Notas iniciais
Galera, demorei um cadinho pra postar... Eu estive muito ocupado hoje e ainda tenho um PC Semi-Morto... Bem, vamos logo com isso pois sei que não querem saber da minha vida...

– Acho que esqueci alguma coisa... – disse Kaede a si mesma enquanto andava pelas ruas. – O que será que foi?

Ela usava o uniforme do curso: Uma camisa com o símbolo de uma águia com um lápis nas garras. “Quem teria pensado em tal logomarca?”, perguntava-se. Além disso, usava uma calça comum, um tênis preto e uma mochila azul na qual estavam seus os materiais.

Enquanto andava pensativa em direção ao curso, ela não prestou atenção e acabou esbarando em alguém na esquina. A pessoa estava correndo em disparada.

Ambos caíram, cada um para um lado. A pancada foi tão forte que Kaede deu um giro de 180° antes de cair no chão.

– Desculpe! – disse o rapaz, se levantando.

– Tudo bem. – disse Kaede, tentando se levantar. – Ai!

Ela sentiu uma dor enorme quando tentou se apoiar em pé e caiu novamente. A velocidade com que o rapaz a atingiu a fez bater de joelho no chão com força.

– Eu te ajudo. – o rapaz estendeu a mão para ela.

– Obrigado. – ela segurou sua mão.

O rapaz usava a mesma camisa que ela. Parecia ter uns 25 anos, tinha cabelos ruivos e olhos azuis, provavelmente filho de estrangeiros. Em seus ombros estava pendurada uma mochila preta que parecia estar bem pesada.

Ele a ajudou a levantar.

– Consegue andar? – perguntou ele, aparentemente já sabendo a resposta.

– Acho que não. – disse ela.

– Ok. – ele passou o braço direito dela por cima de seus ombros. – Nós vamos pro mesmo lugar, então vamos juntos.

– Tá...

Ele a levou até um prédio com a mesma logo que havia em sua camisa. O lugar tinha cinco andares e 25 metros de largura por 15 de comprimento. Tinha uma boa aparência também.

Ao entrarem, ele levou até os armários de tênis, ao lado da entrada, onde havia um com o nome dela. Depois, ajudou a tirar os tênis e colocar os uwabaki.¹*

Ele a levou até o saguão de entrada, onde havia uma recepcionista vendo algumas coisas no computador. Havia um elevador no lado direito do lugar, ao lado da escada. Do lado esquerdo, um corredor que terminava na sala do diretor.

– Vou te levar até a enfermaria. – disse o rapaz, enquanto entravam no lugar.

– Não precisa. – disse ela. – Não quero me atrasar pra aula. No intervalo eu vou.

– Então tá. Qual sua sala?

– Eu ainda não sei, tenho anotado no caderno.

Ele, ao invés de deixa-la procurar, foi direto a recepcionista. Ela tinha cabelos pretos e olhos azuis e devia ter uns 27 anos. Usava um uniforme azul com a logo do curso costurada no peito esquerdo.

– Karen, pode me ajudar? – perguntou o rapaz.

– Isso vai custar algo mais tarde, Ariano. – disse ela, lambendo os lábios.

– Este não é o momento para suas piadas. – ele permaneceu sério. – Estou querendo achar a sala dessa garota.

Ela olhou para Kaede, que não escondia seus chifres.

– Bem, qual seu nome, diclonius? – perguntou Karen, na maior cara de pal.

– Kaede. – ela nem ligou para a demonstração de preconceito da mulher.

A mulher pesquisou um pouco e achou.

– Sala 5, primeiro andar, número de chamada 16. – disse Karen.

O rapaz levou Kaede até o elevador e depois até a sala. Ao chegar lá, o professor dela estava entrando na sala também. Ele carregava consigo alguns papeis, entre eles a lista de alunos.

– Se não é o alemão. – disse o professor. – O que está fazendo aqui?

– Vem trazer uma de suas alunas. Ela se machucou no caminho para cá.

O professor olho atentamente para Kaede. Parecia ter uns 39 anos, tinha cabelos castanhos, curtos, e olhos negros, penetrantes. Usava uma calça caqui e uma camisa social fechada até o penúltimo botão.

– E você é?

– Sou Kaede, número 16.

O professor olhou na lista, para ver se ela era dali.

– Aqui. – disse. – Kaede. Número 16, sala 1-5. Pode se sentar em qualquer lugar vago.

A sala não era nem pequena, nem grande. Haviam pessoas de diversas idades: 25, 17, 32, etc. Da metade para trás, estava totalmente ocupado pelos adolescentes e jovens, e, da metade para frente, estavam as pessoas um pouco mais velhas. A maioria estava ali para estudar, mas alguns pareciam nem ligar para nada, como se estivessem ali obrigados.

Kaede pediu para o rapaz deixa-la na primeira cadeira da sala, de frente para o professor. Depois, ele saiu e foi para sua sala.

Ao verem os chifres dela, começaram a cochichar:

– Uma diclonius aqui? – disse alguém.

– Ela parece ser bem mais velha que as que eu vejo por ai. – disse outra pessoa.

Kaede parecia nem ligar.

– Vamos começar, pessoal. – disse o professor, sentando-se em seu lugar. – Eu sou Wada Riki²*, o professor de vocês. Peço que me chamem de senhor Wada. Como hoje é o primeiro dia de aula, eu vou fazer a chamada e peço que vocês se levantem ao ouvir seu nome e falem um pouco de si mesmos, para eu saber quem são.

Ele começou a chamada. Ao chegar ao 16...

– Número 16, Kaede.

– Presente. – disse ela, sem se levantar, somente levantando a mão. — Meu nome é Kaede, tenho 20 anos e sou diclonius. Peço desculpas por não me levantar, mas é que eu acabei me machucando no caminho para cá. Se estiverem com medo de mim, não se preocupem. Se não quiserem se aproximar de mim, não ligo. Só peço uma coisa: Não fiquem mexendo comigo para o seu próprio bem. Faz tempo que eu não faço nada com ninguém e isso realmente deixa um certo peso e uma vontade de destruir algumas coisas.

Logo depois disso, o professor continuou a chamada.

Na hora do intervalo, Kaede ia sair da sala para ir à enfermaria, se apoiando nas paredes, quando deu de cara com o rapaz de antes.

– Ops. – disse o rapaz, de súbito. – Está indo até a enfermaria?

– Sim. – disse ela.

– Eu te levo. – ele estendeu a mão para ela.

Ela aceitou. Ele guiou-a até o elevador, pelo qual voltaram ao térreo. De lá, foram até a enfermaria, que ficava no meio do corredor da entrada.

Era uma enfermaria bem simples: Algumas macas, um armário de remédios, um armário de equipamentos e uma escrivaninha. Sentada em uma cadeira, de frente para a escrivaninha, estava uma mulher loira de olhos verdes usando um jaleco por cima de uma saia preta e uma camisa cinza. Parecia ter uns 35 anos.

– Se não é o nosso Europa. – disse a mulher, olhando para Kaede apoiada nele. – O que houve dessa vez? Quebrou a perna dela?

– Ha ha ha... – ironizou ele. – Muito engraçado, doutora Misaki.

Ele colocou Kaede na maca com todo o cuidado.

– O que está sentindo, menina? – perguntou a médica. – O que ele fez?

– Eu cai de joelho no chão. – disse Kaede. – Não estou conseguindo nem apoiar o pé.

– Entendo. – Misaki se aproximou dela. – Foi há quanto tempo? Cinco minutos?

– Na verdade foi a quatro horas...

A médica encarou-a. Depois, encarou o rapaz.

– Como assim? Esbara na garota, machuca o joelho dela e nem a traz na enfermaria?

– Ela que pediu para leva-la para a sala. – ele tentou se justificar. – E como você sabe que eu esbarei nela?

– Eu estava passando na rua na hora. – respondeu.

– Então porque perguntou? – disse ele, revoltado.

– Eu não posso ajudar alguém que acha que está bem. Preciso ouvir da boca de meus pacientes o que eles sentem.

Ela tocou no joelho de Kaede, fazendo-a grunhir de dor.

– Ok. – disse Misaki. – Preciso que você saia, Europa. Vou precisar tirar a calça dela.

O rapaz saiu, deixando a médica com Kaede.

– Bem, vamos lá. – Misaki desabotoou a calça de Kaede. – Se levante um pouco.

Kaede se apoiou o bastante para médica retirar sua calça até a canela.

– Pronto. – disse a médica, soltando a calça. – Calcinha preta, hein?

– Vamos logo ver o importante? – Kaede estava com certo receio.

A doutora olhou o joelho dela, que já estava totalmente roxo.

– Nossa. – disse Misaki, apavorada. – Por que você não veio aqui antes?

– Eu não queria me atrasar no primeiro dia.

A doutora deixou pra lá.

– Dói? – perguntou ela, encostando de leve.

– Um pouco.

A doutora foi até seu armário de remédios e pegou um pote com um gel verde. Depois, começou a fazer massagem no joelho dela.

– Vai doer um pouco. – disse Misaki, apertando com mais força.

– Ai! – grunhiu Kaede.

Misaki continuou com a massagem, uma massagem que doía muito. Depois da massagem, ela pegou uma atadura com algum tipo de remédio e enrolou na perna dela.

– Pode colocar a calça. – disse Misaki.

Ela foi até o armário de equipamentos e pegou um par de muletas.

– Você pode usa-las aqui dentro, mas deve devolver antes de ir. – a médica estendeu as muletas para Kaede. – Até lá, a dor já deve ter diminuído.

– Obrigado. – Kaede se sentou na maca e pegou as muletas.

– Agora, uma pergunta. – a médica voltou para sua cadeira. – Você é diclonius, não? Não poderia usar seus vetores para se locomover?

– Bem, até dá, mas eu evito usa-los fora de casa. – Kaede ficou de pé para sair. – Já é ruim quando acontece um acidente em casa; imagina se acontecesse um na rua?

– Entendo. – disse Misaki. – Espero não vê-la muitas vezes aqui além de hoje.

– Também espero. – disse Kaede.

Ela saiu da enfermaria e do lado de fora, o rapaz ainda esperava por ela, um tanto preocupado.

– Então? – perguntou.

– Vou ficar bem. – disse ela. – Só vou ter que devolver essas muletas mais tarde.

– Tudo bem então. – o rapaz parecia aliviado. – Ainda bem acabou antes do intervalo acabar.

Kaede lembrou o que estava fazendo-a quebrar a cabeça mais cedo: Havia esquecido o almoço.

– Vamos à cantina. – disse o rapaz, percebendo o que havia acontecido. – Eu compro algo pra você.

– Não precisa. – disse Kaede, com vergonha.

– Eu machuquei você. Leve isso como pedido de desculpas.

– Ok.

Eles foram até o elevador e subiram ao quinto andar. Ao saírem do elevador, deram de frente com um refeitório enorme. Ao fundo, a cantina.

– Se sente em algum lugar. – disse o rapaz. – Eu compro lá.

Ela se sentou perto do elevador. O lugar não estava tão cheio, já que a maioria das pessoas já havia comido, mas havia muito barulho. Quando Kaede entrou, o barulho sessou e deu lugar a burburinhos. Quem estava sentado perto dela se afastou, com medo.

– Aqui está. – disse o rapaz, entregando um sanduíche para ela. – Como não sabia o que comprar, comprei um sanduíche comum mesmo.

– Muito obrigado. – Kaede pegou o lanche.

As pessoas em volta estavam vendo aquilo, incrédulas.

– Esse cara é idiota? – sussurravam as pessoas. – Só podia ser esse cara. O Alemão.

Ele se sentou ao lado dela e começou a comer seu sanduíche. Kaede também começou a comer, mas algo não saia de usa cabeça.

– Por que todos são desconfiados de você... – ela ainda não tinha perguntado o nome dele.

– Albert Kutner. – disse ele. – Me chame de Albert.

– Então, Albert, por que disso tudo? – perguntou.

– Bem, primeiro, porque sou estrangeiro; segundo, sou alemão; terceiro, sem querer, consegui mandar minha primeira professora para o hospital, com a perna quebrada e trauma de bolinhos.

– Trauma de bolinhos? – ela riu.

– Longa história. – ele deu de ombros e deu outra mordida. – Só sei que desde então, todos ficam fazendo piada de mim e me chamando de Alemão, Europa, Ariano, etc.

– Bem, por que está fazendo esse curso?

– Eu vivi viajando. – disse ele. – Meus pais trabalhavam assim e eu tive que estudar em casa. O problema é que nem toda empresa aceita pessoas que estudaram em casa...

– E você teve que fazer o curso pra conseguir emprego.

– Sim. – disse ele. – Já estou no Japão e tem esse curso, fiquei aqui estudando. Meus pais estão do outro lado do mundo.

– Entendi. – ela deu uma mordida no lanche. – Só mais uma pergunta: Por que você ainda está perto de mim? Eu sou diclonius e tudo mais.

– Isso? Eu não julgo as pessoas pelo que são por fora, mas por dentro. Você parece ser uma pessoa boa, então eu confio em você.

Ela sorriu e continuou comendo. Cada um foi para sua sala após o almoço.

Depois das aulas, Kaede deixou as muletas na enfermaria e foi para casa. Aquele foi um primeiro dia muito estranho.

– Albert. – repetiu ela, mancando até em casa. – Ele parece ser boa pessoa.

Bem, esse foi o primeiro dia dela no curso. Haviam mais quatro anos pela frente.

Notas finais
Notas: ¹*: Uwabaki é o nome dos sapatos que se utiliza dentro das escolas e casas japonesas, pois a tradição japonesa diz que não se deve usar os sapatos “sujos” que se usam nas ruas dentro de casa. ²*: Pra quem entende de Dota: Warda que o Riki tá ai! Bem, esse é o penúltimo. Semana que vem acaba...