Notas iniciais
Gente eu sei que estou muito em falta com vocês, por isso peço desculpas, vou tentar ser mais pontual com os capítulos. Muito obrigada por acompanharem!!! Uma boa leitura!!

– Então tá tudo acertado mesmo, vocês vão viajar. – Julia questionava Anita.

– Vamos sim. – Confirmou ela. – Ju, não se preocupa, tá tudo sob controle. – Pediu a menina. Ao perceber a preocupação estampada no roso da amiga.

– Ai Anita. – Julia proferiu. – Você já me disse isso antes, eu tenho medo desse viagem micar, e você e o Ben. – Julia interrompeu de forma confusa. – Ai amiga. – Suspirou a garota.

– Julia não vai acontecer nada, relaxa. – Anita garantiu, não entendendo tanta cautela e nervosismo por parte de Julia. – E depois eu já estou vacinada contra isso, a gente precisa chegar no fundo do poço pra saber que ele não é tão fundo assim, que não dê pra sair de lá. – Falou Anita, sem dar muita importância. – Você que anda muito impressionada né, tá cheia de coisa errada na cabeça, que eu sei. – Previu ela, colocando a garota contra a parede.

– Ah, tá, essa situação toda, tá me consumindo, toda vez que eu cruzo com alguém eu acho já estão sabendo, falando, ai enfim. – Julia fez um desabafo.

– Julia você tem o direito de ser feliz, o Fred e você têm, vocês são livres. – Anita quis alerta-la. — E olha aqui se alguma patricinha desavisada, dessas aí, for mexer com você, fazer alguma fofoca, pode me dizer, que eu quebro a cara delas, uma por uma. – Disse Anita, em tom de brincadeira, mais não escondendo a parcela de verdade em tal afirmação.

– É se tem razão, eu não devo nada a ninguém. – Julia respondeu, mais convencida.

– Fica bem tá, eu não vou ficar mais que três dias fora, mais eu quero que você cuide de você. – Anita afirmou.

– Eu vou tentar, também não quero estragar os teus planos. – Julia ponderou.

– Nunca, você jamais faria isso. – Anita esclareceu. – E depois eu jamais deixaria de te apoiar e ajudar. – Tranquilizou Anita.

– Obrigado mesmo. – Agradeceu ela. – E boa sorte, pra e pro Ben, nessa loucura, porque eu ainda acho loucura, se o Ronaldo e a tua mão sonham ferrou tudo. – Julia opinou.

– Hum depois, não vai adiantar eles chiarem não Julia. – Disse Anita despreocupada, mesmo sabendo dos riscos.

– E aí meninas, vamos pra aula, ou vocês vão fofocar até dar o sinal. – Serguei falou animado, quando chegou com Ben.

– É a gente tava fofocando mesmo sim. – Ironizou Julia incomodada.

– É, e falando mal dos dois, ainda por cima. – Anita brincou.

– Eu nem abri a boca e sobrou pra mim é isso. – Ben riu.

– Ah gente quanta maldade, nós somos dois coitados, e vocês aí maltratando a gente. – Serguei se fez de ofendido.

– Hum e você chamando a gente de fofoqueiras. – Anita alfinetou, achando graça do semblante do amigo.

– Não, é que geralmente vocês tem muito assunto. – Riu Serguei querendo se defender.

– Sei. – Retrucou Julia.

– Também acredito muito. – Anita reforçou.

– Tá vendo, tu tá vendo, onde você foi se meter. – Serguei falou a Ben. – Isso aqui ó, Anita, com essa carinha de anjo, se bobear consegue ser pior que a irmã, quando quer. – Disse ele brincalhão.

– Ai credo Serguei, não gostei agora. – Ralhou Anita, mas mesmo assim acabou debochando.

– To brincando, vocês sabem que no fundo eu amo vocês duas, e muito. – Concertou ele. – Flaviana que não me ouça. – Afirmou ele, abraçando as duas.

– Relaxa, não quero ser o motivo da separação de ninguém. – Julia riu.

– Também acho. – Concordou Anita.

– É até porque, aí vai acabar em tragédia, e das grandes. – Alfinetou Ben.

– É vai, com a Flaviana louca, aos tapas contra ele. – Anita falou entre risadas.

– Ah gente Flaviana, não seria Flaviana, não sendo do jeito que é. – Serguei afirmou travesso e com carinho, enquanto eles se dirigiam até as dependências do colégio.

Dias depois...

– E aí Anita que horas vocês vão mesmo. – Julia indagava à amiga, enquanto Anita terminava de arrumar sua mochila.

– As três é o horário da passagem. – Anita respondeu, enquanto dobrava umas roupas e guardava. – Ai Julia que cara é essa, por favor, eu já te disse que tá tudo tranquilo, não fica preocupada comigo vai. – A menina argumentou com Julia ao vê-la sentada a ponta da cama, parecendo um pouco tensa. – Você não acha que se eu achasse que podia ter algo arriscado nisso, lógico que eu não compraria essa ideia. – Afirmou ela, para tranquilizar a garota, que apenas suspirou antes de responder algo.

– Ok, certo, você tem razão, é que eu to com tanta coisa na cabeça, ando bem impressionada mesmo, eu confesso. – A morena expressou.

Anita ficou pensativa por alguns segundos e depois caminhou até Julia. — Me desculpa, por te deixar sozinha agora, eu sei que você tá precisando de mim. – Anita disse ao perceber, certa contrariedade em sua mente por deixar à amiga.

– Imagina, eu vou ficar bem, relaxa, você e o Ben também estão merecendo um descanso depois de tanta coisa ruim que rolou em volta de vocês. – Falou ela, entendendo perfeitamente a situação.

– Tá mais se você precisar de algo, me liga tá, eu prometi que eu iria deixar o telefone ligado direto pra Bernadete, então é melhor eu cumprir porque se não depois, ela me esgana quando eu aparecer. – Afirmou Anita, com um sorriso sereno.

– Também não vou melar a viagem e vocês, nunca. – Pronunciou Julia se sentindo uma “mala” por preocupar tanto Anita.

– Olha, eu vou precisar mais do que você pra acabar com a minha viagem, pode ficar tranquila. – Garantiu Anita, achando certa graça no comentário da garota. – Mais tomara que não aconteça nada né, pelo amor de deus. – Pediu ela suplicante.

– Não vai, vocês merecem, vai dar tudo certo. – Desejou Julia de volta.

– É eu também tenho essa impressão, melhor eu pensar que os problemas ruins, pelo menos os mais graves irão ficar pro ano que vem, não é, porque por agora já deu, eu acho. – Disse Anita levantando, e se divertindo com o amontoado de coisas imprevisíveis que já tinham lhe atingindo até ali. – Bom deixa eu terminar de arrumar isso, se não perco a hora. – Comentou ela, voltando a colocar as coisas na bolsa.

– Oi, eu posso entrar. – Bernadete bateu a porta do quarto que estava entreaberta.

– Claro, deve. – Respondeu Anita.

– Então, você já tá quase pronta pelo visto. – Afirmou ela, com um tanto de preocupação, por estar fazendo parte daquilo tudo, principalmente ao pensar, o que Vera iria pensar caso soubesse que ela estava ciente de toda situação.

– To, to sim. – Anita proferiu voltando-se para ela.

– E o Ben, ele vai de buscar aqui. – Bernadete perguntou.

– Não, eu vou me encontrar com ele direto na rodoviária, fiquei com medo de alguém do colégio cruzar com a gente aqui. – Anita explicou.

– Ai jesus, então é definitivo, eu compactuei com isso mesmo. – Disse ela com certo drama na voz.

– Bernadete fica calma, se essa história tiver alguma consequência, vai ser pra gente, não pra você, eu não vou te entregar não. – Anita disse convicta.

– Eu sei, você jamais me colocaria no fogo. – Exclamou ela. – Mais e a tua mãe gente, será que ela acreditaria nisso. – Especulou com aflição.

– Depois você fala, que eu menti pra você, quando você se deu por conta, não pode fazer nada, com a capacidade que a mamãe tá tendo de achar que eu virei uma louca irresponsável, ela vai acreditar sim. – Anita falou, um pouco irônica, ainda tentando sanar as divergências com a mãe.

– Ai que deus me ajude. – Disse Bernadete suplicante. – Mais olha aqui Anita, Anita, por favor por tudo que é mais sagrado, volta inteira, não vai tentar nenhum tipo de suicídio, nem se afogar, nem se meter em nenhum perigo, pelo amor de deus, e vê se não vai se envolver em nenhum escândalo né. – Aconselhou ela sem parar.

– Fica tranquila, uma vez pra mim já foi o suficiente por uma vida. – Anita disse taxativa.

– É mais também, vê se não vai me aparecer com nenhuma novidade, daqui uns meses. – Acrescentou ela ainda.

– Bernadete, oi? – Anita riu da indireta. – Como assim, por favor. – Disse ela, não resistindo em rir da cara da ex- madrasta.

– Ué gente. – Bernadete olhou para Julia e Anita que apenas disfarçavam o riso. – Um neto, por exemplo, imagina a Vera, ficava louca de vez. – Se justificou Bernadete.

– Não, não precisa tá, eu não pretendo não. – Deixou claro a garota, entre sorrisos debochados. – Mais alguma coisa. – Brincou.

– Não, acho que não, você quer que eu te leve pra encontrar com o Ben. – Perguntou.

– Não precisa, teu voo é as quatro né, arrumou tudo, a mala, tudo direitinho. – Disse Anita se preocupando com ela.

– Acho que sim. – Afirmou Bernadete, não muito convencida.

– Eu pego um táxi, sem problemas. – Esclareceu ela. – Ó é o Ben, ele já vai sair de casa. – Anita comunicou ao ouvir o celular e checar a mensagem do namorado.

– Então vai, e boa sorte tá. – Bernadete desejou.

– Muito obrigada por tudo tá. – Agradeceu. — Assim que eu chegar lá, te ligo, prometo, e fica calma aproveita tua viagem também, não fica se preocupando comigo, assim que eu voltar, eu vou vir direto pra cá, eu vou voltar antes de você, mais vou ficar aqui esperando você, pra depois voltar pra casa, não precisa se preocupar mesmo. – Anita afirmou.

– Boa viagem pra vocês. – Falou Julia levantando para dar um abraço em Anita.

– Obrigado também, e vê se, se fica tranquila, acalma esse coraçãozinho. – Disse Anita, praticamente ordenando.

– Pode deixar. – Julia respondeu sorridente.

– Bom gente é isso, tchau, até mais, e não se preocupem não é, eu não to indo pro Japão, to indo pra Búzios, não é tão longe assim. – Pronunciou Anita, pegando a mochila e a bolsa.

– A gente vai tentar né Bernadete. – Julia respondeu, ao observar o jeito nervoso da mulher.

– É né, até porque agora não tem jeito. – Disse ela, junto a uma risada.

– Então, beijos pras duas, que eu fui. – Anita falou se despedindo das duas. – E ó se der algo errado, e alguém descobrir alguma coisa, vocês não sabem onde eu fui. –Afirmou Anita, já passando pelo corredor que dava para a sala, juntamente com Julia e Bernadete.

Algum tempo depois...

– Nossa você demorou hein. – Falou Ben que esperava Anita, escorado próximo ao saguão da rodoviária, assim que pôs os olhos nela.

– Me desculpa, mais é que o transito da Barra pra cá, tava infernal. – Anita falou com um sorriso. – Te avisei né. – Argumentou a garota.

– Avisou né, mais sei lá, com essa situação toda, eu já tava aqui, quase botando um ovo quadrado já. – Ben explicou, um tanto tenso.

– Tá mais isso não importa, eu já to aqui. – Disse Anita, levando a mão ao rosto de Ben. – Que foi. – Questionou ela, ao perceber certa tensão no olhar do garoto.

– Nada, bobagem, besteira e mais nada mesmo, tava aqui pensando enquanto você não chegava, o cretino do Antônio seguiu a gente aquele dia, desde quando eu botei o pé pra fora de casa. — – Respondeu ele desabafando.- Como eu não percebi. – Se perguntou ele, se auto culpando.

– É foi. – Anita confirmando o que ela já tinha ouvido do próprio Antônio. – Mais chega né, não vamos falar disso, muito menos agora. – Afirmou ela. – Eu já tive que dar um jeito na Bernadete antes que ela tivesse um treco. – Anita exclamou brincalhona.

– A gente pode ter enfiado ela numa roubada, você sabe disso. – Ben mesmo não querendo acabou rindo do ocorrido.

– Vamos esquecer um pouco, tudo isso, até porque a gente tá precisando. – Sugeriu ela, com um sorriso enorme.

– Sim. – Respondeu ele apoiando a ideia. – Pronta pra viver um sonho. – Pronunciou Ben seguido de um beijo.

– Não, pra que, a gente vai viver um sonho, se a realidade pode ser muito melhor. – Disse Anita travessa, pendurando os braços em volta do pescoço do amado.

– É pensando bem, transformar um sonho em realidade, pode ser muito melhor mesmo. – Sorriu ele, antes dos dois se envolveram em um segundo beijo.