Ela
7 A Mulher Maligna!
Notas iniciais
5 minutos de carrossel foram segundos para ela, queria tanto ver as bolhas flutuantes, mas quando o carrossel parou as bolhas de sabão deixaram de aparecer. Que chatice! Pensou ela com ar de querer matar a máquina do carrossel. Saiu e deu de imediato a mão aos seus pais. Havia tanta gente a querer andar naquele carrossel que foi complicado sair do local, quando finalmente saíram, ela solta a mão dos seus pais e começa a correr. Seus pais começaram a chamá-la mas mesmo aos gritos por causa da quantidade de musicas e de pessoas a falarem, ela não ouviu e continuou a correr.
A próxima paragem dela foi numa banca de algodão doce, que até tinha uma música bem apelativa. Tinha um carrinho Azul e Branco com um vidro de frente e nas laterais tinha duas rodas cor-de-rosa claro. Ao lado tinha uma banca com pipocas e mais alguns doces (gomas, maçãs caramelizadas, sugus, etc), o estranho é que não tinha ninguém para atender. Viu por cima uma grande placa a dizer: “Doces da Docília”, ela nem ligou para o nome, aquele cheiro era o que lhe chamava a atenção, tão suave.
Mas que raio?! Não vem ninguém?! Pensou ela para consigo. Depois de uns breves minutos ali em pé há espera que a atenderem, reparou que havia um fio por cima dela, esse fio dava até a um sino. Ela não perdeu mais tempo e puxou o fio para baixo. De repente como por magia aparece uma senhora já de uma certa idade, simpática, pelo menos parecia.
Perguntou à pequena o que desejava, ela de imediato disse que queria um grande algodão doce, mas a senhora ficou a pensar, de onde sairia aquela pequena sozinha, sem pais por ali. Mas negócio é negócio, e não tardou a fazer um gigantesco e socolento algodão doce, que ela nem sabia por onde começar a comê-lo. A senhora deu –o e naquele momento pensou em quem iria pagar aquele algodão. Ela deu uma primeira dentada naquela coisa maravilhosa. A senhora perguntou como curiosidade onde estavam os seus pais, ela olhou para trás e começa a ficar mesmo preocupada e aflita, nunca esteve sozinha antes. Ela começa a querer ficar com as lágrimas nos olhos, mas de súbito aparece uma senhora de idade, meio corcunda, cabelo despenteado, com uma bengala e com umas vestes estranhas. Esta dizia ser sua avó. A senhora do algodão doce ficou mais descansada em saber que alguém realmente iria pagar o que a pequena pediu.
Ela ficou como anestesiada com aquele acontecimento, ela sabia perfeitamente que aquela senhora não era sua avó, até porque a sua avó, estava no estrangeiro internada por causa de problemas graves de saúde. A senhora perguntou-lhe se estava sozinha, ela não respondeu, perguntou se sabia onde estavam os seus pais, ela continuou sem responder. Tudo por causa do cheiro que desde inicio ela sentia nas outras pessoas, ela tresandava desse cheiro, tão intenso, suave mas de certeza que conflituoso, não se sabia o que esperar dali, até porque encontrou a pessoa que transpirava daquele cheiro. A senhora esticou a mão com a sua pele enrugada, unhas médias de cor, e ao tocar na mão dela, o algodão doce cai automaticamente ao chão, e de momentos parecera que o tempo parara. Ela ficou como hipnotizada, seguiu a senhora para todo o lado.
O caminho que fizeram as duas deu a uma tenda no meio do Parque. Elas entraram e a senhora disse:
– Conheço-te desde pequena e sabia o que iria acontecer hoje. Por isso não perdi esta oportunidade de te “pedir emprestada” por uns momentos. Tudo graças à banquinha do algodão doce, sabia que não irias resistir.
Daí a senhora solta a mão dela e parece que ela acorda e pergunta:
– Onde nós estamos? Como te chamas?
A senhora começa-se a rir:
– AHAHAHA! Eu ajudo-te!
A senhora põe o dedo indicador e médio na testa e revelou as suas façanhas. O cheiro que a pequena sempre sentia ao seu redor com outras pessoas era o daquela mulher estranha, que a “perseguia” desde sempre, queria ver o seu desenvolvimento, sempre de longe, ela á medida que viajava no tempo a senhora revelava que sempre se sentiu atraida pela sua forma e pensamento, e que foi enviada para entregar a sua encomenda e a partir daí, ela seria uma pessoa nova.
A pequena acorda e ai sim já se lembrava de onde a tinha visto! O seu desenho que não gostou nada antes de ir ao Parque. Era conhecida pela Maligna, não fazia ideia o porquê de se lembrar de tal nome sem nunca lhe ser revelado, mas bastava aquele cheiro que agora de suave passara a horrível.
No entanto no meio destes acontecimentos todos, os pais dela continuavam freneticamente à procura daquela miúda. Onde será que ela se teria posto!
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