E L D A R Y A — Anos Sombrios

2 Capítulo 1: A Constelação Esquecida


Notas iniciais
Eu quero agradecer as duas lindas que comentaram no prólogo. Foi tudo muito lindo, eu fiquei super feliz. Aqui está, como prometido, o capítulo 1. Aqui vocês irão conhecer um pouco mais sobre a Andrômeda, e é claro, teremos o chororô de sempre porque faz parte dos primeiros capítulos. Logo vem a ação, a safadeza (todo mundo gosta, não neguem) e os barracos. Espero que gostem do capítulo. Boa Leitura!

Meu nome veio de uma constelação. Algumas pessoas caçoavam de mim por isso mas eles jamais souberam do porque de eu ter um nome desses. Alguns podem chamar de acaso, eu chamo de amor. Ficava fascinada toda vez que meus pais me contavam a história de como eles se conheceram. Era sempre assim: um passeio universitário ao museu espacial. O instrutor explicava sobre a constelação Andrômeda. Meus pais estavam um do lado do outro, sem nem ao menos imaginar que o destino os entrelaçariam.

Foi dali que retiraram meu nome. Diziam que se não fosse a fala do instrutor naquela hora, os dois não falariam ao mesmo tempo o quanto amavam a constelação Andrômeda. Eles se encaram e sorriram. Simples assim, sem tirar e nem pôr.

Lembro-me que antigamente, quando era apenas uma criança escutando meus pais narrarem sua história de amor, eu pensava que seria assim comigo também. Que em um dia excepcionalmente belo e alegre, eu iria esbarrar com o que eu consideraria o meu único amor. É claro que, quanto mais crescemos, mais a ideia dos contos de fadas vão desaparecendo de nossa mente. São raras as ocasiões que histórias bonitas como a de meus pais aconteciam.

A frustação amorosa surgiu. Exato! Aos quinze anos eu estava tão desesperada que simulei um namoro falso com meu melhor amigo. O pior de tudo é que ele é gay. Alexy, mesmo depois de toda a confusão, continuou ao meu lado, assim como Armin e Ken. Erámos um quarteto perfeito, mesmo que as vezes fracassados e nerd's demais. O que as pessoas de fora dariam em duas pessoas com cabelos estranhos, um gamer totalmente inerte do mundo real e um cara de óculos? Ok, o que há de errado com o óculos? Óculos deixa a pessoa mais séria, as vezes mais inteligente!

Mas no caso do Kentin, só o deixava mais idiota.

Com o Ensino médio chegando, mudamos de colégio. Todos os quatro. Sweet Amoris, uma escola onde dava bolsas para os melhores alunos — ou para aqueles que tinham dinheiro suficiente — e foi lá que eu finalmente conheci Lysandre, o meu príncipe dos contos de fadas.

Lembro de estar correndo na escola com folhas e cadernos nos braços. Virei o corredor e praticamente capotei ao esbarrar no garoto de cabelos platinos. Foi ali o nosso primeiro encontro. Lysandre me pediu tantos "desculpe-me" que, se eu me atrever a contar, ficaremos um bom tempo aqui.

É do meu feitio ser desastrada. É do feitio de Lysandre ser esquecido. Castiel começou a nos chamar de "casal bagunceiro", assim que aceitou o fato de que estávamos namorando. A escola comentou sobre a novidade.

Mas essa alegria repentina não durou.

Não sei quanto tempo fiquei debaixo do chuveiro ouvindo e sentindo a água descer pelo meu corpo. Apenas acordei quando ouvi a voz de Castiel do lado de fora surpreendentemente preocupado:

— Andy, você está legal?

Que pergunta idiota, pensei comigo mesma. Gritei algo que saiu parecido com um sim embasbacado. Ele logo tratou de sair. Decidi tomar meu banho realmente e me vestir. Revirar o báu de lembranças estava me fazendo mal.

Ao sair do banheiro, dei de cara com um Castiel sentado no corredor. Ele me olhou e deu um sorriso de lado, parecia satisfeito com o fato da blusa dele caber em mim. Ergui uma sombrancelha, ele apenas suspirou e se levantou de maneira ágil.

— Ok, tábua. — falou. Eu lhe dei um soco no ombro que não fez ele nem ao menos tremer. — Eu pedi pizza. Espero que goste de presunto.

Eu assenti e andamos para a sala. Nenhum de nós estava com cabeça para brincadeiras ou piadas. Castiel praticamente se jogou no sofá, enquanto eu sentava no cantinho e deslumbrava um porta-retrato dele segurando um filhotinho de cachorro. Castiel deveria ter seus doze anos. Sorri com a lembrança de Dragon.

— Onde o Dragon está? — perguntei. Castiel mudou sua posição no sofá, fazendo do meu colo seu novo travesseiro. Ele me olhou e deu os ombros.

— Sei lá. Deve está no meu quarto. — comentou, enquanto pegava uma mecha do meu cabelo que estava molhado e olhava com atenção. — Dragon!

Um latido do andar de cima chegou aos meus tímpanos. Dragon, o cachorro de Castiel, desceu as escadas alegre e brincalhão. Pulou no colo do dono, que fez uma careta com o peso. Pela primeira vez naquele dia eu pude soltar uma risada. Castiel fez carinho no cão, que latiu uma duas vezes.

— Cast... — chamei-o. Ele parou de coçar atrás da orelha do cachorro e levantou seus olhos para mim. — Vai ficar tudo bem, né?

Era uma pergunta infantil. Castiel suspirou — ele estava repetindo aquele ato diversas vezes — e deu os ombros. Nenhuma resposta. Nem ao menos o durão e valente Castiel sabia se ficaria tudo bem. Eu estava arrasada.

— Andy, — ele me chamou. Não retirou os olhos de Dragon, que respirava com a língua pra fora, quase hipnotizado pelo carinho que o dono lhe fornecia. — isso que aconteceu com o Lysandre... ele é forte. Ele vai ficar bem, caso contrário eu invado aquele hospital com Dragon e faço um verdadeiro tumulto.

Ele sorriu sarcástico. Eu revirei os olhos, porém soltei um sorriso de lado, sem mostrar os dentes. Ele me olhou novamente e com um semblante divertido, falou:

— Olhando desse ângulo, até que você não é tão tábua.

— Cala a boca, Castiel!

O joguei para o lado, fazendo Dragon pular para o chão e latir indignado. Castiel riu, mas podia-se ver que em seus olhos o peso da tragédia ainda ardia. Durão como sempre, nunca demonstra a verdadeira dor.

A campainha tocou e o ruivo foi ver do que se tratava. Esperando que fosse a pizza, qual foi sua surpresa — e a minha também — ao notar que Leigh estava na soleira da porta, um olhar afobado e os cabelos negros bagunçados.

— Ele acordou. Eu vim porque não consigo ligar para o telefone e...

Meu coração disparou diversas vezes. Lysandre havia acordado. Castiel puxou Leigh para dentro do apartamento e fechou a porta de forma brusca, quase como um louco.

— Ele tá legal? Aconteceu alguma coisa?

A resposta veio com um olhar meio dolorido de Leigh. Algo havia acontecido. Minha alegria repentina murxou, como se tivesse levado um balde de água fria. Castiel bufou, impaciente com o drama instalado na sala.

— O que ele tem? — perguntei e Leigh suspirou de maneira cansada. Sentia que aquela conversa seria dolorosamente longa.

De acordo com Leigh, Lysandre acordou com uma pequena falta de memória, nada muito grave, mas que ainda precisava de cuidados especiais. Meus olhos marejaram enquanto Leigh narrava tudo. Lysandre poderia não se lembrar de mim. O quanto isso pode ser doloroso? Senti Castiel me abraçar de lado, mas nem ao menos ergui o rosto.

— Ele está passando por alguns exames. Talvez amanhã poderá receber visitas. — explicou meu cunhado. — Andrômeda, eu sei que poderá acontecer de ele não lembrar de você ou do Castiel, mas quero que saiba que jamais será negada por mim ou por Rosa ou pela minha mãe. Você continua sendo da família e de acordo com o médico, a perca de memória dele não é grave e tudo vai retornar aos poucos, com a devida ajuda.

Assenti, forçando um sorriso. Leigh passava um conforto imenso. Rosalya tinha muita sorte em ter ele ao seu lado. Castiel me soltou e foi anotar o telefone da casa dele para entregar a Leigh.

A noite caiu. Acabei ficando na cama de Castiel após ele alegar que só havia o quarto onde os pais deles na teoria o fizeram. A minha sorte foi que o cabelo de fogo dormiu no chão, como uma pedra, devo ressaltar.

Eu olhava para o teto verde com imagens passando pela minha mente. Sentia o celular vibrar inúmeras vezes debaixo do travesseiro. Sabia que eram mensagens dos meus pais, mas simplesmente ignorava. Avisei onde estaria e era só isso.

Ouvi um murmúrio. Castiel estava tendo um pesadelo. Ergui os olhos, a tempo de ver ele pular do colchão com os olhos arregalados. Me encarou como se eu fosse um fantasma, e novamente, sem mais nem menos, me abraçou meio desesperado.

— Castiel, você está me assustando. — eu falei um pouco preocupada. Ele negou com a cabeça e praticamente se aninhou em mim, que estava sentada na cama.

— Eu não sei o que me assusta tanto, Andy. Você sabe que é a mais próxima de uma irmã que eu já tive, então cala a boca e me acalma.

O Castiel de sempre. Assumo que me comovi com aquela repentina mudança e apenas acariciei os cabelos dele, vi que a respiração do mesmo se acalmava e logo ele me encarou, suspirou e logo em seguida afundou o rosto no meu cabelo, enquanto murmurava algumas coisas.

— Teve uma vez, — disse ele um pouco baixo. — que eu briguei com ele por causa de Debrah. Ele estava certo o tempo todo.

— Ele? — perguntei.

— Eu me senti um inútil quando o vi sendo arremessado por aquele carro e não pude fazer nada. Me senti inútil por não poder acalmar minha irmãzinha e sim ao contrário. — continuou.

— Cast, você não precisa ser forte o tempo todo. — expliquei. Ele saiu da posição que estava e se sentou na minha frente, me encarando com certo remorso.

— Se você abrir a boca para o Nathaniel sobre essas coisas...

— Castiel, você é estranhamente bipolar!

Ele balançou a cabeça de modo negativo.

— Eu ainda estou assustado com tudo isso. — explicou. Eu concordei. Estava tão assustada quanto ele. — Andrômeda, se ele não se lembrar, prometa que vamos fazer com que ele se lembre.

— Prometo.

Eu disse aquilo com uma vontade incomparável. Castiel sorriu e voltou ao seu colchão, mas aposto que não conseguiu dormir, assim como eu. A preocupação nos rodiava como urubus na carne morta. Eu estava angustiada, um lado de mim dizia que tudo ia dar errado, este, estranhamente com a voz da Ambre. Já o outro lado dizia que tudo iria dar certo e que Lysandre e eu viveríamos uma bela história e que tudo foi um susto, esse lado otimista com a voz de Alexy.

A manhã de quinta-feira chegou e eu acordei. Não lembrava-me de ter dormido, mas aparentemente foi quase no final da madrugada. Olhei para o lado, o colchão de Castiel estava vazio. Bocejei e fui ver a hora, mas meu celular não estava no lugar.

Antes de sair correndo pela casa a procura do telefone, me deparei com Castiel. Este já estava com sua típica jaqueta e uma bolsa na mão direita, na esquerda, meu celular.

— O que é que...

— Eu fui na sua casa buscar roupas. — ele explicou me jogando a bolsa que tinha um vestido rosa e um casaco branco, junto de um cinto e uma sapatilha. Ótimo, minha tia estava lá. — Precisei vasculhar seu celular e achar o endereço. Seu pai quase me matou. Sua mãe me ameaçou com uma panela e sua tia foi quem me deu o que precisava. Álias, ela sempre usa aquela fantasia esquisita? E o carro dela é rosa.

Um sorriso sarcástico surgiu em seu rosto. Eu rolei os olhos para aquilo. Era só o que faltava. Castiel me deu passagem e eu sai a passos pesados até o banheiro. Havia acordado com um estranho mal humor naquele dia.

— Não caçoe da minha tia! — eu berrei antes de fechar a porta e escutar um riso.

Me vestir e vi que estava parecendo uma boneca de alguma loja chique. Minha tia mergulhou no limbo do meu closet, mas era isso que tinha por hoje.

Sai do banheiro e desci para a cozinha. Castiel estava colocando ração para Dragon, que parecia feliz com a comida. Olhou para mim e indicou a geladeira. Eu a abri sem cerimônias. Peguei uma jarra de suco de goiaba e manteiga.

— Vamos ver Lysandre? — perguntei meio ansiosa. Castiel se sentou na minha frente e roubou um pedaço do meu pão, mergulhando na manteiga e comendo.

— Leigh ligou. A visita é daqui a uma hora. — falou Castiel. Assenti. Um silêncio tomou conta da cozinha até eu acabar de comer. — Vamos?

— Vamos.

— Ah sim, ainda tem pizza na geladeira, calma ai. — ele falou e retirou uma fatia de dentro da geladeira, comendo em seguida. Eu fiz uma careta. — Que foi?

— Nada. — falei. Ele continuou a comer com vontade a pizza fria.

Fizemos o mesmo caminho. O ônibus e tudo mais. Logo estávamos na frente do hospital. Castiel abria e fechava a mão de maneira nervosa, eu já sentia novamente aquela angústia no meu peito.

Fomos obrigados a preencher uma ficha e logo estávamos prestes a ver Lysandre. Castiel me mandou um sorriso confiante, mas que não foi muito convincente, já que ele mesmo estava super nervoso.

Entramos no quarto e vimos Lysandre. Ele ria de algo que Rosalya acabara de contar. Minha amiga abriu um sorriso ao nos ver, e o olhar de Lysandre pousou em mim e em Castiel.

Ele estava enfaixado. Os cabelos platinados estavam presos e na cabeça havia um outro curativo. Os olhos... ah... seus olhos tinham o mesmo brilho de antes, e ele segurava seu bloco de notas.

— Ei, vitoriano paspalhão. — Castiel fez piada. Lysandre riu e balançou a cabeça negativamente.

— Castiel, você jamais muda. — falou ele. Seu olhar pousou em mim e logo ele sorriu. Sorri devolta, mas essa alegria se esvaiu assim que ele perguntou: — Desculpe... quem é você?

Meu mundo caiu. Senti um soluço sufocar minha garganta. Rosalya me olhou tristonha e Castiel arregalou os olhos.

— Lys, você não lembra da Andrômeda? — Rosa perguntou por mim. Lysandre me encarou como se fizesse muita força em sua mente.

— E-Eu d-deveria? É s-sua n-namorada Castiel? — ele perguntou se virando para o amigo.

— Não cara. Andy é quase uma irmã. Tem certeza que não se lembra?

Ele me olhou por alguns segundos. Eu podia ver o meu Lysandre refletido nos olhos bicolores. Eu podia sentí-lo ali. Porque ele não lembrava? Justo de mim?

— Me desculpe. — falou ele um pouco baixo. Eu fechei os olhos e em um ato infantil, sai correndo dali.

Ouvia os gritos de Castiel atrás de mim. Eu esbarrava em todos nos corredores, entrei no elevador e desandei a apertar o portão. A porta se fechou antes de Castiel chegar. Eu encostei na parede e me deixei chorar com aquilo.

Assim o elevador chegou no local pedido eu sai o mais rápido possível. Vi que havia algumas pessoas conhecidas ali. Nathaniel, Kentin, Armin, Alexy, Melody, até mesmo Nina. Todos me olharam confusos. Eu os empurrei com força para o lado, as lágrimas caiam desesperadamente.

— Andy! Amiga! — Alexy berrou, mas eu já havia saido correndo denovo.

Eu não sei quanto tempo eu corri, mas estranhamente parei na frente da casa da minha tia. Em um intuito desesperado, toquei a campainha inúmeras vezes. Ela me surgiu com pompons na cabeça e logo que me mirou, seu rosto se tornou preocupado.

— Querida, o que aconteceu? — ela perguntou e eu a abracei, soluçando desesperada.

— Tia, eu sou uma constelação apagada. Uma constelação esquecida. Me ajude, por favor.

Notas finais
Gente, a sessão de drama tá acabando, calma. U-U Eu gostei muito de contar a relação do Castiel com a Andy, pois ela vai ser importante no futuro. Quero saber o que acharam. Cumpram o objetivo! Acompanhem! Favoritem! Comentem! E desbloquem o novo capítulo: A Ala Proibida. Um beijo e até o próximo capítulo! :3