Echo (eco)
4 Segredos
Notas iniciais
Eu não comentei nada, mas algumas coisas dessa história eu estou me baseando num livro. Eu meio que misturo coisas do livro com o que quero que aconteça.
Não disse nada porque algumas pessoas iriam sacar muito rápido a história por terem lido o livro hahha
mas acho que depois desse capítulo algumas pessoas, que já devem ter lido, vão entender algumas coisas.
bom, espero que gostem.
BRITTANY’S POV
– Por que você anda com aquelas garotas Brit? – Rach andava do meu lado, segurando o lord tubbington. Eu não entendia COMO ela tinha tanta força, ela era tão pequena.
– Como assim Rach?
– Você sabe... Santana, Emily...
– Elas são legais, você devia conhecer – las melhor... E Quinn é a mais legal de todas! Ela é minha colega de quarto e me ajuda a roubar comida para ele – afaguei a cabeça do meu gato. – Ela também me ensina sobre fotografia e me ajuda nos passos de dança quando eu preciso de alguém para ensaiar.
– Sim... Não estou falando dela Brit Brit. Infelizmente eu não consigo ver nada, nem ouvir nada dela, é muito estranho. Mas Santana e principalmente Emily... Não confio nelas.
A olhei com uma cara confusa, do que Rachel estava falando?
– Como assim Rach? Eu estou confusa – Fiz um bico e rach me olhou sorrindo.
– Eu acho que tenho que te contar uma coisa... Um segredo Brit.
– Segredo? – sussurrei – e você confia em mim?
– Sim, confio totalmente... e sabe por quê?
Fiz que não com a cabeça.
– Você tem a aura perfeita Brit Brit. Não tem como não confiar em alguém com a aura tão pura que nem a sua.
– Aura? – balancei a cabeça, mais confusa ainda. – Do que você esta falando?
– Pense um pouco Brit. Todas as coisas que já te contei.
Pensei durante alguns segundos.
Rachel tinha recusado minha comida uma vez, alegando que não sentia fome, não precisava daquilo. Ela também tinha uma força extraordinária para alguém de seu tamanho. Sua pele era perfeita e ela vivia se esquivando do toque das pessoas...
– Meu deus Rach... Você é uma vampira? – sussurrei de novo.
Rachel riu sem parar, quase tendo um ataque.
– Não Brit, não sou uma vampira.
– Então você é um lobisomem? – estreitei o olhar.
Ela fez que não com a cabeça.
– Eu desisto – cocei a cabeça e a olhei pidona.
– Ta, ta. Só não me olhe assim que eu não resisto. – Ela fez piada, bagunçando meu cabelo. – Eu... Eu sou uma imortal.
Fiquei sem saber o que fazer, parada no lugar. Rachel era uma imortal? E o que seria uma imortal, eu já tinha visto crepúsculo e vampire diaries, então tudo que eu conhecia era vampiros, lobisomens e híbridos... Coisas desse tipo. Mas o que ela era? Imortal é quando você nunca morre, é isso?
– Sim, imortal nunca morre – ela me interrompeu, mas espera ai, como ela me interrompeu se eu não falei nada? A olhei assustada.
– Eu meio que posso ler seus pensamentos... Desculpe – ela abaixou a cabeça, encarando os pés. – Eu não posso controlar isso, eu adoraria, mas eu não posso.
– Isso é loucura – Me sentei no banco mais próximo, em choque.
– Você não está com medo de mim? – ela surgiu do meu lado, se sentando – Eu meio que esperava que você saísse correndo.
– Por que eu faria isso? – Ergui as sobrancelhas.
– Sua aura é mais pura do que eu imaginava – ela sorriu, e eu a olhei sem entender nada.
– Eu quero te contar algumas coisas Brit... Você quer ouvir?
– Espera! Você não é má ou nada desse tipo né?
Ela fez que não com a cabeça.
– Não mata pessoas?
Sinal negativo de novo.
– Ok... Eu quero saber por que você está repetindo a palavra “aura” tantas vezes.
– Eu tenho alguns “poderes” – ela fez aspas no ar – Eu consigo ler pensamentos e quando alguém me toca eu vejo toda a vida da pessoa, tudo que já aconteceu com ela passa como um filme na minha cabeça, e acredite não é que eu não queira que as pessoas encostem em mim, mas é que o toque é cansativo, revelador, então é por isso que procuro evitar a todo custo. E mais uma coisa, esse negócio de aura. É como se fosse a personalidade da pessoa. Eu enxergo uma linha em volta das pessoas... A maioria delas varia a cor, outras são totalmente de uma cor só. E pela cor eu consigo saber como a pessoa é, entendeu?
Fiz que sim com a cabeça, mesmo estando um pouco zonza ainda. Eu mal podia acreditar!
– Ai meu deus, se imortais existem, os unicórnios e as fadas totalmente devem existir!
Rachel sorriu e balançou a cabeça concordando.
– E por que você disse que minha aura é pura?
– Por que a linha que eu enxergo a sua volta é um branco forte, que significa uma pessoa com equilíbrio perfeito na vida. E tem alguns tons de amarelo, rosa e violeta também. Que são coisas como otimismo, amizade, amor, sinceridade, essas coisas. E também tem um pontinho de azul em volta de você, o que só pode ser lealdade e criatividade.
– Uau, você realmente acha que eu sou tudo isso Rach? – sorri, batendo palmas.
Ela sorriu mais ainda. – Sim brit, eu tenho certeza de tudo isso.
– Ninguém nunca me disse essas coisas... – ela abaixou a cabeça – as pessoas me acham burra, mas eu só sou um pouco sonhadora.
Eu queria que as pessoas me levassem mais a sério.
– Eu te levo a sério Brit Brit – rach apertou meu nariz – você é especial, e eu posso sentir isso, é como se já te conhecesse há muito tempo. Isso é estranho. Maaas, eu esqueci de citar que violeta indica sabedoria também?
– Sério Rach? Você me acha inteligente? Quer dizer, sabedoria e inteligência são as mesmas coisas né? – Segurei sua mão e logo depois a abracei, a apertando com força.
– Bri... Brit... Eu...aaaa – Rachel balançou a cabeça.
– Ai meu deus, desculpa! Esqueci que você não gosta que te toquem – a soltei rapidamente e fui surpreendida com três garotas nos observando estranhamente.
– Oi Sant! – Levantei dando pulinhos e ficando do seu lado. – Oi emy, Quinn você está bem?
– Ok... O que estava acontecendo aqui? – Sant olhava de mim para Rachel com uma cara estranha.
Quinn não me respondeu e fitava Rachel com um olhar que eu também não entendia.
Rachel ficou silenciosa de repente. Era impressionante como ela agia tão alegre comigo e tão triste perto das outras pessoas. Nem parecia a mesma garota.
– Eu e Rach estávamos conversando e procurando um esconderijo pro lord tubbington, né Rach? – Ela acenou afirmativamente, levantando rápido e entregando meu gato para mim.
Deu uma última olhada e saiu correndo dali.
– Garota estranha. – Emy bufou.
– Por que vocês estavam agarradas no banco Brit? – Sant continuava com a mesma expressão de antes.
– Ah, nada não – tentei mudar de assunto – Vamos, eu tenho que deixar ele no quarto – apontei para meu gato – E depois temos aula.
Quinn parecia alheia a nossa conversa, continuava olhando Rachel andando e se perdendo na multidão, sempre desviando das pessoas, claro.
FIM BRITTANY'S POV
RACHEL’S POV
Vou indo para minha aula, atravessando o campus da faculdade e encolhendo-me o máximo que consigo. Observo Vanessa parada no meio do corredor, vestida de preto dos pés a cabeça, totalmente elegante e resolvo ir em sua direção. Ela me encarava com um sorriso de lado e quando estava quase lá avisto uma cabeça loira chegando ao seu lado. Dou meia volta e não ligo pro fato das duas terem me visto e Vanessa estar tendo pensamentos do tipo:
Aquela vadia
Vou acabar com você garota
Porque ela sabe que eu escuto tudo. Aquela garota é exatamente o que eu estou pensando. Seus olhos são extremamente familiares, seu corpo é perfeito, magro, firme. Mas isso não é o que mais me assusta. É a garota ao lado dela, Quinn.
Interrompo meus pensamentos enquanto ando a caminho de meu lugar na sala, no fundo, desviando da bolsa que Stacy, uma garota riquinha e insuportável, colocou propositalmente na minha frente, também ignoro os pensamentos dela como, “perdedora”,” esquisita”.
Ao me sentar, tiro meu bloco A2, meu lápis e alguns lápis de cor. Depois coloco meus fones de ouvido, visto meu capuz e jogo a mochila na carteira ao lado para evitar que alguém se sente ali enquanto aguardo o professor.
Uma das coisas que mais me irrita é ter que entregar trabalhos. Os professores tem uma vida complicada, e nossos dedos acabam se tocando e um segundo depois, eu estou sabendo tudo. Por isso sempre faço questão de largar o trabalho em cima da mesa.
Troco a barulheira do meu ipod por algo mais suave e me concentro novamente em Quinn.
Corpo perfeito também, olhos verdes, parecendo esmeraldas e gentil demais. Eu poderia concluir que ela é igual à Vanessa, ainda mais depois da repentina amizade delas, mas não. Quinn é diferente, e não é sua beleza estonteante que me assusta. Acontece que toda a área em torno de seu corpo, e toda sua mente, consiste em exatamente nada, um espaço vazio, em branco. Nenhuma aura. Nenhuma cor. Nenhum espetáculo de luzes pulsantes e coloridas.
Todos os seres vivos têm obrigatoriamente uma aura. Até mesmo os que não são totalmente humanos, como Vanessa por exemplo. Não é algo exatamente ruim, quer dizer, não faz mal para ninguém, e nem deveria ser visível.
Nem sempre eu fui essa garota esquisita. Já fui uma adolescente normal, que ia a festas, adorava falar sobre celebridades, andava por ai como qualquer adolescente. Agora eu só fazia questão de me esconder em moletons e coisas do tipo. Não, eu não tinha vergonha do meu corpo, da minha aparência. Até porque eu sabia que era bem bonita e meu corpo tinha as curvas perfeitas, apesar de ser baixinha... Isso é meio que uma consequência de se tornar imortal. Você fica com a mesma aparência de quando morreu para sempre. E além disso tudo que era imperfeito em você, como minha barriga que não tinha curvas, ou meus cabelos que não tinham esse brilho, se torna estonteante, você se torna, posso dizer, um ser perfeito. E era por isso que eu me escondia, eu não queria chamar atenção e muito menos atrai pessoas para perto de mim.
E sim, isso mesmo. Eu morri. Eu já tive pais, uma irmã, e até um cachorro. Morava numa casa como qualquer outra, era feliz e popular, coisas desse tipo. Pode parecer clichê mas minha vida era perfeita. Cheguei até a ser a principal cantora de um clube de coral. Mas isso foi há muito tempo atrás. Eu tive o que as pessoas chamam de “experiência de quase morte”. Eu estava no banco de trás, junto com minha irmã, conversando enquanto minha mãe dormia no banco da frente, com meu cachorro no colo, e meu pai dirigia. E no instante seguinte eu não vi mais nada além de borrões, enxerguei os airbags inflados, o carro destruído e eu lá, assistindo tudo de fora. Fora do meu corpo. Tudo estava destruído, os nossos corpos amassados e minha irmãzinha tinha voado para fora do carro. De repente ouvi um latido e me virei na direção contrária que estava olhando. Lá estavam todos eles, andando em linha reta. Segui eles mas aos poucos meu corpo foi ficando pesado, algo me impedia de andar junto com minha família. Senti um cansaço repentino e resolvi me sentar por alguns minutos. Depois eu os alcançava. Mas não foi isso que aconteceu. Eles se viraram assim que eu estava acomodada no chão, e sorriram, logo depois acenaram e desapareceram. Comecei a correr de um lado para outro, desesperada, mas tudo parecia igual. Não tinha um lado certo para ir. A neve caia e eu não enxergava muita coisa. Comecei a chorar, derrotada e jogada no chão novamente. Tudo ficou preto por um tempo indeterminado e a próxima coisa que ouvi foi:
– Essa aqui ainda está respirando! Rápido, coloque-a na ambulância.
E desde então minha vida se tornou esse inferno. E acreditem ou não, eu não sentia dor alguma. Pelo menos não uma dor física.
Antes do acidente, se alguém me falasse sobre essas coisas eu provavelmente iria rir da cara dele. Mas, desde que acordei na cama de hospital, tudo que vejo é uma explosão de cores por toda a parte. Vozes e vidas alheias.
Implorei para o médico fazer uma bateria de exames oftalmológicos, ressonâncias cerebrais e avaliações psiquiátricas. Afinal, eu provavelmente tinha enlouquecido, era a explicação mais lógica. Mas com o passar do tempo eu aprendi que aquilo tudo que estava vendo e ouvindo, teria que guardar para mim mesma. Ao menos que eu quisesse ser internada num hospício. E mais tarde, ainda comecei a ver pessoas mortas por todos os lados, isso fez com que definitivamente eu ficasse de bico calado.
Eu meio que já me acostumei a viver assim, nem me lembro de como é ser normal. Mas ao ver pessoas como Brittany e Quinn, eu meio que me lembrei da minha vida na época da adolescência. Já havia se passado quase um século em que eu continuava com a mesma aparência.
– Senhorita Berry?SENHORITA BERRY? – A professora gritava meu nome.
– Me desculpe professora, qual foi a pergunta? – retirei um dos fones.
– Qual foi o último período das artes que estudamos? – Stacy me lançava um sorriso vitorioso.
Eu não fazia ideia, mas os pensamentos da professora gritavam na minha mente.
– Arte clássica, e agora vamos entrar na arte medieval.
A professora me olhou desconfiada, depois deu de ombros e continuou a matéria e eu coloquei meus fones novamente.
Observei Vanessa e Quinn passando pelo corredor, senti uma leve dor na testa, onde eu tinha uma cicatriz por causa do acidente. Quinn olhou para trás, diretamente nos meus olhos, como se algo a atraísse, obrigasse a fazer isso. Eu senti um alívio, quase algo parecido como um conforto. Ela ficou vermelha e depois desviou rapidamente o olhar. E todas as vozes voltaram para minha cabeça.
Notas finais
até o próximo
xxx
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