E se um reencontro o destino preparasse...
222 Capítulo 222:
Notas iniciais
– Incrível que. – Balbuciava Anita curtindo o cair da noite, na praia acompanhada de Ben, enquanto os dois encaravam o céu. — Às vezes nós passamos a vida toda querendo viver as coisas mais incríveis e no fundo o que é mais incrível, esta sempre naquilo que é mais singelo. – Confidenciou, em um misto de felicidade e calmaria.
– É tipo, olhar o anoitecer, o céu, as estrelas, a lua. – Respondeu ele, voltando seu olhar para Anita. – Assim deitado na areia da praia. – Ben sorriu contente, afastando alguns fios de cabelo do rosto dela, que estava com a cabeça apoiada em seu braço.
– Sem sombra de dúvidas a gente deve estar parecendo dois malucos né, deitados em plena praia, como dois desajustados. – Anita soltou uma risada.
– Bom eu acho, quem passou aqui ao menos na última hora, deve sim, mesmo que eu não tenha notado ninguém. – Ele riu também.
– Só a gente mesmo, e depois nós queremos sermos levados a sério, não é. – Debochou Anita.
– Na verdade pior que isso, seria só se a gente entrasse na água. – Afirmou Ben, seguido de uma gargalhada.
– Ah não, não inventa, não to afim de voltar andando pra casa. – Alegou Anita em recusa. – Porque molhados, não vai ter nem taxi e nem ônibus, que aceitem levar a gente. – Justificou ela. – Mais tirando isso, eu acho que deveria ser lei, as pessoas tirarem um dia do mês que fosse, pra olhar pro céu sabia. – Comentou a garota.
– É com essa lua, como recepção, não poderia ser convite melhor. – Concordou Ben, olhando em direção do céu, e logo depois olhando Anita e os dois trocaram sorrisos iluminados.
– Mas, nós estamos meio longe de casa, então. – Lembrou Anita, dando um beijo nele. – A gente vai ter que pensar em ir pra casa, deve estar todo mundo esperando já. – Ela teve que admitir, mesmo sem vontade de sair dali.
– Ah imagina, eu até tava pensando em dormir por aqui, não parece tão ruim. – Afirmou Ben, fazendo a garota achar graça.
– Então o senhor, vai dormir sozinho tá, porque eu. – Ela falou se debruçando sob ele. – Vou pra casa, minha cama é mais confortável, do que a areia da praia. – Alegou a garota, fingindo indiferença.
– Ai nossa! – Nem parece que diz que me ama. – Ben fez uma cara ofendida.
– E amo, mais com essa você já tá querendo demais. – Exclamou ela risonha. – Ué que foi, que que foi, tá me olhando assim porque. – Questionou Anita, ao perceber a olhar fixo dele lhe encarando, sem esboçar qualquer outra reação.
– Acho que é pra eu não esquecer nenhum detalhe. – Ele respondeu, acariciando o rosto dela de leve. – Até disso eu sentia falta sabia, de simplesmente olhar pra você. – Afirmou Ben, melancólico.
– E quem disse que precisa, até parece que você vai se livrar de mim, tão fácil assim. – Disse Anita sorridente.
– É muito bom, até porque eu não quero mesmo, e jamais vou querer. – Garantiu ele, deixando beijos no rosto dela. – Realmente com certeza, o Antônio pode até ser ou estar obcecado por você, mas no meu caso eu devo estar alucinado mesmo. – Brincou o garoto.
– Para de falar besteira. – Anita riu se conter repousando sua cabeça no ombro dele.
– É sério óh pensa! — Hoje eu sei que eu não conseguiria viver uma segunda vez longe de você, já quase não sobrevivi na primeira, sem poder te beijar, te ver sorrir, sentir teu cheiro. – Falou ele encantado. – Antônio não é um obcecado convicto. – Afirmou.
– E sabe também, crise de abstinência convicta não combina em nada com aquele cara que saiu por aí, vivendo a vida sem pensar no amanhã. – Anita foi irônica, querendo implicar com ele.
– Não era eu. – Ben quis se defender, mas acabou não achando argumentos.
– Ah não, então você tem dupla personalidade, ou um irmão gêmeo. – Ela achou graça.
– Sabe que eu acho, que aquele cara, combinava e muito com aquela Anita revoltada. – Disse Ben brincalhão.
– E assim nossos pais piravam mais rápido, né. – Respondeu Anita. – O Antônio é uma mente doentia mesmo né, porque segundo ele a garota perfeita que um dia seria namorada dele, era aquela Anita, calma, centrada, não a doida que peitava todo mundo. – Disse Anita em um lapso de lembrança.
– Ah mais isso é de se entender né, você quando se revolta, fica mais difícil de dobrar. – Implicou Bem, sorrindo com travessura.
– Ah então quer dizer que você já andou praticando isso, e eu nem me dei por conta. – Anita ficou séria.
– Talvez seja possível minha cara. – Respondeu Ben dando risada.
– O Antônio é completamente sem noção né, fez o que fez, mesmo conseguindo o que queria, me tirado de você, feito intriga, e assim ele queria ficar exatamente com a garota que estava com você, com mesmo comportamento, querendo assim ser tratado da mesma forma, é sórdido demais, depois de tudo que ele armou. – A garota murmurou com certa revolta.
– Ué mais assim ele cai em contradição, já que segundo a própria teoria dele, quem te triou do caminho certo fui eu. – Debochou Ben.
– Deixa de ser idiota. – Ralhou Anita, seguida de uma gargalhada abafada.
– Ah Anita, vai dizer que ele nunca te disso isso, o Antônio cria falsas verdades que pra ele soa real, só na cabeça dele mesmo. – Disse ele de forma indignada.
– Ele preferi acreditar nisso né, mais isso pras pessoas normais se chama se auto – iludir, pra assim acreditar que mesmo que tudo que a gente viveu, aconteceu porque, eu estava muito coagida, sendo que é ele que usa desse artificio com todo mundo. – Especulou Anita.
– Você tava, é que é muito amor envolvido. – Falou Ben a beijando.
– A gente deve tá muito doido pra falar do Antônio, destilando tanto bom humor. – Afirmou Anita, se vendo até surpresa.
– A grande verdade, é que o Antônio adora me chamar de incompetente, mais ele conseguiu conviver com praticamente duas de você, diferentes, com personalidades distintas, e não conseguiu se acertar com nenhuma das duas. – Se divertiu Ben.
– É e faz bem pro teu ego lembrar disso. – Debochou ela. — Para, ai para, chega vai. – Anita suplicou não aguentando mais rir. – Ih daqui a pouco o Antônio, periga dele aparecer aqui, né porque vai ver ele também adivinha pensamentos. –Alegou Anita.
– No mínimo ele viria aqui tirar satisfações, não é. – Ben opinou. — Você quer saber, eu não ligo pro Antônio, o único mal que ele vai fazer a vai se tornar permanente é pra ele mesmo, a única coisa que vai sobrar pra ele é a própria amargura Anita. – Afirmou o garoto, tentando deixar o meio- irmão de lado. – A gente continua se gostando, claro que se nada daquilo acontecesse teria sido melhor pra gente, mais a real é que nada teve um dano permanente, a gente pode até ter demorado, mas achamos um jeito de deixar isso tudo subentendido, em um canto esquecido dentro dos nossos corações, ele tentou e muito, mais não conseguiu destruir o que a gente sente um pelo outro, o que você sente por mim, continuou vivo aí dentro, assim como eu nunca te esqueci. – Garantiu Ben, com um sorriso contente. — E se um dia, nós duvidamos da força do nosso amor, essa história toda só serviu pra essa duvida sumir. – E eles trocaram um beijo apaixonado. – Enquanto ele lida com a imaginação louca dele, você vai continuar do meu lado, a realidade é nossa, e vais ser assim pra sempre, você continua sendo minha, como sempre foi. – Disse ele.
– E dá pra não se apaixonar por você. – Respondeu ela, esboçando um sorriso iluminado. — Vem cá, tá tudo muito lindo, mais assim quantas dias, semanas, meses, dias, horas, você levou pra constatar isso, ou pior quanto tempo pra processar isso dessa forma, porque eu tenho certeza que demorou. – Anita ressaltou não conseguindo evitar de provoca-lo. – Afinal até outro dia, tava que nem louco me acusando de se importar com o Antônio. – Disparou ele contra Ben que distanciou o olhar.
– Vamos fazer uma coisa. – Disse Ben lhe fazendo um pedido, enquanto levantava do chão.
– Hum e o que. – Consentiu Anita se erguendo para encara-lo, assentindo que ele continuasse.
– Da próxima vez que a gente resolver brigar, vamos arrumar um outro motivo né, chega de Antônio, até porque a gente já fez isso até demais nos últimos tempos. – Ele falou, lhe pedindo que ela concordar-se.
– Eu acho que a melhor coisa que nós faríamos mesmo, não da pra passar a vida toda com o Antônio no meio da gente, nem que seja dessa forma. – Anita acabou dando razão ao namorado. – E tem mais uma coisa, nós temos que conversar com minha e mãe e também com o Ronaldo. – Afirmou a menina, lembrando que os dois ainda tinham uma pendencia a resolver.
– Eu sei, é melhor a gente começar por aquilo que pode ser mais fácil. – Ben se viu obrigado a concordar com os argumentos dele.
– Então amanhã a mamãe, pela manhã sempre ajuda o Ronaldo com os bolos que vão para o restaurante, a gente podia falar com eles, pra começar não é. – Sugeriu Anita, com um sentimento de receio se fazendo presente.
– Eu aceito, não pra gente viver a vida toda se escondendo né, eu só espero que a gente consiga dessa vez. – Relembrou ele, da falta de sorte que ambos tinham quando tomavam alguma decisão, que dizia respeito ao relacionamentos deles.
– É também acho Ben, por mais que eu saiba que isso não vai ser fácil. – Suspirou Anita, querendo controlar sua tensão. – E a gente tem que ir pra casa agora né. – Lembrou ela.
– Mais se a gente for pensar, o que são cinco minutos a mais, depois de horas de ausência. – Ben afirmou com um sorriso travesso, jogando Anita contra a areia novamente, e lhe beijando.
– A gente vai chegar em casa amanhã desse jeito né, assim nem vai precisar mesmo contar nada. – Anita riu brincalhona.
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– Ben, eu fiquei de ligar pra Julia, por causa do móvel da avó dela que eu tinha ficado de reformar. – Disse Anita, percebendo que havia esquecido completamente, quando os dois já chegavam em casa.
– Acredita a Julia deve estar já bem acostumada, com a amiga cabeça de vento dela. – Implicou ele, olhando para Anita sorrindo debochado.
– Ah você pode ser a maior contribuição pra isso né, quem me chamou pra ir pra Barra. – Acusou a garota.
– A avó da Julia vai vir visitar ela é. – Perguntou o garoto.
– Vai, e sim a Ju vai ouvir algum sermão por causa do Fred. – Confessou Anita, já pressentindo. – Eu vou mandar uma mensagem pra ela. – Pensou ela, pegando sua bolsa das mãos de Ben que a segurava.
– Oi gente. – Sidney que estava sentado ao muro de sua casa, abordou os dois após ouvir suas vozes, e a figura do casal ao longe.
– Boa noite. – Responderam Ben e Anita em quase um uníssono, quando se aproximaram.
– Então será que a gente podia falar um minuto Ben, trocar uma ideia. – Perguntou Sidney receoso, a respeito da resposta de Ben.
– Tá, claro que pode. – Ele concordou com o pedido do amigo, mas acabou ficando um pouco surpreso.
– Então é, eu vou entrar né, aí vocês podem conversar. – Anita falou, achando melhor deixa-los a sós. — Depois a gente se fala. – Disse ela a Ben junto a um sorriso.
– Tchau Anita. – Sidney pronunciou.
– Tchau, boa noite. – Respondeu a garota entrando pelo portão de casa.
– E Sidney pode falar. – Disse Bem, um tanto apreensivo, se escorando no muro de casa.
– Bom é, eu não vou tomar muito teu tempo, só queria te agradecer pela força nessa história toda. – Sidney afirmou, sorrindo discretamente.
– Imagina, não te que agradecer, na verdade eu acho que eu retribui né, a força que você sempre me deu, ainda mas naquela história do vídeo com a Anita. – Respondeu ele agradecido também.
– É pois é foi barra, mas no final você e a Anita, superaram, e bom, vocês tão juntos né, eu sei que estão meio que deixando no esquecimento, não abriram pra ninguém, mais se a gente parar pra ver, da pra ver que vocês tão felizes. – O garoto disse contente pelos dois.
– Cara eu não tenho porque mentir pra você. – Ben proferiu, levando a mão nos cabelos, não sabendo muito como explicar a situação. – Bom é eu to com Anita sim, já faz um tempo, e quanto a assumir a gente tenta, mais acho que o destino gosta de passar na nossa frente, sei lá. – Ele confessou rindo.
– É meio que dá pra entender, e com essa minha história com Sofia, acho que tumultuou o casarão também. – Respondeu o loirinho.
– Eu to feliz sim, apesar de tudo, e de uma forma que eu nunca achei que eu fosse estar depois de tanta confusão. – Ben não escondeu seu contentamento.
– Vocês merecem, não podia ser diferente. – Disse ele.
– É realmente eu tive momentos desesperadores, no meio da tempestade que se abalou na minha vida. – Confidenciou Ben. – Mais olha eu também de verdade, eu quero que você se acerte com a Sofia, que vocês sejam felizes. – Desejou.
– Ah Ben sei lá, eu e a Sofia não sei, eu gosto muito dela, só que nós dois temos o dom de fazer sempre tudo errado. – Sidney falou desacreditado.
– Se é por causa dessa história da primeira vez, resolve, prova pra ela que você não é assim. – Sugeriu Ben ao amigo.
– É né eu bem que tentei só que aí foi a vez da Sofia me dar o fora na manhã seguinte. – Soltou ele.
– Tá falando sério. – Ben questionou surpreso.
– To, pior é que to, a Sofia realmente me deu o troco, e eu nem posso dizer que não mereci. – Falou Sidney desapontado.
– Chato, mais sabe o que isso prova, que ela gosta de você, ela provoca, desdenha, mais gosta de você, eu sempre tive a sensação que a Sofia ficou comigo pra provocar você, eu preferi ignorar minha intuição, já que ela só me traía naquela época, mais Sidney a Sofia ama você. – Afirmou Ben.
– Será, não sei, porque se ela ama, faz sempre exatamente ao contrário. – O menino ficou sem acreditar.
– Ok, mais ás vezes da pra entender o que se passa na cabeça de alguém, principalmente da uma garota, vai ver ela faz pra te irritar, ou por ter mesmo ficado magoada com você, pelo o que você aprontou, e por ter problema de admitir que gosta de você, mesmo depois disso. – Esclareceu Ben. – Eu mesmo já briguei tanto com Anita, por isso tudo que houve, que ás vezes eu nem sei como que a gente ainda consegue conviver. – Ele achou graça.
– Sim, mais ela tá contigo, e também não fica te espezinhando, o tempo todo. – Sidney riu.
– É mais ela já me deu o troco, me tratava com frieza, com rompante, e eu nem pude reclamar né, eu merecia mesmo, não posso dizer que não, e talvez se eu não tivesse insistido a gente estava até hoje do mesmo jeito, só tentando se entender e não conseguindo. – Argumentou ele.
– Eu já tentei desistir da Sofia, mais eu não consigo, já não sei mais o que eu faço. – Disse Sidney desabafando.
– Então não desisti, tenta, prova pra ela que você não é o que ela pensa, que você pode até ter errado, mais que você é sim um cara bacana. – Afirmou Ben.
– E será que eu consigo. – Se perguntou o garoto.
– Bom você só tem um jeito de saber. – Alegou Ben, insistindo com o garoto.
– Valeu Ben, eu acho que em algumas situações eu errei com você. – Disse Sidney estampando um sorriso sem graça.
– Não, fui eu que errei, eu fiz algo que eu não aprovaria, ficar com a garota que meu melhor amigo gostava, se fosse você, e a garota em questão fosse Anita, eu também não ia entender. – Respondeu Ben não subtraindo sua parcela de culpa, que ele sabia que era maior que a de Sidney.
– Mas, eu também errei com a Sofia, era a primeira vez dela, se arrependimento matasse. – Sidney afirmou em um tom de lamentação.
– Eu mais ou menos sei como você se sente, se eu soubesse o desfecho daquela história do acampamento, nunca teria arrastado a Anita pra aquela viagem, no fundo eu sou mais responsável, por aquela confusão do que todo o resto, e eu vou ter que conviver com isso, aprender a no mínimo amenizar isso. — Ben se viu entendendo perfeitamente os argumentos de Sidney.
– Mais também, não tem nada a ver isso, a culpa foi do Antônio, ele é que é doido, aliás, anda cada vez pior, e eu morando com esse louco. – Comentou Sidney. – Tá aí a gente ainda tem uma coisa em comum. – Sidney disse entre risadas.
– Ah e o que. – Ben indagou confuso.
– Maldição da primeira vez, porque nos custou caro, você quase perdeu a Anita, e eu bom, não sei se um dia eu vou ter essa reposta em relação a Sofia. – Afirmou ele bem- humorado.
– Boa essa, olhando bem pode até ser. – Riu ele.
– É tá vendo, mais você tá com cara que já superou isso, vai diz aí. – Sidney perguntou.
– Digamos que sim. – Ele respondeu achando graça.
– Cara tua amizade faz falta. – Desabafou Sidney
– Pra mim também Sidney, eu perdi muita coisa e em tempo recorde e no nosso caso eu também contribuí pra isso. – Falou Ben. — E que tal a gente acabar com isso a voltar a sermos amigos, você faz falta. – Sugeriu Ben, estendendo a mão ao loirinho.
– É já é, mais você vai ter que me ajudar numa coisa. – Disse ele apertando a mão de Ben.
– Claro tá feito, mais o que é. – Concordou Ben sem entender.
– Na hora certa eu te conto. – Sidney afirmou alegre.
– Tá bom. – Ben consentiu.
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– Você sumiu o dia todo hoje Anita, eu até estranhei. – Afirmou Vera, enquanto se desdobrava na cozinha, entre a louça do jantar e alguns outros preparativos.
– É o dia não, né mãe, parte da tarde. – Ela corrigiu. — E outra eu não sumi, fui só aproveitar a tarde, desintoxicar os pensamentos. – Anita tentou explicar. – Me dá um biscoito desses aí Pedro. – Pediu Anita ao menino, que lhe alcançasse a travessa que estava sobre a pia.
– E onde você andou. – Vera questionou.
– Por aí, que tanta pergunta é essa. – Disse Anita, segurando a travessa de biscoitos que a mãe a recém tinha tirado do forno, fazendo uma cara impaciente.
– Nada, curiosidade. – Respondeu Vera.
– Bom eu vou tomar um banho, toma Pedrinho. – Comunicou Anita entregando a prato ao menino, e saiu enquanto comia.
– Ela só pode ter um buraco no estomago. – Pedro afirmou.
– Ela anda é muito cheia de segredos isso sim. – Vera pronunciou, não dando importância para as falações do caçula a respeito da comilança de Anita.
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– E aí tudo bem. – Perguntou Anita ao abrir a porta do quarto e ver Sofia concentrada na tela do celular.
– To indo, sei lá. – Respondeu ela sem animo.
– É eu não poderia esperar outra resposta né, as coisas tão meio complicadas mesmo. – Anita sentiu-se um tanto insensível com a pergunta feita. – Não tinha festa de aniversário da Amanda hoje, achei que você fosse convidada. – Comentou ela.
– Eu tinha, mas, preferi não ir mesmo. – Afirmou a loira, com os olhares na direção de Anita. – Mais ir pra que né, sair quebrando a cara das convidadas, eu tenho um ódio disso, Anita se eu conseguisse descobrir quem foi a pessoa que espalhou essa história, acho que eu matava. – Disse Sofia com raiva na voz.
– Pois é, e apesar das nossas diferenças, eu prometi que iria te ajudar a descobrir quem foi, e eu vou. – Proferiu Anita taxativa.
– E como Anita, você vai tirar uma bola de cristal da bolsa. – Sofia foi irônica, ao ter o pensamento de que poderia não descobrir quem foi.
– Quem me dera. – Anita desdenhou. – Mais a gente pode começar pelo começo, a partir daí quem sabe, nós não descobrimos o resto. – Sugeriu ela. – Quando e como se deu essa história com o Sidney, que enfim vitimou isso tudo. – Assuntou Anita decidida.
– Droga, vou ter que falar do tosco. – Retrucou ela suspirando fundo ao ouvir o nome do menino. – Eu tava aqui no quarto com Flaviana. – A loira continuou devido ao olhar de Anita pedindo que ela falasse. – Quando o Pedro veio me dizer que o cretino tava aqui, aí eu acabei indo falar com ele, se arrependimento matasse. – Lamentou. – Ai a gente brigou, foi tudo muito rápido, depois eu mandei ele embora, e depois o inferno começou. – Concluiu a garota de forma impaciente.
– Tá Sofia isso eu já entendi. – Falou Anita caminhando até a cama da irmã, e sentando de frente para ela. – E como então que alguém fez aquele vídeo, como Sofia. – Se perguntou Anita com seriedade.
– Não sei, você acha que se eu soubesse. – Sofia acabou soltando rispidamente. – Eu não sei Anita. – A loira disse desaponta contemplando o olhar sério de Anita.
– Ok é melhor nós começarmos com o óbvio. – Anita tentou ignorar o jeito de Sofia que era aceitável em parte devido a situação. – Você brigou, discutiu, falou mal, bateu de frente com alguém nos últimos dias. – Questionou Anita.
– Ah qual foi Anita. – Sofia a fitou com uma cara sarcástica.
– Sofia eu te conheço bem, até demais, agora desembucha, se você não disser a verdade eu não vou ter como te ajudar. – Ponderou Anita se preparando par ouvir qualquer coisa da boca da irmã.
– Ai tá bom. – Ela revirou os olhos, não gostando se se sentir contrariada. – Aparentemente não Anita, pelo menos não a esse ponto sabe, e a pessoa entrou aqui dentro Anita. – Sofia se viu no auge de suas confusões. – Tudo acaba me levando a crer que foi Sidney. – Respondeu ela com certo chateação pela situação.
– O que também não esclarece muita coisa, não é. – Retrucou Anita. – Faz mais um e esforço, vai ver tá passando algum detalhe. – Anita quis insistir um pouco mais.
– Anita você sabe que eu não babo ovo pro ninguém. – Declarou ela. – Brigar assim, eu na lembro muito, só se for com a. – Sofia ficou pensativa.
– Com a, fala. – Anita apertou a irmã em busca da resposta.
– A Mariana. – Disparou a patricinha parecendo zonza. — Anita eu não acredito, como eu não me liguei nisso antes, ela aqui dentro de casa, com aquela cara de tano faz, prestando atenção em tudo, foi ela, até porque eu andei batendo de frente com ela sim. – Esbravejou Sofia vendo a irritação tomar conta se si.
– Sofia é uma hipótese, mas acho que pode ser verídica, pronto. – Anita confessou.
– Eu vou desmascarar essa falsa, e vai se agora, porque enquanto eu sou pré -julgada, ela tá aí fazendo pose. – A loira informou enfurecida. – Eu vou dar um jeito nisso e vai ser agora. – Sofia saiu como um relâmpago pela porta.
– Espera. – Falou Anita tentando argumentar com ela, sem sucesso, Anita correu atrás ao ter uma sensação de receio a cerca do que a irmã faria realmente.
– Quem vai querer sobremesa já esta servida. – Vera comunicou, colocando uma travessa com pudim de leite a mesa.
– Oba agora eu vi vantagem. – Disse Giovana alegre pulando do sofá até a mesa.
– Eu é que na vou deixar passar. – Vitor também a seguiu.
– Seria estranho se você deixasse, acho que poderíamos chamar a emergência, Vitor estaria morrendo. – Pedro alfinetou o irmão mais velho com calma na voz enquanto assistia TV ao lado de Ben e Ronaldo no sofá. – E acho melhor você se antecipar Ben, ou já sabe. – O caçula comentou, ao perceber Ben imóvel, no mesmo lugar concentrado na tela da televisão.
– Não, pode ir lá pequeno, eu vou passar hoje. – Respondeu ele, lançando um sorriso em direção ao mais novo.
– Então foi você sua vaca, pode se preparar pra ficar careca. – Sofia desceu a escada gritando sem se conter.
– Que isso gente, alguém segura a Sofia, que ela deve estar variando, pra falar desse jeito. – Giovana retrucou, pasmada com o jeito descontrolado da lira.
– Cala a boca, também tampinha ou vai sobrar pra você. – Sofia esbravejou encarando Giovana por um instante.
– Meu papo ainda não é com você, mas sim com essa coisa ali. – Veio em direção de Mariana que se encontrava, parada perto ao sofá.
– Hãm, eu é comigo, você bebeu garota. – Mariana respondeu.
– Não se faz de mal entendida não, eu vou te esfolar, sem nem pensar antes. – Alegou aloira.
– Sofia para. – Anita a segurou por um braço com o intuito de contê-la.
– Me larga Anita. – Gritou a menina, desaprovando a interrupção de Anita.
– Mais o que significa isso, Sofia, Anita, quem vai me explicar. – Vera disse extasiada com a atitudes das duas.
– Não vem não mãe, que nem você e nem ninguém vai defender essas dai. Sofia rebateu alterada.
– Gente que isso. – Giovana proferiu sem mais palavras.
– Mãe é o seguinte. – Anita tentou ponderar para esfriar os ânimos de todos que já estavam bastantes acalorados.
–Ah seguinte nada Anita, essa dai me ferrou, e isso não vai ficar assim. – Sofia ameaçou a interdependo.
– Como assim filha. – Falou Marta confusa.
– Marta me desculpa, a Sofia deve ter uma boa explicação para tantas acusações. – Afirmou Vera constrangida.
– E tenho essa sem noção, que pôs minha conversa com o Sidney na internet. – Soltou a loira.
– Isso é um absurdo Sofia baseado em que você diz isso. – Vera se viu perplexa e sem acreditar na filha.
– Mais é a verdade. – Insistiu ela.
– Se tá louca. – Mariana quis se defender.
– Louca esta você se acha que eu vou deixar isso barato eu acabar com você. – Declarou a loira fora de si.
– Ah para de loucura Sofia, fica acusando todo mundo como se fosse a dona da verdade. – Ela fez pouco.
– Sofia sobe, para com isso, maluquice sem tamanho, esquece isso e segue em frente filha, não acusando ninguém que você vai resolver algo. – Vera a pediu quase suplicando temendo uma novo confusão.
– Maluquice, ah é. – Sofia riu sarcástica. – Ela tava aqui em casa, curioso né. – Disse olhando atenta para todos. — A única pessoa estranha era ela, porque eu tava aqui nessa sala conversando com o Sidney. – Afirmou ela em um grito.
– Na boa. – Mariana riu, enquanto a maioria fazia voto de silêncio, parecendo descrentes.
– Sofia sobe eu já te disse. – Vera falou ainda, querendo contornar a situação.
– Pois eu realmente, acho que vocês deveriam ouvir a Sofia. – Interviu Anita.
– Até você Anita, você vai dar corda pra Sofia, quantas vezes ela já não mentiu pra você. – Giovana cobrou surpresa.
– A gravação saiu daqui de dentro de casa, foi quem? — Um estranho, será que vocês não percebem que tem um erro de logica nisso tudo. – Afirmou Anita.
– Agora até a Anita, é impressionante. – Vitor desdenhou, fazendo sinal de negação com a cabeça.
– Eu sou a primeira pessoa a dizer quando ao Sofia esta errada, mais acho que esse, não é o caso. – Anita se manteve firme.
– Eu sou queria ver se ela dissesse que foi você. – Mariana se fez de ofendida, escondendo suas tensões.
– Relaxa quanto a isso você pode ficar tranquila, se fosse eu, eu mesma diria na cara dela, ‘fui eu’, eu costumo mesmo é atacar as pessoas pela frente, na cara, sem joguinho baixo como quem fez isso. – Anita disse impaciente.
–Ah não, você não se diz uma mentirosa, bom saber. – Enfrentou Mariana.
– Mentirosa, é quem faz uma palhaçada dessas e esconde garota, quem é incapaz de dizer na cara da Sofia o que acha. – Anita não se deixou intimidar, quando percebeu a aproximação de Ben, que pressentiu que as coisas ficariam fora de controle.
– Meu deus! realmente as duas querem me enlouquecer. – Vera se viu ainda mais nervosa.
– Sério pra quem não se diz mentirosa você é no mínimo contraditória. – Provocou Marina.
– Se tá falando do que, não vem aplicar teu veneno pra cima de mim, que não vai colar, eu não tenho medo de você e nem vou ter. – Retrucou Anita não escondendo sua ira.
– Você sabe. – Respondeu ela recuando por instante.
– Então seja mais clara, eu não vou cair no teu jogo não, eu não tenho medo já disse, tenha coragem uma vez na vida, agora só cuidado pra não se arrepender depois, quem sabe mesmo a Sofia não é a única certa nessa casa, você não passa de uma garotinha mimada, que teve tudo a vida toda, pra mim foi você. – Desafiou Anita enraivada.
– Que bom, porque realmente deve se um suplicio morar com o cara, que todo mundo pensa que é teu irmão, mais que pra você é bem mais que isso, enquanto vocês se pegam. – Disparou Mariana, deixando quase todos os presentes atônitos e processando a informação.
– Eu não to acreditando nisso. – Ben proferiu balançando a cabeça demostrando sua frustração, enquanto ele e Anita trocando um olhar de confusão.
– Como, eu entendi direito Anita. – Vera saiu de perto da mesa e veio em direção da garota com um semblante sério, e um olhar que continha certa ira, parecendo não acreditar no que havia ouvido.
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