Echo (eco)
3 Não me toque!
Notas iniciais
Pra vcs terem uma noção escrevi isso hoje na aula da faculdade kkkkk porque eu já to querendo postar a MIL anos.
Então provavelmente não é um dos melhores capitulos que já escrevi, mas ta valendo.
Espero que gostem.
- E ai gente, o que aconteceu?
Ergui uma sobrancelha na direção de uma Santana rolando de rir e de uma Emily com uma cara nada agradável.
- Você acredita que a Emy foi falar com. munffumfhff – Emy colocou a mão na boca dela, impedindo ela de continuar a história.
- Cale a boca Santana, não tem graça nenhuma.
- O que aconteceu, me contem! — Me sentei ao lado delas, meu interesse triplicou quando eu me toquei que elas estavam falando da Rachel.
- Ta! Só me deixe falar sem ser interrompida – ela olhou furiosamente para Santana que apenas deu de ombros, limpando as lágrimas de tanto rir.
- Eu segui a garota até uma sala e...
- Deixa que eu te ajudo... – Emily abriu a porta para a garota baixinha que segurava sua escultura sem esforço algum com as duas mãos.
- Eu não preciso de ajuda. – Ela se esquivou das mãos de Emily, abrindo a porta com o corpo.
- É, parece que não. – Emily sorriu torto.
Emily reparou que a garota estava com fones de ouvido.
- Ei, o que você ta escutando? – Ela puxou um dos fones, fazendo Rachel estremecer com o leve toque em sua pele. Algo que para o alívio de Rachel, passou despercebido pela mais alta.
- Slipknot? Sério? – Emily parecia surpresa demais. – Você não parece ser do tipo que goste de ouvir pessoas gritando.
Rachel soltou uma risada sarcástica, puxando seu fone de volta e retirando o outro lado, juntando os dois no bolso de seu moletom.
Emily continuou observando a garota enquanto ela ia até uma mesa e colocava sua escultura ainda não terminada.
- Eu escuto pessoas gritando o tempo todo. – Ela finalmente respondeu, parecendo irritada.
Depois disso a morena mais baixa foi indo em direção à porta, sem dizer mais uma palavra, o que fez com que Emily agisse rapidamente, puxando o corpo da garota para mais perto e sorrindo maliciosamente.
Rachel pareceu quebrar, por um momento ela fez uma cara quase que de dor, como se a ideia de ser tocada fosse horripilante. Depois, com uma força quase que sobrenatural para uma garota daquele tamanho, ela empurrou Emily.
- Não... Não me toque! – Ela olhou por mais alguns minutos para Emily e depois balançou a cabeça, como se quisesse expulsar pensamentos da sua cabeça.
Emily permaneceu parada, sem entender. Aquele olhar funcionava com praticamente TODAS as pessoas que ela queria conquistar. E ainda tinha levado um belo de um empurrão.
Troquei olhares com Santana e logo depois nós duas morremos de rir.
- Não tem graça nenhuma! Aquela garota é muito estranha!
- Emily está com medo Quinn! Medo de uma garota de um metro e meio!
- Do que vocês estão rindo? – Brittany surgiu saltitante de algum lugar que eu desconhecia, fazendo Santana engasgar com o ar.
- A Emy tem medo da Rachel! – Eu disse, ainda rindo. Era uma pior que a outra ali, meu deus.
- Por quê? A Rach é legal... Ah, ela me disse que a escultura de madeira é um anjo Q.
- Ela te contou?
- Aham, eu ajudei ela a carregar algumas coisas. Vocês já repararam que ela parece um gnomo? – Brittany sussurrou.
Todas ficaram se entreolhando.
- Então quer dizer que o gnomo gosta da cara de cachorrinho? E por que isso? – Emy revirou os olhos.
- Ela te falou mais alguma coisa Brit?
- Uh, não... Eu perguntei pra ela se ela gostaria de conhecer o lord tubbington...
- E ela aceitou?
- Sim, ela vai me mostrar um esconderijo!
- Ai gente, chega de falar dessa garota. Sério. Como foi seu primeiro dia Brit? – Santana sorriu gentilmente.
- Foi muito legal! Eu tive aula de expressão corporal e minha professora me elogiou! Disse que eu sou a que mais se destaca na turma! – Brittany sorriu enquanto bebia seu suco de uva.
- O meu primeiro dia foi ótimo também Santana, obrigado por perguntar. – Sorri sarcasticamente.
Santana mostrou o dedo do meio, fazendo cara feia, eu apenas ignorei e continuei:
- Como eu estava dizendo, o meu dia foi ótimo também. O professor já começou passando uma atividade. Ele começou a aula falando como nós precisamos enxergar além daquilo que estamos vendo.
- Como assim Q? – Brit parecia mais confusa que o normal, se é que era possível.
- Tipo assim Brit. Ta vendo essa maça na frente da Santana? Então, você ta vendo ela normalmente, mas você não para pra analisar que, por exemplo, a luz do sol ta refletindo diretamente na maça, e isso faz com que um lado dela fique com a cor diferente. Coisas desse tipo. Enxergar o que as pessoas normalmente não prestam atenção.
- “Luz do sol refletindo na maça”. Que gay Fabray. – Emy revirou os olhos. – Que tal você reparar como a luz do sol ta refletindo na cara da Berry que ta ali mexendo no notebook?
Meu pescoço virou imediatamente. Oh, Emy tinha razão. O sol refletia diretamente no rosto de Rachel, perfeitamente. Eu não sei o que está acontecendo comigo, sinceramente. Não sou do tipo homofóbica, mas também não gosto de garotas. Pelo menos é o que eu pensava até agora.
- Vocês acham que se eu for falar com ela de novo, vai parecer muito insistente? – As três olharam para mim com uma cara estranha. Quer dizer, Brit olhou com o mesmo olhar sonhador de sempre. Emy e Santana que me encararam de uma forma maliciosa.
- Eu sei o que vocês estão pensando ok? Mas eu não gosto de garotas. Não desse jeito que vocês estão pensando. Mas como futura fotógrafa que pretende se especializar em arte abstrata, aquela garota ali é uma ótima forma de começar.
- Aham, sei. – Santana fez uma cara sarcástica.
- Se você não gosta de garotas, acho que você acabou de começar a gostar.
- Não, gente. Eu nunca beijei uma garota, sério. Nunca senti atração nem nada...
- Por que não Q? A única coisa que importa é se você gosta da pessoa ou não. Não faz diferença se é homem ou mulher – Brit soltou essa, e eu achando que ela estava totalmente alheia a conversa.
- Olha, seja lá o que você está querendo com ela, eu não vou ficar no “meio” dessa relação. Achei a garota super estranha e eu prefiro as loiras. – Emy piscou na minha direção. – Se tiver afim de saber como é a coisa, fala comigo – Ela piscou e saiu andando.
- Que coisa? – Perguntei para Santana, confusa.
- Oh Quinn, você é tão fofamente ingênua. Ela acabou de dar em cima de você descaradamente.
- Ãh? – Franzi as sobrancelhas. – Oh. Entendi. – Fiquei vermelha dos pés a cabeça.
- Enfim, eu tenho que ir ensaiar um trabalho, me acompanha Brit?
- Oh sim, você pode comprar um café para mim no caminho? Eu meio que esqueci aonde deixei minha bolsa – ela fez uma cara pensativa e confusa ao mesmo tempo.
- Sim, claro – Santana sorriu.
Me levantei junto com elas, mesmo não tendo para onde ir. Fiquei olhando em volta e vi Emily voltando com algumas roupas que eu deduzi que fosse para algum tipo de trabalho delas duas. Ela passou do meu lado e antes mesmo de eu poder falar qualquer coisa ela se aproximou:
- Eu tava falando sério hipster. – Sussurrou no meu ouvido – Adoraria ser uma experiência nova pra você. – Ela me deu um beijo desnecessariamente demorado na bochecha, colocando uma das mãos na minha cintura e depois saiu de lá, rindo da minha falta de reação.
Fiquei parada por um bom tempo no meio do refeitório. Que garota abusada! Mexi na minha câmera e fui em uma direção qualquer. Quando fui me virar vi que Rachel me observava de um jeito estranho, muito enigmático.
Resolvi me aproximar, e ela percebeu, desviando o olhar rapidamente para seu notebook.
Ela estava em um banco um pouco afastado, perto do jardim e pista de corrida que tinha ali. Me sentei ao seu lado, mas do lado contrário do banco, porque eu queria me virar para o parque e tirar algumas fotos.
- Oi – Falei,depois de alguns minutos em silêncio arrumando minha câmera.
- Oi.
Ótimo. Acho que era o fim da nossa conversa.
- Então... – Desviei minha atenção para ela. – Eu sinto muito pela Emy.
Ela parou com os dedos em cima das teclas do notebook e me olhou sem entender.
- A Emily, a garota que eu suponho que esteja te irritando esses dias. Ela é meio problemática.
- Eu sei. – ela soou óbvia.
Eu abri a boca para responder, enquanto tirava fotos mas ela me cortou:
- Você gosta dela?
- Que? – engasguei com o ar. – Lógico que não!
- Ah, parece que ela gosta de você. Quer dizer, te acha bonita.
- Como você sabe?
- Isso realmente importa?
- Você está falante hoje... – Sorri, tentando brincar com ela.
— Tome cuidado com ela.
— Como assim?
- Pare de fazer perguntas, só tome cuidado.
- Por que você fala como se soubesse as coisas?
- Porque eu sei.
- E o que você sabe sobre mim?
- Não sei nada, eu não consigo ver ou ouvir – ela sussurrou muito baixo e eu cheguei a conclusão que eu que tinha ouvido errado.
Antes que eu pudesse falar ela já tinha guardado suas coisas e levantado. Estendi minha mão para segurar seu braço e quando a toquei ela fechou os olhos rapidamente.
- Não me to... – ela parou abruptamente, totalmente confusa, ficou encarando minha mão e franziu o rosto na minha direção. – O que... – Ficamos nos encarando por algum tempo, ela continuava com uma expressão surpresa e confusa ao mesmo tempo. Eu não sabia o que falar, não estava entendendo. E então do nada ela se soltou facilmente da minha mão e saiu correndo dali.
--x --
- Todo ano a faculdade proporciona uma viagem no começo do semestre para os interessados. Milão é uma cidade perfeita para quem se interessa por qualquer forma de artes. Não importa qual curso você está estudando. Além disso é uma forma de se conhecerem melhor e ir á um lugar diferente. Os preços são bem acessíveis e as despesas de hotel e comida já estão inclusas. A viagem será no final desse mês e passaremos um comunicado por email explicando todo o procedimento que deve ser feito para quem tem interesse. Os alunos que já tiverem certeza que irão por favor se encaminhem até minha sala logo depois que eu terminar de falar aqui que eu lhes explicarei tudo detalhadamente. Obrigado pela atenção de vocês.
A diretora de Yale falava ao microfone do auditório enquanto alguém jogava pedacinhos de papel na minha cabeça. Eu tinha certeza de que era Santana, mas eu realmente estava interessada naquilo.
Enquanto eu saia do auditório senti alguém me puxando.
- Será que esse seu cérebro loiro não entende que quando outras pessoas jogam papel em você é porque estão querendo chamar a sua atenção? – Ela parou, me encarando – Ou te humilhar mas enfim... Você parecia bem interessada.
- Sim, eu estou pensando mesmo em ir. Você e Emy já viajaram ano passado?
- Sim, fomos para Paris. Foi maravilhoso. Tirando o porre que é ter alguém tentando controlar cada passo seu, mas eu tenho minhas técnicas de fuga. Acho que eu vou esse ano de novo.
- Vai ser muito divertido – Sorri verdadeiramente.
- Com certeza loira, Santana e diversão são sinônimos – ela riu e saiu andando.
Aquelas garotas tinham uma mania de soltar alguma frase e sumir do mapa logo depois, eu hein.
Olhei a sala da diretora onde estava se formando uma pequena fila com, provavelmente, pessoas interessadas na viagem. Vi Rachel parada logo ali, com fones de ouvido e olhando para o chão enquanto batia no ritmo da música, eu acho.
Oh, aquela viagem seria interessante. Mas seria ainda MAIS interessante se Rachel fosse junto. Talvez eu conseguisse descobrir mais sobre ela, sobre o que ela gosta. Quais pintores ela prefere. Talvez ela goste de algum fotógrafo...
Eu continuei perdida nos meus pensamentos e estupidamente parada no meio do corredor quando alguém esbarrou em mim, quase derrubando minha câmera mas a segurando rapidamente.
- Meu deus. Eu não me perdoaria NUNCA se derrubasse essa maravilha de câmera. – Uma garota ruiva, com jeito de modelo e um grande sorriso inocente me encarava. – Apesar de eu preferir a Canon... Sinto muito, ainda bem que eu peguei né? — Ela riu, sem graça. – Meu nome é Vanessa, eu comecei hoje e estou meio perdida, me desculpe.
- Tudo bem, sem problemas –sorri, gentil. – O importante é que a câmera está salva e sem um arranhão. Meu nome é Quinn, eu comecei ontem... Qual curso você vai fazer?
- Ah, fotografia, e você?
- Eu também! Acho que somos da mesma sala! – Sorri – Quer dizer que você prefere Canon hein? Posso saber por quê?
- Não sei... Acho que é uma questão de gosto, de se acostumar com a câmera. Eu gosto mais das lentes da Canon e acho uma câmera diversificada, sabe?
- Uh, bem, acho que vamos discutir muito sobre isso ainda então, agora vem. Vou te mostrar a sala da próxima aula.
Enquanto eu me virava vi que Rachel havia levantando seu olhar na minha direção. Na verdade ela encarava Vanessa, como se ela fosse algum tipo de doença mortal, parecia horrorizada e eu me senti constrangida, ignorei aquele olhar e sai dali.
Notas finais
até o próximo que eu JURO não demorar tanto.
Fale com o autor