E Se Eu Também Quiser?

6 E Se Eu Não Entender?


Notas iniciais
*Capítulo reescrito*
Beta: Constantin Rousseau (a responsável por deixá-lo decente u_u)
Não sei o que faria sem você, fofa!
Aos demais leitores, boa leitura.

Saint Louis, Missouri

— Eu realmente não consigo acreditar que alguém como ele disse isso, Sam. — era o que Jessica comentava indignada enquanto fingia consolar o garoto. — Não esperava que logo uma pessoa que se dizia tão próxima poderia falar uma coisa dessas a você.

E também não sabia que eu era uma atriz tão boa.

— Não parecia o Dean falando, sabe? — a voz do moreno saiu embargada, deixando visível todo o absurdo esforço que fazia para não desabar ali mesmo. — Era como se fosse outra pessoa... A voz era a dele, mas... E-Eu não sei... Quero dizer... É do Dean que estamos falando, certo? Ele jamais me trataria assim... Tem alguma coisa errada. — Jess suspirou longamente enquanto rolava os olhos, pois sabia que Winchester não aceitaria numa boa, muito menos cairia tão fácil naquilo. — Eu sinto.

— Não sei não, Sam... Você pisou na bola com ele, não foi? Não acha que seria... Sei lḠjusto receber esse tratamento? Você sabe... Quando as pessoas ficam zangadas, acabam falando o que não deveriam, mas, na maioria das vezes, essas coisas nada mais são do que a verdade que elas escondem por medo...

Ele baixou os olhos e ficou calado, pensando inquieto nas incômodas palavras da loira. Jessica não era do tipo que fazia a pessoa se sentir mal; na verdade, era basicamente o contrário disso, sempre fazendo piadas sem graça nos momentos mais inoportunos, tentando tornar as coisas mais fáceis de encarar. Mas, naquela ocasião, Sam podia sentir que ela falava sério, beirando à prudência.

— Você acha que ele seria capaz de... — engoliu em seco, respirando fundo e tomando coragem para fazer a pergunta, sem ter a certeza de que a resposta lhe agradaria. — Você acha que ele faria isso comigo?

— Eu não acho nada. — foi o que a loira respondeu enquanto brincava com seus dedos. — Talvez você devesse pensar na possibilidade de ele não te considerar mais como um irmão.

— O quê? — os olhos claros se arregalaram. — Do que você tá falando? O Dean nunca...

— Só estou dizendo o que penso. — a garota interrompeu indiferente.

Era essa sua intenção: fazer Sam Winchester duvidar do quanto seu irmão o amava; do quanto Dean se importava com ele. E ela jamais imaginaria que sua tarefa seria tão fácil. Conseguia sentir a dúvida crescendo na mente do garoto, espalhando-se como uma erva daninha, sufocando-o e implantando diversos pensamentos e suposições que ele não queria. Sam possuía apenas uma frase, seu porto seguro; algo a que estava agarrado para não cair:

Só porque não temos o mesmo sangue, não quer dizer que não sejamos família.

Será que havia alguma verdade naquilo?

xXx

Não podia deixar de sentir alguma pena do garoto. Jessica realmente gostava de Sam; sentia como se, pela primeira vez, pudesse confiar em alguém durante uma missão, ou, pelo menos, by Browse to Save\">conversar. Odiava viver como outra pessoa, e era isso que a deixava furiosa. As regras do by Browse to Save\">contrato haviam sido bem claras: sugar a personalidade da pessoa escolhida e imitá-la perante os conhecidos, para não causar nenhum tipo de suspeita indesejada. Que se danasse aquela porcaria! Ela não havia respeitado muito bem, aquela ordem em específico; resultado disso foi o recado que sua mãe deixara preso à geladeira. Já se acostumara àquilo. Com elas, tudo deveria ser feito às escondidas...

— Você é uma ótima amiga, Jess. — o moreno confessou num sussurro baixo à loira enquanto se afastava lentamente do abraço acolhedor.

Pobre Sam... Se soubesse que sou eu a pessoa que está fazendo você passar por tudo isso, se soubesse que sou eu a culpada por fazer dessa noite uma droga... Mas não podia deixar que você estragasse tudo conversando com Dean e voltando atrás com sua decisão. Você deve ficar longe dele durante esse tempo, Sam. Faz parte das regras.

— É. Eu sou. — disse num tom falho, estando ciente de sua total hipocrisia enquanto desviava seus olhos dos avermelhados e ainda parcialmente marejados do moreno.

— Está tudo bem? — Winchester segurou de leve o queixo da jovem, fazendo-a olhar diretamente para seu rosto, de forma que ela pudesse, assim, ver claramente a tristeza e a decepção instaladas naqueles orbes claros e cintilantes.

— Só estou cansada. Acho que vou dormir um pouco... — ela murmurou. — Você deveria fazer o mesmo, Sam. Está péssimo. — abriu um leve sorriso zombeteiro enquanto levantava-se da cama. — Garanto que tudo estará melhor quando acordar, Sammy.

Então, como se fosse atingido por uma onda gigante, seus olhos passaram a doer, e seu corpo pedia urgentemente por um descanso. A sensação foi tão intensa e esquisita que mal teve tempo para pensar no apelido pelo qual Jess o chamara. Mas talvez fosse melhor assim, pois lembrar-se de quem o chamava daquela maneira, de como a boca dele se movia ao pronunciar tal palavra... Apenas fazia com que a dor se intensificasse ainda mais.

Do que precisava? A pergunta rodou sua mente durante longos segundos, que lhe pareceram uma eternidade antes de a resposta finalmente surgir, clara como a água, acabando com o caos total no qual sua mente sonolenta se encontrava: de um novo começo. Sam precisava seguir em frente, sem qualquer vestígio do passado.

Desmoronou contra o colchão macio, sentindo um alívio imediato em seus músculos tencionados. As pálpebras pareciam pesar toneladas, e o menor esforço para manter os olhos abertos consumia toda a energia ainda presente no corpo do Winchester. A respiração permaneceu acelerada enquanto sentia a inconsciência abraçar-lhe à força. Em parte, agradeceu por toda aquela confusão, porque, naquele momento, não ver e não sentir era o suficiente para fazê-lo ficar bem. Não pensar trazia segurança, trazia alívio. Mas estar em um local desconhecido, onde uma parte reprimida e incompreendida de seu ser era quem ditava as regras... Isso sim era algo um tanto perigoso, se considerado seu estado abalado.

Não. Jessica já havia extrapolado sua cota de maldade durante aquele dia; não desceria mais de nível. Até porque já achava que o que havia feito por telefone, horas atrás, fora o suficiente. Havia se transformado na Moore de sempre, aquela que poucos conheciam: insensível. Egoísta. Fria. Calculista.

Todos possuem um lado negro dentro de si; e isso é fato desde que o mundo foi criado. Uma parte te impulsiona a fazer o errado julgando ser o certo. Jessica precisava se sentir no controle da situação; precisava remover cuidadosamente a máscara emocional que usara nos últimos dias e voltar a se focar no plano principal. E, com isso, tornava-se imprescindível não pensar na confiança cega que Sam depositara em si, fazendo com que o fato de que havia se envolvido muito, em apenas outro caso, a assustasse ainda mais. Mas, naquele momento, precisava clarear sua mente, precisava pensar com cautela e olhar por todos os ângulos que sua vista estratégica lhe permitia.

Para isso, precisava deixar de ser fraca.

Prendeu o cabelo num longo rabo de cavalo enquanto se dirigia até a cozinha, onde apanhou seu celular dentro da bolsa Prada, e então abriu a grande porta pesada, bem lentamente, fazendo o rangido metálico sair abafado, sentindo o frio da madrugada acariciando-lhe a pele como dedos curiosos. Virou-se, e pôde contemplar a rua deserta, coberta pela densa névoa, típica daquele horário, tornando o cenário pouco atrativo para alguém que pretendia andar sozinho noite afora.

Por um período que lhe pareceu longo, vagou cegamente pelas vielas das quais pouco se lembrava, sem ter nenhum destino fixo em mente; apenas concentrava-se nos passos firmes que dava, sentindo as pernas moverem-se de forma automática em companhia da sensação de leveza que a deixava calma, talvez até despreocupada. Em sua mão, o celular parecia pesar; como um aviso de que deveria intervir.

Olhou para a imensa tela negra do aparelho, enxergando nada mais que seu reflexo tênue e ligeiramente deformado.

Jessica... Gostei de você, foi seu pensamento, e logo sorriu irônica, apressada ao procurar um determinado contato em sua agenda telefônica.

— Fala, gostosa! — a voz a abordou de maneira manhosa, quase sensual, de forma com que a loira revirou os olhos e ignorou, pois julgava ser um péssimo comportamento, dadas as atuais circunstâncias.

— Eu fiz a minha parte, vadia. — disse por fim. — E foi uma droga. Tive um imprevisto, acabei fazendo Sam pensar que discutiu seriamente com o irmão dele.

— E...?

— Como assim “E...”?! Agora ele acha que o irmão o odeia! — seus dedos refletiam nitidamente um pouco de sua frustração, movimentando-se aleatoriamente por entre sua cabeleira loira e emaranhada.

— Escute aqui, queridinha: você sabe mais que ninguém que imprevistos acontecem! Lembra do que aconteceu no quarto do John? É, minha amiga, alguém se intrometeu na sua ilusão! E, se não fosse por mim, nosso plano teria ido inteiramente por água abaixo.

Mesmo sabendo que não poderia ser vista pela pessoa do outro lado, estreitou os olhos e uniu as sobrancelhas numa linha, denotando sua visível confusão pelo que acabara de ouvir.

— Como assim?

— Nossa, Jessica, você é muito burrinha mesmo! — a voz soou áspera, quase sarcástica. — Você realmente acha que Dean teria coragem de se rebelar daquele jeito sem nenhum empurrãozinho? Fala sério!

Foi então que Moore, usando sua mente incrivelmente engenhosa e perspicaz, concluiu que tudo o que estava acontecendo não era uma simples coincidência. Alguém havia mudado as peças do tabuleiro; alguém a manipulou, a forçou a agir de forma diferente do combinado. As mudanças não só afetaram Sam, ou Jessica, como também o primogênito Winchester, que foi obrigado a seguir um caminho diferente após ter enfrentado seu pai. Dean deveria ter ficado ao lado de John, deveria ser vigiado apenas de longe.

Mas agora um novo jogo havia se iniciado. Dessa vez, Jessica não era a rainha, e sim um dos simples peões, e seu próximo movimento poderia ser seu último.

Pensa, pensa, pensa...

O raciocínio da loira havia sido perfeito! Ela só precisaria fazer com que John acreditasse nas palavras de quem julgava ser o espírito de sua esposa, que, consequentemente, afastaria Sam do irmão. Esse era o plano. Sam e Dean não deveriam ficar juntos.

Pelo menos, não ainda.

O grande problema foi que Dean acabou vendo o que não deveria, e, ao invés de deixá-lo descobrir de imediato sobre o mundo sombrio ao qual sua família inegavelmente pertencia, o garoto foi submetido a uma camuflagem de fatos que o fez esquecer, na verdade ignorar, o acontecido. Jessica conhecia o truque, assim como conhecia sua própria capacidade.

Dean discutiu com John, extrapolou os limites de seu autocontrole e acabou agindo de forma imprudente. O homem, preocupado com o sumiço do filho mais velho, ligou para Sam no intuito de saber o paradeiro do loiro. O moreno ficou preocupado, e tentou ligar para ele. Foi aí que Moore precisou agir por impulso, sendo forçada a formar outra ilusão; uma que fizesse o mais novo acreditar que Dean não se importava nem um pouco.

Tudo havia desandado, provocando um processo em cadeia que resultaria em...

— Onde está Dean? — foi a primeira pergunta que lhe ocorreu após a maioria dos fatos se encaixar em sua cabeça.

— Não faço a menor ideia, gata. — o frio em sua espinha foi algo completamente surreal; único. — Por quê?

Como se não bastasse ter aquela intuição pessimista de que algo absurdamente ruim estava prestes a acontecer, agora ainda havia o fato de que Dean Winchester continuava com o paradeiro desconhecido por todos. E isso, definitivamente, deixava tudo ainda mais frustrante.

— Como assim não faz a menor ideia?! — perguntou de forma controlada, apesar de seu tom de voz denunciar o estado furioso no qual se encontrava. — Era pra você estar tomando conta dele!

— Ok, mamãe! — quase podia ver os olhos se revirando. — Eu não preciso que você repasse as minhas ordens, tá legal? Eu só preciso terminar de...

— Escuta aqui, sua irresponsável: eu é que não vou ser punida por um maldito deslize seu! — Jessica a repreendeu. — Vá atrás dele agora! — e, sem nem mesmo esperar por uma resposta, encerrou a chamada.

Se tudo até agora foi arquitetado minuciosamente por alguém que não está na jogada, algo me diz que não estou aqui por coincidência. Alguém me queria fora da casa, longe do... parou seu raciocínio de súbito, os olhos arregalados pelo choque. Oh, meu Deus! Sam!

A jovem não teve que pensar muito. Após retirar seu calçado às pressas, antes de se colocar em movimento, apenas um pedido se fez presente em sua mente ainda estarrecida:

Por favor, que não seja tarde...

xXx

Lawrence, Kansas

Ruby tinha a lateral do celular apoiada na testa, como se o gesto, de alguma maneira, a fizesse pensar melhor sobre a confusão que havia se formado. Não era, de fato, irresponsável; apenas tinha como prioridade conseguir dinheiro para o aluguel. O resto, como ela mesma dizia, era somente o resto.

Deixou o aparelho sobre a mesa, levanto suas mãos até as costas e desfazendo cuidadosamente o laço do avental. Respirou fundo e olhou para suas próprias roupas, odiando aqueles detalhes em azul e branco do minúsculo short, que combinavam perfeitamente com sua blusa vermelha de listras claras.

Eu deveria ganhar um prêmio do próprio presidente por usar a bandeira americana como roupa.

Pensando no dinheiro extra que ganharia naquela noite, e imaginando as limitadas formas de gastá-lo, Ruby deixou uma lista de compras sobre a mesa da cozinha, para Josh, seu chefe que chegaria pela manhã, e preparou-se para sair do estabelecimento. Porém, a vibração ininterrupta que fazia as portas e janelas tremerem num ritmo absurdamente medonho foi algo que a fez parar de imediato. Os sussurros aumentaram de maneira considerável em sua cabeça, tornando-se mais claros, específicos.

Sabia o que aquilo significava.

Rapidamente, ela jogou o avental para o lado e atravessou a porta que dava acesso ao balcão. Foi uma cena um tanto quanto irônica, a jovem encontrar Winchester sentado no fundo do bar. Era ela quem deveria ir atrás do rapaz, e não ele aparecer do nada como um cordeirinho indo de encontro ao abate.

Bem, isso com certeza vai me poupar um grande trabalho... Mas, por outro lado, é esse bando de demônios o encarando que vai me dar uma baita dor de cabeça, foi o que pensou após olhar para a quantidade intimidadora de pessoas possuídas que olhavam o loiro de maneira indiscreta, como se ele fosse o alimento da noite.

Lançou seu último olhar para os que estavam sentados ao balcão e próximos à mesa de sinuca, ainda virados em direção ao jovem, e apanhou uma bandeja metálica junto ao cardápio. Caminhou compassadamente até a mesa dos fundos, com seu charme inteiramente teatral vindo sem nenhum tipo de esforço.

Vamos lá Ruby... Hora de bancar a vadia.

A jovem loira aproximou-se do rapaz e lhe lançou um olhar completamente antiprofissional, denotando todo o seu descaramento e falso interesse, recebendo como resposta o olhar faminto de Dean Winchester.

— O que vai querer? — perguntou sensualmente enquanto torcia para que não tivesse feito uma careta com aquela pergunta.

— Você tá no menu?

Ele sabe mesmo ser direto. Ou é um sem vergonha de primeira... Ou então está muito necessitado e disposto a pegar qualquer uma.

Então Ruby acabou perguntando, embora já soubesse, como o rapaz se chamava. Ele respondeu de prontidão, soando orgulhoso por ter aquele sobrenome pra lá de esquisito. Como se tudo fosse uma grande e irritante sensação de déjà vu, o loiro resolveu retribuir o favor e perguntar-lhe seu nome. As lembranças ressuscitadas inundaram a mente da jovem como uma onda gigante, tomando todo o espaço e a atenção da moça enquanto sorria falsamente.

Ela se lembrou de quando matava apenas por diversão; de quando usurpava vidas quando julgava estar demasiadamente entediada, ou cansada de ficar escondida. Quando ficava em frente ao posto de gasolina abandonado, na beira da antiga estrada, esperando pelo momento em que alguém parasse e oferecesse uma carona. Eles perguntavam seu nome de maneira doce, e diziam a jovem o quanto sua beleza era notável. Ruby aceitava os elogios, e, às vezes, até agradecia, permitindo-se corar envergonhada quando recebia olhares mais do que intensos. Nessas horas, quase se esquecia das segundas intenções encontradas naquilo tudo. Quase.

E, só depois de vê-los implorar pela própria morte, depois de vê-los aproveitar a última gota de agonia, o desespero nítido nos diferenciados olhares... Só então é que retirava suas almas. Aquilo sim a satisfazia: o medo que era expresso na face de quem era sua vítima era algo que a deixava em total êxtase. A moça sorriu largamente ao se lembrar da sensação que tanto adorava, mas logo conteve parte de sua excitação ao ser puxada para a realidade após encarar os olhos verdes e totalmente expressivos do loiro à sua frente, que ainda esperava por uma resposta.

— Meu nome é Ruby.

Depois das apresentações, a loira, apesar de parecer calma e incrivelmente descontraída, sentia como se uma enorme bomba-relógio estivesse presa ao seu crânio, obrigando-a a lembrar-se de que a vida ao seu redor continuava a mesma, independentemente de como agisse ou se portasse. Sabia de algo que não precisava naquele momento: sangue. Já havia ultrapassado seu limite de mortes há muito tempo, e, para falar a verdade, depois do período inesquecível que passara cumprindo sua punição, a vontade latente de assassinar tudo o que era vivo foi se esvaindo, até se transformar numa simples e melancólica lembrança.

— Hey, cabeça de vento, eu quero a minha bebida! — por um momento, por estar um tanto distraída, Ruby pensou ter sido Dean quem lhe dirigira a palavra, mas, ao sentir um desconfortável aperto em seu braço, teve certeza de que a noite estava apenas começando. — Pelos velhos tempos, princesa... — era o que dizia num tom zombeteiro e com um sorriso cínico se formando em seus lábios, um homem de meia idade, estatura mediana e barba por fazer.

Não! É ele!

— Você não deveria estar aqui! — declarou, com algum espanto. — Como foi que...

— Eu tenho amigos, fofinha. — Alastair interrompeu a fala da loira, apontando para as pessoas que estavam no lado leste do salão, algumas já fazendo menções de que se levantariam. — E eles estão bem ali, apenas esperando meu sinal para mandarem essa espelunca pelos ares. Eu só quero o rapaz, Ruby. — riu de forma amarga. — Acho que esse foi o nome mais bonito que você conseguiu, não concorda? Enfim... Não precisamos de violência por aqui. — ele mordeu o lábio inferior, e, com alguma dose de malícia expressa nos olhos, continuou: — Se bem que... Você adorava quando eu pegava pesado.

— Cara, quem diabos você pensa que é? — Dean finalmente se manifestou, levantando-se da cadeira e fechando as mãos em punho ao encarar o homem.

— Diabos... Não, gosto muito da liberdade que tenho. — e sorriu cínico, aproximando-se um pouco mais da jovem loira que continuava atônita. — Se você fosse um pouquinho mais esperto, meu jovem, não se preocuparia com quem eu sou, e sim do que eu sou capaz.

Dean bufou enquanto revirava os olhos e relaxava um pouco. Bater em idosos não era algo de seu feitio, muito menos bancar o garanhão apenas para impressionar uma garota, porque ele não precisava disso; poderia encontrar outra qualquer em alguma esquina escura àquele horário.

— Quer saber? Acho que já vou indo. — falou grosso, virando-se bruscamente para a porta pela qual entrara momentos antes, mas parou surpreso ao não encontrar porta alguma, pois apenas a parede escura e pouco desgastada contornava o local que mais parecia uma cela.

— Vá por mim, Dean. — num tom baixo e repreensivo, Ruby o encarou. — Não é uma boa ideia sair daqui sozinho.

— Claro que ele não vai estar sozinho. — surgindo por trás do loiro, e descaradamente pousando a mão em seu ombro, como se fossem grandes amigos, um rapaz moreno e sorridente acrescentou com a voz animada: — Ele vai comigo.

Winchester virou seu pescoço lentamente e encarou o rapaz desconhecido com um semblante confuso. Em sua mente, a dúvida: deveria socá-lo ali mesmo, ou esperar por uma explicação plausível vinda de qualquer um dos que estavam presentes?

— Ninguém sai daqui até eu permitir. — Alastair ordenou para o grupo com um rosnado.

— Qual é, Aly, você nunca ficou bem como mandão. — o rapaz moreno revirou os olhos. — Por que não relaxa um pouco?

— Assim que te levar comigo, criança. Tenho uns joguinhos em mente, aos quais há a certeza de que você vai adorar. — disse no mesmo tom sacana; porém, logo em seguida, seu tom era mais hostil, mostrando quem realmente era: — Por que não usa o tempo que tem disponível para pentear algumas das suas Barbies, e me deixa fazer meu serviço? O relógio está correndo, caçador...

O sorriso do jovem murchou um pouco, e ele retirou a mão do ombro do Winchester, ficando visivelmente tenso e incomodado enquanto os outros voltavam a atenção para si. Um tanto indignado, apenas sacudiu os ombros, ignorando os demais. Alastair sorriu triunfante.

— Alguém pode me explicar o que raios está acontecendo aqui? — a voz de Dean saiu mais alta e exigente, causando alguma movimentação suspeita vinda das pessoas que olhavam tudo com certa expectativa, prontas para atacar a qualquer instante.

Mas Ruby foi mais rápida. Antes mesmo de Alastair conseguir avançar contra o rapaz, no intuito de agarrá-lo pelo braço e arrastá-lo dali à força, a loira o atacou com a bandeja de metal que tinha em mãos. O impacto foi grande, e provavelmente o crânio do homem já não se encontrava em sua melhor forma.

Dean ficou estático; provavelmente estava em choque.

Fofo. Se estivéssemos em outras circunstâncias, um tanto melhores, eu adoraria tê-lo como animal de estimação, foi o pensamento maldoso da moça, enquanto um sorriso inconsciente se formava em seu rosto.

— Esse era o seu plano?! Olha só o que você fez! O cara tá sangrando! — assim que ousou sair do transe, Winchester se viu gritando com a loira; os olhos quase saltavam das órbitas, e as mãos trêmulas já começavam a suar.

No que ele havia se metido?

— Sangue de pior qualidade, se quer saber... — o rapaz ao seu lado falou com extrema calma, como se nada de extraordinário houvesse acontecido bem diante de seus olhos.

E, de qualquer forma, agora já era tarde para pensar no que havia feito. Assim que Ruby voltou sua atenção para Winchester e viu no semblante do jovem o horror nítido em seus orbes arregalados devido ao fato de que todos que estavam no local, anteriormente apenas os observando, passaram a correr desgovernados em sua direção, a jovem só teve tempo para fechar seus olhos, buscando a concentração necessária para o que faria.

A loira pôde sentir o poder correr por suas veias, e tudo que conseguiu fazer foi se lembrar da sensação de liberdade que tinha no passado, quando fazia as coisas à sua maneira, sem se importar em ser julgada.

O mundo a pertencia.

Com um único movimento de braço, jogou todos os possuídos contra a parede do local, aprisionando-os fortemente em uma espécie de armadilha psíquica.

— Tira ele daqui! — gritou furiosa.

O rapaz segurou firme o braço do loiro e o arrastou para a parede que permanecia sem porta alguma, nem mesmo janelas. Winchester apressou os passos para acompanhar o caçador que quase corria de encontro à grande muralha de concreto, mas parou de súbito assim que sentiu um braço enlaçar seu pescoço de maneira agressiva, sufocando-o por alguns segundos.

— Acha que vai estar a salvo, seguindo ele? Não... — Alastair lançou-lhe um breve sorriso que não pôde ser visto pelo jovem. — Você e seu irmão, logo, logo, estarão no coração disso tudo! — o loiro arregalou os olhos ao ouvir o homem mencionar Sam.

Como ele sabia?

Não teve muito em que pensar, naquela hora. Acertou-lhe uma cotovelada nas costelas, e então começou a desferir murros contra seu rosto, mesmo contra os protestos do rapaz que tentava puxá-lo para longe dali. Então, de uma hora para outra, Winchester se viu dando socos contra o nada, e, depois de fazer uma breve busca com os olhos por todo o local, pôde concluir que o homem não mais estava naquele lugar.

Dean percebeu que o rapaz ainda lhe puxava, e, dessa vez, deixou-se ser guiado pelo moreno. O caçador conseguia ver a grande porta perfeitamente, pois a ilusão de Ruby fora feita especificamente para o loiro. Então o jovem atravessou primeiro, arrastando Winchester consigo e o fazendo atravessar de olhos fechados.

— Hey, Dean... Dean! — sacudia veementemente o loiro que insistia em permanecer com os olhos fechados. — A gente precisa sair daqui! — de maneira lenta e receosa, o loiro abriu os olhos, percebendo então que já se encontravam no estacionamento do bar.

A visão de seu carro lhe trouxe alguma felicidade, forçando-o a um leve repuxar de lábios, acompanhado por uma expressão aliviada.

— Aquele é seu carro? Ótimo! — o caçador estava impaciente. — Vamos...

— O quê?! — o loiro perguntou de imediato, arqueando as sobrancelhas, ainda levemente chocado. — Eu não vou deixar você entrar no meu carro! Eu nem te conheço, cara!

— Fora Ruby, eu sou sua melhor forma de permanecer vivo! — o moreno o encarou de forma séria. — Então sugiro que abra a droga da porta e me deixe entrar, agora.

— Você não vai me dizer o que está acontecendo, não é mesmo? — Winchester passou as mãos pelo cabelo, frustrado. — Quem é você?

— Bem... Acho que serei sua “babá” por enquanto... Pelo menos até Ruby dar um jeito naqueles ali. — e apontou com o polegar esquerdo para o local em que antes estavam.

Dean apenas gargalhou sem vontade com o absurdo que acabara de ouvir. Não havia lógica alguma naquilo tudo; sua vida não podia virar ao avesso da noite para o dia, era loucura! Não estava entendendo nada, muito menos conseguia pensar em algumas suposições. A única coisa que ele queria era tomar umas cervejas, transar com alguém, e depois dormir despreocupado no conforto de seu Impala.

Era pedir demais?

Um barulho estridente, vindo de dentro do bar, atraiu a atenção dos dois rapazes, retirando o loiro de seu caos interno.

— Pelo menos alguém está se divertindo... — o caçador comentou com naturalidade.

Winchester suspirou resignado, retirando a chave do bolso e olhando fixamente para o outro.

— Você me deve respostas.

xXx

Alastair permaneceu parado, demasiadamente calmo e indiferente no centro da multidão. Assim como os demais, ele também havia caído na maldita teia psíquica da jovem.

— Sabe que não pode me matar, não sabe? — finalmente perguntou, e os olhos escuros permaneciam cravados na figura loira e estonteante à sua frente.

Os cabelos da garota se moviam com uma leveza indescritível, de forma etérea, e os olhos já começavam a alcançar aquela conhecida tonalidade de cor.

— Não preciso de você morto. Apenas longe. — Ruby lançou-lhe uma piscadela travessa, e, com um único movimento de mão, a moça arrancou a nuvem densa e escura de dentro do homem, dissolvendo-a no ar em questão de segundos.

Os demônios presos à parede tentavam a todo custo escapar da moça; alguns até tossiam lufadas de fumaça negra pela boca enquanto gritavam obscenidades e xingavam-na de diversas formas.

— Por que a pressa? — ela franziu o cenho, fingindo certo desapontamento. — A diversão está apenas começando, rapazes...

Continua...

Notas finais
Amores, eu sei que é chato ouvir isso... Mas deixar um review não mata, não dá câncer de pele, não induz a paralisia cerebral e nem altera seu código genético. Não faz você sentir náuseas, não deixa você triste ou cansado e o melhor de tudo: Não engorda (isso mesmo, não engorda) e me deixa muito, mas muito feliz!
Pense bem, e se não for pedir demais, comente antes de seguir para o próximo capítulo. :D