Quinta feira, 26 de agosto de 2010, 18h24min.

Um mês e oito dias. Fazia trinta e nove dias que eu e Pedro namorávamos. E isso, com toda a certeza é ótimo. Depois que voltamos de Florianópolis, Pedro voltou para São Paulo. Fiquei uma semana sem ver ele, a agenda da Restart estava TOTALMENTE lotada. Saudade? Sinto isso todo dia. Eu estava cada vez mais próxima dos meninos, sempre quando não tinha show, todos eles vinham para cá. Hoje mesmo, eles iriam dormir aqui. E não, minha mãe ainda não voltou de Florianópolis. E a Nicole? Bem, ela está querendo vir para cá, passar alguns dias aqui... Mas estou torcendo para que ela mude de ideia. Bom, a Laura, aquela menina que conheci no show, sempre dorme aqui quando os meninos vêm. A Duda e o Thomas ficaram. Isso mesmo, ficaram! E tenho certeza que eles ainda ficam, escondidos de nós. Bom, a campainha tocou, corri para atender. Abri a porta e dei de cara com quatro meninos, e mais duas meninas.

- Chegaram juntos? – perguntei, dando um selinho em Pedro. Ninguém me respondeu, apenas entrando na minha casa, e se jogando no sofá. É claro que não coube todo mundo no sofá, então Duda, Thomas e Pedro Lucas se jogaram no chão.

- Vamos olhar um filme? – Lucas perguntou.

- Que filme? – Laura.

- Peter Pan! – Pedrinho falou. E o pior de tudo é que todo mundo quis olhar esse filme também. Ok.

Ficamos o filme todo quietos, prestando atenção. E quando acabou, Thomas resolveu falar.

— Duda, você gostaria de ter um arreganhamento sério comigo?
— O que? – Eduarda não entendeu, afinal, ninguém entendeu.
— Arreganhamento, Thomas? Que papo é esse? – Pedro Lucas resolveu falar, aê!
— Quero dizer, ir para o estacionamento sério comigo... Não, não. Quero saber se você quer ser minha empregada? Não, não é isso! Você quer tomar banho comigo? – Thomas deu um tapa em sua própria testa – Que tenso, cara!
— Respira Thomas! – falei.
— Duda, é que assim, eu estou super a fim de você, espero que você também esteja a fim de mim, e eu queria saber se você não quer ser minha... Enteada? Não, quer dizer, namorada? Assim, eu sei que essa não é a hora mais certa, não tem nada de romântico, mas você sabe que eu sou assim, bem daqueles que fala na lata, certo?
— E é isso que eu acho mais incrível em você, você não precisa ficar se preparando, tudo ocorre de uma forma espontânea. E eu não poderia querer mais nada além de namorar com você, Alexander. – Duda disse, parecendo uma pimenta.

- AH, QUE LINDO! – não resisti.

É, e foi assim que eles começaram a namorar. Bem a cara do Thomas mesmo. Curto e grosso, sempre direto ao ponto.
Mas mesmo assim ficou muito lindo, sinceramente, eles combinam mesmo e merecem ficar juntos. Eu sabia que aquela briguinha do começo, foi apenas para disfarçar aquele amor à primeira vista. Ok, parei.

- Estou com fome... – Laura disse.

- Eu também – Pedro Lucas.

- Quero comer alguma coisa diferente... – Eu falei.

- Eu quero bolo – Duda falou.

- Ah, eu também! Mas quero aqueles bolos que a gente faz, sabe? – falei.

- Cara, por que a gente não faz um bolo? – Laura disse.

- LAURA, VOCÊ É UM GÊNIO! – Duda falou.

É, acho que ninguém estava raciocinando direito ali, só sei que fomos fazer o tal bolo.

Fomos em direção à cozinha e pegamos os ingredientes.
Eu olhava um livro de receitas pra ver se achava algo de interessante, quando senti algo sendo quebrado em minhas costas.
— AH NÃO, puta que pariu. OVO cara? Quem foi o idiota? – eu saí xingando.
— Eu, e aí! – Pedro Lucas disse tentando me desafiar.
— Corre Pedro, mas corre rápido porque agora tem troco. – ui como eu sou má.
— GUERRINHA! – Lucas Henrique gritou.
De repente se via tudo voando. Farinha, chocolate, massa, ovo, cueca – cueca? Tá não sei quem foi o engraçadinho, só sei que essa bendita foi parar bem na cabeça da Laura. De repente teve uma super pausa dramática e todos começaram a gargalhar.
— CARA que hilário. Quem foi que jogou essa cueca? – Pedro disse em meio às risadas, enquanto Laura tirava receosa, com medo de saber o que poderia ter ali junto.
— Fui eu... – Lucas disse fazendo manha e arrastando o pé no chão como uma criancinha envergonhada. Todos olharam pra ele com certeza pensando na mesma coisa, acho que ele entendeu o recado porque em seguida respondeu nossas perguntas. – Ah cara, é que estava todo mundo tacando coisa, e eu não vi nada na frente, então peguei a cueca oras.
– Ok isso foi estranho, BEM estranho – eu disse.
— Pow cara, justo na Laura, aquela cueca é minha, só a Duda pode ver minhas cuecas. – Thomas disse.
— Um comentário supera o outro aqui – eu disse.
— Vai se acostumando, Laris – Pedro Lucas falou.
— Relaxa gente. – falei.
— Então. Vamos fazer o bolo? – Laura.
— Demorou! – Duda disse.
Dessa vez saiu tudo certo, bem só a parte da organização porque o bolo não saiu lá aquelas coisas, mas estava comestível.
— Nossa, dava pra abrir uma confeccionaria. – Thomas comenta.
— Não seria confeitaria? – Pedro corrige.
— Tanto faz, tudo ia sair deformado do mesmo jeito – Thomas dá de ombros.
Comemos o bolo, o que conseguimos com medo de pegar intoxicação ‘domiciliar’, e em seguida fomos para a sala.

- Laris, quantos anos você tem? – Pedro Lucas perguntou. Ok, e agora? Olhei para o Pedrinho, que me fitava curioso. E enfim respondi.

- Eu não vou falar. – Pedro Lucas assentiu, e continuou...

- Conta um pouco sobre você. – Ok, até parece que era só eu ali, né? Por que não perguntavam as coisas pras meninas? Poxa. Tudo bem, respondi.

- Ok, meu nome é Larissa Johnson – sorri

- Oi Larissa! – Thomas falou, parecendo aquelas pessoas que vão ao AA (Alcoólicos anônimos) e quando um vai se apresentar, todos falam “Oi fulano”. Olhei para Thomas, e cerrei meus olhos, ele pareceu entender o recado, e fez que tinha fechado a boca com um ‘zíper’.

- Hum... Eu tenho alguma idade aí – rindo – Moro com a minha mãe, não conheço meu pai, tenho uma irmã de 22 anos que mora em são Paulo com o marido. Tenho um irmão de 19 anos chamado Thomas, ele é da Banda Restart – gargalhei. É, eu e Thomas passamos a nos chamar de ‘mano e mana’. E sim, o considero como meu irmão. Depois do Pedro, ele é o mais próximo de mim da banda. – Eu tenho 2 melhores amigos, a duda e o Thiago – percebi a expressão do Pedro mudar –

- Quem é Thiago, maninha? – Thomas perguntou. Quando abri minha boca para falar, Pedro perguntou:

- Já ficou com ele? – Ok, eu preferia não ter escutado essa pergunta, mas como ouvi, tive que responder.

- Não vou mentir pra você, o Thiago é aquele meu ex-namorado que você viu a foto, mas agora ele é meu melhor amigo. – sorri fraco. Pedro riu sarcástico.

- Você DEU pro seu melhor amigo? Pelo jeito eu não te conheço direito, né? – Ele riu com ironia. Ah, ok.

- Pedro, com quem você pensa que tá falando? Mais respeito comigo, seu idiota. Se eu dei ou deixei de dar pra ele o problema é meu e isso é passado. – Todos observavam a cena. Se eu fiquei com vergonha? É claro que eu fiquei! Olha o que esse idiota fez! Por isso, não aguentei ficar mais nem um segundo ali, subi as escadas correndo, e fui para o meu quarto. Em questão de segundos, lágrimas começaram a cair pelo meu rosto. Droga, droga, droga. Pedro, por que você sempre estraga tudo? Por que ele tem que ser tão... tão... burro? Lindo, o amor da minha vida, mas ainda assim é um burro, um imbecil! Peguei a primeira coisa que vi, e joguei na parede. Péssima escolha. Me arrependi depois de ver os cacos de vidro do copo, que havia acabado de ser arremessado. Logo escutei alguém batendo na porta.

- Quem é? – perguntei.

- É o lobo mau! – Thomas... o único amigo que veio falar comigo, aê! Ok, TPM chegando. Eu fico assim, meio dramática, meio irritada, meio sensível... Enfim, abri a porta e ele me abraçou.

- Laris, vem cá, pode chorar... – Isso, Thomas acabou de ganhar um ponto. Odeio quando pedem para eu ficar calma. A gente tem mesmo é que chorar, pra lavar a alma. Ok, falei como a minha mãe agora. – O Pedro é assim mesmo, ele tá de cabeça quente e acaba falando merda.

- Ele só não se toca que pode ferir as pessoas, com as merdas que ele fala. – Falei, e logo solucei. Aposto que quem estava lá embaixo escutou.

- Ei maninha, daqui a pouco ele vem se desculpar, não se preocupa!

[...]

Depois de um tempo ali chorando, me acalmei e Thomas se deitou no meu colo. Eita menino abusado. Fiz cafuné nele, e o mesmo riu.

- Laris, assim eu vou dormir!

- Pode dormir, loiro.

Não deu nem dez minutos, e ele já estava dormindo. Ao menos em quanto dorme, ele tem cara de anjinho! Ri com meus pensamentos, e fui no banheiro lavar o rosto. Logo desci, encontrando todos rindo na sala. Quando me viram, ficaram em silêncio. É, eles não sabem disfarçar.

- Que foi, gente? Estou cagada? – Perguntei, fazendo todos responderem: “Não, capaz” – Desculpem pelo que aconteceu antes, viu?

- Você não tem culpa, Laris! – Pedro Lucas falou. E continuou – Agora você pode me falar a sua idade? – Ele disse com um sorriso sapeca.

- Ai preto... – Será que eu falava? E se ele contasse para o Pedro? Não, ele não seria capaz. – Eu tenho quinze anos! – É, eu falei demais. Pedro apareceu na hora.

Notas finais
Estão gostando? Que tal deixar um comentário? Não dói, e faz bem ao coração do autor.