E de repente Um Amor
8 Capítulo 8 - Não suporto o quanto preciso de você!
Anne
Acho que já tinha engordado uns 10 kg de tanto chocolate que comi, acho que com as minhas lágrimas dava pra fazer um rio, não, um rio não, um mar. Com toda certeza a Alicia e a Carol já não estavam mais me aguentando.
Era fim de ano e nem minha mãe me queria mais, ela e meu pai tinha programado uma viagem só para os dois, legal a vida, iria ficar sozinha em casa, passaria todo o meu ano novo sozinha, eu e o Pe… Pe… Pedro – Estava complicado dizer o nome dele sem chorar – tínhamos programado uma excursão só para nós dois, mas com a separação tivemos que cancelar, iriamos acampar junto com uma turma de amigos.
— Anne, a Carol e a Alicia estão ai.
— Pede pra elas subirem.
— Bom, meninas, ouviram a senhorita ursa que está embernando em seu quarto, subam e vê se consegue tirar aquela coisa de dentro dessa casa.
— Claro tia Marta. – Disse Alicia.
— Vamos fazer o possível. –Carol complementou.
Elas entraram no meu quarto e logo Carol fez uma piadinha, ela perde a amiga, mas não perde a piada.
— Credo Anne, esse quarto já tá fedendo a Anne.
— Haha, muito engraçado dona Caroline.
— Sério, Anne, você precisa sair desse quarto.
— Ai Carol. Não estou com vontade nenhuma de sair daqui.
— Se anima garota, saia de dentro desse quarto, como é que vai viver assim? Chega de dormir o dia inteiro e passar a noite na nostalgia, vamos lá lavar esse rosto e arrumar esse lindo cabelo. Vamos colocar aquela roupa que você tanto gosta, usar aquela maquiagem que você tanto ama, vamos dar aquele sorriso que todos admiram, não fique ai chorando o leite derramado, o mundo te espera garota! A uma vida lá fora, você se lembra? Você costumava ter uma antes daqueles idiotas te magoarem, mas já chega de sofrer, não quero ver mais uma lágrima se derramando de seus olhos. Eu quero ver seu sorriso luminoso, que encanta a todo mundo, eu quero ver seu brilho novamente. – Alicia falou abrindo meu armário e escolhendo uma roupa para que eu vestisse.
— É Anne, vamos lá, nós vamos para praia nesse fim de semana passar o ano novo e você vem com a gente.
— Mas eu nem sei se minha mãe deixa, Carol.
— Deixo sim – Gritou minha mãe lá da cozinha, o bom é que ela se intromete onde não é chamada e melhor ainda é que ela presta atenção na minha conversa.
— Tá ok, ela deixa, mas eu não sei se quero ir.
— Quer sim Anne, para com isso.
— É isso mesmo Carol. Anne, você tem que parar com isso.
— Tá, vocês tem razão, eu vou com vocês a praia.
— Isso – Disse as duas em conjunto.
—Agora anda, vá se arrumar, pois a vida continua e a noite é uma criança.
— Mas aonde vocês vão me levar?
— Pra curtir a noite obvio.
— Olha lá em Alicia!
— Relaxa Anne, eu e a Alicia sabemos o que estamos fazendo.
Pedro
Em casa é que eu não ia ficar, disso eu tinha certeza. Não faço o tipo que fica em casa esperando o tempo passar. Acordar e perceber que você pode fazer a diferença é muito difícil, mas não dá pra ficar pensando que você está acabado, eu não poderia ficar em casa de jeito nenhum, tinha que ir curtir a vida, não era isso o que ela ia fazer? Curtir a vida? Sair por ai catando um monte de caras? Pois é então eu também não vou ficar chorando o leite derramado, tinha que me recuperar, só não podia perder meu tempo parado.
— Alô? Fabricio?
— Fala Pedrão.
— Onde você tá moleque?
— Estou em uma balada pra baixo da praça, sabe onde fica né?
— Ah sim sei, me espera ai então que já estou indo.
— Firmeza.
Desliguei o telefone, me arrumei, passei um perfume, um gel, e fui de encontro com o Fabricio. Ele era um cara gente boa, mas o melhor de tudo é que além de gente boa, só andava com mulheres bonitas, não sei se pode ser considerado como vingança, mas eu estava com muita raiva e disposto a tudo.
Anne
Elas me levaram para uma balada que estava acontecendo na rua de baixo da praça, eu tinha comentado que estava querendo ir nessa balada, mas que não podia porque eu estava namorando. Pois é, acho que elas se lembraram desse comentário.
— E então Anne? – Carol disse me olhando com cara de quem tinha tudo planejado.
— Vocês são loucas!
— Nós sabemos disso.
— Quero uma bebida –Disse Alicia.
— Pode deixar que eu vou buscar, o que vai querer Carol?
— Qualquer refrigerante.
Atravessei toda a pista até chegar ao barman. Ao olhar para o lado vejo o Fabricio, o amigo do Pedro. Acenei com a mão, peguei as bebidas e voltei ao local onde as meninas estavam.
Pedro
— Vishi Pedro, você não sabe com quem eu encontrei.
— Com quem?
— Com a Anne.
— Hum.
— Você ainda ama aquela princesinha né não Pedro?
— Talvez.
— Olha cara, é por isso que eu digo, namoro não leva em nada.
— A gente pode mudar de assunto?
— Claro.
— Tá vendo aquelas meninas ali?
— Bora pegar elas?
— Demorou.
Fomos até as meninas que não paravam de olhar pra gente um minuto, mas ao beijar aquela menina, vi a imagem da Anne em minha cabeça, era como se tudo o que eu olhasse aparecesse um pouco dela.
Anne
Ao longo da festa fui azarada por cinco caras, mas eu não queria, eu não conseguia ficar com ninguém, até ver o Pedro ficando com uma das meninas da festa, a raiva era tanta que o primeiro que passou do meu lado puxei e beijei-o. Não sei se o Pedro viu. Só sei que no momento eu queria muito que ele tivesse visto.
Pedro
Ver aquela cena foi deplorável. Preferia que tivessem me jogado pedras. Não era bom, não era nenhum pouco bom saber que a boca da minha Anne, não era minha, era de qualquer um que ela quisesse beijar.
— Fabricio, estou indo cara, não quero chegar muito tarde.
— Falou então. Vê se não fica chorando igual mulherzinha antes de dormir hein?
— Pode deixar.
Cheguei em casa, tomei um banho e deitei na cama, não para dormir, mas para pensar.
Anne
— Meninas, será que podemos ir embora agora?
— Anne, vou continuar aqui, será que você ficaria muito chateada com a gente? – Carol me perguntou.
— Por mim tudo bem.
— Melhoras Annezinha – Alicia beijou meu rosto e voltou a dançar com a Carol.
Acho que as meninas tem razão, seria bem melhor se eu fosse com elas para a praia no fim de semana, eu iria esquecer um pouco meu problemas e ninguém teria que se preocupar comigo, e principalmente iria relaxar um pouco e era o que eu mais precisava.
Cheguei em casa morta, com os pés doendo, o salto que a Alicia escolheu não era dos melhores, sou muito mais meu all star, tinha que ser coisa da Alicia. Sabe, por um lado achei melhor mesmo que as meninas ficassem lá, elas iam voltar falando no meu ouvindo que eu sou fresca e que quis vir embora muito cedo, foi bom mesmo eu ter vindo sozinha. Joguei minhas roupas na minha cama e fui tomar um banho daqueles bem demorado, depois vesti meu pijama e deitei na cama, para raciocinar o que havia acontecido, acabei pegando no sono e acordei no outro dia 13h da tarde, com a Carol me ligando.
— Fala Carol.
— Credo Anne que desanimo.
— Eu estava dormindo Carol.
— O dózinha dela.
— Mas fala logo, o que você quer?
— Quero saber se suas malas estão prontas.
— Nossa verdade, tenho que fazer as malas, onde eu encontro com vocês?
— Daqui uma hora na frente da casa da Alicia.
— Ok, beijo Carol.
— Beijo.
Desliguei o celular, sai correndo para achar uma mala e colocar o máximo de coisas que conseguir dentro dela. Fui para a casa da Alicia e pelo jeito só faltava eu mesmo, entramos no carro e em 3 horas já estávamos na praia, a casa onde íamos ficar era pé na areia, era tudo muito lindo, três dormitórios, duas suítes, e uma sala enorme. Aproveitamos muito o primeiro dia, dia seguinte já era véspera de ano novo, e a mãe da Alicia fez uma deliciosa ceia de ano novo. Dizem que quando é ano novo você tem que pular sete ondinhas, e fazer sete desejos, e eu só conseguia pensar em uma coisa: ‘’traz o Pedro de volta pra mim ‘’ e repeti isso sete vezes. Enquanto todos se cumprimentavam e se desejavam feliz ano novo parei em frente ao mar e pedi para que ele fique bem onde estivesse, e que onde estivesse sentisse um beijo meu, era ridículo, mas queria que de alguma forma ele me sentisse.
— Feliz ano novo Anne.
— Obrigada meninas, pra vocês também.
— A fica com essa cara não, é ano novo.
— Eu sei Alicia, prometo que não faço mas essa cara, mas então faço comer? Estou morrendo de fome.
Pedro
Ano novo, todo mundo comemorando e eu aqui pensando na Anne, onde ela estaria agora? Com quem? Será que ela estaria pensando em mim? Não sei, só sei que eu não conseguia parar de pensar nela, fixei meu olhar em uma estrela que se destacava no céu e fiz um pedido ‘’ quero minha Anne de volta ‘‘, e logo em seguida me veio uma ideia, uma grande ideia, e eu precisaria de ajuda para realizar essa ideia, só espero que todos estejam dispostos a ajudar, quem sabe com essa ideia eu não tenha a Anne de volta para mim?
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