Ela
6 Parque de Diversão
Ela acabou de comer o seu jantar e pôs tudo no lava louça para depois ser lavado, entretanto foi para o seu quarto, supostamente para se vestir mas em vez disso foi fazer um desenho. Desenho esse que não tinha cor e revelava o que parecia ser uma senhora e uma caixa; Estranho!! Ela não gostou muito do desenho mas mesmo assim colocou-o num placar de cortiça afixado na lateral do seu armário.
De seguida vestir. O que será que ia vestir numa ocasião tão indesejada como aquela?! Optou por umas calças de ganga, umas sapatilhas azuis escuras, uma blusa branca e por fim um casaco de ganga para combinar com as calças. O cabelo ia mesmo solto só com uma mola de feitio de laço de cor branca e chegava. Quando acabou de se preparar, entra a mãe no seu quarto e disse para não se preocupar que iria correr tudo bem, até que olha para o desenho feito por ela. Nunca antes tinha visto algo como aquilo! Cor?! O que se passava com ela? Uma caixa? E só ela tinha cor? E o que é aquilo? Pedras Preciosas? Com tanto brilho e cor só poderia ser.
Ficou confusa e perguntou a ela se tinha feito aquele desenho, ela claro que disse que sim, mas não mostrou muito interesse por ele. A mãe ficou pensativa, mas afirmou para si mesma que eram coisas de miúdos. Vai-se lá entender o que vai na cabeça deles!
Desceram as escadas as duas de mão dada, como era costume fazerem. Ela com cara de poucos amigos, pelo menos parecia, e a mãe com uma cara pensativa e intrigada. Chegaram até ao pai e meteram-se a caminho.
Pouco depois estavam no Parque de Diversões. Ela foi a última a sair do carro, queria ver o que lhe esperava, montes de pessoas, crianças a chorar, muitas vozes estranhas mas ao mesmo tempo, o brilho dos carrosséis, as suas músicas, o cheiro às pipocas e ao algodão doce. Estava mesmo confusa. Sair ou não sair? A mãe e o pai nesse mesmo instante de pensamento abriram a porta do carro e pegaram na mão dela e entraram no Parque.
Deram uma volta sempre de mãos dadas para não se perderem, era sempre complicado com tanta gente a querer passar e com a euforia tinham muitas vezes de se soltarem para as pessoas passarem. Ela não tinha reação, estava com uma cara esquisita. Pois é! O cheiro que ela sentia estava cada vez com maior intensidade. Credo, parecia que intoxicava, arrepiante. Será que ninguém sente este cheiro? O problema é que era só ela que o sentia. Porquê?
Ela gostava muito de um carrossel e fez intenções de andar uma vez. Aquele carrossel era lindo! Tinha cavalos de todas as cores, com umas bolas no teto para poder bater quando o cavalo dela chegasse lá, luzes de todas as cores e o melhor de tudo tinha uma máquina que deitava bolas de sabão. Ela não estava interessada em bater nas bolas do teto, mas sim em tocar nas bolas flutuantes que esvoaçavam pelo céu negro e estrelado e que tinham umas cores fascinantes, quase hipnotizantes, perguntava-se sempre até onde elas iriam.
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