Elfen Lied – Um Novo Futuro
12 Capítulo 12 – Alegria
Notas iniciais
Algumas semanas após a volta às aulas, todos se reuniram na pensão: Miguel, Mariko, Hiromi, Emi, Mayu, Kaede, Kanae, Kouta, Yuka, Nana, Marcos, Patrícia e Isabela. Junto de Patrícia estava seu filho, Enzo, que fazia um ano no dia. Era um sábado à tarde.
– Consegui galera. – Miguel estava na frente de um notebook, na cabeceira da mesa de jantar. – Podemos conversar com o pessoal do Brasil.
Marcos e Patrícia, que carregava Enzo em seus braços, foram até a frente do computador. Patrícia deixou Enzo de frente para a câmera, para poderem vê-lo.
– Meu netinho! – disse a mãe de Marcos e Miguel, em português. Ela parecia ter uns 55 anos. – Que lindo!
– Me deixe ver. – disse a avó deles, tirando a própria filha da frente. A avó parecia ter uns 80 anos, mas bem conservada. – Lindo menino. Meu primeiro bisneto, Enzo. Que Deus te abençoe e te proteja de todos os males, menino do coração da vovó.
O garoto riu, feliz.
– Feliz aniversário, Enzo! – gritou o pessoal do outro lado do mundo.
Um rapaz, que parecia ter a mesma idade de Miguel, apareceu na tela.
– Traz bolo pra mim, tá, Miguel? – perguntou ele, brincando.
– Vou levar, Pedro. – respondeu Miguel.
O pessoal da pensão deixou somente Miguel no notebook para ele conversar com a mãe e a avó. O rapaz fez um sinal para Mayu, pedindo para ela se aproximar.
– Esta é minha namorada, Mayu. – Miguel apresentou a menina para a mãe, em português. Depois, ele se direcionou para Mayu. – Estas são a minha mãe e minha avó. – ele disse em japonês.
– Prazer em conhecê-las. – disse Mayu, em português.
– O prazer é meu. – disse a mãe de Miguel. – Meu nome é Lúcia e o de minha mãe é Valentina.
Lúcia olhou bem para o filho, encarando-o.
– Você não fez nada de errado com ela, fez? – perguntou.
– Não, mãe! – ele ficou envergonhado. – A senhora é muito maldosa.
– Não posso mentir. – disse Mayu. – Houveram acidentes, mas nada que fosse por querer.
– Acidentes, é? – disse Lúcia, num tom irônico. – Por causa de um acidente que você nasceu, Miguel. E que acidente...
– Mãe, diferente de você e do Marcos, eu não sou um tarado. Vocês são exemplos de pessoas que criam preconceito mundial com o Brasil, dizendo que somos um bando de safados que só querem saber de sacanagem...
– Olha como fala com sua mãe. – disse Lúcia.
– Mas ele tem razão. – disse dona Valentina. – E olha que eu criei vocês direitinho.
– Tia, o que a vó disse é verdade. – Isabela entrou na frente da tela. – A cada dez frases que você diz, vinte tem sacanagem.
– Mãe! Bela! Vocês são muito más!
Eles deram algumas rizadas, mas Lúcia ficou séria de repente.
– Tenho que sair agora. Tem alguém aqui querendo falar com vocês.
Ela deu o lugar para um homem de óculos.
– Podem chamar o pessoal, por favor? – perguntou Kurama, ficando na frente do computador.
– Claro. – disse Miguel. – Pessoal! O Kurama tá aqui!
Mariko e Hiromi foram as primeiras a ficar de frente para o notebook, seguidas de Nana e os outros.
– Papai! – gritou Mariko.
– Mariko! – ele lagrimejava. – Você cresceu tanto.
– Papa! – Nana entrou na frente de Mariko. – Quando você volta?
– Nana! – Kouta tirou a garota da frente do notebook.
Kurama riu e limpou as lágrimas do rosto.
– Bem, esse é um dos assuntos que quero falar. – disse ele. – Na verdade, tanto eu como a Arakawa poderemos voltar ao Japão daqui a dois meses, segundo a decisão do governo. Então, logo logo estarei com vocês.
Hiromi sorriu levemente, mas com certa tristeza.
– Só daqui dois meses? – perguntou. – Eu não aquento nem mais um dia e você me diz dois meses.
– Não se preocupe. Esse tempo vai passar rápido.
Miguel, que já estava sendo esmagado pela pilha de gente que havia vindo conversar com Kurama, fez um gesto para darem espaço.
– Vamos deixar a família a sós. – disse, se levantando. – Eles têm muito para conversar.
Os outros deram espaço e se espalharam pela casa, deixando Kurama, Hiromi e Mariko conversando.
Um pouco mais tarde, alguém chamou no portão.
– Deve ser ele. – Kaede correu até a porta.
Ao abrir, Albert, o ruivinho do curso, estava esperando. Usava uma calça jeans preta, uma camisa de botão branca de manga curta e um sapatênis bege.
– Pode entrar. – Kaede deixou-o entrar. – O pessoal estava louco para te conhecer.
– Ok. – ele foi até a varanda e tirou os sapatênis.
Ao entrar, ele foi o centro das atenções. Kaede o levou até o meio do pessoal, na sala de jantar próxima dos fundos, para apresenta-lo a todos.
– Pessoal, este é Albert Kutner, o rapaz que me ajudou no primeiro dia de aula. – disse ela.
Kouta se aproximou dele e estendeu a mão. O rapaz retribuiu o gesto, apertando a mão de Kouta.
– Prazer, Albert. – disse. – Eu sou Kouta, o “irmão mais velho” da Kaede.
– Tá mais pra quase ex-namorado. – disse Kanae, brincando com irmão. – Se bem que tudo que eu ouvi que fizeram não faria ser quase...
Kouta a encarrou, sério.
– Você tem que aprender a travar sua língua, sua pirralha. – disse ele, ainda sério. Depois se virou novamente para Albert. – Me desculpe por ela. Ela está numa fase difícil.
– Sei como é. Tenho duas irmãs, uma mais velha e uma mais nova.
Eles se entreolharam de uma forma que somente os homens entenderiam e disseram um ao outro pelo olhar: “Boa sorte... Vai precisar...”.
Yuka se aproximou do rapaz, simpática.
– Eu sou Yuka. – disse ela. – Espero que cuide bem de Kaede.
– Claro. – disse ele. – Eu faço isso.
Eles seguiram com a festa, com Albert falando um pouco sobre sua vida e seus apelidos: Europa, Ariano, Alemão, Filhote de Nazista, etc.
Enquanto todos conversavam, Mayu e Miguel deram uma escapada e foram sozinhos para os fundos da pensão. Ela usava uma blusa de manga longa fina e uma saia um pouco acima dos joelhos. Ele usava uma jeans azul e camisa clara manga curta.
Ao chegarem lá, fecharam a porta que dava para fora.
– Dá pra acreditar que chegamos a isso? – perguntou ele, colocando a mão no bolço para pegar algo.
– Não mesmo. – ela riu e fez o mesmo. – Vamos fazer isso?
– Vamos.
Ambos tiraram um pequeno embrulho de seus bolsos e estenderam um para o outro, dizendo:
– Feliz Aniversário de Namoro.
Depois, eles viraram-se de costas um para o outro e abriram seus presentes. Ela ganhou um cordãozinho de prata e ele, uma pulseira masculina de prata e couro.
– Obrigado. – disseram ambos, se virando um para o outro.
Ela o ajudou a colocar a pulseira no braço e ele colocou o cordão em seu pescoço.
– Vamos, antes que percebam que sumimos. – disse Mayu.
– Vamos mesmo. – disse Miguel.
Eles entraram silenciosos, cada um com seu novo presente. Os outros pareceram nem notar ou só fingiram que não.
A festa foi indo, cada um se divertindo e conversando. Eles pareciam bem felizes com Enzo, que não chorou nem um segundo em toda a festa. Algumas semanas antes haviam acontecido os aniversários de Miguel e Mayu, e agora, o aniversário de Enzo e o do namoro dos dois.
Dois meses depois, Kurama e Arakawa retornaram. Todos foram encontra-los no aeroporto. Foi uma grande bagunça, pois os guardas acharam que estavam sobre ataque. Quatro diclonius no mesmo local era algo de se assustar.
– Pai! – gritou Mariko, correndo até Kurama.
– Papa! – Nana fez o mesmo.
– Amor! – Hiromi estava da mesma forma.
– Mariko! Nana! Hiromi! – ele abriu os braços para abraça-las.
Arakawa ficou lá, parada, enquanto as três abraçavam-no. Ela se sentiu um pouco esquecida nessa história.
– Quanto tempo. – disse ele, lacrimejando. – Minha vida foi um inferno sem vocês.
Miguel se aproximou dele, com cara de chateado.
– Segunda vez que cumprimos nossa promessa de nos encontrarmos de novo, doutor. – disse ele, rindo. – E se por inferno, quis dizer conviver com minha mãe, você vai se ver comigo.
– Calma, Miguel. – Kurama também riu. – Não perca a cabeça. Não era isso que eu disse.
Albert também estava lá. Ao que parecia, ele já estava se juntando a galera, com possível chance de entrar para a família, se Kaede desenvolvesse esse tipo sentimentos por ele... Ou somente demonstrasse-os...
Bem, a vida continuou: Coisas boas, coisas ruins, coisas mais ou menos. Tudo foi indo bem e tinha que terminar bem.
Para comemorar a volta de Kurama, eles aproveitaram que as Férias de Verão haviam chegado e foram até a praia. Era uma manhã sem nuvens.
– Está bem calmo ainda. – disse Miguel, olhando a praia quase vazia. – Aquilo ainda está afetando tanto as pessoas?
– Bem, o medo é a arma mais forte que se pode usar. – disse Kurama. – Se você olhar bem, essa área é a com maior número de diclonius vivos no mundo. Era de se esperar algo assim.
Nossa galera estava toda lá: Kurama, Kouta, Marcos, Miguel e Albert, todos de bermuda; Enzo estava com uma sunga infantil; Patrícia, Yuka, Kaede, Kanae, Nana, Hiromi, Arakawa, Isabela e até mesmo Mayu, todas de biquíni; Emi e Mariko usavam maiôs.
A galera toda estava se divertindo, nadando e brincando na água e na areia. Era a chance de Kurama ter uma revanche pela outra partida de vôlei de praia contra Kaede.
Ele fez dupla com Nana, uma escolha muito boa; Kaede fez dupla com Albert, que já havia sido campeão de vôlei num torneio de amadores nos EUA.
Bem, saques, rebatidas, bloqueios... Por fim, o jogo acabou 23 a 21, vitória de Kaede e Albert.
– Bem, dessa vez foi justo. – disse Kurama, um tanto chateado.
– Bem, é a vida. – disse Kaede.
Na hora de comer, todos sabiam o que viria...
– Churrasco, farofa, molho e refrigerante. – disse Isabela, irônica. – Nem desconfiava.
– Bem, é algo que não pode faltar. – disse Miguel, pegando seu prato.
Cada um colocou seu prato e agradeceu.
– Itadakimasu!
E como sempre, a comida estava boa. Patrícia, com Enzo no colo, ficou dando papinha a ele, que fazia careta sempre que ela tentava.
– Enzo, come a papinha, vai! – dizia ela, em português, fazendo aquela voz que só as mães sabem fazer. – Quer que eu prove? Hum?
Ela comeu uma colher de papinha, o que fez Enzo ficar interessado. Ele foi comendo, fazendo aquele biquinho enquanto ela tirava o excesso de papinha do rosto dele.
– Por que você está criando ele em português? – perguntou Kanae, curiosa.
– Bem, é que eu não quero que ele perca o sua cultura original. – disse ela. – O principal é sempre a língua. Se ele falar mais de uma, já estará bem de vida.
– Eu posso ensina-lo inglês e alemão, se quiser. – Albert deu uma bela garfada na comida.
– Seria ótimo! – Patrícia adorou a sugestão. Depois, voltou a dar comida para Enzo. – Come, vai! Come a papinha!
Bem, depois de almoçar e descansar o estômago, eles voltaram a brincar e se divertir.
Mayu ficou no sol por um tempo, depois de passar bronzeador. Miguel ficou ao seu lado, olhando Mariko e Emi de longe.
– Dá pra pensar que elas cresceram tão rápido? – ele ria.
– É até engraçado pensar nisso. – Mayu olhava para elas e ria também. – Isso é realmente diferente.
Ela se virou de costas para o sol e deitou em sua toalha de praia.
– Miguel, pode passar bronzeador nas minhas costas? – perguntou ela.
– Claro.
Ele colocou o bronzeador nas mãos e começou a passar nela.
– Suas costas estão duras. – disse ele, passando o bronzeador. – Quer que eu massageie um pouco.
– Pode ser. – disse ela, um pouco envergonhada. – Só cuidado para não pensarem a coisa errada.
Enquanto isso, Nyu tomou o controle do corpo. Como Kaede estava muito ocupada com os estudos, quase não deixava a hiperativa sair.
Nyu foi até Albert, que estava com uma prancha de surf em mãos. Aparentemente, ele já tinha praticado um pouco.
– Nyu! Surfar! Deixa? – perguntou ela, pulando no mesmo lugar.
– Claro, Nyu. – disse ele, indo até a água. – Me siga.
Ela o seguiu até lá, onde ele a ajudou a se sentar na prancha e ir para o fundo. Depois, ajudou-a a levantar e começou a ensina-la.
– Fique mais reta! Não, foi demais! Afaste um pouco os pés!
Ela caiu na água, mais uma vez. Depois de várias quedas, ela já estava pegando o jeito. Quando as ondas começaram a ficarem mais fortes, Nyu já estava fazendo manobras de surf.
Enquanto surfava, Kaede pegou o controle de volta, mas conseguiu surfar tão bem quanto Nyu... Ou melhor...
– Muito bem, Kaede. – disse Albert quando ela se aproximou. – Está muito bem.
– Como você sabia que era eu e não ela? – perguntou Kaede.
– Bem, é que você tem um olhar mais determinado e furioso, enquanto Nyu é mais tranquila e alegre.
– E você notou isso a mais de 10 metros de distancia e em movimento? – ela fez uma cara de quem não acreditou.
– Bem, foi isso. Além do fato de que seus olhos ficam mais bonitos quando você tá no controle.
Ela corou e virou o rosto, envergonhada.
Por cerca de 15h, todos já haviam entrado na água ao menos uma vez. Kouta não havia tomado cuidado e ficou levemente queimado. Marcos, vermelho como um camarão. Eles se reuniram nos guarda-sóis, mas Arakawa não estava lá.
– Onde está ela? – perguntou Kurama, olhando em volta. – Se ela sumir, eu tô ferrado.
De repente, um homem de bermuda preta veio trazendo ela nos braços. Ela estava com um biquíni preto e desacordada.
– O que houve? – perguntou Hiromi, tentando se aproximar.
– Ela acabou pisando em um buraco na área funda d’água. – disse o homem, de óculos escuros. – Esses desgraçados do governo nunca colocam os avisos para tomar cuidado.
Ele começou a fazer os exercícios de primeiros socorros. Depois de três tentativas de respiração boca-a-boca, ela cuspiu a água e voltou a respirar. Ela olhou para o homem, de óculos escuros e cabelos bem curtos.
– Obrigado. – disse ela, sorrindo para ele.
Ninguém tinha notado até então, mas o homem em questão era Bando, o cara mais violento de toda a região.
– Tome cuidado da próxima vez. – disse ele, ajudando ela a levantar. – Eu posso não estar aqui na próxima vez.
– Tá certo. – disse ela, com o rosto corado.
Depois das 16h, eles se reuniram para ir.
– Bem, hoje foi divertido. – disse Kouta, indo com o pessoal para o estacionamento.
– Todo dia com esse pessoal reunido é divertido. – disse Kurama, com Mariko no colo.
– É isso mesmo. – disse Marcos, abrindo a porta do carro.
Eles se despediram e foram para suas casas, rindo e se divertindo. O que era pra ser um dia feliz e calmo terminou desse jeito, mesmo com alguns acidentes.
Mas o que o futuro os aguarda? Os anos se passarão, os diclonius irão sumir... Ou não...
Ninguém sabe o que virá, mas sabemos de algo: Aquela família não iria se separar tão cedo, ou talvez, nunca...
Mas isso, só o tempo dirá... O futuro ainda não foi escrito... Ele é formado por cada escolha e eu espero que eles escolham as certas...
Bem, isso é tudo pessoal...
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