. Só com você eu experimentei essa sensação maravilhosa. Nunca vou me esquecer disso.
_ Eu te amo – ele disse quase sussurrando. – Não tem nada que esquecer entre nós, Maria. Vamos fazer de conta que nossa história só está começando agora. Temos toda a vida pela frente. Vamos ser felizes!
Ao ouvir essas palavras Maria sentiu uma profunda tristeza, não pôde evitar. Lhe veio à mente qual eram suas verdadeiras intenções ao se aproximar de Estevão que não era viver um amor, buscar a felicidade e sim recuperar sua filha. Lhe vieram à mente todas as suas desconfianças. Pensou no que sentiria ao perceber que, depois de ter se entregado daquela maneira nessa história, percebesse que ele era o culpado de lhe ter arrancado sua filha, sua verdadeira felicidade. E ainda que ele não fosse culpado, isso não garantiria a felicidade dos dois porque não sabia como ele reagiria ao conhecer a verdade. Ao saber que ela era a mãe da jovem que ele criou como filha e que adorava. De repente foi invadida por uma sensação de que aquela história não teria solução, era como lançar-se no abismo. Quando não pôde mais com a sensação de tristeza que lhe invadira, se virou de costas para Estevão. Ele se surpreendeu e se aproximou dela cobrindo-os e aninhando seu corpo junto ao dele. Ao ouví-la aspirar bem baixinho percebeu que ela estava chorando.
Ele levantou o tronco e a cabeça e virou o queixo dela para si. Perguntou ternamente e um pouco ferido:
_ Por que você está chorando?
_ Eu... Eu não sei Estevão! Não é nada!
_ Não sabe? Não é nada? Isso são respostas que se dê, Maria? Nós acabamos de fazer amor, tivemos um momento de intimidade que foi maravilhoso, foi lindo e, em seguida, eu te surpreendo chorando. Maria, me diga o que está acontecendo, por que você está chorando?
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