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Maria e Luciano chegaram ao escritório San Roman ainda no início da manhã. Lupita, a secretária, os recebeu perguntando se tinham hora marcada com algum advogado do escritório.

_ Não temos hora marcada, mas queremos falar com Evandro Maldonado.

_ Vou ver se ele pode recebê-los. A quem eu anuncio? – a secretária indagou

_ Avise que somos Luciano Martins e Maria Fernandes.

_ Um momento, por favor.

Maria e Luciano se afastaram um pouco da secretária e conversavam baixo sobre o que aconteceria em seguida.

_ Você tem certeza que quer fazer isso hoje mesmo, Maria?

_ Luciano, eu estou nervosa, mas não insegura. Sei que estou fazendo a coisa certa e considero esse um dos principais passos para me aproximar de Estrela.

_ Você sabe que Estevão vai estranhar muito que você tenha comprado essas ações ainda mais depois do... Depois da aproximação que vocês tiveram nos últimos dias.

_ Sim, Luciano. Mas não se preocupe, eu já sei bem como lidar com Estevão. Tenho certeza que, mais cedo do que penso, estarei na casa dos San Roman, vivendo com a minha filha.

_ Maria, o problema em tratar essa situação com calculismo é que, por mais que você tenha o controle sobre o que se apresente, não estamos falando de algo simples de controlar. Estamos falando de pessoas, suas reações e seus sentimentos. Você já pensou que, com tudo isso, você pode afastar de vez sua filha de você e até o próprio Estevão?

_ A mim pouco importam os sentimentos e o que Estevão possa pensar. Depois que eu me casar com ele, tudo que me importará será manter-me em sua casa para estar perto de Estrela. Eu a conheci, Luciano, ela tem admiração por mim, pela pessoa que eu sou, pelo meu trabalho. Não é possível que eu vou conseguir estragar essa impressão ao me aproximar dela. Que depois que me conhecer melhor ela não sentirá afeto por mim.

_ Não, não estou dizendo isso. É impossível que uma pessoa receba seu amor e o rejeite, se aproxime de você e não te admire mais. Mas sim, acho que você deveria pensar na reação de sua filha ao saber a verdade. Ela poderia questionar seus métodos, suas atitudes.

_ Eu já pensei nisso, Luciano e resolvi assumir o risco. Além disso, agora já cheguei longe demais, não há como retroceder. Espero que minha filha possa entender que eu fui capaz de tudo por ela.

_ O advogado Maldonado pediu que vocês dois entrem. – Lupita disse num tom um pouco alto para que eles ouvissem porque haviam se afastado de sua mesa.

_ Obrigada, minha jovem. – Maria agradeceu.

Ao entrarem na sala de Evandro, ele os recebeu com seu cinismo característico.

_ Vocês não me deram nem tempo de anunciar ao meu sócio que eu havia concluído a negociação. Nem tempo de eu arrumar minhas coisas para tomarem posse de minha sala.

_ Apenas seguimos a sugestão que você mesmo nos deu ontem. De nos apresentarmos hoje mesmo. – Maria o respondeu sem intimidar-se.

_ Tudo bem. Vou pedir que vocês aguardem alguns minutos em minha sala. Vou falar com Estevão e os demais membros da diretoria da empresa e solicitar uma reunião extraordinária. Em alguns minutos você será a dona de minha parte nessa empresa, Maria.

_ Não se esqueça que eu já sou desde ontem, Evandro. – ela respondeu sorrindo. – Aguardaremos aqui enquanto você organiza a reunião.

***

Evandro iniciou a reunião com Estevão, Heitor, os outros advogados do escritório e Lupita dizendo que tinha um importante comunicado a fazer sobre algo importante para o futuro do escritório San Roman.

_ Imagino que seja algo realmente importante para você solicitar uma reunião extraordinária sem nenhum aviso. – Estevão estranhou o fato que era atípico em seu sócio.

_ Sim, há alguns dias eu anunciei a você e a Heitor que pretendia me retirar do escritório, me aposentar e que venderia minha parte na empresa. Eu não tive tempo de anunciar-lhes, mas ontem concluí essa negociação. Já não faço parte dessa empresa. Caso vocês tenham interesse, posso continuar a prestar serviço em um ou outro caso que se lhes faça necessário assessoria, eu terei imenso prazer em fazê-lo, por nossa amizade e o carinho que eu tenho por esse escritório.

_ Claro que sim, tio. O prestígio do Escritório San Roman foi construído em parte pelo seu talento em lidar com casos difíceis, você é responsável por parte da fama de nossos advogados. – Heitor observou.

_ Eu agradeço, filho. E me alegra que jovens advogados como você se inspirem no trabalho que eu realizei no momento em que penso em me retirar da profissão. Essa reunião é também para apresentar-lhes as pessoas a quem eu vendi minha parte da empresa e que agora se integrarão ao escritório San Roman. O Luciano Martins e a pessoa a quem ela representa que já estão aqui. Vou pedir para que entrem.

_ Por favor, Evandro, queremos conhece-los. – Estevão se mostrou ansioso.

Evandro abriu a porta e fez sinal aos dois para que entrassem. Maria entrou na frente e Luciano a seguiu com a mão direita em suas costas.

_ Essa é Maria, ainda que Estevão já a conheça, creio que o mesmo não acontece com os outros presentes. Foi ela quem investiu o capital na compra da minha parte no escritório. Esse é Luciano, advogado e seu representante na negociação. De fato, eu só soube que a pessoa que ele representava era Maria ontem, durante todo o tempo que essa negociação transcorreu, negociei apenas com ele.

Estevão observou aquela cena e escutou as palavras de Evandro espantado. Ele poderia dizer que o fato de Maria comprar parte de seu escritório o deixava muito incomodado e confuso, mas, na verdade, ele em pouco ele conseguiu colocar atenção além da proximidade entre ela e Luciano e a mão dele em suas costas. Mordeu seu lábio inferior com violência reagindo ao imenso ciúme que sentiu. Queria entender tudo o que acontecia naquela sala, mas, nesse momento, o mais importante era saber quem era aquele homem e qual a relação dele com Maria, porque ele a tocava com tanta confiança, porque ela confiava nele a ponto dela lhe delegar uma negociação tão importante como aquela. Se deu conta de que pouco conhecia da sua vida atual, da grande mulher de negócios que ela era, respeitada, bela, desejada e a sentiu extremamente distante dele naquele momento, o que o feriu. Sentia extremo desejo de desvendar e descortinar não só seu corpo, mas sua vida, para assim, conhecer a sua alma e poder, por fim reconquistá-la. Aquele amor o estava consumindo, não conseguia mais racionar sequer em se tratando de negócios como naquele momento.

_ Maria? – Heitor rompeu o silêncio. – É a mesma Maria de que você me falou outro dia, pai?

_ Sim, filho, é ela. – Estevão respondeu ainda descrente daquela situação. – Ainda que essa notícia de hoje é completamente surpreendente para mim.

_ Meu interesse por esse negócio ocorreu antes de nos reencontrarmos, Estevão. – Maria começou a lançar a explicação que tinha ensaiado para aquele momento. – Tinha interesse em investir um capital e pedi a Luciano que estudasse investimentos nos quais ele pudesse representar meus interesses, já que o trabalho na joalheria não me deixa muito tempo livre. Luciano é meu advogado e amigo há muitos anos. Ele me sugeriu que investíssemos em um escritório de advocacia do qual ele havia ouvido rumores de que tinha ações à venda. Sua sugestão se deu por ser esse o negócio que ele, como advogado, podia melhor me representar. Me surpreendi ao saber que se tratava justamente do escritório de vocês dois, mas acreditei que o fato de nós três nos conhecermos desde o passado, não seria um problema em se tratando de negócios, afinal, as relações pessoais não devem interferir nos negócios, foi uma das primeiras lições que aprendi ao me tornar empresária. Evandro concordou com a negociação quando nos encontramos ontem e a concluímos sem nenhum grande sobressalto. Sua empresa me pareceu um bom investimento, Estevão. Espero que isso não seja um problema para você, seus funcionários ou para seu filho.

Luciano espantou a tranquilidade com que ela cunhava aquela explicação que, apesar de fazer algum sentido, estava muito longe de ser toda a verdade. Para ele também era incômodo estar frente a frente com Estevão, ver como ele a olhava, ver como eles se olhavam naquela fração de segundos. Luciano tinha claro que havia algo vivo entre os dois, uma cumplicidade, um sentimento, algo com o qual ele não podia competir, estava se conformando. Ao mesmo tempo, não podia deixar de lhe provocar tristeza sentir que a perdia mesmo que nunca a tivesse, de fato, possuído.

_ Sua explicação parece bastante plausível, pelo que vejo a senhora é uma mulher de negócios e aproveita as oportunidades de aumentar seu patrimônio e não há nenhum problema nisso. – Heitor, como sempre sensato, ponderou. – Porém, não deixa de ser estranho que no momento que meu pai e a senhora voltam a ter contato, a senhora surpreenda tornando-se sua sócia. Não sei, fica a sensação de que talvez pretenda alguma coisa...

_ Eu imagino que fique essa sensação. A mim também surpreendeu quando vi seu pai dentro da minha joalheria escolhendo uma joia, não esperava voltar a vê-lo num momento que essa negociação já estava se desenhando, mas sobre isso, eu não tive nenhuma responsabilidade. Ele foi comprar um presente na minha joalheria, foi só uma coincidência.

_ Tem razão. – Heitor concordou. – E como a senhora mesma disse, negócios e vida pessoal não devem ser misturados. Bem vinda à empresa. – encerrou a frase estendendo a mão.

Maria lhe devolveu a gentileza apertando sua mão. Heitor, de fato, se incomodava com a presença daquela mulher ali, ainda mais depois de perceber o quanto alterou seu pai voltar a vê-la alguns dias antes e de saber seu significado no passado de toda sua família. Mas era um jovem educado e, concretamente não tinha nada contra ela. Não podia se colocar como seu inimigo no momento em que apenas se conheciam e sabendo que trabalhariam juntos. Mas, claramente se colocou na defensiva, com a intenção de observá-la, de conhecer suas intenções.

_ E com quem vamos tratar aqui, com a senhora, ou com o advogado Martins, seu representante? – Pedro, um dos advogados do escritório perguntou.

_ Tratarão mais com Luciano. Mas, em um primeiro momento, estarei mais presente porque gosto muito de conhecer os negócios nos quais eu invisto. Por mais que meu negócio seja do comércio e não tenha muito a ver com advocacia, quero saber como meu capital está investido, como funciona esse negócio e como ele vai representar lucros para mim. Afinal, é essa a essência de um investimento, não? – Maria explicou ao advogado.

_ Claro, sua postura é a correta. – Estevão concordou olhando-a misterioso. Estava nervoso, com a garganta seca. Surpreso, confuso e com muito ciúme principalmente em cada momento em que ela deixava claro o quanto confiava em Luciano e na intimidade que ele percebia entre eles nos olhares e nos sorrisos.

_ Sim, Maria age corretamente. Ela confia em mim, mas todo o capital aqui investido pertence à ela e eu quero que ela conheça o trabalho e em que ela vai investir seu dinheiro, por isso também lhe sugeri que ela dedique algumas horas de seu dia, a partir de agora, a conhecer o trabalho realizado no escritório San Roman e, principalmente, em como correm as contas da empresa, área na qual não precisaremos assessorá-la de nenhuma maneira porque ela possui muita experiência. – Luciano colocou sua postura.

_ Se não há mais nada a tratarmos, podem voltar a trabalhar. Apenas peço que preparem um escritório para mim e outro para Luciano nessa empresa porque, como ele sugeriu, dedicarei algumas horas do meu dia a conhecer esse escritório e seu funcionamento. – Maria encerrou aquele encontro.

_ Claro, isso não será problema – Evandro se mostrou prestativo. – Maria pode ficar com a minha sala, já que é a maior e mais confortável da empresa e, a partir de amanhã eu, definitivamente me retiro e Lupita pode preparar uma das outras salas para o advogado Martins.

_ Claro, farei isso agora mesmo. – Lupita respondeu.

_ Então a reunião está, realmente, encerrada. – Estevão dispensou os colegas.

Todos saíram da sala e quando Luciano e Maria se viraram, Estevão a chamou:

_ Maria, espere, eu quero falar com você.

Maria e Luciano se entreolharam, ele como que indagava qual era a atitude que devia tomar naquele momento.

_ Pode ir, Luciano. Eu quero conversar com o Estevão. – ela respondeu à pergunta que ele não fez com palavras.

_ Tudo bem, Maria – ele concordou olhando para Estevão e beijando-a no rosto. – Eu te ligo à noite. – se despediu antes de sair da sala.

_ Me acompanhe à minha sala, lá falaremos mais à vontade. A sala de reuniões é um espaço comum e o podemos ser interrompidos.

Maria concordou e o acompanhou meio que sem entender porque ele estava tão sério. Teria duvidado de suas explicações e tinha intenção de tirar satisfações com ela sobre comprar parte da empresa? Quando entraram em sua sala, ele nem sequer pediu que ela se sentasse. Segurou-a fortemente pelo braço e perguntou visivelmente alterado:

_ Quem é esse homem?

_ Solte o meu braço, Estevão! Você está louco? – ela reagiu.

Ele soltou seu braço e se afastou um pouco dela, mas não serenou sua expressão.

_ Eu quero saber quem é esse homem e a importância dele em sua vida, Maria!

_ Você não percebe que essa sua reclamação não tem o menor sentido, Estevão? Entre nós dois não há nada. Além disso, eu já disse lá dentro quem é o Luciano. Meu advogado e amigo de muitos anos. Não entendo porque você ficou desse jeito.

_ Amigo, Maria? Amigo? Por favor! Eu vi como ele te olhava, como ele te abraçou quando vocês entraram na sala, como ele te beijou ao se despedir, como te disse que te ligaria a noite. Está claro que esse homem está apaixonado por você! – ele disse levando as duas mãos à cabeça e se virando para porta, estava louco de ciúmes, perdeu totalmente o controle.

_ Estevão, Luciano e eu somos apenas amigos. E eu pensei que você tivesse me chamado aqui para falar sobre negócios, sobre a compra das ações da sua empresa. Se eu soubesse que o assunto eram essas suas exigências absurdas sobre mim, teria ido embora com Luciano. Você não entende que não tem sentido o que você está me reclamando? Que nós dois não temos nada!

_ Ir embora com ele? Era isso que você queria, não é? Você está chateada porque eu te tirei um tempo precioso que você teria com seu ‘amiguinho’? – ele perguntou de maneira cínica, olhando-a nos olhos com raiva.

_ Eu vou embora! – Maria disse pegando sua bolsa. – Eu não tenho porque escutar suas acusações e reclamações absurdas! – ela disse caminhando em direção à porta.

Estevão rapidamente se interpôs entre ela e a porta segurando-a, dessa vez pelos seus dois braços.

_ Me solte, Estevão, eu quero ir embora!

_ Maria você não percebe que eu estou louco? Que eu estou louco de ciúmes, que eu estou louco por você? – pela primeira vez ele serenou sua expressão, mas não a soltou.

_ Estevão, me solte! Eu estou percebendo que você está louco, mas por um capricho, uma bobagem, alguns beijos sem importância, esqueça isso!

_ Me machuca quando você fala assim, Maria. – ele a soltou. – Por que você mente dessa maneira para mim, para si mesma? Não é possível que você não sinta o que eu sinto quando eu te beijo e o anseio que eu sinto para não deixar de te beijar, para voltar a te beijar, para te ter entre meus braços. Me diga sinceramente, Maria, você realmente não sente nada quando eu te toco? – perguntou acariciando suavemente seus cabelos e olhando-a nos olhos.

_ Eu não tenho porque te responder essa pergunta. – respondeu fugindo do contato visual com ele. Agora os papéis haviam se invertido, era ela quem fugia de seu olhar. – Assim como não tem sentido você ter ciúmes de mim, Estevão. Eu comprei parte da sua empresa, mas foi um investimento de negócios e confesso que depois que você tem me procurado com intenções de alguma coisa, sinceramente, me arrependi de tê-lo feito. Você pode entender errado minha atitude. Com você eu só tenho intenções de negócios, não quero voltar a ter nenhum tipo de relacionamento com você e queria que você entendesse isso de uma vez.

_ Você explicou porque quis investir no meu escritório e eu acreditei em você. No que eu não acredito é que você não sinta nada quando eu te beijo e que esse imbecil do Luciano seja só seu amigo.

_ Eu não entendo porque nós estamos tendo uma discussão dessas. Estevão, nós não temos um relacionamento!

_ Porque você não quer! – ele voltou a segurá-la pelos braços, mas dessa vez nem deu chances de ela responder e a beijou.

Maria, como das outras vezes, se entregou no beijo. Gostava de como o enlouquecia, de como ele perdia totalmente o controle quando se tratava dela. Como devorava seus lábios com avidez, com urgência, com necessidade. Ele beijava com ânsias sua boca, suas bochechas, quando desceu pelo colo ela pela primeira vez se manifestou.

_ Não, Estevão, isso não está certo! – disse com os olhos fechados.

Ele ignorou seus protestos com os quais já se havia acostumado e seguiu beijando-a com sofreguidão. Maria também o beijava, por mais que quisesse, não podia resistir à suas carícias e o abraçou, se entregando. Estevão envolveu seu corpo com seus braços e caminharam até o sofá de sua sala onde ele a deitou com carinho. Maria ameaçou dizer algo em protesto, mas ele a calou antes que ela dissesse qualquer coisa com mais um beijo quente invadindo a boca dela com sua língua. Durante alguns minutos se beijaram com aflição. Estevão desceu por seu pescoço, carinhoso, porém, cheio de voracidade. Com sua boca alcançou seu colo, enquanto ela respirava ofegante, entregue e excitada. Estevão percebeu sua receptividade aos seus beijos e carícias e intensificou a exploração de seu corpo alcançando seus seios enquanto acariciava com sua mão direita sua cintura, suas pernas, suas nádegas. Ela se arqueava e se mexia já quase sem controle de seu corpo pelo prazer que aquelas carícias lhe proporcionavam. Ele queria explorar todo seu corpo com avidez. Maria acariciava seu rosto, o beijava e se deixava beijar e acariciar, também ansiava por aquele contato. De repente ele desabotoou um botão de sua blusa e ela reagiu pulando do sofá.

_ Pare, Estevão, eu não quero!

Dentro de si, Maria se censurou: “Meu Deus, o que eu quase permiti que acontecesse?” Estevão se levantou e se aproximou enquanto ela ajeitava seus cabelos alvoroçados e abotoava o botão de sua blusa que Estevão havia desabotoado. Ele a olhou nos olhos como que se tivesse desvendado um mistério.

_ Maria, você não pode mais negar seus sentimentos por mim. Eu senti sua entrega aqui, nós quase fizemos amor.

_ Mas nada mudou, Estevão. Eu não quero voltar a confiar em você. – ela tentou fugir do assunto porque sabia que não poderia negar a entrega de seu corpo naquele momento.

_ Eu já entendi qual é o problema, porque você se nega tanto a aceitar o meu amor.

_ Ah, é? – Maria sorriu – Mas isso não é um mistério, eu já te disse porque eu não quero que volte a acontecer nada sério entre nós: eu não posso te perdoar por seu abandono há vinte e dois anos, sua descrença. Não quero voltar a confiar em você e me decepcionar, Estevão.

_ Exatamente. O seu medo é que eu te decepcione, que você não possa confiar em mim porque você acha que eu não posso te oferecer nada de concreto porque eu não o fiz no passado.

_ E onde você quer chegar me dizendo coisas que nós dois já estamos cansados de saber, Estevão? – Maria indagou cética

_ Eu sei como te dar confiança. Te dar o que você quer. Maria, eu te amo com desespero e te amo há mais de 20 anos. – ele segurou sua mão direita com ternura. – Não temos mais nada que esperar. Você quer se casar comigo?