Elfen Lied – Um Novo Futuro
10 Capítulo 10 – Futuro
Notas iniciais
Os dias foram passando. Miguel teve que voltar para o Brasil, junto com Emily.
Eles estavam no aeroporto de Tóquio, de malas prontas. Junto com eles, todo o pessoal.
– Não se preocupe. – disse Marcos ao irmão, no portão de entrada para o avião. – Mandarei algumas fotos do bebê.
– Tá ok. – disse Miguel, sorrindo. – Promessa é dívida.
Patrícia foi até o cunhado e deu um beijo em sua testa.
– Cuidado. – disse.
– Vou ter.
Ela abraçou Emi e deu um beijo em sua testa. A menina estava escondendo os chifres com uma touca de crochê azul.
– Tchau, Emi.
– Tchau, mamãe.
Os olhos de Patrícia encheram d’água ao ouvir tais palavras. Ela abraçou novamente Emi, que também começou a chorar.
Kurama se aproximou de Miguel e estendeu a mão para ele.
– Foi um ano e tanto. – Miguel apertou a mão do homem. – Espero revê-lo, senhor Kurama.
– Assim espero, senhor Miguel. – disse ele.
Mariko foi até Miguel e o abraçou.
– Não vá! – disse ela. – Por favor.
– Eu vou, mas eu volto. – ele abraçou a menina. – Prometo.
– Tá certo. – ela se soltou do rapaz.
Mariko foi até Emi e elas começaram a conversar, se despedindo. Nana, Kanae e Mayu foram até Miguel.
– Não demore em voltar. – disse Kanae, irônica. – Se demorar demais, Nana não vai conseguir ir para a próxima série.
– Kanae! – protestou Nana.
Ambas deram um espaço para Miguel e Mayu.
– Você vai mesmo então. – disse Mayu, triste.
– Sempre terei você comigo. – disse ele. – Mas, de qualquer forma, vou deixar uma prova disso.
Ele enfiou a mão na camisa e puxou a corrente que estava em seu pescoço. Ela tinha um pingente, uma cruz aberta, toda prateada.
– Isso foi um presente de minha avó antes de vir. – disse, olhando de perto o crucifixo. – Ela disse que era para eu trazer, pois seria importante para algo. Vejo que ela tinha razão.
Ele estendeu a mão para Mayu, entregando a corrente.
– Esse é o sinal de minha promessa, a promessa de um dia voltar para você.
Mayu pegou a corrente, um pouco sem jeito.
– Certo. – disse ela. – Promessa é divida.
Ela pegou a corrente. Depois, o beijo de despedida, que deixou um pouco assustado quem não sabia de nada. Isso, além das pessoas de fora, que achavam falta de respeito algo assim em público.¹*
– Tchau! Adeus! – gritavam todos para Emi e Miguel, que passavam pelo portão.
– Adeus não! – disse Miguel. – Até logo!
E foram embora.
Enquanto isso, o assunto "Evolução" causava muitas discussões: houve semanas e meses de debates políticos, científicos e religiosos. Muitos países eram a favor da evolução, outros contra. Da mesma forma, cientistas e grupos religiosos, tanto a favor quanto contra, faziam grandes discussões que pareciam não ter fim. Manifestações em todo mundo, a favor e contra tal evolução, explodiam todos os dias.
Muitas diclonius foram mortas e expostas nas ruas, postes e prédios, em sinal contra evolução. Muitos bebês foram mortos por médicos, pessoas de fora ou até pelos próprios pais por causa de serem diclonius. O governo fazia de tudo para manter tudo na ordem e não deixar tais atrocidades e crimes contra a humanidade acontecerem, mas sempre havia uma desculpa esfarrapada: “Elas não são humanas.”.
Em 12 de março, uma terça-feira, depois de quase um ano, o governo mundial deu sua resposta ao mundo: Não à evolução, sim à vacina. Vários cientistas, que estudaram o projeto de Kurama, deram esse parecer e o governo, que apoiou a decisão, não queria tomar uma decisão que pudesse destruir o futuro da humanidade.
Toda a população mundial humana foi vacinada e assim, os diclonius parariam de nascer... Se Kaede não engravidasse nunca...
As diclonius que já estavam vagando por ai foram resgatadas pelo governo e levadas para instituições para elas, montadas pelo governo durante a vacinação. Mesmo assim, muitas delas morreram nas mãos dos “Caçadores de Diclonius”, pessoas que se sentiam ameaçadas por causa delas e decidiam atacar. Claro, muitos humanos morreram para essas meninas.
Mas, a grande confusão foi algo durante a discussão sobre a evolução: O governo queria o projeto do DNA diclonius, provavelmente para fins militares. Seria a maior injustiça do mundo utilizar tal tecnologia, junto com o sistema de clonagem em desenvolvimento, criando assim soldados com habilidades sobre-humanas e praticamente invencíveis. Kurama e Arakawa, no fim das discussões, destruíram todos os dados da pesquisa ligados ao lado diclonius, no quesito evolução, para que tal coisa não acontecesse.
Mas isso foi sua queda: O governo os acusou de traição e decidiu prende-los por ocultação de informações. Houveram muitos cientistas e governantes que apoiaram a escolha deles, mas os militares tinham seus métodos. Por sorte e por pressão mundial, ambos foram soltos da prisão, mas foram mandados para longe de suas famílias, sendo mandados para um país de escolha.
Mas, de volta a nossa querida pensão, ainda em março: Nossas meninas já estavam mais crescidas: Mayu estava com 16 anos, quase fazendo 17, e seus seios haviam crescido um pouco, mas nem tanto; Kanae, já com 17, era a garota mais disputada do colégio; Nana, tinha incríveis 13 anos, mas sua aparência era de 17, o que enganava até mesmo os maiores peritos do colégio.
Nossos “adultos” também estavam indo bem: Kouta já tinha passado de estagiário para funcionário da faculdade e Yuka arranjou um trabalho noturno numa loja de conveniência. Já Kaede...
– Eu quero voltar aos estudos. – disse ela, enquanto jantavam.
Já era 23h. Yuka tinha acabado de chegar e Kouta, que chegou meia hora antes, havia esperado por ela para jantar. As meninas já haviam jantado e estavam dormindo. Kaede já estava de pijama, Kouta, com suas roupas de sempre, e Yuka, de uniforme.
– Como? – perguntou Kouta, deixando um pedaço de carne escorregar do hashi e cair no chão. – Droga!
– Mas como assim? – perguntou Yuka, deixando a comida de lado.
– Eu quero voltar a estudar. Simples.
– Mas por quê? – perguntou Kouta.
– Eu sou a única aqui que não tem nenhum projeto de estudo. Mayu, Kanae, até a Nana, que mentiu a idade, estão estudando. Eu não quero ficar parada sendo sustentada por vocês. Eu ouvi do próprio Kurama que era uma boa ideia.
– Quando que ele te disse isso? – Kouta estava preocupado com a garota.
– Antes de acontecer toda a bagunça sobre a evolução e ele ter sido mandado para longe.
– Tudo bem. – disse Yuka. – É uma boa ideia. Mas você já sabe como fazer para conseguir isso?
– Ele me falou sobre um sistema de estudo que, em quatro anos, supre todos os anos que eu pedir de estudo até o Superior, permitindo que eu arranje emprego e curse a Faculdade.²* Mas acho que não vou cursar Faculdade.
– Entendo. – disse Yuka. – Continue.
– Eu teria aulas todos os dias, dois turnos, às vezes três. Somente no domingo que seria somente um turno, no máximo dois caso acontecesse algo. Não poderia mais ficar cuidando da casa, mas ajudaria no que desse.
– Mas quer dizer que ninguém vai ficar em casa durante o dia? – Kouta comia outro pedaço de carne.
– Isso é o de menos. – disse Yuka. – Mas isso é muita coisa para você, não?
– Eu não acho. – respondeu Kaede. – Eu realmente não me importo de estudar tanto. Eu preciso disso. Depois que terminar, eu vou arranjar um emprego e ajudar no que puder, é claro, se ainda estivermos morando todos juntos. Vou terminar os estudos um pouco depois de vocês terminarem a faculdade.
– Tá ok. – disse Kouta. – Eu não sou contra. Só te peço uma coisa: Se esforce e faça o que quiser. Mas saiba que eu vou estar aqui para o que der e vier.
Kaede fez uma cara de brava, mas só de brincadeira.
– Você acha que, só porque é dois anos mais velho, tem que me proteger?
– Mais ou menos isso. – disse Kouta.
– Eu já tenho 20 anos. Sei como me virar.
– Mesmo assim... – ele não teve como terminar a frase. – Bem, eu não sei como explicar.
Yuka e Kaede suspiraram, balançaram a cabeça e disseram ao mesmo tempo:
– Homens...
Eles jantaram e foram dormir. Kaede ficou alegre por poder voltar aos estudos, ao ponto de deixar Nyu no controle dois dias seguidos só pra se divertir.
A garota fez sua matricula no curso especial que havia encontrado. Ela já havia se informado e tinha certeza: Eles eram aprovados pelo ministério de educação e seu ensino era de qualidade, mesmo sendo um pouco comprimido para caber em quatro anos de ensino.
Mayu, Kanae e Nana iam começar seu último ano no Ensino Superior logo em Abril. Mas, no primeiro dia de aula...
– Olá, alunos. – disse o professor Akira, entrando na sala. Todos estavam sentados em suas cadeiras. – Vou assombrar vocês por mais um ano. Mas, antes de começarmos, quero chamar dois novos alunos.
Ele olhou para o lado, chamando os dois alunos.
Um rapaz, de cabelos castanhos e olhos azuis, e uma garota, de cabelos e olhos negros, entraram na sala. Ambos pareciam ter uns 17 a 18 anos. Ela tinha uma bela aparência e um corpo também muito belo. Estavam bem arrumados, usando o uniforme do colégio.
– Miguel? – gritou Mayu, se levantando da cadeira.
– Mayu? – gritou ele, ao vê-la.
Eles correram em direção um ao outro, bem no meio da sala de aula. O professor Akira parecia nem ligar, porque já conhecia bem aqueles dois.
Eles se abraçaram e se beijaram, um beijo simples, mas que compensava todo aquele ano sem se ver. A galera da turma começou a gritar e assobiar, até que o professor parou toda a bagunça.
Miguel foi até o quadro e escreveu seu nome com os mesmos kanjis para estrangeiros.
– Meu nome é Miguel Oliveira e sou brasileiro. Alguns devem me conhecer de quando eu participei de um intercambio até um ano atrás. Estou de volta, só que dessa vez sem ser pelo intercambio. Vou morar aqui no Japão de agora em diante. Peço que vocês me chamem de Miguel.
Após isso, a garota foi até o quadro para escrever seu nome.
– Meu nome é Isabela Barros. – ela parecia um pouco tímida e com certo receio ao falar, talvez por medo de errar as palavras e pronuncias. – Sou brasileira e vim para cá junto com o Miguel. Podem me chamar de Isabela. Espero que sejamos amigos.
O professor, repetindo o mesmo feito de dois anos antes, disse:
– Quem quiser perguntar algo aos dois, pode perguntar.
Um rapaz, sentado fundo da classe, se levantou. Tinha cabelos pretos e olhos castanhos, o mesmo que havia feito uma das perguntas a Miguel dois anos antes.
– Isabela, eu sei que é uma pergunta indevida, mas você tem namorado?
– Ainda bem que sabe que é indevida. – disse ela, com um pouco mais de coragem ao falar. Parecia ter treinado essa frase por algum tempo. – Eu não tenho e nem estou procurando.
Miguel também quis dizer algo:
– Eu lembro bem de você, Hideki. – ele apontou para o rapaz. – Se mete com a minha prima e eu te mostro como os brasileiros podem ser perigosos. Eu já fiz isso uma vez e posso fazer de novo.
– Tá certo, Miguel. – Hideki se sentou novamente. – Na próxima, eu te pego lá fora e ai vamos ver quem é perigoso.
– Tente.
Todos os rapazes da turma pareceram ter perdido o entusiasmo ao ouvir as palavras de Isabela e Miguel, principalmente a ameaça de Miguel. Eles ainda lembravam-se da vez que ele havia derrotado Hideki em uma briga por causa dele ficar mexendo com Luiz, o nerd otaku português.
– Mais alguma pergunta? – perguntou o professor.
Uma garota se levantou na frente da sala. Era a mesma que havia perguntado se Miguel tinha namorada. A garota tinha cabelos castanhos claros, olhos cor de mel e usava o mesmo rabo de cavalo.
– Isabela, você tem algum segredo para ter esse corpão? – perguntou, na lata como sempre. – Alguma massagem, produto ou algo do tipo?
– Na verdade, foi natural. – disse ela. – O resto foi só exercício físico diário, coisa que esse ai não gosta de fazer. – ela balançou a cabeça na direção de Miguel, que estava a sua direita.
Miguel pareceu nem ligar.
– Yoko... – disse ele, olhando a garota. – Sempre fazendo essas perguntas não tão legais...
– Fazer o que? – ela deu de ombros. – Acho que me interessei por sua prima.
Enquanto ela se sentava, alguém no fundo da sala gritou:
– Ei, sua lésbica, você não quer me experimentar pra ver se gosta?
Ela virou para trás e fez um sinal não muito legal.
– Não gosto de salsicha, principalmente se for murcha, sem gosto e pequena.
– Ei! Ei! Ei! Ei! Ei! Ei! – gritou o professor. – Parem com essa sacanagem que ainda é o primeiro dia de aula.
Isabela riu.
– Parece até com minha escola, só que em outro país e falando outra língua. – disse ela.
O professor se sentou em sua cadeira e todos seguiram o exemplo.
– Vocês dois, achem algum lugar vazio para sentar.
Por sorte, Mayu, Kanae e Nana se sentavam no mesmo lugar que na outra sala. E, novamente, haviam lugares vagos perto delas. Eles sentaram lá, junto com elas. Miguel sentou na segunda carteira a frente de Mayu, deixando Isabela sentar entre as meninas.
– Olá Isabela. – disse Mayu, cumprimentando a garota.
– Olá. – disse ela, já se soltando um pouco. – Você deve ser a Mayu, não é?
– Sim. Estas são Nana e Kanae. – ela apresentou as meninas.
– Olá. – disse Kanae.
– Oi! – Nana estava com o sorriso de sempre.
Kanae se curvou um pouco para o lado para falar com Miguel.
– Essa é aquela prima que você falou? – perguntou.
– Sim. – respondeu ele. – A mesma que a Mariko disse.
O professor, que tinha permitido aquilo até ali, pediu para eles pararem de conversar.
– Vamos começar a aula então. – disse Akira.
A aula foi passando, até a hora do intervalo. Nessa hora, Emi e Mariko foram até a sala deles.
Elas pareciam ter uns 12 anos, mas Mariko tinha uns nove anos e Emi, uns sete.
– Oi, meninas. – disse Miguel, quando elas entraram na sala.
– Miguel! – Mariko foi em direção a ele e o abraçou, quase tombando a mesa junto. – Por que não foi me ver antes?
– Eu estava ocupado. – disse ele. – Cheguei ontem à noite. Meu irmão estava arrumando tudo para mim.
Mariko viu a garota junto deles, a Isabela.
– Olá. – Mariko se dirigiu a ela. – Meu nome é Mariko. Qual seu nome?
– Isabela. – disse ela. – Eu sou prima do Miguel, esse irritante.
Mariko se lembrou do dia da reunião.
– Aquela prima que eu peguei você conversando? – ela se virou para Miguel.
– Sim. – respondeu Miguel
– Ah, tá. – ela se voltou novamente a Isabela. – Muito prazer.
– O prazer é meu. – disse Isabela.
Em meio a esse momento bom, Mayu se lembrou de algo. Ela parou de comer e levou a mão ao pescoço, tirando a corrente com o crucifixo.
– Creio que isso seja seu, Miguel. – ela estendeu a corrente para o rapaz.
– Mayu... – ele estava sem palavras.
Ele pegou a corrente e colocou no pescoço, escondendo dentro da camisa.
– Por acaso essa é a corrente de vovô, que ela nunca deixava eu nem olhar? – perguntou Isabela. – Agora você vem me dizer que ela estava com a sua namorada japonesa?
– Bem, ela me deu e disse para fazer o que quiser. – disse Miguel. – E não se esqueça: Vó de consideração.
– Tá...
No colégio deles estava tudo calmo. Mas, algumas horas antes, algo havia acontecido com Kaede a caminho do curso...
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