Notas iniciais
Ana percebe que voltar para casa é uma tarefa quase impossível. O Rei finalmente descobre que Ana está bem e a convoca ao palácio.

Naquela bela manhã, de um lindo novo dia para concertar uma historia, me levantei rapidamente, me vesti com pressa e engoli o café da manhã. Tudo iria mudar, minha vida finalmente estaria de volta e meus problemas com aquele mundo estariam acabados.

Eu aguardei próximo ao portão de entrada da casa o senhor Lee, depois de alguns instantes ele finalmente chegou junto de mais dois servos da casa.

Senhor Lee:

— Bom dia minha linda princesa!!! Parece radiante hoje!

Eu não conseguia esconder meu sorriso de felicidade, e rindo de orelha a orelha respondi:

— Sim pai... hoje é definitivamente um novo dia!! Dia em que apenas coisas boas acontecerão!!! Pois irei recuperar minhas memórias!! (ou seja voltar para casa)

A alegria era tanta de que não me continha. Ao sairmos de casa foi um susto, mais um susto bom sabe ? Ver como eram as coisas do lado de fora me surpreendeu, como eram as casas, as pessoas, foram dois longos anos vivendo apenas dentro daquela casa, apenas com as mesmas pessoas, que no momento em que coloquei meus pés ali fora, realmente me surpreendi.

No caminho para a estrada precisávamos passar pelo mercado, e eu preciso te contar é igualzinho dos doramas, muitas pessoas vendendo várias coisas diferente, tecidos, joias, comida, tantas coisas, por apenas alguns minutos que gostaria de para por ali e apenas explorar como uma viajante de outro país. Mais assim como o ditado dizia ¨tudo o que é bom dura pouco¨, a minha alegria passou em questão de segundos. Dois homens bem vestidos avistaram o senhor Lee e o abordaram, automaticamente me viram também.

Homem de roupas vinho:

— Ministro Lee!! Como é bom vê-lo!!! Quanto tempo o senhor não passeia pelo mercado... e como posso ver sua filha está finalmente recuperada!!

Senhor Lee rindo:

— Sim! É muito bom ver vocês meus jovens! Como está sendo trabalhar no palácio ? Imagino que tenham muito trabalho... E sim.. minha filha está bem, levou muito tempo, muito tratamento, mais finalmente está saudável!! Cumprimente os cavalheiros minha filha..

Eu não sabia muito bem o que fazer, então para não tomar nenhuma atitude estranha apenas me curvei.

Homem de roupa vinho:

— Muito bem!! A vida no palácio não é fácil.. mais conseguimos lidar. Fico feliz que a senhorita esteja bem.. o Ministro Lee vai finalmente poder casa-la!

Aqueles homens começaram a rir como se isso fosse algo muito bom, inclusive o senhor Lee estava rindo. Tudo o que eu me pensava era, como as mulheres dessa época deviam ser tristes, elas apenas eram objetos para a maioria dos homens, não tinham direitos para nada, se não fossem da nobreza viviam em miséria, se nascesse em berço de ouro servia apenas para dar herdeiros, eu realmente não conseguiria viver esse tipo de vida.

Inquietamente aguardei o senhor Lee terminar sua longa e entediante conversa com aqueles homens, e quando ele finalmente terminou praticamente o arrastei para que saíssemos do mercado o mais rápido possível. A caminhada foi muito longa até chegarmos no local do acidente, mais tinha um problema... chegar até o lugar onde essa mulher foi encontrada era impossível, quando olhei para o enorme barranco na beira da estrada onde ela foi encontrada me desesperei, não tinha como descer, era tão íngreme, tão escorregadio e se eu caísse dali era tão alto que poderia muito bem morrer. Enquanto olhava desacreditada para aquele lugar, entendia o porque essa mulher se machucou tanto e por que ficou tantos dias desacordada. Com profundo desespero e tristeza me ajoelhei, e comecei a chorar.

Senhor Lee:

— O que foi minha filha ? O que aconteceu ? Você se lembrou de algo ? ?

Tudo o que passava pela minha cabeça era (não tem como descer sem me machucar, o que eu não consigo saber é se eu escorregar vou me machucar muito ou pouco ? E se eu me machucar tanto ao ponto de morrer eu volto pra minha vida ? Ou tudo acaba se eu morrer aqui ?). As lágrimas escorriam pelo meu rosto sem parar, o meu corpo tremia de desespero e o meu coração apertava. Naquele momento percebi que não seria tão simples voltar, que eu precisaria colocar minha cabeça no lugar e com muita calma pensar em como eu realmente conseguiria voltar para casa.

Me levantei, respirei fundo e disse para o senhor Lee:

— Vamos para casa.. eu estou muito cansada.. não consigo mais ficar aqui..

O senhor Lee me olhava como se tivesse com seu coração tão partido quanto o meu, e segurando minha mão me acompanhou de volta até em casa. Ao chegar Jang-Mi vendo meu estado, assustada correu até mim.

Jang-Mi:

— Senhoritaaa!!!!! Senhorita!! O que aconteceu ? Por que está chorando desse jeito ?

Ela me pegou pelo braço e me acompanhou até o quarto, me ajudou a retirar as roupas e vestir algo confortável, me trouxe água e enxugou as lágrimas dos meus olhos. Agradeci os seus cuidados e pedi para ficar sozinha.

Tudo estava confuso, eu tinha muitas duvidas e ninguém para responder. Eu sentia raiva, ódio e tristeza ao mesmo tempo. Dois anos, dois longos anos me esforçando ao máximo para conseguir chegar até esse dia e perceber eu realmente não sei o que fazer. Eu apenas me permitir ficar triste e chorar por um dia, e depois usar tudo o que tenho para descobrir uma forma de voltar. Eu não poderia perder muito tempo me sentindo mal, afinal dois anos se passaram, eu não sei se isso equivale ao mesmo tempo no meu mundo, mais como estaria minha irmã ? Como estaria o meu noivo ? Quanto tempo eu já não perdi vivendo aqui ? Tudo o que preciso é me acalmar e pensar cuidadosamente.

Depois de um longo dia e uma noite na bad, me levantei na intenção de botar meu cérebro para funcionar, mesmo que eu queimasse todos os meus neurônios no percurso, mais eu acharia uma maneira de voltar para casa. Como de costume o café da manhã estava sendo servido cedo e depois de alimentar o meu corpo cuidadosamente bolaria um plano.

Antes mesmo que eu conseguisse dar uma simples colherada no meu mingau de arroz, ouvi uma pequena gritaria do lado de fora do quarto. Abrindo a porta percebi que todos os criados da casa estavam juntos e chamavam pelo senhor Lee, que logo saiu de seu quarto gritando:

— Mais que gritaria é essa logo pela manhã.. não consegui nem terminar o meu café!!!

Um dos criados:

— Senhor carta do Rei!! Carta do Rei!!!

No momento em que ouvi ¨carta do Rei¨, tive uma sensação e ela era muito ruim.

O rosto do senhor Lee ficou pálido e ele rapidamente pegou o envelope e leu a carta.

Jang-Mi:

— Senhor Lee... o que diz na carta ? Por que o Rei escreveu para o Senhor ?

Respirando profundamente o senhor Lee dobrou a carta e a guardou dentro do envelope, engoliu a saliva com muita dificuldade e disse:

— Jang-Mi... Prepare o melhor vestido para minha filha, amanhã iremos ao palácio...

Boom... meu mundo caiu, o que eu tanto temia aconteceu. Com certeza todos no palácio já sabiam que eu estava bem e mais do que certo que essa visita ao palácio é para falar sobre o meu casamento.

Tentando parecer firme falei:

— Por que temos que ir ao palácio ? Eu ainda não estou completamente bem.. devo descansar e recuperar 100% da minha saúde!!!

Senhor Lee:

— Isso não é um pedido do Rei minha filha.. é uma ordem.. nós iremos ao palácio amanhã, você estando bem ou não!

Isso é um total absurdo, como alguém que ainda está doente é forçado a fazer esse tipo de coisa ? Só tem uma saída, eu preciso usar o tempo que tenho para achar uma solução, uma maneira de voltar para casa. Enquanto não descubro preciso dançar conforme a música.

Mais tarde na parte externa da casa, eu e Jang-Min estávamos sentadas apenas em silêncio, o tempo estava irritantemente quente e nós duas extremamente preocupadas.

Jang-Mi:

— A senhorita está preocupada não está ?

Respirei fundo e respondi:

— Sim.. eu estou.. mais pensar nisso não me ajuda em nada.. o que eu realmente preciso saber é.. na noite do meu acidente você disse que estava chovendo.. não é ?

Jang-Mi:

— Sim.. estava chovendo muito..

Continuei:

— E além disso.. eu tinha bebido naquela noite ? Tomado algum medicamento ?

Jang-Mi estranhando a pergunta:

— Não.. a senhorita não bebe, e não estava doente para tomar remédios..

Não fazia sentido, qual a ligação entre nós duas ? A única coisa que bate é que chovia muito, ela não bebeu, ela não se medicou, então, qual a ligação entre nós naquela noite ? O que mais eu fiz que não consigo me lembrar ? Eu preciso me esforçar mais.

Foi uma noite longa, fiquei tão exausta em tentar lembrar de mais detalhes que adormeci.

Na manhã seguinte tudo o que eu pensava era que em poucas horas estaria dentro do palácio sabe Deus enfrentando o que. Aquela manhã estava totalmente agitada, Jang-Mi estava sendo detalhista, a roupa era realmente diferente das que costumava usar no dia a dia, parecia um cetim muito fino e tinha bordados de pedrarias enfeitando partes da roupa. Em meu cabelo que sempre estava trançado, Jang-Mi colocou diversos enfeites, exatamente como nos doramas de épocas.

Eu estava exausta, não tinha dormido direito, a roupa que eu estava usando era muita mais pesada do que de costume, para ajudar estava muito quente e eu transpirava.

No momento em que saímos de casa me deparei com aqueles carrinhos que as pessoas carregavam, me lembro de achar aquilo um máximo nos doramas, mais posso te dizer ? é realmente muito desconfortável, apertado, quente, e você chacoalha mais do que em viagem de navio. Eu sempre me imaginei visitando a Coréia um dia e fazendo aqueles passeios nos palácios antigos, vestindo quem sabe um hanbook e andando nesses carrinhos. Estava tudo sendo destruído, eu realmente não queria ter que passar por isso de novo e nunca imaginei que em um desses carrinhos eu estaria sendo levada para morte.

Sabe aquela frase comunsinha de vídeo game (game over) ? Eu me sentia em um desses momentos, em que por mais que você tente ganhar o jogo essa frasezinha maldita aparece e destrói qualquer chance sua de ganhar o jogo, o meu game over estava bem na minha frente, o palácio real e a família real, que me aguardavam dentro do palácio.

Entrar no palácio era algo mágico, encantador e esquisitamente assustador, saber que aquilo não era um passei em um palácio, antigo tirava todo brilho de entrar nesse lugar, saber que a minha vida poderia estar em risco de alguma forma me fazia desejar ainda mais voltar para casa. Eram tantas pessoas nos seguindo que eu sentia que até mesmo as paredes tinham olhos.

Quando chegamos no Salão Real foi realmente um sentimento estranho, do lado de fora existia uma grande quadra que caberia brincado 1000 pessoas, e olhar para o Salão Real de fora te trazia um sentimento de grandeza, poder e medo. Caminhar por aquela quadra enorme, subir as escadas ate a grande porta de madeira e ouro me fazia sentir que estava caminhando com a morte.

Eu finalmente estava ali, de frente para uma intimidadora e gigantesca porta de madeira, dentro daquela sala estava o Rei esperando pela minha visita e pela visita do senhor Lee, e tudo o que eu me perguntava era... o que vai acontecer a partir de agora ?

O senhor Lee foi o primeiro a entrar, e confesso que ficar ali fora sozinha esperando como um porco indo para o abate mexia com os meus nervos.

Até que eu ouvi...

Senhor Lee dentro do Salão Real:

— Vossa majestade!! É uma honra estar em sua presença!! Porém eu realmente não esperava que toda a família real estaria aqui!!!

O que ele disse ? Toda.. família.. Real ? Isso quer dizer que dentro dessa sala, está o Rei, a Grande Rainha, o Príncipe da Coroa e os outros 5 Príncipes ? Mas que mer* está acontecendo aqui ?. E antes mesmo que eu conseguisse pensar em algum motivo para toda a família real estar reunida a minha espera, um dos servos do palácio me avisou que anunciaria a minha entrada. Como eu disse... Game Over ?.

Notas finais
Nem tudo acontece como nós gostaríamos, isso é algo que Ana definitivamente descobriu. O fato de ir para o palácio mudaria muita coisa em sua vida?