Elo Irrevogável

20 Capítulo 20 - Sem Controle (+18)


Notas iniciais
Espero que todos tenham tido um super natal e lhes desejo o melhor ano novo.

***

Maria nunca havia visto Estrela tão vulnerável. Era a primeira vez que a jovem se mostrava frágil frente a ela. Mesmo antes de se declarar sua inimiga, ao descobrir sua ligação com Estevão, Estrela jamais havia dado sinais de fragilidade. Sua força e rigidez frente às pessoas e às situações era uma das características que mais a assemelhavam a Maria. Nisso estava evidente que eram mãe e filha para quem conhecia esse segredo. E até para quem não conhecia a semelhança entre a forma de ser das duas era um fato que intrigava.

E agora Estrela estava abrindo a barreira de sua fragilidade frente a Maria. Isso a assustava. E também assustava à Maria. Ela queria conhecer a filha, que ela lhe tivesse confiança, que ela a aceitasse primeiro como parte de sua vida, uma amiga, para depois aceitá-la como mãe. Mas isso não tinha relação com ver a jovem sofrendo, assustada. Seu instinto de mãe se manifestava ao ver o sofrimento da jovem. Tinha que descobrir o que acontecia com Estrela, queria e precisava protegê-la.

_ Não é nada, só fiquei agradecida porque a senhora estava preocupada comigo e estou nervosa porque não encontro meu celular... – respondeu divagando pouco convincente.

_ É só isso mesmo, filha?

_ Não me chame assim, por favor. – pediu a jovem queixosa.

_ Desculpe. – Maria engoliu seco – Não queria ser invasiva.

_ Tudo bem! – Estrela foi firme tentando não estender o assunto que a desagradava. – Eu não gosto, me incomoda. Madrasta não é mãe.

Essas palavras feriram profundamente Maria que ansiava desesperadamente uma oportunidade de ser a mãe de Estrela. Aquelas palavras tornavam essa oportunidade muito distante por mais que ela houvesse lhe dado uma prova de que algo em Maria mexia com ela ao abraçá-la ao sentir-se desprotegida.

_ Eu entendo. – disse Maria tentando conter a emoção. – Não foi minha intenção. Mas, você tem certeza que nada te aconteceu? Que você não está precisando de nenhuma ajuda, de nada?

_ Não se preocupe, não aconteceu nada e eu sempre me defendi muito bem sozinha. – retomou sua postura defensiva virando-se para tomar o caminho da escada.

Maria num impulso a segurou pela mão, surpreendendo-a.

_ Mas caso você precise... Caso você perceba que há algo com o qual você não possa lidar sozinha e que não seja algo que seu irmão ou seu pai possam ajudar por serem homens... Por favor... Por favor, não hesite em me dizer. Independente de qualquer coisa você pode contar comigo, Estrela.

_ Obrigada! – Estrela agradeceu.

As palavras de Maria lhe fizeram bem por razões que ela não podia racionalmente entender confundindo a menina. Estrela sentiu que tinha segurança ao poder contar com uma pessoa como Maria. E poder contar no sentido de saber que ela era parte de sua família. Por mais que não admitisse, aquilo a agradava. Subiu para seu quarto, um pouco mais aliviada depois do abraço e das palavras de Maria. Correu para o banheiro e tomou um longo banho de ducha. Não quis tomar banho de banheira, mas uma ducha embaixo do chuveiro para que sentisse que aquela sensação de asco que tivera naquele dia fosse embora com a água enquanto Maria também subiu para seu quarto e tranquilizou Estevão com a notícia de que a filha já estava em casa.

***

Estrela chegou à joalheria Acuña no meio da manhã como havia acordado com Maria. Ela a recepcionou animada e chamou à sua gerente Márcia.

_ Márcia, essa é Estrela, minha... – se interrompeu e tomou ar – minha enteada. Ela é estudante de Joelharia e vai nos ajudar a preparar o evento dessa noite. Quero que você a coordene e lhe explique o passo-a-passo do processo de preparação do evento como você sempre faz com os jovens que realizam algum tipo de estágio aqui na joalheria ou no setor de produção.

_ Claro que sim! – Márcia atendeu. – Me acompanhe, Estrela, eu vou te apresentar o trabalho.

_ Eu estarei aqui, supervisionando todos os setores, Estrela. Qualquer coisa, pode me procurar.

_ Obrigada, Maria. – Estrela agradeceu antes de sair com Márcia.

As palavras de Maria agradaram à Estrela quando pediu que a gerente a tratasse como qualquer pessoa que faz estágio na loja como ela lhe havia pedido. Márcia apresentou rapidamente cada um dos setores à Estrela e pediu que ela ficasse auxiliando na organização do salão onde se dariam a exposição e o desfile à noite, pois era o local onde exigia mais trabalho naquela data.

_ Não foi possível iniciar a preparação do salão antes porque aqui é onde funciona nossa loja e nós não podemos simplesmente paralisar nossas atividades mesmo que essa apresentação seja tão importante. Então a maior parte do trabalho fica para hoje mesmo. – Márcia explicou.

_ E por que o evento não é realizado em outro lugar? – Estrela ficou curiosa.

_ A senhora Maria prefere que seja realizado aqui. Nosso salão é um local que possui uma infraestrutura que possibilita a realização do evento e, além disso, ela gosta que a própria loja também seja algo a expor no evento juntamente com nossas peças. Assim a apresentação não funciona simplesmente como um catálogo vivo. Essas são palavras dela. – disse Márcia.

_ Muito inteligente da parte dela, Estrela observou.

Estrela observou fascinada a organização do evento. Não só observou como participou da preparação se envolvendo ativamente no máximo de atividades que podia. A joalheria a deixava embasbacada. Mas o que mais a fascinava era Maria. A forma como ela lidava com o trabalho. Separava as peças, decidia a ordem das que estavam selecionadas para o desfile e a disposição daquelas que ficariam na loja com maestria. E tudo isso também fazia com uma calma admirável. Lidava com seus funcionários com muito respeito e cumplicidade. Todos a admiravam e desfrutavam trabalhar ao seu lado. Além disso respeitavam muito a experiência e a força que tivera para chegar onde estava naquele momento. Nada havia sido fácil para ela. Essa admiração deixava Estrela muito confusa. “Eu quero odiá-la e manter distância, mas algo me impede”, disse-se.

***

Às 4 da tarde estava tudo preparado na loja. Sob a liderança de Maria tudo estava disposto impecavelmente sem nenhum contratempo. Tudo havia saído conforme o previsto.

_ Você já pode ir pra casa, Estrela. O evento está programado para as 20 horas. O ideal seria que você estivesse aqui às 18:30 para observar a organização do desfile embora agora tudo esteja nas mãos da orientadora das modelos. – Maria dispensou a jovem.

_ Estarei aqui. Então vou rápido pra casa para me arrumar. – Estrela se despediu.

_ Eu vou fazer o mesmo. – disse Maria.

Estrela se dirigiu à porta da joalheria e algo que ela viu na rua a arrefeceu. Ela engoliu seco e voltou para dentro em direção à Maria que pegava sua bolsa e se despedia de alguns funcionários que ficariam na loja.

_ Maria...

_ Estrela? Voltou? – Maria se surpreendeu.

_ A senhora me dá uma carona? É que como vamos para o mesmo lugar, posso deixar meu carro aqui e o levo à noite, depois da apresentação.

_ Claro. – Maria, apesar de ficar feliz com o pedido, estranhou a atitude de Estrela. – Está tudo bem?

_ Sim, tudo bem. – Estrela mentiu.

Ela não aceitava, mas sentia proteção em Maria e, naquele momento, era a pessoa de sua família mais próxima a quem ela podia recorrer.

***

Maria chegou ao evento às 18:30h com Estrela. Estavam lindas, deslumbrantes. Alguns órgãos da imprensa especializada compareceram ao evento. Estevão chegou às 20h e se encantou com tudo. Sentiu-se extremamente orgulhoso de Maria, da empresa que ela havia levantado sozinha, fruto de seu esforço. A mulher que ele amava e que agora era dele. O evento transcorreu dentro da programação sem nenhum contratempo. Maria apresentava às peças e agradecia à presença de todos recebendo sempre muitos olhares de admiração e aplausos. A imprensa fotografava o desfile e às peças dispostas para exposição fazendo com que o objetivo do evento fosse totalmente alcançado. Estevão estava sempre ao lado de Maria como um marido orgulhoso que era. Afastou-se para falar com um conhecido que havia visto. Nesse momento, Luciano se aproximou de Maria para felicitá-la.

Estevão viu de longe a aproximação e imediatamente enlouqueceu de ciúmes. Era algo que ele não conseguia evitar. Ficava cego, não conseguia pensar. Não conseguia agir naturalmente ao ver Luciano perto de Maria. Maria agradeceu a felicitação de Luciano feliz e o abraçou. Nesse momento os ciúmes dominaram totalmente Estevão que abandonou o homem com quem conversava sem explicação e se aproximou rapidamente de Maria e Luciano.

_ Afaste-se dela, imbecil! – disse empurrando-o.

Maria imediatamente se interpôs entre eles e suplicou:

_ Por favor, Estevão, você está louco?

Ele ignorou seus pedidos e segurou Luciano pelo colarinho atraindo a atenção de todos no salão.

_ Você vai se arrepender se continuar cercando a minha mulher, escute bem o que eu estou dizendo! Fique longe de Maria! Ela é minha mulher! Minha mulher! – disse enfurecido.

Luciano não reagiu. Ao contrário de Estevão, lembrou-se da importância daquele evento para Maria. Apenas se afastou de Estevão e disse:

_ Você está louco. Louco!

Retirou-se do lugar da confusão tentando não demonstrar a tensão da situação tendo uma atitude totalmente racional. Os olhares do salão ainda estava voltado para o casal, mas Estevão parecia não se importar ou não pensar em nada.

_ Eu já te pedi para se afastar desse idiota, Maria, já te pedi. – disse segurando fortemente o braço dela.

_ Estevão, olha o espetáculo que você está dando. Por favor, não seja infantil. – disse rapidamente soltando-se dele.

Ele pareceu entrar um pouco em razão. Olhou para os lados, respirou fundo e foi embora da joalheria deixando Maria ali sozinha. Maria buscou controlar a situação como pôde, mas não era impossível evitar que aquela discussão desagradável fosse também um destaque de seu evento. A apresentação terminou sem outros sobressaltos e Maria permaneceu na joalheria até que o último convidado saísse.

Estrela que continuava amedrontada não deu muita importância aos ciúmes do pai, apesar de sim ter notado e pediu a Heitor e a Vivian que acompanhassem o carro dela até em casa quando eles foram embora, pois estava um pouco assustada aquele dia. O irmão e a namorada atenderam prontamente preocupados com ela. Maria foi a última pessoa a sair da joalheria. Olhou tudo e disse para si mesma: “O que você fez, Estevão? O que você fez?”

***

Maria irrompeu no quarto enfurecida. Estevão estava na janela olhando para o nada perdido entre seus pensamentos. Os ciúmes ainda o consumiam, não conseguia pensar livre deles. Quando ela entrou, ele a olhou com ar de reprovação e ameaçou dizer algo. Antes que ele concluísse o movimento de abrir a boca ela jogou a bolsa sobre a cama e gritou:

_ Você não vai dizer nada! O que é que você está pensando? Você ficou louco, Estevão? – reclamou enfurecida surpreendendo-o, pois ele jamais havia visto Maria tão alterada. Nunca haviam discutido acaloradamente, levantando a voz.

_ Maria aquele imbecil me tira... – ele percebeu que ela estava muito nervosa e procurou justificar sua atitude durante a festa.

_ Não justifique seu comportamento culpando Luciano, Estevão! – ela voltou a gritar – O único que agiu como um garoto inconsequente foi você! Você tem noção da importância daquele evento para mim? O evento é realizado uma vez no ano, é a vitrine do estilo de produtos que eu vou colocar no mercado durante todo um ano e o que você fez? Você fez com que a vitrine da minha empresa fosse uma acalorada discussão entre meu marido e meu amigo. Por um ataque de ciúmes infantis, Estevão! Você não é um adolescente, é um homem!

_ Maria, eu tento, mas... – voltou a procurar justificar sua atitude, mas nem sequer ele mesmo conhecia as palavras para fazer aquilo naquele momento.

_ Dessa vez eu não vou aceitar tão fácil suas justificativas. Em que momento eu te dei motivos para desconfiar de mim? Em que momento eu desrespeitei sua casa, seu sobrenome, esse casamento? Se nós realizamos esse casamento na nossa fase madura, ajamos como pessoas maduras, Estevão, não como os adolescentes que éramos quando nos separamos! – ela se manteve firme.

_ Você está certa, está certa. Tem toda razão em ficar tão brava comigo, eu agi como um idiota. Como eu sempre fico com relação aos meus sentimentos por você...

_ Os sentimentos não são idiotas, Estevão! O que é idiota e intolerável são esses seus ciúmes! Você se transforma! Além de quase bater no Luciano ainda me deixou lá sozinha, cheia de vergonha para explicar tudo para os que tiveram o desprazer de presenciar aquela discussão tão fora de lugar e sem nenhuma razão.

_ Claro que eu tive razão. Ele estava outra vez dando em cima de você! Eu não suporto quando ele chega perto de você, Maria, não suporto! O sangue me sobe à cabeça e tudo que eu penso é em tirá-lo à qualquer custo do meu caminho!

_ Pois agindo assim a única coisa que você vai conseguir é que eu saia do seu caminho! – ela disse fitando-o firmemente nos olhos.

_ O que você está dizendo? – Estevão indagou atemorizado.

_ Isso mesmo que você ouviu, Estevão! Qual seria a grande dificuldade de eu jogar esse casamento para o alto? O que me impede de pegar todas as minhas coisas agora e ir embora dessa casa e acabar de uma vez com tudo isso?

_ Você não vai a lugar nenhum! – agora foi ele que gritou andando aceleradamente em sua direção segurando-a pelos braços quase na altura dos ombros.

_ E por que eu não iria? – ela desafiou-o olhando-o com os olhos brilhando forte de raiva.

_ Eu não permito que você vá! – ele disse em um tom autoritário, mas com a voz baixa aproximando seu rosto do dela. – Você é minha... – ele sussurrou no ouvido dela – minha! – se aproximou de sua boca para beijá-la, mas ela se virou.

_ Não, eu não quero! – ela se negou não muito segura.

_ Eu não vou deixar você ir de jeito nenhum. – ele reafirmou encostando sua testa na dela com os olhos fechados. Segurou o rosto dela com as duas mãos obrigando-a não só a olhá-lo, mas a que sua boca estivesse muito próxima da dele – Você é minha! – disse roçando seus lábios nos dela. – Minha Maria! – voltou a beijá-la envolvendo ardentemente sua boca.

Maria inicialmente não reagiu, mas também não impediu que ele a beijasse. A adrenalina da raiva que ele lhe havia provocado com seu comportamento e aquela discussão lhe deram um gosto de excitação diferente. Estevão estava mais ardente, mas voraz, o intenso desejo que ela percebeu da parte dele a excitavam, lhe deixavam quase entregue à ele, ainda que estivesse chateada com seu comportamento. Desistiu de resistir e também o beijou. Ele desabotoou seu vestido com fúria, tinha pressa. Também desabotoou sua camisa e a levou nos braços para a cama sem deixar de beijar sua mulher seminua. Ali seguiu beijando-a e lhe proporcionando prazer não de maneira lenta, mas com voracidade, estava louco de desejo, a devorava.

Arrancou as peças de suas lingeries e também não demorou para ficar nu. Maria soltava alguns gemidos sem conseguir conter o prazer enquanto ele percorria todo o seu corpo inebriando-a com beijos e carícias íntimas. Ela desfrutava delas com os olhos fechados, assim as sensações eram mais intensas. Ele acariciava seus seios enquanto beijava seu pescoço. Quando desceu a mão para sua intimidade e começou a estimulá-la ela soltou um gemido mais forte excitando-o. Estevão gostava de ouvir seus gemidos, de sentir que lhe dava prazer. A excitação dela o queimava, enlouqueciam-no de desejo.

Ele a levantou pela cintura e a colocou sobre si penetrando-a. Queria que ela estivesse por cima daquela vez para desfrutar da visão de seu belo corpo se movimentando sobre ele, fantasiava com isso, sonhara algumas vezes que os dois faziam amor assim. Ela gemeu já louca de prazer pelas carícias que recebera. Enquanto fazia movimentos horizontais sobre ele, envolvida pelo prazer que sentia ao fazer amor com o homem que amava, Estevão desfrutava da visão de seu corpo bem desenhado descendo e subindo com ele dentro dela. Ela alternava entre apoiar suas mãos sobre o torso dele e segurar os cabelos virando a cabeça para trás sem deixar de movimentar-se fascinando Estevão com a visão que tinha dela, era maravilhosa.

À medida que se aproximavam do orgasmo as respirações dos dois se agitavam e junto com o som dos gemidos no quarto, os de Maria mais constantes e intensos eram como a música que regia aquele amor que experimentava um momento agitado. Maria chegou ao orgasmo, mas não cessou os movimentos até que Estevão também atingisse o ápice do prazer, mesmo sem muito controle do seu corpo. Quando ele chegou ao ápice, ela se deitou ao seu lado com a respiração ofegante buscando recuperar o ar e o ritmo de sua respiração ainda sentindo espasmos de prazer em seu corpo. Não se aninhou nos braços dele como costumava fazer quando terminavam de fazer amor.

Estevão talvez tenha entendido esse seu gesto, ou a falta dele, como um sinal de que ela queria mais. Deitou-se sobre ela, suado por já haverem feito amor uma vez, e voltou a beijá-la. Maria correspondeu quente. Suas línguas se encontravam e se movimentavam enchendo-os de sensações de prazer que antecedem o ato sexual. Ele abriu as pernas dela e voltou a invadí-la com seu membro e desfrutando da recepção de seu corpo aos seus movimentos ainda leves. Ele ficou de joelhos sobre a cama encaixando o corpo dela no dele e entrando e saindo fazendo com que ela soltasse gemidos curtos. Entre sussurros e gemidos ela disse baixinho:

_ Ahhh te amo.

Ele interrompeu os movimentos desfrutando das palavras dela em meio ao prazer de fazer amor com ele.

_ Isso, meu amor, diga que me ama, eu preciso que você diga, minha Maria. – pediu.

_ Te amo, Estevão... – ela disse sussurrando. A voz quase não saía pelas sensações de prazer dos movimentos de Estevão cujo corpo estava milimetricamente encaixado ao dela.

Não demoraram muito para chegarem outra vez ao orgasmo juntos. Estevão gritou, mas ela, dessa vez, desfrutou do prazer do ápice quietinha, apesar de que seu corpo experimentava espasmos incontroláveis e de ela se mexer mais uma vez fascinando Estevão com os movimentos de seu corpo frente ao prazer que tivera com ele. “Oh, Deus – pensou Maria – é maravilhoso fazer amor com ele.”

Ele se deitou ao lado dela cansado e extremamente satisfeito. Só com Maria se sentia assim. Nenhuma mulher lhe despertava tanto desejo e vontade de fazer amor sem parar como ela. Não era só seu corpo que o atraía, seus gestos, seus movimentos, sua voz, Maria o inebriava. “Assim deve ser a ação de uma droga sobre o corpo”, pensou Estevão.

Maria logo que conseguiu respirar num ritmo mais controlado pegou o roupão que estava ao lado da cama e vestiu, levantando-se e dando alguns passos.

_ Ei, onde você vai, volta aqui! – Estevão chamou.

_ Isso não pode continuar assim, Estevão! – ela sentenciou.

_ O que não pode continuar assim? Nossa vida sexual? Está maravilhosa! Cada dia percebo que estou mais apaixonado e louco de desejo por você. – ele brincou tentando quebrar a rigidez que percebera nas palavras dela.

_ Seus ciúmes! – ela respondeu.

_ Eu sei meu amor, eu sei que passei dos limites, que fui um imbecil, que atrapalhei um evento muito importante para sua empresa. Não vai acontecer de novo, eu te prometo!

_ Sim, não vai acontecer de novo, Estevão, não pode acontecer de novo, senão eu...

_ Não! Não volte a dizer isso! – ele a interrompeu pulando da cama e segurando o braço esquerdo dela. – Eu não suporto escutar você dizendo que me deixaria, isso eu não suportaria.

_ E eu me sinto muito magoada com sua pouca confiança, Estevão. Me sinto uma imbecil fazendo amor com você depois que você... – disse com a voz embargada.

_ Não diga isso, Maria, foi tão lindo. Você se entregou porque me ama tanto quanto eu amo você. E eu confio em você, confio totalmente em você e no seu amor.

_ E porque você está, de uns tempos para cá, dando provas diariamente de que não acredita nisso? – ela indagou com os olhos cheios de lágrimas.

_ Não é você, Maria, é ele! Quando eu vejo Luciano perto de você eu enlouqueço. Ele te ama e eu sei a joia preciosa que você é...

_ E que pertenço inteiramente, de corpo e alma, à você.

_ Eu prometo que vou controlar meus ciúmes! Eles não vão mais ser um problema entre nós.

_ Promete? – ela perguntou segurando sua mão.

_ Prometo! – ele confirmou. – Só se eu estivesse louco que voltaria a te magoar. Você não sabe como me dói que você esteja triste e seja por minha causa. – acariciou levemente o rosto dela. – Me perdoe por hoje, meu amor. Eu te amo tanto, tanto...! – beijou-a cheio de arrependimento, amor e desejo.

Ela também o beijou e abraçou seu torso nu.

_ Eu preciso que você confie em mim, Estevão, porque quero te contar uma coisa muito importante da minha vida e eu não vou conseguir te contar se não tiver certeza de sua confiança em mim.

_ Eu confio meu amor, confio inteiramente, sinto ciúmes, mas não é falta de confiança e sim insegurança de minha parte mesmo.

_ Eu vou tomar um banho e depois quero te contar algumas coisas da minha vida. Você está preparado para ouvir?

Notas finais
Gostou do capítulo? Comente, favorite, recomende que assim vocês estarão me dando gás para continuar a escrever. Beijocas e até o próximo!