E se um reencontro o destino preparasse...
262 Capítulo 262:
Continuação:
Vera olha a cena novamente captando minunciosamente os detalhes que envolviam a discussão das duas filhas e da outra garota. O silêncio fica no ar sem que nenhuma das três abram a boca, Sofia e Anita se entreolham arredias e confusas, em pensamento ambas pareciam se preparem mentalmente pra receberem o papel das grandes “vilãs” que estavam atormentando a pobre Mariana.
— Então, eu estou esperando. – Vera dá passes mais para perto das três, que apenas encararam o chão, constrangidas e nervosas. – Quem vai me explicar? – O que está acontecendo aqui. – a mulher insistiu severamente.
— Briga, né mãe, tava meio óbvio. – Anita leva o olhar até Vera, e logo recua devido a face irritada e perplexa da mãe.
— Pois guarde o deboche Anita. – a ironia de Vera soa como um aviso do que está por vir.
— Ok. – ela revida apenas com um sussurro engasgado.
— Eu vou explicar mãe. – Sofia gesticula impaciente. – Essa louca aí, ferra minha vida e achou que não iria nem levar uns tapas. – a loira aponta para a outra garota que até então só se preocupava com o olhar rude da mãe a ela.
— Eu, você me ataca, olha isso to cheia de marca de unha. – Mariana reclama, procurando organizar os cabelos e mostrando para o braço vermelho.
— Ih nem fui eu, tá bom. – Sofia se debate irritada. – Essa parte aí foi coisa da Anita, nem vem, já viu a unha dela, acho que desde que tinha 14 anos e decidiu que não iria roer mais unha também não cortou mais. – esbraveja ela nervosa com as acusações da garota.
— Hei, pode parar tá legal, porque eu entrei nessa briga sem querer, fui tentar apartar as bonitas aí, e até puxão de cabelo levei. – reclama Anita enfurecida com Mariana e a irmã.
— Marta me desculpe. – Vera olha para a mulher constrangida com o comportamento quase das “cavernas” das duas filhas. – Eu realmente achei que tinha ensinado pras duas o que é certo e errado, mas pelo visto criei duas feras, dois bichos do mato que só sabem partir pra ignorância. – hostilizou a mãe.
— Hum pois deixar essa parte pra Anita tá bom, ela que sempre foi a desajeitada estragada, eu sou perfeita. – Sofia profere se mantendo em cima do salto, sem ligar para a mãe.
— Obrigada pela parte que me toca, irmã. – Anita dá um sorriso sarcástico, Sofia debocha por um segundo até esquecendo que a mãe lhe fuzila com o olhar sem paciência.
— Meu deus as duas querem me matar. – Vera meneia a cabeça desolada com o comportamento das filhas.
— Não mãe a gente não quer. – Sofia intercede agilmente. – Nós só queremos que essa garota conte a verdade. – declara à loirinha.
— Mais as duas insistem nisso. – Vera não sabe o que fazer.
— Eu acho que você deveria ouvir a Sofia. – Anita tenta ajudar a mais nova.
— Anita até você. – a mãe suspira atordoada.
— Mãe é sério. – Anita é tomada por a decisão de por um fim naquela história. – Mariana você vai falar a verdade, ou vou ter que ir lá em cima pegar meu celular, com a gravação da Drica. – pronunciou ela.
— O que? – Então você tava de enrolação pra cima de mim sendo que... – a menina fica tensa.
— É a chance de você falar a verdade. – esclareceu Anita séria.
— Anita você vai ser legal com essa daí porque hein, mania de bancar a compreensiva. – Sofia fala com irritação diante da passividade da irmã.
— Vocês venceram então. – ela se vê encurralada.
— Não, ao contrário, nesse caso todo mundo perdeu Mariana, não se desfaz nada do que rolou, só que você tem que perceber que agiu errado, muitas vezes alguém vem e te dá um tapa, só que não é fazendo a mesma coisa que você vai se tornar vingada... – Fato, mas também a gente nem enxerga isso na hora da raiva mesmo, não sou a pessoa mais certa pra te dar lição de moral, mas alguém que entende que às vezes a gente tem que parar pra organizar as coisas, antes que nada mais faça sentido ou possa ser restaurado. – proferiu Anita, tentado reconsiderar sua raiva da garota, afinal já tinha motivos demais que nem faziam parte daquilo pra cultivar este tipo de sentimento.
— Claro não é, como poderia, a garota que namora o irmão-drasto às escondidas. – Mariana zomba de toda pose da garota.
— E você acha o que? – Anita a encara com indiferença. – Que eu me envergonhe disso, esquece, eu amo demais o Ben pra me arrepender de qualquer coisa que eu fiz pra ficar com ele. – não dá importância ela. – Agora o assunto é outro, certo. – afirmou Anita sem hesitar.
— Fala a verdade logo Mariana, também estou achando isso tudo muito estranho. – Marta ordenou a filha.
— Tá bom, eu já to ferrada mesmo, a gente não tem nem casa pra morar não é mãe. – a garota se revolta com ela. – A Sofia ficava implicando comigo, e um dia, escutei a conversa dela, bem sem querer com o Sidney, e gravei, o resto vocês já sabem. – ela confessa.
— Eu te mato garota, você tem noção do que eu tive que ouvir por isso. – Sofia se altera enraivada com um olhar ameaçador a garota. – E você que se enfiou aqui em casa e só me provocava. – rebate a loira.
— Hei calma, tá bom, deixa ela falar. – Anita segurou o braço da irmã.
— É isso, não tem mais nada pra falar, e também a Anita nunca brigou comigo. – Mariana prefere encerrar o assunto.
— Você só pode ter enlouquecido. – Marta a repreende.
— Eu desconfiei de você Anita. – Vera se assusta com o fato. – Aliás, das duas. – percebe atônita.
— Novidade não é mãe, você sempre desconfia de mim, desde que soube que estava com o Ben. –devolveu Anita sem poupá-la.
— Mentir desse jeito, eu posso ter muitos defeitos, mas não foi isso que te ensinei. – lamenta Marta.
— Ah é, e foi o que, não sou eu a única a mentir aqui mãe, a Sofia e a Anita nunca foram com minha cara fato, e nem eu também com a delas, talvez eu tenha exagerado sei lá. – procura reconsiderar ela. – E você mãe, porque não conta que não foi você que se separou do papai, porque ele trabalhava demais, mas sim porque ele tinha outra e te deixou, aí pra acabar com tudo você me arrastou pra cá, eu não queria ter vindo pro Rio, queria ter ficado em São Paulo, até do Henrique você me afastou. – reclamou a garota desabafando.
— Nossa. – Sofia não escondeu o sorriso altivo diante da confissão inesperada da menina.
— Quem é Henrique. – Anita não segurou a curiosidade.
— É um garoto Anita, a gente tava saindo, namorando, nem deu pra entender direito, minha mãe me afastou de lá por causa dele, ou melhor, da mãe dele, que tinha um caso com meu pai, por pura vingança. – acusou Mariana.
— Não, eu te afastei porque era o melhor pra você, não iria deixar você namorando o filho da mulher que destruiu nossa família Mariana. – responde ela impactada com as acusações que recebia.
— Ah sim, só que ao invés de se vingar do meu pai, você preferiu nem pensar em mim, não é. – rebateu Mariana rancorosa.
— Filha, por favor, eu também não soube muito o que fazer com aquilo tudo, mas nada justifica. – a mulher tenta se justificar.
— Bom é... – Meninas vamos sair, deixar as duas falaram a sós. – previu Vera que aquele era um problema das duas.
— Porque agora que tá ficando interessante. – Sofia soltou sem perceber.
— Sofia, chega, filha. – Vera quase ordena. — Eu também quero falar com as duas a sós. – Vera falou indo até ela lhe pegando pela mão e indo até Anita.
— Ah é, pode ser depois, eu tenho uma coisa pra resolver com o Ben. – Anita argumenta.
— Ai Anita. – Vera a olha desgostosa.
— Calma a gente só marcou te fazer um trabalho, eu hein. – ri Anita debochando da mãe.
— Vai então. – Vera não discordou.
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— Ai acho que eu não quero mais olhar esse filme não. – Anita dizia, sem muita coragem e vontade para continuar vendo o filme que Virgílio havia indicado, como base para o trabalho de história.
— Ah entendi, e a gente faz o que com o trabalho. – Ben deu uma leve risada da renuncia da namorada.
— Eu não sei. – afirma ela, segurando a almofada contra os joelhos sem focar muito o olhar na televisão. – Mas o Virgílio não podia ter indicado algo mais leve não, esse filme dá pânico. – a garota confessa estar impactada.
— Filme pra falar de segunda guerra, leve, é acho difícil. – retruca Ben com descrença. – Quer saber... — Eu é que me ferrei né, bela parceira de trabalho eu fui arrumar. – brincou ele, ao vê-la escorregar na cama e virar de costas para a televisão. – Fresca né, isso que você tá sendo. – ri ele.
— Não, eu não sou fresca tá. – Anita vira para encará-lo o desmentindo. – Só que me torturar, não dá né, acontece que esse filme derruba o emocional de qualquer um, ok... – ela diz com a voz rouca. – O mundo não é cor de rosa com bolinhas brancas, mais acho que parte do nosso senso de ilusão, tem que acreditar que o mundo não é crueldade somente, até pra não enlouquecer não é, porque às vezes a realidade é enlouquecedora. – ela fala um tanto apreensiva com o que ainda poderia estar por vir, se negando a continuar assistindo tal massacre. – Ai me desculpa se eu gosto de algo com final melhor, sem tanto sangue rolando, tanta tristeza. – ela critica o jeito debochado do amado.
— O filme não é verdade Anita, é um filme. – Ben afirmou ainda rindo brincalhão.
— É sério? — Anita ironiza atirando a almofada contra ele, que apenas ria. — Eu sei, mais também fala isso pro meu subconsciente, ele não entende, mais parece, e aliás ele é baseado em fatos reais. – exclama ela achando graça. – Na real, vendo uma coisa dessas faz até a gente se sentir horrível de ser humano também, até de existir, que não só naquela época, mas hoje em dia ainda, tem gente que usa sua própria inteligência pra atos doentios e de sofrimento. – afirma ela.
— É vendo por esse lado é pra deprimir mesmo. – ele acaba concordando. – Mais sabe que eu acho que a gente conhece alguém quem discordaria disso tudo. – expõe ele, deitando do lado dela.
— Hãm e quem? – pergunta Anita sem imaginar.
— Antônio lógico, não é atoa que matéria preferida dele no colegial era história. – conta ele debochado.
— Ai chato você. – ela estapeia o braço dele sem aprovar a lembrança.
— Hei da próxima vez avisa, ao menos pra eu tentar fugir. – o garoto a critica risonho, olhando para o braço, vermelho e com as marcas dos dedos dela, que só se movia entre risadas sem ligar para o olhar bravo que recebia do namorado.
— Herói de guerra, é isso que o Antônio pensa de alguém que destruiu e dizimou milhões de pessoas inocentes. – dialogou ela ficando pensativa a respeito até onde iria à loucura do garoto.
— E tudo isso por conta de que, poder, as pessoas são capazes de tudo quando querem um objetivo mais que tudo, pior é que não foi só os fatos do filme que entraram pra história, ainda tem muita gente que ainda é assim depois de vários anos passados. – Ben concordou com ela.
— Ai eu vou acabar tendo pesadelos com esse filme. – admitiu ela confusamente. — Acho que a gente já tem ao menos embasamento do trabalho né, vou pular a parte das imagens, só ouvi tá bom. -
— Medrosa. — Ben a acusa.
— Para. – pede ela.
— Medrosa. — ele repete sorrindo travesso quando a vê ajeitar um travesseiro, para deitar de lado com a cabeça no braço dele, desviando sua atenção da tela da televisão.
— Cala a boca. — ela devolveu com ar de riso, nem ligando, apenas fechando os olhos.
— Medrosa, medrosa sim. — ele continuou a repetir, beijando o rosto dela.
— Ai que coisa, vai olhar esse filme aí garoto, olha que desse jeito não vai ter trabalho hein. — caçoou Anita, enquanto ele lhe abraça também fazendo cócegas em sua barriga.
— Claro né, se depender da tua coragem, bem provável mesmo. — gargalhou Ben.
— Vem cá, tirou o dia pra me criticar é. — retruca ela, erguendo o olhar com o semblante sério.
— Não, na verdade não importa mesmo... – negou. — Medrosa, e até bastante teimosa também, acho que pra ser sincero a lista talvez até seja um pouco maior, mas... — afirma o garoto a rir. — Eu te amo mesmo assim, amo, amo e amo muito. — declarou ele com um largo sorriso.
— E eu já te disse, que sou a mulher mais sortuda desse mundo todinho. — ela se derrete o beijando com carinho.
— Eu acho que a gente não vai conseguir terminar esse trabalho . — Ben alega entre um beijo, sem a menor vontade de parar de beijá-la e se concentrar no que os dois tinham em mente anteriormente.
— Eu diria que é um pouco pior, a gente tem que começar o trabalho mesmo. — falou Anita com uma leve risada, descansando em seu ombro novamente, enquanto os dois riam do fato.
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— Aqui, terminou. — perguntava Anita indecisa a ele.
— Acho que sim, só salva aí. — argumentou Ben, soltando o livro.
— Ai que sono, to desfalecida com esse monte de coisa. — admitia ela esfregando a mão no rosto, se vendo dispersa quando tenta olhar para a tela do computador e as letras se embaralhando.
— Bom só espero que vala a pena, não é. — concorda Ben, Anita olha para ele escorado atrás de si e fica a rir. — Qual é a graça hein. — o rapaz indagou desconfiado.
— Não é que olha pra gente atirados aqui. — ela afirmou dando risada.
— Hum e eu é que tenho culpa, quem disse que tava com frio foi você tá. — ele afirmou debochado.
— A única culpada sou eu, entendi. — ela fala irônica. — Melhor a gente ir pra casa, tem que imprimir isso ainda. — recordou ela bocejando.
— Tá nublado lá fora, até chovendo se bobear , a gente já tá aqui mesmo, mais uns minutos, não é que vão nos atrasar tanto. — Ben contraria sorridente, fechando o notebook e o tirando da vista de Anita.
— O Omar não merece nós dois né, definitivamente não. — Anita criticou a forma com que os dois dificultavam a vida do garçom.
— A gente só veio pra cá porque tinha barulho demais lá no casarão. — justificava Ben a encarando. — O que, aliás, me lembra que devemos ainda uma resposta pro meu pai e pra Vera. — respondeu ele.
— Mais a gente vê isso depois. — afirmou Anita virando-se para ele com um sorriso.
— Aham pode. – ele sorri a beijando.
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— Só sei que o bicho vai pegar mano, nem vou querer ver. – Luciana revelava aflita a Omar o que e passava no casarão.
— É e você, ao invés de ficar lá pra ajudar a Vera que é tua irmã, veio pra cá. – Omar a repreendeu pela fuga.
— E eu ia me meter, tá louco, problema de família, melhor eu não meter meu nariz, até porque a treta já tá grande. – rebateu ela com um olhar desgostoso ao garçom. – Vai ter sangue, isso sim. – a irmã de Vera supôs, pressentindo que a confusão já estava formada, e nem adiantava ninguém tentar impedir.
— Ronaldo coitado não merecia isso. – Omar fica preocupado com a reação do patrão ao descobrir o que acontecia.
— É mano é osso. – concorda Luciana.
— Não acho que... – Anita caminhava até balcão conversando com Ben, quando constata o jeito calado e apreensivo com que a tia e Omar olhavam para os dois. – Que foi. – ela indagou de imediato.
— Nada. – Luciana nega dando um sorriso forçado.
— Melhor você contar logo pra ela. – Omar argumenta pressionando Luciana.
— Contar o que, o que aconteceu. – dessa vez foi Ben que pergunta com receio.
— É então. – Luciana mexe nos cabelos, não sabendo muito o que dizer.
— Tia, por favor, o que houve. – Anita disse tomada por insistência se preocupando com tantos rodeios de Luciana em falar o que queria.
— Não é que assim, apareceu um primo do Caetano lá no casarão, e mano, tua mãe tá achando que é o próprio defunto que ressuscitou. – Luciana despejou tudo atropelando as palavras. – Isso é que pega não é, o picareta não morreu então, ou vocês acreditam em milagre. – ela acrescenta, deixando Anita em total nervosismo.
— Ele não podia ter feito isso, não assim. – diz Anita assustada com a reação da mãe, se apoiando em Ben quando sente suas pernas cambalearem.
— Ai maluca, agora mata a garota, não sabe contar com jeito não. – Omar repreende o jeito destrambelhado de Luciana, encarando Anita que parecia tentar digerir as informações sem muito sucesso.
— Ué gente, ia mudar alguma coisa. – Luciana não entende o drama, mas se preocupada com a situação. – E também aquilo ali é um traste, saiu do inferno mesmo, pra atazanar a vida da mana e do cunha. – fala ela repleta de sinceridade.
— Mais é pai dela, sua desalmada. – Omar cutuca a mulher pedindo que ela se calasse.
— Porque você não me disse isso antes, caramba tia Lu. – Anita cobra se desesperando.
— Ah sei lá, vocês estavam lá trancados, eu iria querer embaçar alguém, podia não ser uma ideia muito legal. – Luciana argumenta gesticulando impaciente, um sorriso debochado se faz presente por um momento.
— Já ouviu falar em bater na porta, depois a gente só tava fazendo um trabalho. – nervosa, com o que Vera acharia daquilo tudo, talvez fosse pior, a reação de Ronaldo seria a mais indecifrável, diante de um Caetano vivo e que havia forjado a própria morte para se livrar da policia, Anita acabou levando um tom ríspido nas palavras, mesmo sem ter a intenção.
— Vou pegar uma água pra você. – proferiu Ben apressadamente, afoito com a expressão pálida e visivelmente tencionada da namorada.
— Não, não dá tempo. – ela cortou os pensamentos do garoto. — É melhor a gente ver o que tá rolando lá em casa. – Anita alegou segurando Ben pelo braço antes que ele se fosse. Os dois se conduziram agitados pela saída do restaurante em direção à casa da família, incertos a respeito do que iriam encontrar.
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— Filhinha. – Caetano sai do sofá para abraçar a filha quando a vê entrar pela porta de casa.
— Pai a gente não tinha combinado que você iria avisar quando fosse aparecer, tá fazendo o que aqui. – Anita sai do abraço e questiona nem um pouco receptiva. Ben para na porta sem se intrometer no assunto, apenas observando com discrição a cara atônita do pai e da madrasta.
— Eu sei, mais... – Caetano se manifesta, mas é cortado por Ronaldo.
— Você sabia disto Anita, que ele estava vivo. – Ronaldo pergunta direto sem esconder a impaciência e ojeriza com as mentiras do ex-marido da esposa.
— Filha como assim Anita, você mentiu. – Vera também bombardeia a garota com perguntas.
— Claro que sabia, Vera mesmo que você não goste Sofia e Anita são minhas filhas. – Caetano diz cheio de orgulho.
— Não, eu não sabia. – Anita contraria negando. – Lá no dia do enterro, eu chorei a morte dele tanto quanto vocês, ele enganou todo mundo essa é a verdade, mais depois eu soube sim, não vou negar. – ela sente-se na obrigação de confessar.
— Meu deus Anita, porque você não nos contou. – Ronaldo não escondeu seu descontentamento.
— Caetano, é melhor você voltar um outro dia, você já nos disse tudo que queria, por enquanto é isso, depois terminamos. – Vera intercedeu querendo acalmar o marido que parecia não sustentar mais a situação com tranquilidade.
— Eu vou, mas volto. – Caetano garantiu, Ben saiu da vista do homem, mas não pode deixar de notar o olhar de desdém e altivo lançado a ele.
— Caetano além de mentir, pôs você e sua irmã no meio disso. — Ronaldo proferiu em tom de indignação.
— Eu sei que eu tinha que ter dito a verdade Ronaldo, mais na época eu não soube o que fazer, com essa informação, sei lá também nem sabia o que fazer da minha vida, quem dera com o resto. — ela percebe que estava mais que perdida mesmo, para ter deixado o fato passar em branco. — Mas eu sei que isso não é justificativa, eu tinha que ter falado com alguém, me acovardei mesmo. — diz ela sem se retratar.
— O que não é muito importante Anita, qualquer pessoa com um pouco de discernimento saberia que não poderia envolver você e sua irmã nisso, vocês são duas adolescentes Anita, meu deus o que o Caetano tem na cabeça, pra fazer isso com as próprias filhas, logo ele que se diz tão pai. — o padrasto repreende o homem irritado.
— Ronaldo, acho que não é segredo pra ninguém aqui, que você sempre foi mais pai pra mim e pra Sofia em muitos momentos do que ele próprio, eu gosto do meu pai, mais ele sempre vai ser essa pessoa aí, o que pode piorar muito com o tempo também. — pondera Anita.
— Então quer dizer que nesse tempo todo o Caetano continuou em contato com vocês. — Vera pergunta parecendo a recém ter reação diante de tudo.
— Não, depois do velório dele, ele mandou um bilhete enigmático afirmando que estava vivo, aí não deu notícias, passou um tempo, ele se encontrou comigo e com a Sofia, só pra explicar que sumiria de vez, aí a gente ficou sem notícias dele este tempo todo, aí agora ele surgiu de novo do mesmo jeito que foi embora, do nada. — Anita tenta explicar tudo, mas percebe que história era pra lá de longa.
— E você pelo visto também sabia não é Ben, porque não me pareceu muito surpreso em ver o fantasma do teu futuro sogro. — indagou Ronaldo lançando um olhar severo ao filho mais velho, que procurava palavras para responder.
— É eu... — pigarreou o garoto com a voz engasgada. — Sabia pai, porque a Anita me contou, mas na época eu não sabia de nada, soube muito tempo depois... — finalmente responde ele a verdade, o que aumenta o sentimento de ser um completo idiota enganado que passava pelos pensamentos de Ronaldo.
— A gente já tinha voltado a namorar Ronaldo, foi só aí que o Ben soube da verdade. — reforçou Anita.
— A minha vontade é de esganar o Caetano, quem sabe assim ele não morra de verdade, já que prestou a um papel desses. — ruborizou Ronaldo estressado com as trapalhadas do homem que lidava a vida toda.
— Ronaldo que isso, não fale bobagem. — intercepta Vera nervosamente.
— Me desculpe, Vera mais agora não me venha dizer que isto aqui é normal. — o homem rebateu fitando-a descontente.
— Caetano deve ter dito os motivos dele. — Vera responde pacientemente.
— Motivos, Vera francamente, motivos pra que, pra ser mau caráter, pra fazer até as próprias filhas chorarem a morte do pai, Caetano queria o que? — contraria ele, não convencido pelas palavras da mulher. — Enlouquecer essas meninas. — irrita-se Ronaldo apontando para Anita que caminhava para perto de Ben. — Já não me bastava os problemas que a Anita havia enfrentando, ou você acha mesmo que a situação dela já não havia piorado e muito quando o pai foi preso, e até xingamentos a respeito desse assunto ela tinha que escutar misturado ao resto, e sem pensar em nada ele resolve brilhantemente matar a si próprio. — concluí Ronaldo, apreensiva Vera só consegue notar o semblante carrancudo do marido.
— Ronaldo eu acredito que... — Vera não sabe o que argumentar, só se vê nervosa. — Não vamos pensar nisso o importante é que a Anita está bem. — tenta amenizar Vera esboçando um sorriso que logo é desfeito, já que Ronaldo não se convence.
— Claro que ela está bem, porque ao contrário e diferentemente do pai, teve caráter e honra pra assumir os erros e tocar pra frente a própria vida. — falou ele contrariando-a e apenas o silêncio se sobrepõe no ambiente.
— Gente acho que o problema aqui nem sou eu né. — quebra Anita o jeito mudo com que todos se olhavam, mas percebe que focar no ponto inicial também não era uma maneira de acabar com a discussão dos "pais".
— Tem razão Anita, eu vou trabalhar, já ouvi sandices demais por hoje. – Ronaldo saí batendo a porta sem tempo de ninguém o impedir.
— Ronaldo agir assim. – lamenta Vera pensando em ir atrás dele.
— Mãe me desculpa, mais você quer que ele aja como. – pergunta Anita de forma retórica, olhando para a mãe.
— Como assim Anita. – Vera não compreende.
— O Ronaldo aguentou a vida toda as loucuras e confusões do meu pai, mais acho que agora foi a gota d’água que faltava pra tudo transbordar. – age Anita verdadeiramente. – E sinceramente se fosse outro no lugar dele nem teria aguentado mesmo, ele só não te largou porque te ama. – concluiu.
— Ai minha cabeça tá rodando até agora, to cheia de trabalho meu deus, que loucura. – diz Vera histérica por tantos problemas.
— Eu vou ligar pra Bernadete, ela dá um jeito lá, vai deitar um pouco vai, eu faço um chá pra você, realmente você não deve estar com cabeça pra nada mesmo mãe. – sugeriu Anita entendendo que a mãe não deveria estar nada bem mesmo.
— Eu acho que eu vou aceitar sim. – ela aceita percebendo que precisava de uma pausa.
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