E Se O Destino Permitir
11 Capítulo 11
Sexta feira, 23 de julho, 14h25min
A semana passou devagar, e confesso que morri de saudades do Pedro. Segunda feira quando ele me ligou, eu o convidei para ir passar uns dias em Florianópolis, na casa da minha tia. Pois logo as aulas iriam começar de novo, e aí eu não poderia ficar toda hora saindo. Ele disse que nesse fim de semana não teria show, portanto, hoje estamos indo para lá. Nosso voo acabou de ser anunciado, e sim, eu estou nervosa. É a minha primeira viagem com meu ídolo. Minha primeira viagem com meu namorado. Às vezes eu penso que isso é um sonho, não estou brincando. Eu iria passar um fim de semana inteiro com Pedro, minha felicidade com toda a certeza, estava estampada. Ok, voltando ao assunto... Nos dirigimos a área de embarque, e por fim, entramos no avião.
- Pedro, posso sentar na janela? – ele assentiu, e me sentei. Aviões me dão sono, e por mais que fossem menos de duas horas de viagem, deitei minha cabeça no ombro de Pedro, e dormi.
[...]
- Laris... Laris, acorda! – Alguém me chamava – Larissa, chegamos!
Abri meus olhos, e olhei em volta. Havia apenas eu, Pedro, e algumas aeromoças ali dentro. Me levantei e saí do avião, sendo seguida por Pedro. Pegamos nossas bagagens, e fomos à procura de um táxi. Um detalhe: Estávamos de mãos dadas. Não foi tão difícil achar um, já que tinham cinco parados na frente do aeroporto. O motorista nos ajudou a guardar as malas, dei o endereço para ele, e fomos rumo à casa da minha tia. Eu estava louca para ver a cara da minha mãe quando visse Pedro. Certo que ela iria dizer que era um cover, ou algo parecido. Mas quando ela ouvisse a voz dele, ia ver que realmente era meu ídolo. Acho que minha mãe já sabia tudo sobre Pedro, de tanto que eu falava dele para ela.
Não demorou muito e chegamos em frente a casa branca de dois pisos. Com um jardim lindo, mas com a grama mau cortada. Minha tia estava doente, não estava em condições para cuidar da casa. Minha mãe também nunca serviu para cuidar de um jardim. Nem uma flor ela deixava viva. Ela sempre ganhava flores, mas sempre as deixava morrer. Esquecia-se de colocar agua, esquecia-se de coloca-las no sol um pouquinho... Minha mãe sempre foi esquecida, lembro que uma vez quando eu era pequena, ela se esqueceu de mim dentro do carrinho do supermercado. Sorte que quando ela estava saindo do estacionamento se lembrou, e correu para me buscar. Mas isso não vem ao caso. Pedro fez questão de pagar o taxista, e depois disso entramos.
- Mãe? – chamei. Não parecia ter alguém em casa.
Procuramos por toda a casa, mas desisti ao ver que não tinha ninguém mesmo. Claro, ela estava no hospital. Coloquei as minhas coisas e as de Pedro no ‘meu’ quarto. A filha da minha tia, Nicole, logo que fez dezoito anos, foi morar sozinha. Aqui em Florianópolis mesmo. Isso foi ano passado. E o antigo quarto dela, minha tia deixou para mim. É claro, tivemos que pintar, arrancar aqueles pôsteres de homens seminus... Minha prima, apesar de ser legal, é um pouquinho piriguete.
- Pedro, o carro da minha tia está aqui, vamos no hospital?
- Você dirige? – Pedro me olhou, com os olhos arregalados.
- Não né, você que vai dirigir!
Pegamos o carro, e guiei Pedro até o hospital. Eu conhecia Florianópolis muito bem, pois vinha para cá pelo menos quinze vezes no ano. Desde que eu era pequeninha. Logo chegamos no hospital, Pedro estacionou o carro e entramos.
- Oi, viemos visitar a Célia Johnson – falei para a recepcionista.
- Nomes, por favor?
- Larissa Johnson e Pedro Lanza. – falei. Ela digitou no computador, e logo nos deu dois adesivos de identificação.
- Sétimo andar, quarto setecentos e cinco.
Fomos até o elevador, e Pedro me abraçou de lado. Antes da porta do elevador fechar, veio uma menina correndo. Ela tinha cabelos pretos, lisos e compridos. Era uns dois centímetros mais alta que eu. Quando ela me olhou, reconheci.
- Nick? – Sim, era minha prima. Nicole.
- Larissa? Oi prima! – ela me abraçou. – Hm... Quem é esse?
- Meu namorado! – falei, cortando o barato dela. Qual é, ela deu um sorriso safado pra ele! – Pedro.
- Oi Pedro, me chamo Nicole! – ele estendeu a mão para ela, que ignorou o gesto dele, o dando um beijo no rosto. Droga. – Chegaram quando?
- Hoje, mais precisamente agora – falei, e vi que ela olhava para Pedro, que me encarava. Dei um selinho nele. Logo o elevador parou no sétimo andar, fomos até o quarto 705. Nicole abriu a porta, logo depois dela eu entrei. Pedro ficou parado na porta.
- Mãe! – falei, a abraçando em seguida.
- Laris, por que não me disse que vinha hoje?
- Eu quis fazer surpresa! – falei – Mãe, eu trouxe alguém comigo.
- Ah, vai dizer que é o Pedro? – minha mãe riu – Filha, eu já falei pra você parar com isso, você já é bem grandinha pra ficar sonhando que namora ele.
- Mãe, o Pedro veio. – olhei para ele, que ria, e fiz sinal para ele entrar. – Mãe, esse é o Pedro, Pedro, essa é minha mãe, Cláudia.
- Oi, dona Cláudia! – Pedro disse, e eu ri da minha mãe, que ficou estática.
- Sério que você está namorando ele? – minha mãe perguntou. E é claro que Nicole tinha que se meter na conversa.
- O que tem ela namorar um menino normal? Por acaso você é lésbica, Larissa?
- Vai dizer que você não sabe quem é ele, Nick? – minha mãe falou, e Nicole negou – Ele é o Pe Lanza, da Restart. Pedro Gabriel Lanza Reis em pessoa! – Pedro riu, qualquer um riria. Minha mãe, sabia o nome de Pedro. E também sabia o nome dos pais dele, da irmã dele, da sobrinha dele...
- Sério? Larissa, você está namorando um famoso? – Nicole arregalou os olhos – Quem diria, hein? Minha prima caçula finalmente conseguiu fisgar uma pessoa com dinheiro!
- Ei, não é bem assim Nicole – falei. Ela acha que estou com Pedro por causa do dinheiro?
- Como... – Nicole foi interrompida pela minha tia, que saia do banheiro.
- Laris, você veio! – corri para abraça-la. A tia Célia era minha segunda mãe. Sempre quando eu não tinha minha mãe por perto, eu recorria a ela. Foi ela quem praticamente me criou quando bebê. Por isso minha mãe deve tantas coisas a ela.
- Tia, como você está?
- Estou bem e você? – murmurei um ‘também’ e ela olhou diretamente para Pedro. – Ei, quem é esse rapaz bonito aqui?
- É meu namorado, tia! O nome dele é Pedro.
- Seja bem vindo a família, Pedro! – minha tia falou, lhe dando um abraço.
- Muito obrigado, dona Célia! – Pedro sorriu. Sorriso lindo.
- Bom, eu e Pedro estamos indo pra casa, só viemos aqui no hospital dar um oi mesmo... – falei.
- Filha, convida a Nicole pra ir com vocês. Ela está aqui desde o almoço. – Minha mãe estraga prazeres falou.
- Mas você não chegou agora, Nick? – Ela a recém tinha subido elevador com a gente!
- Não, eu só tinha ido tomar um ar fresco... – ela disse, se levantando – Mas eu aceito ir com vocês!
Pedro sussurrou no meu ouvido ‘nós convidamos ela?’ o que me fez rir, e todos me olharam curiosos. Nos despedimos da minha tia, e fomos até o carro. Paramos em uma sinaleira, e Pedro me deu um selinho. Logo iria se transformar em um beijo, quando Nicole falou:
- O que nós vamos fazer hoje? – rolei os olhos e me separei de Pedro.
- Não sei, que tal assistirmos um filme? – falei.
- Ah, mas tem que ser terror. – Pedro disse.
- Eu tenho medo de filmes de terror! – Nicole falou. Por acaso ela achava que Pedro iria dizer que a protegeria?
- É só ficção Nick, nada é real. – falei.
Na outra sinaleira Pedro foi me beijar, mas Nicole puxou outro assunto. E foi assim em mais duas sinaleiras. Até que chegamos em casa. Fomos até a sala e Pedro foi ao banheiro.
- Você vai engravidar dele? – ela falou.
- Não! Digo, um dia, quem sabe?
- Bem que você podia engravidar, e depois pedir para ele pagar pensão... – Estou começando a me irritar – Você poderia comprar tudo que quisesse.
- A questão é que eu não estou nem aí com coisas materiais, eu lutei muito pra conseguir ter o Pedro do meu lado, e agora eu não quero mais ficar longe dele. Não estou nem aí pro dinheiro dele, Nick. – Nicole riu.
- Você é muito ingênua, Larissa.
Pedro voltou, e colocamos um filme de terror qualquer. Que Pedro e eu não prestamos atenção. Confesso que beijar ele estava muito mais interessante. Pedro se afastou de mim e olhou para o lado. Nicole estava sentada do lado dele. Essa menina está me irritando!
- O que foi, Nicole? – perguntei.
- Eu estou com medo de ficar no outro sofá sozinha – E quero vir pegar o teu macho. Completei mentalmente.
Quando Pedro ia me beijar de novo, ela deu um grito, seguido de uma frase idiota ‘ELE VAI PEGAR ELA’. É, o dia ia ser longo.
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