Elo Irrevogável
24 Capítulo 24 - Desassossego
Notas iniciais
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Era chegado o momento da verdade para Estevão, o momento de toda a verdade. Maria havia tentado evitar que aquela verdade fosse lançada de uma vez e ainda mais naquele momento, mas que ele ouvisse aquele diálogo precipitou as coisas. Para completar, Evandro dentro da casa deles com uma arma. A polícia entendeu que Evandro seria um risco para a família de Estevão, mas não imaginaram que ele seria tão ousado de ir até a casa dele poucas horas depois do incidente com Estrela em sua casa. Eles ainda se ocupavam em buscar Evandro próximo de sua residência quando ele entrou na casa de Estevão e Maria na manhã de domingo.
_ Você disse que Estrela é a filha que vocês dois tiveram? Foi isso que você disse Evandro? – Estevão indagou totalmente descrente
Era demais para ele imaginar que não era o pai biológico de sua menininha. Tantas coisas em sua vida eram de mentira, mas o amor que havia entre ele e os filhos não. Especialmente com Estrela que ele tinha uma relação tão cúmplice. O desesperava que tudo aquilo fizesse sentido. Maria acabara de lhe contar que tivera uma filha que lhe foi roubada e essa filha... essa filha era Estrela, não podia crer. “Não, não é verdade”, se repetia insistentemente.
_ Então você não chegou nessa parte da história com ele, Maria? – Evandro se divertiu com a possibilidade de provocar um conflito entre o casal.
Maria estava estática desde a pergunta de Estevão do alto da escada. A essa altura ele já havia descido e estava próximo deles. Não havia se intimidado por nova ameaça de Evandro com uma arma na mão, fiava-se sem sua covardia característica e também era movido pela adrenalina do momento, era uma verdade forte demais para que ele se deixasse paralisar pelo medo.
_ Evandro, por favor, não seja ainda mais miserável, não piore as coisas que já estão muito complicadas. – Maria finalmente se manifestou pedindo a Evandro que se metesse no acerto de contas entre Estevão e ela.
_ Maria, eu não estou fora dessa história, estou dentro, você não pode evitar. Vou guardar a arma e vamos conversar, afinal estamos todos envolvidos. Estrela tem o meu sangue, é minha filha e Estevão finalmente está conhecendo a razão pela qual você voltou a se aproximar dele. – desferiu mais um feixe de palavras cheias de sarcasmo e cinismo que tiveram exatamente o efeito que ele queria.
_ Isso é verdade, Maria? – Estevão ainda não saíra do estado de incredulidade provocado pela revelação.
Maria não respondia, permaneceu olhando para o chão aflita, havia sido descoberta. O que ela mais temia desde que se casara com Estevão estava acontecendo: ele a estava demandando sobre as razões pelas quais ela se aproximou dele.
_ Não fique em silêncio, Maria, me responda! – Estevão se alterou. – Tudo o que esse patife está dizendo é verdade? Você acha que Estrela é a filha que você teve e por isso se casou comigo? – indagava aos gritos
_ Ela não acha, Estevão! Ela tem certeza e eu posso confirmar porque fui eu mesmo quem pegou essa criança na casa e em que Maria vivia e a coloquei nos braços de Consuelo. – Evandro desfrutava da decepção que via na expressão de Estevão ao ouvir tudo aquilo.
_ Cale a boca seu imbecil! – Gritou Maria desconcertada com a situação. – Você não acha que tudo o que me fez há 20 foi o suficiente? Agora você quer voltar a destruir a minha vida? Se te resta alguma dignidade suma da minha casa, das nossas vidas de uma vez!
_ E perder o espetáculo da reação do seu... marido? – Enfatizou Evandro com desfaçatez. – Quero assistir de camarote. – disse dando uma gargalhada e sentando-se no sofá da mansão. – Aliás – voltou a usar de cinismo – suspeito que depois de hoje essa não vai ser mais sua casa. Você acha que Estevão vai te perdoar por ter sido tão interesseira?
_ É a verdade, Estevão. – Maria confirmou sem conseguir olhar para ele. – Mas não dessa maneira que Evandro está dizendo.
_ É dessa maneira sim, meu querido amigo, Estevão, ela não consegue admitir. – espezinhou Evandro. – Não foi o amor de toda a vida que a fez voltar a se aproximar de você e te seduzir para se casar com ela. Foi a vontade de recuperar sua filhinha que eu tirei dela e que foi criada por você.
A cara de Estevão era de total decepção. Então Maria não o amava, concluiu. Que mais mentiras estariam entre eles? Se perguntava perdido. E sobre Estrela... sobre Estrela ele se negava a acreditar que fosse verdade. Maria correu para cima de Evandro e começou a socá-lo cheia de ódio.
_ Seu infeliz desgraçado, saia daqui, saia dessa casa! Suma! – gritava.
Ele segurou suas mãos desfrutando do ataque de raiva dela e sorrindo. Era muito mais forte que ela não só por ser homem, mas pelo seu porte forte, alto.
_ Eu não quero te machucar, já te disse desde que entrei aqui... – disse empurrando-a no sofá.
_ Você não coloque suas mãos nela, seu infeliz! – esbravejou Estevão socando-o. Quando ele caiu no chão ele correu até ele e tomou a arma que ele havia guardado na cintura. – São notícias de Estrela que você quer, pois eu te dou. Ela ainda corre risco, mas está estável. O tiro que você deu nela não a matou, mas ainda requer cuidados. Agora suma da minha casa se você não quiser que eu dispare essa arma contra você! – gritou ameaçador!
Evandro colocou as mãos em posição de rendição, mas sorriu cinicamente enfurecendo Estevão.
_ Vai voltar a ficar valente contra mim, Estevão?
Ele entregou a arma nas mãos de Maria e pediu:
_ Segure apontada para ele que eu vou me acertar com esse imbecil.
Ela atendeu assustada:
_ Por favor, Estevão, fique calmo, meu amor! – pediu em vão.
Esse meu amor não soou bem para Estevão, estava muito magoado com ela, mas, sobretudo, tinha muita raiva de Evandro e do cinismo com a qual ele levava aquela situação. Começou a socá-lo e a chutá-lo violentamente, como que descarregando toda a raiva que trazia dentro de si:
_ Você é um desgraçado. Estuprou uma mulher pela qual, segundo você, você tem sentimentos. – disse segurando-o o no chão com a mão esquerda enquanto apontava a mão direita cerrada para seu rosto. – Sequestrou uma criança que tinha o seu sangue e alterou a vida dela e de muitas pessoas. – voltou a socá-lo. – E fala disso com orgulho depois de entrar armado em minha casa – gritava ofegante.
_ Eu não estuprei ninguém! – Evandro gritou com um pouco de medo.
_ Não negue seu desgraçado, está claro que você é capaz disso e muito mais! – disse Estevão desferindo mais um soco que provocou um corte em sua têmpora que sangrou abundantemente. – Minha filha está numa cama de hospital lutando pela vida por sua culpa e você ainda tem coragem de ser cínico?
_ Eu nunca quis ferir Estrela. – justificou-se Evandro tentando se soltar e se defender dele, mas a raiva e o ódio de Estevão impediam-no.
Maria correu até o telefone e chamou a polícia e Evandro se deu conta disso. Lutou para soltar-se de Estevão, queria voltar a fugir, mas Estevão seguia desferindo golpes contra ele com os punhos e os pés. Estava exausto da luta corporal que havia empreendido contra Evandro. Este, ainda que muito machucado conseguiu soltar-se e quebrar um vaso na cabeça de Estevão fazendo com que ele caísse no piso mareado. Ele correu para a porta e conseguiu fugir segundos antes de a polícia chegar à casa.
***
Estevão estava sentado sobre o sofá com a respiração ainda alterada. Maria cuidava do ferimento em sua cabeça provocado pelo vaso que Evandro arremessara sobre ele. A polícia recolhia indícios e verificava o circuito interno de segurança da casa. As imagens deixariam claro os fatos, não seriam necessárias muitas declarações. A arma havia sido colocada em um saco plástico e seria levada para a delegacia para comprovar que dela saíra a bala que ferira Estrela. O investigador responsável se aproximou do casal que evitava se olhar para esclarecer os fatos:
_ Nós já estamos de saída senhor Estevão. Entendemos sua situação, que vocês têm uma filha no hospital e vamos seguir as investigações na delegacia.
_ Eu agradeço. – disse Estevão.
_ Estamos levando as gravações de seu circuito interno de segurança, a arma e vamos analisar vestígios de sangue que encontramos pela casa. Lhes pedimos aos dois, que são testemunhas importantes dos fatos, assim como seu filho Heitor que falou conosco há algumas horas, que estejam sempre disponíveis para que possamos empreender perguntas que sejam necessárias.
_ Assim será! – Estevão confirmou. – Estávamos de saída para o hospital, para estar com... – olhou para Maria decepcionado – com minha filha quando esse infeliz invadiu nossa casa. Queremos estar com ela quando acorde, se é que já não aconteceu, ela precisa de nós.
_ Sim, eu compreendo. Bom dia e melhoras para sua filha. – se despediu o investigador.
Quando a porta se fechou após os últimos policiais Maria se levantou e olhou toda a sala. Estava totalmente desordenada, alguns móveis estavam fora de lugar, no chão haviam cacos do vaso que se quebrou, ramos das flores que estavam nele e manchas de sangue pela briga de Evandro e Estevão.
_ Quando chegarmos ao hospital – ela disse timidamente – você devia pedir a um médico que veja esse corte na sua cabeça, ainda está sangrando, talvez tenha que dar ponto.
_ Isso é uma bobagem. – ele respondeu frio.
_ Não é, é melhor que você veja o médico. – ela insistiu preocupada.
_ Está bem! – encerrou o assunto. – Vamos!? – perguntou firme.
_ Nós temos que conversar. – disse Maria angustiada.
_ Sim, nós temos! – ele concordou. – Mas será uma conversa longa e definitiva – disse num tom que assustou Maria que baixou os olhos, novamente sem conseguir olhar para ele – e nesse momento Estrela nos espera no hospital. Não será bom que eu... – se interrompeu triste – que nós não estejamos ao seu lado quando ela desperte.
_ Você tem razão. – ela concordou desalentada.
No caminho até o hospital não se dirigiram a palavra. Os dois estavam destroçados por dentro. Estevão por sentir que ela não o amava, que o amor por parte de Maria para com ele não havia sido sincero e por perceber que sua filha, a quem ele dedicara tanto amor não era seu sangue. “Que covardia Evandro e Consuelo lhe haviam feito”, pensou. Ela, por sua vez, estava destroçada por sentir que o perdia, que a decepção dele por ela era maior do que todo amor que ele lhe jurara insistentemente desde que se reencontraram. Sentia que aquilo era demais para o amor generoso que ele lhe dedicava desde que voltaram a se amar, que ela não conseguiria seu perdão.
Desde o começo ela sabia disso, não era uma surpresa para ela, mas como não doer até desgarrar-se a alma? Estevão era o homem de sua vida, seu único amor e ela o havia magoado inexoravelmente. Camila lhe havia advertido que ela sairia daquela história infalivelmente machucada, mas ela quis assumir o risco. E da mesma maneira que assumira o risco agora estava sendo enfrentada às implacáveis consequências do caminho que ela escolhera. E ao contrário do que ela pensou no início, não era algo simples de suportar, definitivamente não era.
***
Chegaram ao hospital e encontram Heitor ainda na sala de espera e estranharam.
_ Ainda não permitiram que você entrasse para ficar com ela? – Maria foi a primeira a perguntar.
_ Na verdade acabaram de vir me avisar que podia entrar no quarto, que ela já está lá. – ele respondeu animando-os.
_ E podemos ficar com ela os três? – Estevão perguntou.
_ Não por muito tempo. Logo vai se terminar o horário de visitas e só uma pessoa poderá acompanhá-la.
_ Então vamos entrar e aproveitar o tempo com ela, sim? – sugeriu Maria.
_ Vamos! – Estevão concordou.
Estrela despertou vagarosamente quando eles entraram no quarto.
_ Vocês estão aqui... – disse com a voz melindrada pelos efeitos dos medicamentos e a fraqueza do seu corpo com um leve sorriso.
_ Claro que sim, minha princesinha! – Disse Estevão emocionado. – Onde mais nós iríamos estar?
_ Como você está se sentindo, filha? – indagou Maria sem recordar que a Estrela lhe incomodava que ela a chamasse de filha e, agora, também a Estevão, estava tomada pela emoção.
_ Me sinto enjoada... – respondeu com dificuldade. – Eu vou ficar bem? – perguntou estranhamente com o olhar dirigido à Maria.
_ Claro que vai, minha pequena! – respondeu Maria emocionada segurando sua mão delicadamente. – É claro que vai. Você é forte e não vai se deixar vencer tão facilmente.
_ Eu gosto do jeito que a senhora fala. Me dá confiança. – confessou Estrela sorrindo. Estevão olhou enciumado, temia perder sua menininha.
_ É porque ela está dizendo a verdade, maninha. – disse Heitor feliz por vê-la razoavelmente bem.
Estiveram com ela alguns instantes até que a enfermeira veio avisar-lhes que teriam que sair e só uma pessoa poderia ficar com Estrela como acompanhante. Ficaram em um impasse para decidir quem ficaria até que Heitor sugeriu que fosse Maria que ficasse.
_ Maria, por que Maria? – Estevão estranhou.
_ Porque ela é mulher. Estrela se sentirá mais à vontade com ela, não? – ele explicou.
_ Sim. – Estrela concordou e baixou os olhos. – É nessas horas que minha mãe mais me faz falta.
Maria e Estevão se entreolharam. Como aquela frase tinha significado e Estrela ainda não sabia. Sim, ela teria sua mãe para acompanhá-la em um momento de adversidade no hospital. Não a havia perdido como toda a vida acreditou. Assim como ela havia passado a vida toda desejando ter sua mãe com ela, toda a vida Maria havia ansiado poder ser sua mãe. Havia dedicado os dias de seus melhores anos a encontrá-la, pouco lhe importava como ela havia sido concebida, aquela menina era seu tesouro.
_ Se você está de acordo, tudo bem, filha. Heitor e eu estaremos todo o tempo aqui na sala de espera do hospital, a uns poucos passos, sim? – Estevão cedeu.
_ Obrigada, papai. – agradeceu a jovem sensibilizada pelo carinho que recebia da família.
Heitor e Estevão se despediram de Estrela com beijos carinhosos e saíram do quarto deixando-a com Maria. Na sala de espera os dois conversaram sobre o que aconteceu na casa. Estevão não se atreveu a dizer ao filho o que descobrira sobre Estrela. A verdade é que ainda se negava a acreditar naquilo e em tudo o que representava.
Maria desfrutou da companhia da filha, apesar das circunstâncias. Ajudou-a no que foi necessário acompanhou-a durante uma semana no hospital. As duas se aproximaram nesse tempo e ela se recuperou muito bem, saindo dos riscos que aquele tiro representara. A hostilidade que existia entre elas foi desaparecendo no convívio diário. Maria a deixava poucos instantes apenas para ir em casa uma ou outra vez. Quando se cruzava com Estevão à sós, no hospital e em casa, evitavam o contato, falar sobre o que acontecera naquele domingo na mansão. Maria, em certos momentos, refletia sobre o que lhe dissera Evandro naquela manhã de todo o incidente: “Suspeito que depois de hoje essa não vai ser mais sua casa. Você acha que Estevão vai te perdoar por ter sido tão interesseira?”
Por isso evitava conversar com Estevão sobre esse fato. Repetia para si mesma: “Será que ele vai terminar tudo? Será o fim?” e, por mais que sempre tivesse sido uma mulher forte, corajosa, não se atrevia a falar com Estevão sobre os dois depois de tudo aquilo. Com relação à ele estava tomada pela vulnerabilidade do amor. Camila foi ao hospital visitar Estrela e Maria aproveitou para conversar com ela um pouco na cafeteria.
_ Como você está no meio disso tudo, amiga? – Camila estava preocupada.
_ Não sei. – Maria respondeu sincera. – Estou muito feliz que Estrela esteja se recuperando tão bem, o médico disse que logo ela terá alta, mas Estevão e eu...
_ Vocês ainda não conversaram desde que ele soube a verdade? – Camila se surpreendeu.
_ Não. Mas eu sei que ele não vai me perdoar, Camila, eu sei. E por isso que eu também evito falar com ele.
_ Sabe? Sabe como se vocês não falaram? Virou adivinha e eu não estou sabendo? – Camila empregou seu jeito espirituoso de sempre tentando dar leveza à conversa
_ Se você visse como ele me olha. – Maria lamentou. – É com tanta decepção, tanto desprezo. Eu não reconheço mais aquele olhar cheio de amor, de ternura, de orgulho por ter me reconquistado. Ele me olha como uma ordinária, como se eu não fosse aquela mulher a quem ele dizia amar tanto.
_ Não exagere!
_ Não é exagero, Camila. Eu vejo o desprezo nos olhos dele e é tão doloroso. Eu nunca pensei que fosse doer tanto.
_ Essa decepção e esse desprezo que você vê nos olhos dele vem do medo que você sente. Enfrente, Maria, seja a mulher corajosa que você é, enfrente! – Camila sugeriu.
_ Você acha? – Maria ainda duvidou
_ Tenho certeza! Vá agora falar com ele! Enfrente de uma vez, é melhor do que você ficar assim.
_ Agora não dá, estou com Estrela.
_ Eu fico com a loirinha. Ela não vai se importar, te garanto.
_ Você tem razão! Vou falar com Estevão agora. Fique com minha filha por favor. – disse Maria se levantando decidida.
***
Estevão examinava alguns documentos no escritório quando ela chegou. Maria ficou observando-o da porta alguns instantes sem entrar. Ele levava algum trabalho para casa no tempo de recuperação de Estrela, mas a maior parte, delegara aos advogados do escritório. Só supervisionava o que não podia deixar para outra pessoa. Ela entrou chamando sua atenção fazendo com que ele levantasse os olhos, mas não disse nada. Ela parou atrás de uma cadeira da frente da mesa dele e olhou-o nos olhos pela primeira vez depois de muito tempo.
_ Eu nunca fui medrosa, sabe? – ela começou a conversa fazendo com que ele colocasse o papel que estava examinando sobre a mesa e voltasse toda sua atenção para ela. – Mas já experimentei todos os estágios do medo essa semana desde que você soube a verdade sobre Estrela.
_ Medo? – ele se surpreendeu.
_ Medo! – ela confirmou. – Medo de sua reação. Medo de falar com você. Medo de como você vai tomar essa história. Mas Estrela já está bem e já passou da hora de eu encarar o que tem de ser encarado. Vamos conversar sobre isso, Estevão?
_ Vamos. – ele concordou seco.
_ Eu quero que você comece me respondendo uma pergunta.
_ Claro! – Estevão concordou. – Que pergunta?
_ Você vai se separar de mim? O nosso casamento acabou?
***

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