E Se O Destino Permitir
12 Capítulo 12
[...]
Pedro e Nicole estavam sentados na mesa, enquanto eu tirava uma pizza do forno. É, Nicole não desgrudava. Eu tinha medo, medo que ela fizesse a mesma coisa de novo. Coloquei a pizza na mesa, e nos servimos. Comemos em silêncio, e depois eu fui ao banheiro. Sim, eu estava com medo de deixar Pedro sozinho com ela, mas eu não podia levar ele ao banheiro comigo, né?
Voltei para a cozinha e Nicole estava com um sorriso no rosto. Pedro iria me contar depois, ah se ia. Lavei a louça, e ia subindo as escadas com Pedro, quando Nicole gritou:
- Estou indo embora, amanhã eu venho pra gente fazer alguma coisa!
- Tchau Nicole – falei e continuei subindo as escadas.
- Tchau Pedro! – Logo que escutei isso, me virei e ela não estava mais ali. Vadia.
Coloquei um pijama, e me sentei na cama. Pedro foi ao banheiro e trocou de roupa também. Agora ele estava com uma calça de abrigo e sem camisa. É, eu sempre quis vê-lo sem camisa, mas essa não era uma hora boa para me emocionar, nem para chorar por ter o visto assim.
- O que a Nicole fez, quando eu fui ao banheiro?
- Ela perguntou por que eu estava com você, ela tentou me beijar, mas eu não deixei e perguntou se a gente já tinha... Érm... Hum... Transado... Mas você chegou na hora, e eu não respondi.
- Por que ela estava sorrindo quando eu cheguei lá?
- Não percebeu que ela quer te deixar com ciúmes? – Pedro riu.
- Percebi, mas eu tenho medo que ela faça de novo.
- Faça o que?
- Quando eu tinha mais ou menos onze anos... Não ri Pedro! Deixa eu falar! – Falei, lhe dando um tapa no braço – Eu gostava de um menino, e a gente começou a ‘namorar’, mas eu nunca tinha beijado ele... Daí eu falei pra Nicole... ela disse que ele era feio e mais um monte de coisas... Daí uma vez no colégio, quando bateu o sinal do recreio, eu fui no banheiro arrumar meus cabelos – eu ri, me lembrando – e depois fui direto pra pracinha, aonde a gente se encontrava todo dia... E quando cheguei lá, ele estava beijando a Nicole. Os dois tinham quatorze anos, é claro que ia dar mais certo com ela, do que comigo. Uma garota idiota que nunca tinha beijado na vida. Aquela foi a primeira vez que eu chorei por um menino.
- E qual foi à segunda? – Pedro perguntou.
- A segunda, terceira, quarta, quinta, sexta... Todas as outras vezes foi por você.
- Me dói só de pensar que já te fiz chorar.
- Mas já parou pra pensar que você também me fez chorar de alegria, felicidade, de orgulho...
- Mas você chorou. Você derramou lágrimas por mim.
- Isso mostra que eu te amo.
- Desculpa, mas no momento não vou conseguir chorar, pra te mostrar que também te amo! – Pedro falou.
- E não precisa, eu sei que você me ama!
- Convencida, vem cá! – Ele disse, e em seguida se jogou por cima de mim, me beijando. Fomos interrompidos por três batidinhas na porta.
- Entra! – falei, arrumando meus cabelos. Logo minha mãe abriu a porta.
- Só vim avisar que já cheguei! – assenti – O Pedro vai dormir aqui?
- Sim, né mãe! – onde ele iria dormir? No chão do banheiro? Minha mãe fez careta.
- Se comportem! – Dito isso, ela fechou a porta. Eu e Pedro tivemos um ataque de risos. Não me perguntem o por quê.
Nos deitamos, e abraçados, dormimos.
... Eu estava sentada em um gramado, com Pedro ao meu lado. Estávamos felizes, rindo de algo. A nossa frente tinha uma toalha xadrez estendida, e uma cesta em cima. Piquenique. De repente aquele lugar começou a ficar branco e o Pedro não estava mais ali comigo, quando me dou por conta eu estou na frente de uma janela de vidro, e do outro lado da janela tinham vários médicos em volta de uma pessoa, estavam tentando reanimá-la. Quando alguns médicos saem da volta, eu vejo que era Pedro, ele estava com os olhos fechados. Um médico saiu e disse:
Médico: Eu sinto muito, mas ele não resistiu...
Me sentei na cama, assustada. O mesmo pesadelo. Tem algum significado? É claro que não, deve ter sido o filme de terror que olhamos. Mas na verdade não olhei aquele filme. Ah, dane-se. Coloquei a mão em meu peito, que batia descompassadamente rápido, e senti Pedro se mexer ao meu lado.
- Amor... O que foi? – Pedro perguntou, se sentando também.
- Nada... Foi só um pesadelo – falei. – Só um pesadelo...
- Quer me contar? – Neguei, Pedro me deu um beijo na testa, e deitamos. Ele logo dormiu de novo, mas eu... Eu fiquei pensando nesse pesadelo, de novo.
Acordei com o celular tocando. Droga. Olhei para o lado, e Pedro não estava ali. Atendi, e botei no viva voz, preguiça de segurar o celular.
- Alô? – atendi, sem animação alguma.
- Laris? Que animação é essa, hein?
- Laura? – Laura? O que ela queria? Não nos falamos desde o show.
- Sim, sou eu! Tudo bem?
- Tudo e com você?
- “ACORDOU, AMOR?” – Pedro gritou, do banheiro. Adoro quando ele me chama de amor. Só odiei por ele ter gritado alto demais, ou seja, Laura deve ter ouvido.
- Acho que estou ficando louca – Laura falou.
- Por que, Laurete?
- Eu juro que escutei a voz do Lanza, aí com você! – Pedro entrou no quarto.
- Acordou né, dorminhoca! – ele disse. Droga! Fiz sinal para ele ficar quieto.
- PERAÍ, ESSA É A VOZ DO LANZA SIM! – Escutei Pamella gritando.
- A Pam está aí com você, Laura? – Perguntei, tentando mudar de assunto.
- Não muda de assunto, Laris! O Pedro Lanza está aí sim, você sabe que conhecemos a voz dele! – Ai, e agora? Olhei para Pedro, que deu de ombros.
- Não, Laurete, eu estou vendo o DVD da Restart, por isso você escutou a voz do Pedro! – Acho que essa é uma boa desculpa.
- Ah, sim Laris, me esqueci que no DVD o Lanza fala para algum dos meninos: “Acordou amor?” “Acordou né dorminhoca!” – Hmm... Não, essa não foi uma boa desculpa. Já falei pra vocês que quando fico nervosa, tenho um ataque de risos? Pois é, estou tendo um agora.
- Ok gente, o Pedro está aqui. – Eu não tinha mais desculpas.
- O que ele está fazendo aí, Larissa?
- Outra hora eu conto pra vocês, mas o que vocês queriam comigo?
- A gente ia te convidar para ir no shopping, mas se quiser levar o Pedro junto, não tem problema! – Agora era Pam quem falava.
- Meninas, obrigada pelo convite, mas não estou no Rio, estou em Floripa! Outra hora a gente se fala, ok? Beijo, meninas!
- Tchau Laris
Desliguei o celular, e olhei para Pedro, que ria.
- Que tá rindo, hein?
- Quero ver a parte que falo ‘Acordou amor?’ no DVD
- Ai Pedro, vai à merda. – falei, e fui ao banheiro. Tomei um banho e coloquei essa roupa: http://fashion.me/looks/1993667/d Sequei meus cabelos, e os prendi em um coque mal feito. Pedro estava sentado na cama, já vestido.
- Vamos almoçar? – perguntei, parada na porta. Pedro assentiu e me seguiu. Minha mãe estava na cozinha, terminando de arrumar a mesa. A ajudei, e logo depois almoçamos. Sim, eu estava com saudade da comida da minha mãe, e comi que nem uma porca. Terminamos de comer, e subi com Pedro para o meu quarto.
- O que vamos fazer hoje? – Ele perguntou, se jogando na cama.
- Não sei. – falei, me jogando ao lado dele, e selando nossos lábios em seguida.
Ficamos um tempo em silêncio, até que Pedro o quebrou.
- Não quer me contar o seu pesadelo de ontem?
- Não – neguei com a cabeça – não quero falar sobre isso. Pedro assentiu, e me beijou. Era um beijo calmo, um beijo carinhoso. Era o beijo de Pedro. Não canso de dizer que estou vivendo um sonho. Pedro me puxou mais para si, e colocou a mão em minha nuca. Me arrepiei com o toque. Abriram a porta, e Pedro pulou da cama.
- Atrapalhei alguma coisa? – Nicole falou, entrando no quarto e se sentando na cama.
- Não, capaz. – falei. Sim, eu fui sarcástica, mas essa garota já estava me irritando!
Pedro ficou de costas, pegou uma roupa na mala, e foi para o banheiro. Logo escutei o barulho do chuveiro sendo ligado.
- Vocês já transaram? – Nicole perguntou.
- Por que quer saber? – perguntei – Mas respondendo a sua pergunta, não, ainda não transamos.
- Você é muito devagar, Laris – ela falou, se deitando na cama.
- Não, Nick, eu só não sou puta. – ela riu
— Qualquer santa viraria puta com um homem daqueles. – Sim, senti um ciúmes enorme. Mas só ignorei, e ela continuou – Ou o Lanzinha é devagar...
Pedro saiu do banheiro e rolou os olhos, ouvindo o que ela disse. Fiz o mesmo, e me levantei. O abraçando.
- O que vamos fazer hoje? – Nicole perguntou.
[...]
Ficamos a tarde inteira no hospital, rimos bastante, Pedro se deu bem com minha mãe e com minha tia... Nicole parecia uma santa na frente delas. Quando deu 18h35min resolvemos ir para casa, Nicole iria para a casa dela. Graças a Deus. Dei tchau para a minha tia, afinal, amanhã iríamos embora. Antes de ir para casa, fomos caminhar na beira do mar... Há tempo eu não fazia isso. Aquele cheiro de praia, aquele vento, é uma calmaria... Tudo bem que eu moro no Rio de Janeiro, mas não há nada como Florianópolis.
- Adoro caminhar na praia, de noite – sorri – Ainda mais com você aqui – Pedro me abraçou de lado.
- Vamos sentar aqui? – Ele perguntou.
- Na areia, Pedro? – ele assentiu, se sentando. Me sentei ao seu lado.
- Ei... – Pedro me chamou, roubando a atenção que eu estava dando as leves ondas. – Eu te amo.
- Eu também amor, muito!
- Muito – Pedro me deu um selinho – Muito – Outro selinho – Muito – Selinho – Muito! – Enfim, ele me beijou. Agora, ninguém poderia nos atrapalhar. Ninguém. A não ser o garotinho que jogou uma bola de vôlei na gente. Ok, eu sei que foi sem querer, mas acabou com o clima. Afinal, sempre tem alguém para estragar. Thomas, Eduarda, minha mãe, Nicole, e agora esse garotinho... Quem vai ser o próximo? Um cachorro?
- Droga, sempre tem alguém pra estragar – Pedro disse. Ah, agora ele lê mentes? Ok, vamos ver se ele consegue adivinhar o que estou falando agora: Pedro, eu te amo! Cri, cri, cri... É, ele não escutou.
Voltamos da praia caminhando... Ah, qual é? A praia é a duas quadras da casa da minha tia! Mas antes de irmos pra lá, passamos em uma praça. Ok, estava vazia. Ninguém iria nos atrapalhar agora. Nos sentamos em um banco, e dessa vez EU tomei a iniciativa, beijei Pedro. E olha, eu estava certa! Um cachorro atrapalhou a gente. Mas não era um cachorro qualquer, era UM CACHORRO ENORME! Ele rosnava para Pedro, até que o mesmo subiu no banco, me puxando junto com ele.
- DROGA, E AGORA? – gritei. Eu estava com medo, muito medo. Afinal, fui mordida por um cachorro igualzinho a esse quando eu era pequena.
- Laris, você consegue correr? Mas tipo, correr muito? – assenti, e saímos correndo. Olhei para trás e o cachorro vinha à tona, e eu caí. Isso mesmo, eu caí. E quando eu estava prestes a dizer as minhas ultimas palavras, o mesmo garotinho que jogou a bola na gente, jogou a bola no cachorro, que saiu correndo dali. Cara, eu amo esse menino!
- Ei, obrigada! – falei, eu com certeza iria morrer se ele não tivesse jogado aquela bola no cachorro.
- Por nada não, beijoqueira! – o menino falou isso e saiu correndo. É, eu cada vez mais me surpreendo! Pedro começou a rir, rir muito.
Fale com o autor