E Eu sou o Amor da Sua Vida?
30 Um Pesadelo Exótico (parte.2)
Notas iniciais
Victor
Mesmo que desse para ver só do canto do olho, já era uma coisa.
Os amigos de Luco pareciam ter gostado da frase emitida pela nervosinha.
—E quem ele é? – Todos eles tinham a mesma tonalidade de cabelo; estavam desbotados; ou era castanho claro, ou loiro claro ou loiro escuro; independentemente de estar desbotado; seus cabelos estavam muito bem hidratados e isso era o mais incrível. Dou os meus parabéns aos cabeleireiros deles.
O garoto que perguntou quem eu era, tinha os olhos muito claros, algo como da cor mel; e assim como o cabelo castanho claro, estava hidratado e bem penteado. Ele tinha um nariz “perfeito” cara...
—Esse é o Calouro minha gente. – Disse Luco batendo em meu peito com uma mão e com o outro braço segurava o meu pescoço.
—Ele é brasileiro. Embora ele não deixe de ser do primeiro ano; de fato. E o nome dele não é Calouro; é Victo. – Disse a nervosinha; eu não sei como ela pronunciou o meu nome sem o r. Mas, ficou muito estranho.
—É Victor... – Murmurei corrigindo ela baixinho.
—Então; agora; todo mundo vai se apresentar numa boa. Quem começa?
—Tudo bem, tudo bem... O meu nome é Stefano Rissi. Eu nasci na província de Nápoles, na Itália. – Disse o cara do nariz perfeito. E em seguida todo mundo ficou quieto.
—Não vão se apresentar não? Que isso... ou eu vou ter que apresentar vocês?
—Tá bom. Ok dunn. – Uma garota de cabelos loiros escurecidos e olhos castanhos claros que estava sentada do lado da nervosinha se mexeu. – O meu nome é Verônica Doyla. – Ela pausou. – Eu tenho que falar onde eu nasci?
—Obrigatório. – Falou a nervosinha de braços cruzados
—Blitz und donner! – ela resmungou imagino que ela disse que era obrigatório o lugar porque teve que falar. – Eu nasci em Leipzig, no estado da Saxônia; na Alemanha. – Ela me encarou. – Vai falar que eu sou nazista?
—Não... Que isso... – Ela me parecia um pouco chateada. Alguém já deve ter chamado ela de nazista. – Na Alemanha tem muita cerveja; não é? – Ela me olhou confusa.
—Aan... Sim. – Luco puxou e me sentou em uma cadeira na mesa em que eles estavam sentados. E sentou do meu lado. Ainda com o braço em volta do meu pescoço.
—Próximo? Eu vou escolher.
—Próximo... – O garoto de cabelos castanhos claros e olhos castanhos escuros, que estava sentado na ponta da mesa, parecia estar com olheiras, não muito diferente dos outros. – Me chamam de Antonie Mengoni; esse é o meu nome. – Ele sorriu. – Eu também nasci na Itália; mas, em Milão.
Eles não falavam francês; parecia português, mas, não o português-brasileiro, parecia o português de Portugal, com o sotaque deles. Ás vezes eles falavam francês entre si, mas, imagino que eles falavam mais português porque, muitos alunos como o grandão, o professor Guilherme, a gaúcha; eram pessoas de interesse; ou seja, eles falam o português porque tinha pessoas “importantes” que falam português. E outra, alunos do mundo todo estavam ali; eles iam ter que aprender novos idiomas uma hora ou outra. Eu ainda estou aprendendo francês; mas, sei um pouco de inglês. E eles; falando vários idiomas deixava mais claro para mim que aquilo era poder.
—Não faltou ninguém? – Perguntou Luco quando uma outra garota de cabelos pretos levantou a mão; dessa vez eles pareciam pretos naturais; digo isso porque os dos outros pareciam que foram descoloridos, o dela não.
—Eu. Joana di Blanco.
—Uau. – Resmungou a nervosinha. – A antiga namorada do Silva mais novo. Que surpresa!
—Grande coisa. – Joana respondeu. – Ele não é nada demais. Tenho dó de quem namora com ele. – Eu também Joana.
—Joana di Blanco; é um prazer ter você aqui. – Falou Stefano. Luco concordou. – É sempre bom ter pessoas novas para fazer amizades.
—É obrigatório falar onde você nasceu! – Falou Luco.
—Ah; eu nasci em Guadalajara; México.
—Latina? – Perguntou Pan. – Você é da Americana Latina?
—Sou. – Joana me pareceu exibida demais. – Algum problema?
—Bom; — Luco novamente deu um agudo chamando a atenção para ele. – Ainda falta eu, Luco Seward da terra do tio Sam. –Estados Unidos? O maluco é americano? Mas, nem sotaque ele tem, mas que bizarro. – E você Calouro? É de onde?
—Bom... – Comecei, — Primeiro que meu nome é Victor Azevedo. Eu nasci no Brasil, no estado de São Paulo.
—O Brasil deve ser legal. – Comentou Antonie. – O amor da sua vida não é de lá Luco? – Houve uma pitada de malicia e Luco ficou vermelho de imediato. –do onde ela é mesmo?
—Do Brasil! – Falou Luco nervoso. Meio chateado, meio nervoso. – Não quero falar disso agora... – O amor da vida dele era Katherynne; e se...
A gaúcha estava fugindo dele.
(...)
Se ela estava fugindo; tinha um porque dele não querer tocar no assusto. Ele queria vê-la, mas ela não. Aliás, ela tem namorado. E é muito mais legal do que o grandão e o Guilherme. E digamos que Luco é um pouco escandaloso; chamando sempre a atenção para ele, sem se preocupar com nada. E nem ninguém. Tão... quase igual o exótico.
Bem parecidos. Em pontos. Chamando a atenção para si.
—E de onde conheceu esse “calouro”? – Perguntou Stefano mexendo em seus cabelos. Foi nessa hora que ele soltou o meu pescoço e eu tomei ar e estralei o meu pescoço. – Como foi?
—Essa é a melhor parte... Na rua do colégio.
—Como assim? – Perguntou Antonie –Queremos detalhes. O máximo possível se puder.
—Mas, eu nem terminei de falar. – Ele apoiou os cotovelos na mesa. – Como a Pan disse; a Mikaele deixou o coração dela com ele. Foi ali que eu encontrei ele. Eu estava esperando o movimento de alunos e vi a melhor trombada do ano. – Ele riu.
—Você trombou com a Mikaele?
—Bem. Foi um acidente. – Disse devagar. – a gente se esbarrou, mas, ela ão me deixou cair.
—Quase se beijaram. – Coloquei a mão no rosto, ele estava queimando.
—Não foi isso não. –Castigado eternamente por causa disso.
—Tão deslocado quanto nós. – Antonie me olhou de cima a baixo. – Assim, do nada, se envolvendo com a Mikaele... Sem medo do perigo, tsc. Como se o Silva Terceiro fosse perigoso.
—Ele quebrou a mandíbula do Armin. – Falou Joana de braços cruzados. –Acho que foi o único momento que.
—Quebrou a mandíbula dele? – A pergunta veio em coro.
—Calouro; — Luco me deu uma cotovelada. – Porque você não me falou que foi o Cainan que quebrou o queixo dele.
—E aí? – Perguntou Verônica. – O que aconteceu?
—Sabe como é o Armin né? –Eles reviraram os olhos.
—Ilustríssimo Armin Rowell. – Falaram juntos.
—Isso mesmo... Ilustríssimo; ele deslocou e quebrou o braço do Cainan.
—Oh! – Stefano deu um sorriso desacreditado. –Eu não tô acreditando nisso. Porque?
—Porque ele beijou a Mikaele. — Sussurrei baixinho, Luco me olhou de canto e acenou com a cabeça. Só ele tinha ouvido o que eu tinha dito.
—Porque Armin beijou a Mikaele na frente do Cainan. – Disse Joana no tom mais sereno do mundo.
—Que corno. – Falou Antonie rindo. –Toma Silva! – Acho que ele falou um pouco... ele falou alto. Mas, ninguém se exaltou do outro lado.
A mesa em que estávamos sentados era praticamente bem perto, quase colados com a da de Elite. E qualquer voz um pouco elevada era possível ouvir. E como não houve tumulto... Ou eles fingiram que não ouviram, ou não se incomodaram, ou não ouviram mesmo.
—Agora você é corno duas vezes Antonie... –Falou Verônica e Antonie revirou os olhos.
—A gente fica fora um tempo e esse tipo de coisa acontece... – Disse Pandora. – O que mais aconteceu de bom? Ou... Mau? – Eles começaram a rir. E daí eu me senti deslocado, completamente fora do meu círculo social; com estranhos, com certeza mais velhos, que davam problemas e que adoravam criar casos. Foi aí que Luco colocou o braço envolta do meu pescoço.
—Tá cansado é Calouro? – Acenei positivamente bem devagar. – É confesso que nós cansamos mesmo. Mas, eu acho que já te apresentei para todo mundo que eu tinha que apresentar.
—Não! Tá faltando ainda.
—Sim; está, mas hoje ele está cansado e ele é um calouro bem novo. – Ele me olhou de cima a baixo. – Quantos anos você tem mesmo?
—Treze.
—TREZE? Rapaz, tu tens treze anos? –Luco pareceu surpreso e se afastou um pouco. – Por você não(...)
—Você nunca perguntou.
—Verdade. – Pandora colocou a cabeça no ombro e a mão no queixo. – Ele não tem a idade do amor da sua vida?
—Para de falar dela! Isso não é justo! – Eles começaram a rir. – Você vai jantar? – Neguei bem devagar. – Certo... Ignora o que eles estão falando.
—Tá bom. Eu tenho que ir para o meu quarto, estudar (...)
—Eu gostei dele. – Falou Stefano. – Sério; você podia andar com a gente. De verdade. Ele pode?
—♫Não sei♫. – Disse Luco em forma de canção. – Você quer?
—Mas, a gente não tem nada para fazer. – Disse Pandora.
—Mas, nós somos um círculo social e o Luco fica mais calmo com ele do lado dele. – Meu Deus, ele é mais agitado que isso? – Ele fazia companhia para o Luco; então já é uma coisa. Luco é péssimo em fazer amigos. – Stefano dizia. – Mas, é só se puder... Primeiro ano, é em puxado, se puder bem; se não...
—Não estou te obrigando. – Falou Luco, claro; das últimas vezes foi tudo obrigatório. – Mas, você é legal. Segura. – Ele tirou uma barra de chocolate do bolso e me deu. – Pra não ficar com fome. –Em seguida ele se aproximou e sussurrou no meu ouvido. – “Conta para a Katherynne que eu quero falar com ela. ” Dá obrigado!
—Merci. – Me despedi deles e em seguida sai. – Foi um prazer.
...
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O poder para mim agora tem outra forma. É confuso, estranho, tumultuado e, incomoda. Mas, eles têm um jeito muito único de conversar; uma língua única. Um idioma individual; é só deles; como se estivessem ligados. Não tem como não se sentir fora da casinha, boiando no mar, sozinho; mas, ao mesmo tempo que eles fazem isso, se juntam. Parecem como mosqueteiros... Enquanto eu subia os degraus eu ficava pensando; porque Luco cismou justamente comigo?
Daí eu me lembro que quando eu me encontrei com ele, nas duas primeiras vezes, eu estava brigado com o Leo, portanto eu estava sozinho. E obviamente ele também estava sozinho e como um com um, forma dois; ele achou que eu não tinha amigos. Não só achou, ele viu que eu não estava com ninguém.
Mas, de um todo não era ruim estar com eles. Confesso, eles estavam sentados quase do lado da mesa de Elite para peitar eles, era um duelo; tipo; os incomodados que se mudem. E eles estavam ali; mesmo que todo mundo odiasse, eles estavam ali. Para o bem ou o mal. Independente...
Eles conheciam algumas pessoas, tanto que se divertiram com o fato do exótico ter quebrado o braço do Cainan, e... É de fato curioso, não minto. Eles devem já se conhecer, á muito tempo; só pelo nível de intimidade que eles tinham entre si.
E de saber que Joana já foi namorada do Cainan. Ou seja; quando ele e Mika começaram a namorar, eles ainda estavam por aqui. Mas, e depois? Para onde eles foram? Porque “ficar um tempo fora” significa quanto tempo? Eu subia os andares pensando nisso e revendo as coisas sem entender, mas, querendo muito entender. Enquanto eu subia até o quarto andar ouvi vozes, e comecei a andar mais devagar.
Nossa, o Cainan deve ter ficado muito irritado contigo.
Não ficou, ele não queria ter outro braço quebrado; porque dessa vez, ela pode escolher. Pela primeira vez!
Alguém escolheu...
Ele não vai machucar você; ele nunca faria isso.
.E se você machucar ela?
Não sou um monstro; muito menos sou cruel.
Ao menos vai cuidar dela.
Claro que sim. Eu sou tipo... Tá ouvindo?
—Guri? – A gaúcha estava na ponta da escada com algumas roupas nos braços, conversando com o; exótico.
—Kathy! Oi! – Ela coçou a cabeça de forma impaciente.
—Eu falei o que? O que eu te falei? Que eu te preocuro... Não que.
—Eu te achei. – Disse rápido. – Eu não estava te preocupando estava indo para o meu quarto(...)
—Ele falou o que pra você? – Ela parecia em irritada. Estressada na verdade.
—Quem?
—Luco Seward. – Disse o exótico. – Eu vi vocês conversando. – Eu travei.
—Aan... Tá. Ele disse que, queria falar com você mais... Eu não sabia onde v.
—Mas, você está andando com eles! Eu não acredito nisso Guri!
—É que... Ele me puxou pelo pescoço e. – O exótico falou me encarando. Depois de me olhar de cima a baixo estreitou os olhos. De novo, ele bem ali na minha frente.
—Eih; você é do andar do Cainan, o inteligente; que falou que as coisas que o Monitor fala não são da sua conta. A resposta mais...
—O que? Não! Armin; ele é do mesmo andar que eu. Do mesmo andar que a Mika e agora o andar que é do Luco.
Ai... Meu... Deus...
—Sério? – Meu rosto queimou quando o exótico me erguntou. Ele não gritou, mas, só o fato dele ter se lembrado de mim e o fato dele estar perguntando se era serio já me deixava assustado o suficiente. –Pronto... Você lembra o que eu falei para você? – Ele ainda me encarava com aquela leve expressão de analise, de curiosidade; e portegia a gaúcha, para que eu não pudesse chegar perto dela. Por causa do... Luco?
—O que? Tipo, eu...
—Eu falei que o seu Monitor... O Monitor do 5º andar não era um cara que devia se proteger e que ele devia ser vigiado... Lembra? – Cara ele tem uma memória muito boa.
—Lembro.
—O conselho vale para o Luco. E toda aquela turma; equipe dele. Parece que toda vez que eu te vejo eu tenho que dar um conselho. – Ele não parecia irritado, mas, sim, preocupado.
—Fica calma Armin; o Guri é novato. Ele é legal; mas, n
—Eu tô calmo, aquela turma só causa problemas; não se pode andar com eles, muito menos se confiar neles; você me entende?
—Eu... – Queria concordar, queria discordar, eu só queria, passar e ir para o meu quarto.
—Engraçado você dizer isso Armin Rowell; você deixou de ser da minha equipe, da nossa turma? – Uma risada e aquele sorriso assustador. – Olá Katherynne; minha galáxia na terra.
Luco. Luco Seward.
Ah não...
Isso não tá acontecendo comigo. Na verdade, não devia estar mesmo acontecendo. Se o Leonardo estivesse aqui, isso não estaria acontecendo comigo. Ou estaria; mas, eu teria ele para me proteger.
Mas, se eu quiser poder, devia conquistar sozinho, certo?
Ah e se eu estivesse errado? Como sempre eu estou errado.
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