E Se Eu Também Quiser?
5 E Se Eu Sentir Sua Falta?
Notas iniciais
02h28min AM – St. Louis, Missouri
Não conseguira pregar os olhos em nenhum momento desde que saíra do Kansas. A viagem havia sido cansativa, mas Jess empenhara-se ao máximo para manter o clima agradável. Enquanto fazia diversas perguntas aleatórias, entre relatos detalhados sobre sua vida, Moore tomava o maior cuidado para não citar o ponto impactante que Winchester tentava, sem muito sucesso, esquecer-se no momento. O jovem segurava seu celular com força entre os seus dedos suados pelo nervosismo. Sentia que o irmão o ligaria a qualquer instante, apenas para saber se estava bem, se estava seguro. Aquele era Dean. Sempre preocupado... E assim sempre seria.
– Acho que ele não vai te ligar hoje, Sam... – A loura disse meio sem graça, tentando não soar rude, muito menos desanimar o garoto ao seu lado.
– Talvez eu devesse ligar pra ele, sabe? Eu não sei, só pra avisar que você não bateu com o carro. – Sam disse esboçando um sorriso.
– Idiota, eu não sou nenhuma barbeira. – Jessica socou o braço do jovem e depois fez um biquinho infantil de irritação. – Mas... Não acho que você está em condições para falar com ele agora. Sua voz está horrível! – Gargalhou enquanto girava o volante, adentrando a garagem da casa.
Sam saiu do carro em silêncio e foi até a parte traseira do carro para retirar suas malas. A loura balançou a cabeça negativamente. Sempre impaciente, pensou ela enquanto o imitava, saindo do veículo e fechando a porta em um baque surdo. Jessica agarrou o braço do garoto, e, conduzindo o jovem a contornar o gramado frontal, ficaram ambos parados em frente ao caminho ornamentado e alternado com pedras que os levaria até a majestosa porta de entrada.
– Bem vindo ao lar. – Jessica, empolgada, exibia um sorriso estonteante que iluminava o seu rosto. Winchester nada disse, apenas fitava a mansão à sua frente com os olhos brilhantes em admiração.
Ainda boquiaberto, não sabia o que dizer. Sempre soube que Moore era... Bem, sua família era rica, até onde ele sabia. E aquela provavelmente era a casa em que seus pais passavam as férias quando queriam se afastar do clima sufocante do Kansas. Mas não entendia como pôde convencer sua mãe a morar sozinha, e ainda por cima, em outro estado. O jovem conhecia a família Moore, ou melhor: a grande família Moore. Ela era administradora do capital das maiores empresas automobilísticas do estado. Um posto respeitado e ao mesmo tempo entediante, dizia Jessica quando falava a respeito do que seus pais faziam. Shelly e Logan, embora se encaixassem no perfil de pais ausentes devido ao trabalho exaustivo, sempre procuravam participar pelo menos o mínimo na vida da filha. A loura, comumente, parecia pouco se importar com as investidas de aproximação. Porém, nos últimos dois meses, Jessica apresentou uma mudança altamente notável em seu comportamento.
– Nossa! Essa casa é... Ela é...
– Eu sei. Espere só até ver a piscina... – A garota saiu do lado de Sam e, correndo entusiasmada em direção à varada, subiu os degraus sem nenhuma dificuldade, mesmo usando salto assustadoramente alto.
– O que foi? Você não vem? – A loura perguntou ao ver Winchester parado no mesmo lugar, cauteloso, um pouco envergonhado. – Oh, Sam, pare de bancar a mal amada e vem logo! Eu já falei que é para você agir como se essa fosse a sua casa. – tentando tirar algo do bolso de sua calça incrivelmente apertada, Jess dizia em tom repreensivo.
– Você é doida, sabia? Usar uma roupa como essas é a mesma coisa que pendurar uma placa fluorescente no pescoço, dizendo “Ei, estou aqui! Faço um preço especial se for gentil comigo...” – Sam sorria enquanto imitava uma voz feminina, causando um olhar fulminante vindo da loura. Depois, ainda um pouco receoso, caminhou em passos lentos até onde ela estava.
– Eu nunca faria um preço especial, baby. Tenho amor próprio, lembra? – Jessica diz puxando o objeto minúsculo de seu bolso e girando-o na fechadura da porta. A jovem a abriu em seguida, fazendo as luzes acenderem automaticamente, possibilitando assim a apreciação do rapaz pela beleza estonteante do lugar. Os tapetes claros e chamativos, espalhados por todo o cômodo, contrastavam o negro reluzente da mesa de centro, assim como os dois sofás de cor sépia, estes localizados no canto direito, em frente à imensa TV.
O cheiro inebriante de novo trazia uma sensação agradável ao Winchester que analisava cada detalhe com atenção e assiduidade. Seu olhar vagava entre os vidros escuros das grandes janelas e as paredes lisas que abrigavam quadros monocromáticos. Tudo muito luxuoso.
– Sabia que eu consigo ler os seus pensamentos?
– Ah, é? – Sam bufou e riu em seguida, adentrando a casa lentamente.
– Você está pensando que eu sou alguma mal agradecida, ou coisa do tipo, mas... Convencer os meus pais foi a parte fácil, Sam. Difícil mesmo foi fazê-los acreditar que eu moraria aqui sozinha. – Lançou sua mala ao chão e começou a retirar o seu minúsculo casaco enquanto direcionava-se até a cozinha, separada da sala apenas pelo grande balcão de mármore. – Sabe como eles são com aquela coisa de “manter as aparências”.
– E você, como é uma boa filha, veio para cá sozinha, curtir a solidão. – Disse irônico.
– Bem na mosca, Sam. Está vendo? Nossas mentes se completam... Por isso eu te chamei para me fazer companhia. Preciso de alguém que seja... Meu cúmplice.
– E o que aconteceu com a “vadia da Stacy”? Você me disse que ela seria a sua escrava do mal que te ajudaria a conseguir metade dos homens da cidade...
– Stacy? Quem é Stacy? – Perguntou Jessica, tentando se lembrar de quem raios era a garota à qual Sam estava se referindo. Então a lembrança a atacou em cheio, trazendo imagens escarlates e deliciosas. Sangue. Muito sangue. Carne sendo rasgada com as mãos e ossos sendo quebrados sem pudor. Como poderia se esquecer do seu almoço?
– Ah, aquela Stacy. – Sorriu amarelo. – Ela se mudou para outro lugar... Acho que foi para o Chile com a família... – Comentou indiferente enquanto andava em círculos, tentando se lembrar de onde havia colocado o material necessário. Parando de súbito, e virando-se para encarar a porta branca à sua frente, Jess suspirou.
Claro, a geladeira.
– Sabe, Sam, a verdade é que eu não gosto de ficar aqui sozinha. Foi uma época difícil enquanto morávamos aqui. Matt era muito ligado a casa, e meus pais não quiseram demoli-la, então mexeram alguns pauzinhos e a transformaram nessa mansão cinco estrelas. – Dizia enquanto retirava o bilhete amarelo preso à geladeira e o arremessava no lixeiro embaixo da pia.
– Eu ainda sinto saudades dele, sabe... Matt era tão brincalhão, tinha uma energia contagiante... Mas, enfim, águas passadas. Meus pais estão lidando com isso da melhor maneira. Semana passada eles resolveram pintar o túmulo dele de roxo. Cara, foi hilário! Minha mãe caiu dentro de uma sepultura enquanto retirava os azulejos, e...
– O que você ta fazendo?
Droga!
– Eu... Eu... Eu não vi você chegar. Você me assustou, Sam!
Concentre-se!
– O que tem aí dentro, hein? Nossa, eu estou morrendo de fome... – O moreno dizia enquanto vasculhava com os olhos pela variedade monstruosa de alimentos, todos bem organizados em cada lugar específico. Pegou uma jarra que continha suco, provavelmente de laranja, ao julgar pela cor, e avistou um pote de sorvete, ao fundo, parcialmente coberto por algumas sacolas. Ao tentar pegá-lo, Jess o repreendeu:
– Não! – gritou, assustando o rapaz. – Er... Isso é... É... – Sempre precisava ter o raciocínio perfeito, impecável; capaz de burlar situações comprometedoras a qualquer hora, e fornecer uma solução aceitável para cada problema que surgisse. – Comida pro cachorro.
– Você não tem nenhum cachorro, Jess. – Calmamente, Winchester recolheu sua mão esticada, afastando-a do pote branco.
– Tenho sim. Na verdade uma cadela. E ela está atrás de você, te encarando... Pronta para dar uma dentada nessa sua bunda empinadinha. – Disse segurando Winchester pelos ombros e, virando-o bruscamente a fim de encarar o animal, deu um forte tapa em suas nádegas.
– Sam, essa aí é a Lisa. Tenho certeza que vocês serão grandes amigos. – Repuxou seus lábios em um sorriso que pôde ser interpretado como “suspeito” quando a cadela branca e de tamanho médio, sentada comportadamente, rosnou para o moreno. – Ou não.
– Lisa? – O cachorro latiu – Ok, Jess, quando eu disse que a ex do meu irmão era uma vadia, não esperava que você fosse fazer uma homenagem a ela. – O moreno riu, voltando-se para a loura.
– Aqui está, Sam. – Surpreendendo o jovem, Jessica esticou o mesmo pote o qual não deixara Winchester ao menos tocar. – Pode comer tudo.
– Então... Você vai me dar comida de cachorro? – Perguntou indignado.
– Não, seu bobo. Eu pensei que era, mas na verdade é sorvete... Eu acho. – Abriu a tampa e, torcendo o nariz em seguida, pôde constatar que de fato era. – Não é o meu sabor preferido, mas... Ei, sabe do que me lembrei agora? – Perguntou de súbito, sendo observada pelos olhos atentos do moreno – De quando a gente ficava falando sobre os nossos problemas.
– Jess... – rolou os olhos, pronto para começar um protesto.
– Não, Sam, é sério. Lembra de quando eu usava drogas e quase fui morta naquela casa de crack? – Colocou o que segurava sobre o balcão.
– Lembro sim... Você costumava ficar tão drogada que chegou a dizer queria transar comigo. – Sam disse, sabendo que aquela lembrança faria Jessica se roer por dentro.
– E você me chamou de piranha. – dizia sorrindo enquanto procurava talheres nas gavetas do grande armário. – Foi pouco antes de saber que você gostava da mesma coisa que eu, não é, Sam?
– É, você foi a primeira a descobrir. – o jovem a encarou com cara de poucos amigos.
– Não tenho culpa se você olha para o seu irmão como se ele fosse uma imensa banana Split. Fico até surpresa por ele ainda não ter desconfiado...
– Esse foi um dos seus conselhos, lembra? Não contar nada a ele sobre isso. Eu também não falaria, de qualquer modo. Ele é meu irmão!
– Não de sangue.
– Mas isso dá no mesmo. Eu o conheço desde sempre. Nós banhávamos juntos, brincávamos juntos. Ele me ensinou como mexer naquela porcaria de carro, e até me deixava o dirigir quando estava de bom humor... Isso não é algo que não tenha valor. Nós crescemos como irmãos, Jess, e não é porque sei da verdade que vou deixar de, acima de tudo, amá-lo como tal.
Jess olhava abismada para o garoto enquanto ouvia todos os argumentos que ele lhe lançava. Winchester, por parte, tinha razão.
– Mas e quanto ao Dean, Sam? Você já parou para pensar, ou ao menos imaginar, o que ele pensa? Quero dizer, você me ligou dizendo que John te odiava. Ok, isso eu entendi, e até que não duvido. – Franziu o cenho, buscando entender como um pai pode ter tamanha aversão por um filho – Só que o seu irmão sempre se lascou para te proteger, então...
– Você não vai me fazer sentir mal por ter tomado a decisão de sair de casa. Além do mais, você o viu somente umas duas vezes desde que se mudou para o Kansas.
– Não, nada isso... Não é onde eu quero chegar. – respondeu rápido demais enquanto algumas gotas minúsculas de suor começaram a se formar no topo de sua cabeça, tamanho era o nervosismo. Sam era perceptivo, e isso Jess não podia negar. – Eu apenas acho que o seu irmão se importa muito com você. E que talvez você esteja se precipitando... Dê tempo ao tempo. Você sabe que tudo fica melhor no dia seguinte.
– Seus conselhos são uma droga, sabia? – Sorriu enquanto pegava uma colher de prata da mão da garota e começava a ingerir a sobremesa de maneira deliberadamente lenta, aproveitando o suave gosto familiar de álcool. – Mas mesmo assim, obrigado.
– Você... Você pode me esperar aqui enquanto eu subo com as minhas coisas?
– Claro... Eu e as passas ao rum vamos ficar numa boa. – Disse fazendo uma cara engraçada.
– Foi o único que tinha. Culpe a Stacy que não trouxe o que pedi.
Dando as costas ao moreno, sentado num banco em frente ao balcão, Jess subiu escada acima. O pote branco estava em suas mãos, e quanto ao Winchester, este apenas movimentava sua colher no vácuo, levando-a vazia até a boca.
xXx
Jess estava eufórica por dentro. Tudo havia ocorrido conforme o esperado, com exceção do pequeno imprevisto no quarto de John. Dean não deveria ter visto Mary; ela era uma ilusão feita por Jess especificamente para o caçador. O primogênito não era sua prioridade, e não deveria tê-la visto.
Outra pessoa o fez enxergar a mesma coisa que seu pai viu, ou melhor, pensou ter visto, pensava enquanto abria a porta do seu antigo quarto. Bem, isso não é problema meu. Elas que se entendam.
– Mas uma coisa é certa: foi mais fácil que colocar doce na boca de criança. – sorriu abertamente, lembrando do bilhete que sua mãe deixara na geladeira.
“Eu sei que você não é a minha filha. Eu a quero de volta!”
xXx
Sam continuava ao balcão, pensando no que havia feito. Não chegava a arrepender-se, apenas estava preocupado com seu irmão. Queria pedir desculpas, mas temia soar mais egoísta e falso do que já parecia. Queria dizer que foi um erro, mas estaria mentindo a si mesmo. Ele queria estar longe da família, e isso lhe partia o coração. Mas essa era a mais pura verdade; não queria a presença deles, pelo menos não agora quando podia apreciar o doce sabor da liberdade. Sem irmão ou pai para repreender os seus atos, ou mesmo apontar seus erros, Sam estava por conta própria, e nada mais importava.
Foi acordado para a realidade quando sentiu seu celular vibrar em seu bolso. O moreno o pegou imediatamente, na esperança de que fosse seu irmão. Para seu desapontamento, ou até mesmo alívio, era John. Olhou a foto do pai no visor de seu celular e, indo contra a vontade latente de rejeitar, aceitou a ligação.
– Alô? – Disse o mais novo sem disfarçar o desânimo.
– Sam?! Er... Por acaso o Dean está aí com você? – Aquilo acertou o jovem em cheio. Esperava um pedido fracassado de desculpas, ou até mesmo alguma estupidez vinda do pai. Mas não houve nada disso. Apenas a confirmação de que Dean era quem importava de verdade. Ele era o filho perfeito, merecedor da atenção e preocupação do pai. – Eu estou tentando falar com ele há horas, mas ele não me atende.
– Ele... – Suspirou – Ele não está aqui. – torcia para que sua voz fosse alterada pelo telefone, pois ela denotava claramente o seu estado emocional abalado. Saber que você não tinha valor, que não merecia o amor fraternal de um pai era... Frustrante demais.
– É que... Bom, faz um bom tempo que ele saiu e...
– E daí você pensou que talvez ele pudesse estar comigo, não é? – esfregou os nós dos dedos contra os seus olhos, amenizando a desconfortável ardência causada pelas lágrimas que teimavam se formar.
– É sim. – Suspirou. – Sam, sobre o que aconteceu...
– Adeus, John. – O moreno desligou sem nem mesmo esperar pelas possíveis explicações do pai. Naquele momento, John percebeu que o filho não o perdoaria, e também, naquele mesmo momento, Sam se deu conta de que não fora um erro sair daquela mediocridade. Dean era a única coisa que o prendia naquele lugar; o único que valia o sacrifício. Mas estava cansado, exausto de ser sempre ignorado, sempre ser deixado de lado. Também fazia parte daquela palhaçada e John, como pai, deveria entender que esse tipo de laço, quando quebrado de uma maneira tão violenta, leva mais que um simples telefonema para ser restabelecido.
– O que aconteceu, Sam? – A garota apareceu do nada, sussurrando ao ouvido do moreno enquanto se ajeitava no banco ao seu lado.
– Eu... Hm... Meu pai me telefonou e...
– Deixa eu ver... – fingindo pensar, Jessica colocou o dedo indicador em seu queixo e pendeu a cabeça para o lado, olhando fixamente para o teto – Ele tentou se desculpar pelo que te disse, não foi?
– Não. Quero dizer, eu não esperei para ouvir o que quer que ele tenha pensado em me dizer, mas... Ele queria saber se eu estava com o Dean, acredita? Como se eu fosse o influenciador dessa história. Eu... Eu pensava que ele... Eu pensei que ele me diria alguma coisa do tipo... Do tipo... – engasgava-se com as palavras, ao mesmo tempo em que não conseguia encontrá-las.
– Ei, Sam, não fica assim... O John pisou na bola, não foi culpa sua. – Pousou sua mão sobre as costas do rapaz no intuito de passar alguma segurança.
A verdade é que Sam sabia de quem realmente precisava quando ficava daquele jeito, sentindo como se o mundo estivesse desabando sobre sua cabeça. Conhecia a única pessoa que era capaz de reconfortá-lo com um simples abraço e algumas palavras que, em certo ponto, soavam inconvenientes. Os únicos olhos que penetravam a sua alma e o deixava desarmado. O sorriso sarcástico que nada mais era do que um meio de camuflar algo que não estava em seu alcance; quando percebia que não podia fazer nada a respeito, mas, mesmo assim, a sua presença era o suficiente.
– Eu vou ligar pra ele. – Sam fez menção em pegar seu celular do bolso da calça surrada.
– Pra quem? – Perguntou confusa.
– Para o Dean. Eu preciso falar com ele, eu... Eu só preciso.
Pensa, pensa... Droga!
– Tudo bem.
O moreno então colocou seu celular contra o ouvido esquerdo, mantendo os olhos fixos no balcão enquanto ouvia o incansável toque de espera do celular.
– Oi... É, Dean, sou eu... – Sam começou a dizer sem se dar conta de que falava com ninguém. Jessica, ao seu lado, concentrava-se nas palavras certas que seriam ouvidas pelo mais novo.
03h19min AM — Lawrence, Kansas
O vento bagunçava o seu cabelo e a velocidade em que estava apenas aumentava o seu desespero. Pisava sem receio no acelerador e mal pensava aonde aquela estrada o levaria. Tudo o que queria era chegar logo em algum lugar.
As árvores passavam como borrões, assim como as casas e outros carros. Não prestava atenção nisso. Seus olhos estavam fixos somente na estrada e, se algo ousasse entrar em seu caminho, com certeza não sairia ileso.
O pequeno bar Oak, localizado no lado sul da cidade, era o lugar ideal onde Winchester conseguiria afogar-se em bebida até cair. Não muito movimentado, com atendentes gostosas que mudavam a cada semana, Dean pressentia que a noite acabaria em sexo. Não que de fato quisesse aquilo, mas era um meio de descontar sua raiva, sua fúria. Realmente não importava com quem passaria a noite. O sexo seria sem prazer, pelo menos para ele, e isso era incontestável.
Estacionou e saiu do carro deixando seu celular e apanhando apenas sua carteira e a fiel jaqueta de couro. Adentrou no estabelecimento e gostou do que viu. Mordendo o lábio inferior e ajeitando sua jaqueta, o loiro caminhava em direção as mesas vazias do fundo, sendo acompanhando pelos olhares curiosos e hostis de alguns homens que estavam no balcão e de alguns sentados em outras mesas, perto da porta de entrada.
Levou pouco menos de um minuto para que o rapaz fosse atendido. Em parte, achava que a urgência das garotas em atendê-lo era por causa de sua beleza e carisma. Mas sabia que a maioria das que trabalhavam ali só queriam transar com ele. E quem seria Dean Winchester para recusar? Em uma noite comum sim, mas, naquela noite, não poderia, mesmo se quisesse.
– O que vai querer, bonitão? – Perguntou a jovem em tom nada profissional. Estava claro que aquela ali queria ser traçada.
– Você por acaso está no menu? – Dean disse no mesmo tom, deixando a loura parcialmente corada de vergonha, mas ambos mantinham o contato visual.
– Se você estiver com fome... – Umedeceu os lábios de uma maneira sugestiva. – Tenho certeza que posso arrumar alguma coisa pra você comer...
Essa caiu fácil demais, pensou Winchester, orgulhoso de si mesmo.
– Acho que o que eu quero não se encontra dentro de uma garrafa ou na cozinha... É servido cru. – Sorriu sacana, sendo acompanhado pela garota.
Ela até que é bonitinha... Pelo menos sabe flertar, diferente da última.
– Existe alguma coisa em especial que gostaria de me pedir, Senhor...? – A garota se aproximou mais do loiro, deixando seu decote à mostra.
– Winchester. Dean Winchester.
– Como a arma? – Perguntou empolgada, pousando a bandeja de alumínio sobre a mesa.
– Isso mesmo, baby, como a arma. E quanto a você? Uma moça bonita e bem educada com certeza deve ter um lindo nome. – Falou enquanto olhava disfarçadamente para os seios da jovem.
Você não é o único que me diz isso, sabia Dean? Já sou velha no ramo...
Inclinando-se o suficiente para chegar ao ouvido do loiro, e dando uma leve mordida no lóbulo da orelha do jovem, a garota sussurrou sensualmente:
– Eu sou Ruby.
Continua...
Notas finais
Muito Obrigado por estarem acompanhando. Constantin, querida, obrigado pelo apoio! Você é um amor!
Beijos, moçada.
Fale com o autor