Elo Irrevogável

12 Capítulo 12 - Abrindo o Coração


***

Maria e Estevão tiveram um jantar muito romântico. Maria percebeu que ele havia cuidado de cada detalhe e se surpreendeu porque ele havia tido pouco tempo para preparar tudo. Não havia dúvidas, ele estava completamente rendido à seus pés como ela queria, como ela havia planejado. Em poucos momentos seu plano lhe dera tanto medo como naquele. Ao perceber que ele faria tudo por ela. Sentiu um certo peso no coração ao pensar se estava agindo corretamente com ele.

Apesar de tudo que ele ‘lhe devia’, para Maria era complicado utilizar-se de Estevão daquela maneira, principalmente naquele dia, que se dera conta que tinha sentimentos vivos por ele e que, talvez, fossem mais fortes do que ela pudesse controlar. De uma certa maneira, lhe doía magoá-lo. “E se realmente fosse amor, como se livraria daquele imbróglio ao qual se havia enredado?”; “Ele seria capaz de perdoá-la, ao descobrir tudo?”; “E se ele tivesse realmente culpa no sequestro de sua filha?”. Eram tantas, mas tantas perguntas que lhe confundiam em sua mente. A única conclusão á que ela pôde chegar naquele jantar romântico milimetricamente preparado para encantá-la, é que havia sido sua escolha, a partir daquele momento viver com essas dúvidas e procurar a melhor maneira para resolvê-las.

_ Se eu soubesse que com um pedido de casamento eu deixaria seu coração mais receptivo à mim, eu teria feito antes. – Estevão observou sorrindo segurando sua mão e olhando-a romanticamente.

_ Antes? – Maria se surpreendeu – Tem uma semana que nós nos reencontramos.

_ Não, meu amor, é muito tempo, muito tempo que estamos separados. Eu devia ter ido atrás de você, se você soubesse como sua ausência me afligiu todos esses anos...

_ Quando você fala assim eu não sei... Estevão, se você sentiu tanto a minha falta, se você me amava tanto como diz e como... Como está me demonstrando, por que se casou tão rápido com a Consuelo?

_ Eu já te disse, Maria. Porque fui um imbecil. E também por desespero, desconcerto, estava totalmente perdido sem você. Você era meu chão, minha bússola. Se você eu fiquei perdido, sem direção. E só não permaneci assim todo o tempo da minha vida por meus filhos. Mas jamais consegui amar de novo. Jamais consegui entregar meu coração a outra mulher. Parece que quanto mais o tempo passava, mais eu ansiava por você, mais essa ânsia e esse amor cresciam.

Maria baixou os olhos, tinha muita dificuldade em revisitar o passado e em imaginar em tudo o que foi sua vida sem ele, sua vida depois do abandono de Estevão. Ele acariciou seu rosto e o levantou segurando seu queixo.

_ Você não acredita, meu amor?

_ Não é isso. – ela respondeu triste – É que é difícil pensar no passado. Você teve uma vida muito difícil depois que nos separamos, imagino que tenha sido complicado para você que Consuelo tenha morrido dessa maneira e criado seus filhos sozinho, mas minha vida...

_ Você também sofreu muito, Maria? O que aconteceu? – ele disse segurando sua mão direita entre as dele.

_ É isso que é difícil, Estevão. Falar sobre tudo o que aconteceu. Eu não consigo. Não quero. Tenho medo de, ao falar sobre isso, acabe revivendo todos aqueles sentimentos que tanto me feriram nesses anos.

_ Não se preocupe. Fale quando você estiver pronta. Nós agora estamos juntos de novo, meu amor. E eu sei que é pra sempre. Prometo que vou sanar todas as suas feridas com muito amor. – disse beijando-a apaixonadamente.

_ E você acha que beijos podem sanar feridas? – Maria indagou deixando de beijá-lo.

_ Não tenho dúvidas! Ou você ainda não conhece o poder terapêutico de meus beijos? – ele perguntou sorrindo.

_ Eu conheço os beijos, – ela respondeu também sorrindo maliciosamente – não sabia que eles curavam feridas da alma.

_ Eu vou te mostrar que sim! – sorriu antes de beijá-la de novo.

Como sempre, eles se esqueciam do mundo em volta quando se beijavam, especialmente naquele dia em que resolveram selar seu amor com aquele anel e aquele compromisso. Era como se o tempo não passasse durante o beijo, eram mais que beijos comuns, eram beijos de amor, beijos de alma.

_ Você disse que no restaurante não teríamos beijos quentes. – Maria o recordou sorrindo.

_ E também te disse que quando estou perto de você me esqueço de tudo, só consigo me concentrar em te beijar, em te acariciar, em te fazer sentir o que eu sinto. Te amo, Maria! Eu te amo! – disse quase sussurrando bem pertinho dela.

Ela não respondeu, não estava pronta para dizer que o amava apesar de ter muito poucas dúvidas de que isso sim era o que ela sentia. Respondeu à sua declaração com mais um beijo, como uma maneira de fugir de dizer aquelas três palavras à ele. Preferia, de certa maneira se entregar de corpo a dizer com palavras o que sua alma sentia. Porque, no fundo ela sabia que o amava verdadeiramente, mas tinha muito, muito medo de admitir-se e mais ainda de admitir para ele.

Quando ele foi deixa-la em casa, ela perguntou se ele não queria entrar em sua casa.

_ Você tem certeza? – ele perguntou malicioso.

_ Não é nada disso, Estevão! E você só pode entrar se prometer que vai se comportar.

_ Desculpe, meu amor, eu não posso prometer, isso. – respondeu sorrindo abraçando-a dentro do carro.

_ Sim você vai se comportar porque eu quero conversar com você.

_ Tudo bem, mas não seja muito rígida ao esperar que eu cumpra essa promessa.

Entraram na casa e ele olhava tudo curioso, como que buscando peculiaridades e partes dela no local. Ela ficou intrigada:

_ O que você tanto olha? – perguntou-lhe

_ Dizem que a casa de uma pessoa tem muito dela. Estou procurando na sua casa traços seus, coisas da sua personalidade, da sua história que eu perdi esses anos todos.

_ E encontrou alguma coisa? – ela se interessou por aquela busca que ele fazia.

_ Na verdade nada novo. Aqui, na sala da sua casa eu percebo que você é uma pessoa de muito bom gosto. Forte e lutadora, como se pode ver por cada detalhe das obras de arte e dos artigos de prata que te relacionam com sua profissão.

_ Hum... E você viu tudo isso só olhando a sala da minha casa? – ela sorriu.

_ Sim, mas também conheço sua alma. E posso descobrir mais ao observar a decoração do seu quarto. – ele disse dando um gostoso sorriso.

_ Não, você não vai conhecer o quarto. Boa tentativa, mas não! Sente-se! – ela disse lhe servindo-lhe um copo de whisky.

_ Você não vai beber? – indagou

_ Não, eu quase nunca bebo.

_ E o que você quer conversar comigo, Maria? – ele disse segurando sua mão e puxando-a para que ela se sentasse perto dele.

_ É sobre sua família. Eu percebi que seus filhos não aceitam muito essa nossa relação. Heitor me pareceu bem distante no escritório, apesar de muito educado e Estrela...

_ Estrela me contou que já te conhecia.

_ Sim, ela se deu conta hoje que eu era a ‘tal mulher do passado do pai’. Foi assim que ela se referiu a mim. Ela esteve na minha casa essa tarde.

_ Aqui?

_ Sim! Veio me reclamar sobre nós dois. Confesso que isso me fez até duvidar na resposta que eu te daria no nosso jantar. Mas acabei me encantando com todos os detalhes que você preparou.

_ Maria, eu amo meus filhos. Amo com desespero, sempre vou querer protege-los. Mas já deixei claro aos dois, desde que eu te reencontrei que eu estava disposto a lutar por você. Eu penso que tenho direito a essa infinita felicidade que eu estou sentindo agora e mais, quero me casar com você o mais rápido possível. Quero passar com você toda a minha vida. – disse isso beijando-a no pescoço embaixo da orelha. – Quero amanhecer ao seu lado todos os dias de agora para frente – dizia sem deixar de beijá-la deixando-a um tanto inebriada.

_ Para Estevão, eu quero conversar! – ela o censurou empurrando-o.

_ Nós estamos conversando, não? – ele respondeu sorrindo roubando-lhe um selinho rápido.

_ Não, você não está concentrado no nosso assunto e também está me atrapalhando. Você está falando sério quando diz que quer se casar comigo o mais rápido possível?

_ E você tem dúvidas, Maria? Se você me diz agora que sim, eu vou ao cartório e encontro a data mais próxima possível e marco a cerimônia. Se você quer preparar uma grande festa, nós nos damos mais tempo.

_ Não eu não quero festas. Ainda mais se vai ser um casamento que se realizará tão rápido. Acho que com uma reunião para os amigos mais próximos é mais do que suficiente.

_ Como você quiser! Então isso quer dizer que você me autoriza a marcar a data para o mais breve possível?

_ Isso me faria muito feliz, Estevão, mas e os seus filhos?

_ No sábado vamos comemorar o aniversário de Estrela na minha casa. Ela está muito empolgada preparando a festa. Você irá comigo à reunião e anunciaremos a todas as pessoas que eu conheço e que importam, que vamos nos casar o mais breve possível. Não se preocupe, meus filhos podem fazer manha, mas não vão se meter de maneira exagerada na minha vida, meu amor.

_ Você tem certeza?

_ Toda a certeza do mundo. Quero que você seja minha... que você seja minha esposa. Nada mais me importa nesse mundo.

Ele colocou o copo sobre a mesinha de centro perto do sofá e começou a beijá-la já de início com muita paixão. Ela desistiu de afastá-lo e se entregou aos seus beijos, beijando-o também com amor e desejo. Lembrou-se do momento íntimo que tiveram pela manhã e sentiu um certo medo, o coração agitar, seus sentidos aviltarem-se dentro de si. Ele novamente voltou a acariciá-la com desejo. Enquanto a beijava apaixonadamente, suas mãos passeavam e exploravam seu corpo como que descobrindo-o. Ele passou a mão por seus seios fazendo com que ela gemesse. Desceu a mão e envolveu sua coxa, levantando seu vestido e subindo as mãos rapidamente até suas nádegas, agitando sua intimidade. Maria, somente se deixava levar, respirando agitadamente e gemendo enquanto também o beijava e acariciava. Ele baixou a gola do vestido e beijou seu colo com aflição enquanto ela sentia suas carícias de olhos fechados.

_ Sua pele, Maria... Como eu tenho necessidade da sua pele, – disse ofegante sem deixar de beijá-la e roçar seus lábios em seu colo – do seu cheiro, do seu calor, da sua boca.

Envolveu sua boca novamente em um beijo quente invadindo-a com sua língua brincando com a dela. Maria mordiscava o lábio inferior dele e o queixo com muito desejo, embora começasse a sentir-se um pouco incômoda, seguiu beijando-o intensamente se deixando guiar por seus instintos segurando sua cabeça e descendo as mãos pelas costas dele.

_ Eu te amo, Maria, te amo! Quero que você seja minha, meu amor – ele suplicou ameaçando descer mais a gola do vestido dela quando ela se manifestou.

_ Espera, Estevão. Eu tenho que te contar uma coisa. – ela disse empurrando-o e tentando recuperar o ritmo da respiração.

_ Meu amor, você quer tanto quanto eu, eu sinto na sua entrega nos meus beijos. Por que você resiste? – ele disse beijando-a novamente.

_ Espera! – ela o empurrou respirando fundo. – Eu resisto porque me aconteceu algo que marcou profundamente no passado. E eu não posso fazer amor com você e nem com ninguém antes de falar sobre isso.

_ O que foi? – ele se interessou – O que aconteceu que te impede de se entregar por completo a mim?

_ Um homem me violentou. – ela disse de uma vez baixando os olhos e ajeitando o vestido em seu corpo.

_ O quê!? – ele indagou surpreso e muito revoltado. – Quem fez essa violência com você?

_ Não vem ao caso falar sobre isso agora, Estevão...

_ Não, Maria, claro que vem! Alguém te fez mal, alguém te machucou e eu não estava lá para te defender como você merecia. – ele se censurou levado a mão à cabeça, estava perplexo – Como alguém pode fazer isso com uma mulher como você? Como alguém pode fazer isso a uma mulher? – nesse momento alterou a voz. – Eu quero saber quem é, agora eu posso te defender!

_ Estevão, – ela disse segurando-o delicadamente pelos dois braços – isso aconteceu há quase 20 anos, mas marcou toda minha vida. Todas as vezes que eu estou em um momento como esse que nós tivemos agora, as lembranças voltam a me assaltar e eu revivo o medo e o pavor daquela situação.

_ Meu Deus! Quanta coisa você sofreu, meu amor! – ele disse abraçando-a.

_ Agora você entende porque eu sempre não consigo ir até o fim? – ela disse se entregando ao abraço.

_ Você não precisa explicar mais nada, meu amor. – ele permaneceu abraçado e acariciando seus cabelos. – Nós faremos amor quando você estiver pronta. Tudo que acontecer entre nós vai ser porque você quer. – ele afastou seu rosto segurando-o com as duas mãos. – Agora eu te digo à sério, Maria: eu vou sanar todas as suas feridas.

_ Obrigada. – ela disse baixinho quase chorando e entregando-se em seu abraço.

Maria sabia que aquela não era toda a verdade. As marcas daquele estupro ainda estavam sim, vivas nela, mas haviam outros medos que a impediam de entregar-se a Estevão. Essas marcas estavam em sua alma, eram fantasmas que a atormentavam e aos quais ela seria cada dia mais, obrigada a enfrentar-se. Mas, ao contrário daquele, ele ainda não estava pronta para revelar, ainda não podia fazê-lo.

***

Estrela foi a última a descer para o café-da-manhã. Pela sua cara, Estevão notou que ela ainda estava chateada pelo que acontecera no dia anterior. Ele, ao contrário estava nas nuvens. Tão feliz como há muito não havia estado, como poucas vezes havia estado na vida. Sabia que não tinha muito tempo antes do casamento que tinha extrema pressa de que acontecesse. Sentia um anseio desesperado de recuperar o tempo perdido, de fazer Maria, a mulher que tanto amava, feliz. Ainda mais agora que sabia que ela precisava de carinho e cuidado por tudo o que sofrera longe dele. Resolveu então dizer aos filhos naquele momento, até porque em dois dias seria a festa de Estrela e, nesse evento, Maria entraria em sua casa como a mulher que tinha um compromisso com ele.

_ Que bom que você desceu minha filha. Queria falar com os dois juntos.

_ O que é? – ela perguntou já mostrando-se impaciente

_ É sobre a Maria...

_ Ah, pai, agora essa mulher é o único assunto dessa casa? Por favor! Nem eu nem Heitor queremos saber de seus romancezinhos! Viva a sua vida, mas não traga essa... esse ‘assunto’ – enfatizou ironicamente – tão para dentro de nossas vidas.

_ Estrela, não fale assim! Claro que meu pai tem direito de falar conosco sobre o que acontece em sua vida. – Heitor a repreendeu.

_ Seu irmão tem razão. Todos nós temos muita liberdade em nossa casa, filha, inclusive vocês dois. Além do mais, Maria não é um ‘romancezinho’ em minha vida, é exatamente disso que eu quero falar.

_ Ah, então você vai me dizer que os dois não têm nada? Que ela é só uma amiga do seu passado que ‘por acaso’ – ela enfatizou de maneira cínica – foi sua namorada?

_ Não, minha filha, não é isso. É exatamente o contrário. Quero te dizer, a você e ao seu irmão, que ontem pedi Maria em casamento e ela aceitou.

_ O quê!? – dessa vez foi Heitor quem se surpreendeu. – Mas pai isso é rápido demais! Independente das ressalvas que Estrela e eu tenhamos a esse romance, você não pode pedir uma mulher que você reencontrou há tão pouco tempo em casamento!

_ Pai, ela está te envolvendo, tudo é um plano dela contra nossa família, você não vê? – Estrela reclamou muito alterada. – Você nunca namorou sério nesses anos todos e agora, com dias de ver essa mulher você a pede em casamento? Não posso acreditar no trabalho tão bom que ela fez, no quanto essa mulher é perigosa. Você está agindo como um bobão nas mãos dela.

_ Chega! – Estevão reclamou. – Chega, Estrela! Eu não vou permitir que você falte com respeito à Maria e a mim! Eu posso entender que vocês tenham reservas à ela porque não a conhecem bem, mas uma coisa eu vou deixar bem claro aqui para vocês dois: Maria é uma mulher maravilhosa, e é a mulher que eu amo. E aconteça o que acontecer eu vou me casar com ela na data que nós dois decidirmos. Só estou comunicando agora a vocês porque queria que fossem os primeiros a saber. Não há nada que vocês digam que me façam mudar de ideia.

_ Então você também escute bem o que eu vou te dizer, ‘papai’: Eu nunca vou aceitar essa mulher em minha vida. Na sua você aceita quem você quiser, mas na minha, sou eu quem tomo as decisões. Ela nunca será parte da minha família! – Estrela ameaçou.

_ É a sua decisão minha filha. Eu fico muito triste por você, ao te ver decidindo ter uma atitude... belicosa dentro de sua própria casa e com pessoas que só te querem bem. – lamentou demonstrando que não estava disposto à ceder.

***

A casa estava decorada de maneira jovial, muito parecido com os gostos de Estrela. Desde a decoração, até as músicas e as bebidas e comidas servidas na festas, tudo havia sido organizado conforme a vontade e os gostos dela que, apesar de estar enfrentando contrariedades naquele momento, se dedicou feliz aos preparativos de sua festa de 19 anos. A casa estava cheia de amigos, toda a família reunida e ela dançava animadamente.

Quando Maria entrou, levada pela mão de Estevão chamou atenção de muitos no salão. Os amigos de Estrela que a haviam conhecido na faculdade que, como ela em certo momento, a admiravam, Maria era uma figura extremamente imponente. Os outros convidados ficaram fascinados pela beleza e exuberância de Maria que vestia um elegante conjunto preto com um detalhe do lado esquerdo da blusa que chamava ainda mais atenção para sua beleza. Ela se soltou da mão de Estevão e começou a andar em direção à Estrela que parou de dançar e ficou olhando-a de maneira desafiadora como já praticamente havia se tornado costume desde que Estrela soube da história de Maria com Estevão. Quando chegou perto dela, estendeu a mão com uma aljava que trazia dentro o pacote com o presente.

_ Feliz aniversário Estrela! Você não sabe como me deixa feliz que você comemore seu aniversário de uma maneira tão alegre.

Estrela pegou o pacote, olhou para os lados e apenas sorriu. Jogou a aljava em uma mesinha ao lado, como que desdenhando, olhou fixamente para Maria e disse...