Eita! Viajei No Tempo... PS: Saranghaeyo!
2 Certo... Vamos Usar A Cabeça!!!
Notas iniciais
Certo, é um fato, já se passaram um dia e uma noite, me belisquei tanto que estou certa que não é um sonho, eu realmente viajei no tempo de maneira inexplicável, mais por que isso aconteceu? E como aconteceu?.
A parte complicada é lidar com tudo isso, eu agora estou no corpo de uma mulher que eu não conheço, dentro de um quarto, em uma casa com pessoas que eu nunca vi na minha vida, em um país totalmente diferente do meu, em uma época totalmente diferente da que eu vivia. A questão é, preciso ser muito inteligente agora e aprender a lidar com as situações, de alguma forma passar por isso e descobrir como vim para aqui.
Depois de muito pensar me decidi, eu não iria falar, me questionei muitas vezes a respeito disso, mas sempre que pensava em falar algo eu me questionava; como eles iriam reagir? De repente falando uma língua que eles nunca escutaram? Pensariam que eu enlouqueci? Bruxaria ou algo do tipo? Independente da situação que eu imaginava sempre me parecia uma péssima ideia.
O tempo passou e com algumas semanas vivendo ali as pessoas daquela casa perceberam que eu não conseguia falar muito menos entender as coisas. Toda semana vinha um senhor de idade, parecia ser um médico da época, e me examinava, pelas reações que ele demonstrava após me examinar sempre parecia triste, como alguém que diz ¨não vejo nenhuma melhora¨.
A jovem moça que sempre me ajudava, seja a me vestir ou comer sempre tentava se comunicar comigo, e vendo que mesmo assim eu não entendia ela gesticulava para que de alguma forma eu conseguisse entender. O senhor que aparentemente era o dono daquela casa, todas as tardes vinha ao meu quarto e me trazia um pão esquisito, ele me olhava com os olhos cheios de brilho como se dissesse ¨veja o que eu te trouxe¨, como se aquele pão fosse algo que aquela mulher gostasse, de fato eu tentava sorrir mais não me sentia bem pois não poderia engana-lo, ele buscava naquela mulher alguém que já não estava lá.
Em uma tarde comum a jovem moça que cuidava de mim entrou no quarto muito assustada e mexia suas mãos muito rápido, como se quisesse me avisar algo, balançando a cabeça tentava dizer que não entedia, ela respirou fundo se acalmou e começou a fazer gestos como se me dissesse ¨durma, você tem que dormir, não abra os olhos¨, eu não conseguia entender o que estava acontecendo, mais nunca vi aquela moça daquele jeito, então pensei, algo aconteceu.
Minutos depois dela ter saído do quarto, ouvi o barulho da porta abrindo, dessa vez eram muitas vozes entrando naquele pequeno cômodo. Percebi que o senhor da casa e a moça que sempre estava comigo também estavam ali, mesmo não entendendo o que eles falavam eu já podia reconhecer suas vozes, porém havia mais três pessoas junto deles que eu não fazia ideia de quem eram. Eu estava petrificada, não sabia o que falavam ou o que estava acontecendo. Alguém de repente me tocou, no rosto e também pegou em meu punho, como se estivesse verificando meu pulso. Depois de algum tempo ali naquele quarto conversando, todos saíram, mas eu ainda assim permanecia petrificada e não conseguia abrir meus olhos, estava com tanto medo de ter alguém ainda ali dentro, que simplesmente permaneci da mesma maneira. Um tempo depois novamente a porta do quarto se abriu, meu coração disparou de novo e eu tentava permanecer calma, de repente alguém me tocou, foram várias batidinhas no meu braço, mais eu não me mexi, para a minha felicidade era moça que tomava conta de mim, só descobri depois que ela começou a conversar comigo. Abri os olhos muito rápido e sentei na cama em alerta, ela gesticulava como quem dizia ¨está tudo bem agora¨. Eu não sei o que aconteceu, nem quem eram aquelas pessoas que estavam ali, a única coisa que eu posso dizer é que era algo ruim, e por algum motivo aquela mulher no corpo onde eu me encontrava estava envolvida nisso.
Estava decidido, eu precisaria me esforçar, precisava aprender a me comunicar, só poderia voltar para casa se soubesse exatamente o que aconteceu com aquela mulher. Então de pouquinho em pouquinho comecei a aprender igual a uma criança. Começaram com pequenas palavras, depois algumas frases. Todos os dias eu me esforçava ao máximo para aprender, quase todos os dias tinha dores de cabeça de tanto me esforçar. Aprendi pouco a pouco a ler, escrever, me comunicar, entre mais algumas coisas que ele insistiam que eu fizesse, como bordar (eu era péssima nisso), atirar com arco e flecha (era uma vergonha nisso também).
Depois de 2 longos anos eu finalmente podia fazer todas as coisas necessárias para sobreviver naquele lugar, e também descobrir como voltar para casa. Foram 2 longos anos trancada dentro de uma casa, apenas sobrevivendo, todo sentimento de desespero e frustração eu provei ao longo desses anos, aprendendo coisas que eram praticamente impossíveis e passando por situações complicadas, como fingir que estava desacordada todas as vezes que aquelas pessoas estranhas apareciam.
Com o tempo descobri e aprendi muitas coisas, o nome do dono daquela casa era Lee Jun-Seo, ele também era pai da mulher em que eu me encontrava, a moça que estava sempre comigo se chamava Jang-Mi, ela é criada dessa família desde pequena, também tem mais algumas pessoas porém quase não tenho contato com elas. O senhor Lee é um homem muito triste, ele perdeu sua esposa tem algum tempo e a única pessoa que sobrou de sua família é sua filha (no caso eu), a criada Jang-Mi não tem pais, vive e trabalha para o senhor Lee por muitos anos. Tudo que eu sabia eram apenas essas pequenas coisas, porém o que mais me importava, nenhum deles falava a respeito.
Em uma tarde de verão eu estava sentada na parte externa da casa e pensando com como tocaria no assunto tão evitado por todos eles. Jang-Mi se sentou ao meu lado e com um delicado sorriso me perguntou:
— O que a senhorita faz aqui fora com essa cara de muitas perguntas?
Apenas sorri de volta e suspirando bem fundo perguntei:
— Jang-Mi.. eu nunca sei quando é o momento certo de tocar nesse assunto, mais eu realmente preciso saber.. o que aconteceu comigo?
Jang-Mi olhou para o céu e suspirando bem fundo me disse:
— Quer dizer o dia em que a senhorita se acidentou?
Apenas balancei a cabeça confirmando.
Jang-Mi:
— Bom... naquela noite estava combinado que a senhorita fugiria... eu apenas diria que estava dormindo quando na verdade a senhorita estava a caminho da estrada da floresta para fugir...
Eu fiquei surpresa, qual seria o motivo por trás da fuga dessa mulher? Então perguntei:
— Mais.. Por que eu estava fugindo e o que exatamente aconteceu?
Jang-Mi:
— A senhorita fugia por que no dia seguinte iria se casar... eu não sei muito bem o que aconteceu.. era para a senhorita ter chegado até o cavalo que estava em um ponto da estrada.. no dia seguinte uns homens da cidade encontraram a senhorita caída em um barranco perto da estrada... eu não sei muito bem o que aconteceu, não sei se alguém lhe impediu.. ou a senhorita escorregou por conta da chuva forte que caía aquela noite.. só sei que quando chegou aqui estava toda machucada, tenha ferimentos por todo corpo e um machucado muito grande na cabeça.. todos pensamos que não iria resistir... o senhor Lee.. ficou arrasado.. só depois de semanas a senhorita acordou...
Bingo, o motivo da fuga foi um casamento, mais que tipo de casamento? E quem o que aconteceu para que ela não conseguisse fugir?
Questionei:
— Mais.. qual foi o motivo de não querer me casar? Era tão ruim assim? Ao ponto de fugir de casa?
Jang-Mi:
— A senhorita nunca aceitou seu casamento, mesmo tendo sido prometida ainda muito nova... sempre detestou a ideia de viver no palácio.. e eu sabia o quão aflita a senhorita estava..
Peraiii.... ela falou palácio? Então essa mulher estava prometida para alguém da família real? ? Isso com certeza é ruim, muito ruim, nos doramas todos as pessoas que vivem dentro do palácio são infelizes, por vários motivos diferentes, a questão aqui era qual era o motivo que atingia essa mulher.
Me revirando de curiosidade perguntei:
— Jang-Mi... por que eu não queria ir para o palácio? Por conta do futuro marido ou algum outro motivo?
Jang-Mi deu uma pequena risada:
— A senhorita não queria ir por muitos motivos, o que mais a incomodava era que depois que entrasse no palácio não poderia mais sair... a senhorita sempre detestou ficar trancada em algum lugar, só de pensar em passar o resto da sua vida trancada ali dentro, ficava desesperada... e o fato de não saber quem seria o Príncipe com quem se casaria, também a deixava inquieta..
O príncipe com quem me casaria? Como assim? Então é mais de um príncipe? Percebi que eu ainda precisava de muitos detalhes, e um muito importante era saber sobre a família real, já que mesmo sem querer estava envolvida de alguma forma.
Tentando parecer calma:
— Jang-Mi.. por mais que eu tente me lembrar, ainda não consigo... então.. por favor me conte tudo o que sabe sobre a família real e sobre esse acordo de casamento...
Jang-Mi:
— hummm .. deixe-me pensar.. Bom o acordo de casamento foi feito quando a senhorita ainda tinha 6 anos, o seu pai tinha um cargo importante dentro do palácio e também era um amigo muito próximo do Rei.. então o acordo foi feito. A grande Rainha no momento esta muito doente, então não sabemos muito bem o que está acontecendo. Falar sobre o Rei é complicado pois não o conheço muito bem, mais pelo que o senhor Lee falava é um bom homem e honesto... o problema maior parece ser o príncipe da coroa Kim Seung, ele aparentemente é inocente e agradável, mais na verdade é um lobo em pele de cordeiro, ele é filho da grande Rainha.. o príncipe da coroa já está casado.. e pelo que dizem está sempre influenciando nas decisões do Rei... como um predador esperando seu momento de tomar o trono.. isso realmente me preocupa. Hammm.. deixe-me ver... o segundo príncipe Ye Jun, filho da concubina real, dizem que ele também é um problema, está sempre de mal humor e não se dá bem com o príncipe da coroa.(leve suspiro) O terceiro príncipe Kim Do Yun, filho da grande Rainha, é um famoso mulhenrengo, não se preocupa com nada e só pensa em sair escondido do palácio. O quarto príncipe Kim Kwang Hee, filho da grande Rainha, é conhecido como o príncipe mais bonito, dizem que ele também tem uma ótima conversa. O quinto príncipe Kim Young Nam, famoso por suas lindas músicas e por ser o mais sensível. Ufa... e finalizando o sexto príncipe Chang Min, filho da concubina real, o mais jovem, ainda tratado como uma criança.
Acho que se eu tivesse que descrever a minha cara seria como ¨mais que mer*¨, agora eu entendo por que essa mulher fugiu, a família real é uma bagunça, uma completa desordem, o Rei pode ser uma boa pessoa mais é influenciado por um péssimo filho, o príncipe da coroa é uma naja peçonhenta, o outro príncipe invocadinho do oceano, o terceiro um completo galinhão, o quarto uma apenas uma carinha bonita, o quinto uma moça e finalizamos com uma criança. Só o fato de saber que a vida no palácio não é nada fácil, seria mais do que motivo suficiente para fugir, mais vendo essas opções de príncipes, eu no lugar dela faria a mesma coisa.
Eu estava decidida, mais cedo ou mais tarde as pessoas do palácio poderiam descobrir que essa mulher estaria acordada e bem e muito provavelmente viriam busca-la, precisava voltar no lugar onde ela foi encontrada e tentar achar algo, uma mínima pista do que aconteceu, e descobrir uma maneira de voltar.
Tentando conter minhas emoções falei:
— Jang-Mi.. eu preciso voltar no lugar onde me encontraram.. ainda não tenho minhas memórias e isso me apavora... amanhã vamos até lá, se tudo der certo recupero minhas memórias..
Eu mal tinha acabado de falar e o senhor Lee todo sorrateiro atrás de mim retrucou:
— A senhorita não vai a nenhum lugar.. eu quase perdi a minha filha aquele dia, não vou permitir que aconteça de novo!!!
E agora? O que eu faço? Eu entendo que ele apenas quer proteger a filha, mais eu preciso voltar no lugar do acidente. Eu apenas precisava pensar rápido.
Respondi com uma carinha de cachorro sem dono:
— Pai... por favor.. tente se imaginar no meu lugar, não me lembro de nada.. me sinto perdida e assustada!! Eu sei que o senhor está preocupado comigo.. mais como vou poder me proteger quando o senhor não estiver.. sem minhas memórias? ?
O senhor Lee olhou dentro dos meus olhos e assim como minha mãe caiu na carinha de cachorrinho sem dono.
Senhor Lee:
— Tudo bem.. se é tão importante assim para você, vou permitir.. mais irá comigo!! Quero ter a certeza que voltará em segurança..
Eu apenas concordei. Tudo o que ele queria era a filha em segurança, tudo o que eu queria era voltar para casa, se ele precisaria estar ao meu lado me acompanhando até lá... Sem problemas, desde que chegando lá eu pudesse voltar para casa ficaria tudo bem. O que aconteceria com aquelas pessoas e aquele mundo? Eu não me importava, eu apenas iria voltar para casa.
Fale com o autor