E Eu sou o Amor da Sua Vida?
40 O Lado Errado
Notas iniciais
Mika
A noite anterior foi um completo show de horrores. Como se as portas do inferno tivessem sido abertas, e em alguns instantes os Coloré estavam ocupando a mesa de Elite para o jantar, enquanto os que ocupavam o lugar tiveram que sair da mesa após uma grande discussão. Françoise foi chamado, Armin apareceu junto com ele e com outros representantes mais velhos. E por fim; eles venceram! Pareceu uma reviravolta de novela mexicana; porque o destino foi realmente ou muito cruel, ou muito sacana.
Alexandra, Shin, Andréia, Cainan, Pierre entre outros convidados “privilegiados” da mesa de Elite saíram numa boa; obviamente depois de um longo bate boca. E posso dizer que depois do show que foi a briga do Cainan e do Armin; a rebelião deles foi quase no mesmo patamar. Só que ninguém saiu no soco, se machucou ou foi para o hospital. (Que dia horrível, eu começo a tremer só de lembrar.)
E naquela manhã, o fato é que não estava sendo suportável ficar no refeitório. Mas, como estava frio, todo mundo foi obrigado a tomar café lá mesmo, sendo uma barulheira ou não.
Maxwell Prarton; o americano da Geórgia, do 6º andar
Audrey Tenniel; a polonesa de Cracóvia, do 5º andar
Jay Amajiki; o japonês de Osaka, eu não sei ao cerro seu andar.
Óbvio; com Joana Di Blanco; a mexicana de Guadalajara.
Micha-Lang; a coreana.
As ternuras:
Antonie Mengoni;
Conrado Sazaki;
Dégel Rosseau;
Luco Seward;
Pandora Hackbart;
Stefano Rissi
Verônica Doyle.
E infelizmente Victor Azevedo.
Eles eram os novos Colorés.
—Precisaram de seis novos membros para substituírem o Armin? – Lafayette perguntou com uma cara e uma voz de deboche. – Poxa... Ninguém substitui Armin Rowell.
Eu estava dividida. Não podia ficar com Simone porque, seria traição com Kathy. Se ficasse com Kathy seria traição com Armin que ficou do lado de Simone. Então estava sentada com Lafayette e Niedja naquela manhã. E estava por um momento tudo bem. Kathy não apareceu para o café da manhã depois do beijo que recebeu de Luco. Niedja ainda estava muito confusa com o assunto das cartas, e como conversamos, poderia ter sido só um pretexto para dar início à toda a confusão de ontem.
—Como ele tá magro. – Niedja disse olhando para a mesa de Elite, que nomeamos, mesa Coloré. – Não que ele fosse gordo antes; mas... Está magro! Será que ele conseguiu sobreviver bem fora da França? De Paris? Longe da família, porque ele não deveria ir para longe, ele é francês!
De fato. Uma grande verdade! Eu apaguei esse fato da minha mente, como foi que Dégel foi despachado da França se ele nasceu aqui? Essa era a nossa preocupação. Perder a nacionalidade? Como? Porque? Céus.
—Dégel só nasceu na França. – Lafayette nos interrompeu, enquanto comia sua torrada. – Ele cresceu na Irlanda e viveu na Itália. Vocês esquecem desses pequenos fatos. – Antes que pudéssemos retrucar, alguém se aproximou da nossa mesa.
—Olá Medeiros. – Era Dégel. E sua voz estava estranha, parece que ele ficou muito tempo sem falar. Nieh se afastou dele, eu fiquei na defensiva, qualquer coisa eu ia pra cima defende-la. – Como você está? Como esteve todos esses anos?
—(...)
—Bem; confesso que fiquei bem desanimado de ter saído do programa de Artes. Por uns instantes fiquei pensando que você tinha saído do programa também. Você não me respondeu. Então descobri que você estava namorando e fiquei muito chateado!
—Desculpe, não entendi.
—Foram 4 anos (...) Quantas cartas minhas?
—Dégel, eu não sei do que você está falando. Eu não recebi nenhuma carta sua. E bem; – Ela olhou para o lado. (...) E quando ela olhou para o lado, eu já sabia que ela tinha se entregado ali mesmo. – Não poderia escrever sem um endereço ou... Bem, não ia escrever.
—Como não recebeu? – Ele pareceu entre chocado e revoltado.
—Não recebi. – Dégel respirou fundo e sorriso em seguida passando a mão nos cabelos. – Rosseau está tudo bem?
—Não. Não está tudo bem! Eu não escrevia cartas nem para meus pais. Como você não recebeu suas cartas?
—Elas podem ter sido extraviadas. – E antes que Dégel fosse para cima de Nieh, para confronta-la sobre as cartas, Armin apareceu na frente dele o encarando fixamente.
—(...)
—(...)
—Perdeu alguma coisa, imigrante? – Dégel perguntou devagarzinho observando a pose de Armin.
—Senhor, pode deixar a senhorita em paz? Pode parar com seu show. – Tínhamos um pouco de noção que Dégel não partiria pra cima de Nieh, mas, preferimos prevenir. – Imigrante foi um apelido grosseiro que vocês arrumaram para me prejudicar?
—Hãn, lógico que não. Nem tudo é sobre você Rowell. – Ai, essa doeu em mim. Porém, ele se manteve firme. Dégel estreitou os olhos e em seguida deu um sorriso. – Luco disse que mal pode esperar para ver você de novo de volta ao grupo.
—Avise a ele que eu não irei voltar.
—Mas, você vai. É uma afirmação, não é um comentário vazio. – Ele em seguida olhou para Niedja. – Procura direitinho, eu te escrevi muita coisa. – E ele se retirou silenciosamente, assim como chegou. Armin se virou para Nieh em seguida e relaxou os ombros.
—Você está bem?
—Eu não sei se estou bem. – Ela respirou fundo e se recostou na cadeira afastando-se da mesa. –Não sei se eu deveria estar bem; Dégel não me parece bem e.
—No que exatamente ele não te parece bem? – Armin ergueu uma sobrancelha e Nieh mordeu os lábios. Céus, não. – O que te incomodou?
—A voz dele, a voz está como rádio pifado e.
—Opa, opa; o que eu perdi? – Kathy já chegou perguntando e puxando uma cadeira do lado de Lafayette. – Ah! – Ela observou Armin por alguns segundos. – Você está compactuando com esse ser? – Ela me encarou.
—O Armin estava conv. – Ia explicar que ele estava conversando com Niedja.
—Não fale o nome desse traidor na minha frente.
—Katherynne estou bem aqui. – Kathy tampou os ouvidos. – Mateus poderia ter escolhido ficar com você. Não é o que uma pessoa falou, que vai mudar as coisas entre vocês a não ser que já tivesse inten.
Tap.
(...)
Todo o refeitório parece que automaticamente ficou em silêncio depois do que posso classificar; o tapa que Kathy deu no rosto de Armin. Eu entrei em choque encarando aquela situação de boca aberta, sem saber o que fazer. Porque além de minha amiga, ela é residente do meu andar, e Armin é meu namorado. Comecei a pensar em coisas que eu deveria ter dito, como repreende-la ou brigar com ela, mas, toda minha linha de raciocínio foi impedida.
—Que tapa bem dado! – Berrou Pandora; e foi nesse momento que todo o som parecia ter voltado.
—Katherynne! – Gritei a encarando sem entender nada. – Qual é o seu problema?
—Qual é o meu problema? É sério? Você está me perguntando qual é o meu problema? Você esqueceu? — Kat
—Bate mais minha galáxia! –Luco berrou em seguida.
—Sua galáxia o caraio! – Ela berrou de volta. Ela estava furiosa. Mas, foi uma coisa tão do nada. – Você se acha o rei de Nova York. – Ela começou a se aproximar da mesa de Elite. Poha Katherynne, o que você tem? Eu, Nieh, Cainan, Shin e Armin ficamos esperando para ir correndo até a mesa de Elite; mas, na verdade não precisávamos esperar para tirá-la dali. No fundo também queríamos saber o que ela ia fazer. – Mas, você lhe dizer uma coisa, você está em Paris, e eu já estou farta desse sorriso imbecil.
—Sei que prefere o daquele Mateus, porém, o meu é mais bon. – Ele foi interrompido.
—Eles terminaram. – Joana falou tranquilamente comendo sua maçã, esperando para ver a reação deles. Kathy ficou paralisada enquanto os outros tampavam a boca desacreditados e Luco abriu um largo e assustador sorriso.
—Porque não namora alguém como eu? O seu bem nascido favorito...
—Seu desgraçado! – Na mesma hora que ela foi pra cima dele, nós fomos atrás dela.
—O desgraçado que você ama beijar!
—Kathy não! – Alguém gritou e não resolveu muita coisa.
Se eu dizer que pareceu uma cena de guerra, exército contra exército; não estou exagerando. Porque os Coloré também não deixaram a gente se aproximar tão fácil dos dois tão fácil. Só sei que nossa semana estava sendo uma tormenta. E era apenas manhã de terça-feira.
*
—Que inferno! – Armin exclamou enquanto colocava uns livros na estante e outros caíram no chão com tudo. Ele estava perto do meu balcão, onde eu estava adicionando alguns livros no sistema. – Uff. Droga!
Nós não tínhamos nos falado direito desde o tapa que Kathy deu nele. Até porque em seguida ela foi pra cima de Luco; e só depois de conseguir arranhar a cara dele e puxar uns cabelos, Françoise apareceu junto com a Sra. Nills, a diretora; que ninguém fazia ideia que estava no dormitório na hora. Quando os ânimos se acalmaram, após um grande discurso, Katherynne, Luco e EU (por ser Monitora de ambos) estamos em um tipo de detenção no fim de semana. Poderia dizer que Joana também teve culpa; mas, fiquei quieta observando a postura rígida que Armin fez, quando ela começou a brigar om todo mundo.
—O que eu poderia te dizer? – Ele me olhou surpreso e parou de pegar os livros do chão. – Não te defendi da Katherynne.
—Ela estava furiosa, deixa ela. Ocorre. – Revirei os olhos.
—Você tem quinze minutos de intervalo?
—Tenho vinte e cinco. Por? – Ele estava tão lindo; sua bochecha ainda estava um pouco vermelha, o tapa ainda era visível, que força.
—Se importa de tirar quinze minutos para conversarmos? – Armin olhou para o lado e esperou um pouco e levantou a mão.
—Ici! Quinze minutes. – Aqui! Quinze minutos. –Se rompre!— Intervalo! – Eu pequei na mão dele e saímos de dentro da biblioteca.
Havia uma passarela que conectava as quatro torres da biblioteca, ia até a esplanada publica que dava uma escada comprida que ia em direção ao rio Sena. Chegando na escada sentei nos primeiros degraus. Independente se estava frio, ou com um pouco de neve, fiquei olhando para o rio; ele não estava congelado, mas, devia estar muito frio.
—Você vai ficar sentada aí? Está frio. Gelado... – Ele passou a mão nos meus cabelos. – Você odeia o frio. – Sim, eu odeio o frio, e o modo de como estou sentada não me mantem aquecida. – (...) Você está bem? Está tudo bem?
—Está errado o modo de como nós estamos namoramos? – Ele respirou fundo e sentou-se do meu lado colocando o braço em volta do meu corpo.
-Talvez... Eu não sei, o que você acha?
—O que eu acho?
—Já namorou mais do que eu. – Ele olhou para o rio e depois pegou a minha mão. – Tem algo te incomodando? Você precisa me falar. Se eu estou fazendo algo errado, eu preciso ter uma noção e.
—O tapa.
—Ah! Ela estava nervosa, ela perdeu o amor da vida dela; ela está com raiva da Simone, de mim, do Luco... – Ele beijou a minha mão. – Na verdade, por um momento vai ser mesmo um pandemônio. – O olhei fixamente.
—Não quero mais ser profissional.
—O que?
—Nosso namoro. – Ele me olhou ainda sem entender. – Sei que você me entende.
—Mas...
—Não é possível que eles vão me prejudicar. Armin; Seward e Kurz brigam todo dia.
—Todo dia?
—Não todo o dia; mas, você entendeu... – Ele olhou para cima. – Não estamos em um palco para interpretar que não estamos apaixonados um pelo outro. Tirei minha mão das dele. – Se não quer namorar direito, não sei porque me pediu em namoro. – Armin respirou fundo e passou a mão no cabelo.
—Não quero que você seja prejudicada. – Ele fala como se, o modo de como todos nós estamos ferrados nas mãos dos Novos Colorés fosse menos importante.
—Por favor senhor Rowell; eu sei me defender. – Ele me olhou surpreso e segurou em uma mecha do seu cabelo. Ele puxou para trás o próprio cabelo como se estivesse pensando em algo. – Você quer encerrar esse ato e finalizar a peça?
—O que? Não! Lógico que não! Eu... – Ele segurou os cabelos com força. – Eu não sei se o que estou fazendo é certo. – Eu abri a boca para argumentar. – Só sei que eu sempre quis ter você na minha vida. E sei que estou fazendo errado. – Eu ri.
—Muito errado. Pra começar, você vai soltar esse cabelo. – Toquei na mão dele. – Vai olhar nos meus olhos e me dizer porque tem medo, de eu ser prejudicada. – Ele em seguida soltou o cabelo e coçou o nariz.
—Lembra da vez que eu e Silva brigamos? Guilherme disse que eu era um “aluno currículo quase manchado”, no caminho para o hospital, ele disse coisas como “Mikaele é uma aluna exemplar e deveria ficar com alunos exemplares. ” – Não acredito que Guilherme disse uma coisa dessas. – Ele disse que qualquer má companhia iria manchar seu currículo magnifico.
—E?
—E? Aqueles caras podem estragar a vida de qualquer um. – Armin começou a mexer as mãos. – Kathy vai ser muito prejudicada se não souber se controlar; e outra, eles agem no silêncio.
—Não, é para tanto. – Ele passou a mão no rosto.
—É mais do que pra tanto. Eu ensinei eles a fazerem isso! – Hesitei um pouco. – Eu não duvido nada de que quem forçou a Simone a pedir pro Mateus terminar com a Katherynne não foi o Luco.
—Isso seria diabólico.
—Esse é o lado errado. O lado que deixou meu currículo “quase manchado”; manchado por um tempo. – Ele se levantou e em seguida me ajudou a levantar. – Nós éramos o lado errado, e eu nem sei porque. Aprendemos e ensinamos coisas horríveis para nos safarmos. – Ele revirou os olhos. – Como eu era cruel.
—(...) E agora? – Ele me encarou. – Você ainda é cruel?
—Eu não quero dar motivo para eles estragarem a sua carreira; sei que eles vão tentar isso comigo, mas, não quero que seja contigo.
—E o que te faz pensar que eles fariam algo comigo? Porque é muita sina...
—Hãn, porque você é especial pra mim! E.
—Rosseau disse que nem tudo é sobre você Armin! – Ele deu um passo pra tras. E eu nem gritei, ou elevei a voz; apenas falei. – Significa que dessa vez pode estar tudo certo.
—E se não estiver? O que eu vou fazer eu...
—Você confia em mim, me abraça, e juntos enfrentamos as coisas. – Ele me abraçou em seguida, beijou o topo da minha cabeça e pude ouvir seu coração bater. – Talvez só dessa vez não seja uma vingança. – Ele sorriu.
—Você está ficando com um Ícaro, que está chegando perto demais do sol. – Ele colocou a cabeça sobre a minha.
—Eu sou o raio solar sr. Ícaro.
—Certo sol. – Ele disse me beijando suavemente. – Vamos ser um casal normal.
—Merci.
—Mas, aos poucos. Eu não confio no Rosseau; assim como eu sei que eles não confiam em mim.
—Desde que ocorra; por mim, tudo bem. – Ele me abraçou tão forte que tenho certeza que passamos de quinze minutos. E mesmo que ele não tire a ideia desse “profissionalismo”; ao menos sei que há um lado errado dele, que Armin se arrepende.
E a única coisa que me preocupa, é que Victor está indo pelo mesmo caminho. E não parece nem um pouco assustado. (...) É como se Luco fosse Charles Manson, formando aos poucos sua “Família Manson”. Eles não são assassinos, mas, o modo que se reúnem e agem, é assustador.
—Você sabe que Kathy está furiosa contigo, certo?
—Tenho noção disso. – Nós demos um selinho e eu sorri. Eu nunca estive tão bem como estava naquele momento.
Naquela noite eu como Monitora do 4 º junto com os outros monitores, nos reunimos em uma das mesas de canto e conversamos (apenas eles conversaram, eu apenas ouvi) do que fazer com os Novos Colorés. Que não era justo eles ficarem com a mesa mais privilegiada do refeitório, e não serem nada de mais, além do grupo que estava incomodando todo mundo.
—Não posso reclamar. – Protestei. – Eu não estava sentando na mesa já fazia um bom tempo. Então, pra mim não tem muito o que fazer.
—Não quero discutir com eles. – Andréia falou calmamente. – Só que é indignante termos que sair da mesa igual cachorro com o rabo entre as pernas. Foi humilhante.
—E irritante. – Resmungou Cainan.
Não havia muito o que fazer, eles não iam sair dali, e como a Sra. Nills disse de manhã: “Se houver outra briga, vou separar todo mundo, como, ainda não sei mas, vou.”
Ou seja, eles iriam ficar quietinhos ao máximo, brincando só entre eles sem provocar ninguém. Simplesmente eles tinham que entender que perderam, e não podemos fazer nada a respeito até as férias de verão. Ou seja, o fim do ano letivo.
**
Essa última semana foi entre trancos e barrancos. Eles não brigaram mais feio; mas, o prato voou contra Luco uma vez e um talher foi contra sua testa ao menos duas vezes. Porque ele sabia como provocar Kathy, não precisava de muitas palavras, uma frase já era o suficiente. Então no fim de semana, enquanto estávamos na sala de detenção, que ficava perto da secretária no 2º andar.
Eu estava colocando meu dever em dia, enquanto Kathy e Luco estavam a uma fileira de distância do outro, ela lia um livro, ele fazia desenhos. E só havia nós três na sala; esperando dar 45 minutos.
—Mateus não sabe mesmo o que perdeu, hein. – Luco murmurou baixinho.
—Não fala com ela! – Disse sem olhar para ele.
—Isso não te interessa em nada! – Kathy gritou sem olhar para ele.
—Não retruca com ele. – Falei ainda concentrada na minha lição.
—Claro que interessa... Minha galáxia está solitária e
—Para.
—Eu não preciso de você para nada.
-Parem! – Bati na mesa e me levantei os encarando. – Estão parecendo crianças da 3ª série! Ela não quer falar contigo, Seward! Para de dar ibope pra ele, Kurz! – Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos. Então eu me sentei novamente. – A coisa ideal a se fazer seria pedir desculpas por ter beijado ela sem consentimento. – Luco riu.
—Armin te pediu desculpas? – O olhei sem entender. – Fiquei sabendo que ele te beijou sem o seu consentimento também...
—(...) – Filho da puta; como ele soube disso? Ah, óbvio, os outros alunos podem ter contado. – Você vai pedir desculpas?
—Se pede desculpas quando se está arrependido. E eu não estou arrependido.
—Mas, é uma plebe mesmo. – Kathy resmungou e Luco sorriu; assustadoramente. – Que inferno! Já deu 45 minutos? – Olhei no celular.
—Falta 27 min.
—Foda-se! – Kathy se levantou e saiu da sala batendo a porta com tudo. – Eu tô estressada; e é sábado! – Eu enfiei minha cara no caderno, respirei fundo, ela não poderia se deixar levar pelo que Seward dizia.
—Eu acho que também. – Fiz um gesto para ele parar ainda com a cara no caderno.
—Não! – Eu o encarei. – Você vai esperar aqui, comigo, dar os 45 minutos. E não vai atrás dela. – Luco riu. – Não estou brincando.
—Tá certo, está certo! Eu não vou atrás dela. E. vou esperar até dar os 45 minutos contigo...
—Em silêncio! – Ele acenou e fez o gesto de passar o zíper na boca. Por 27 minutos, ninguém falou nada, aliás, eu não estava com pressa de ir embora; era fim de semana e Armin estava como no anterior, ocupado no palco do teatro.
(...)
Se houvesse um prêmio por fim de semana mais demorado, esse ganharia; e para nenhuma surpresa, Armin não saiu do seu “profissionalismo”, eu queria muito poder andar de mãos dadas com ele e que independente de tudo soubessem que estávamos juntos. Se esse não era o objetivo dele, não havia um sentido para eu chamá-lo de namorado, ou pensar nele dessa forma. Se ele me pediu em namoro, foi porque me ama, não é possível que seja apenas para que eu não fique com outras pessoas. Na verdade, é bem possível, agora não posso descartar que Armin possa ter planejado isso sim. Que bela mente criminosa ele seria...
Em compensação com o fim de semana, a semana passou voando, mas, não foi muito diferente da última semana, Kathy estava um pouco mais nervosa, descobri o motivo por coincidência; Mateus se mudou de Perpignan, mas não sabemos aonde ele foi, ele conversou com ela na última semana mandando ela ficar calma e foi aí que ela explodiu.
Quando chegou sexta-feira, estava um pouco nervosa, era sexta-feira 13, o dia correu suavemente, as aulas calmas e o trabalho tranquilo; mas pra mim, quando a esmola é grande, o santo desconfia.
Primeiro que Armin pediu para sair ás 16hrs, não ás 19 como sempre fazíamos, e ele não atendia o celular, então eu me preocupei; ele estava estranho nessa semana, puxando os cabelos direto, como se fosse arranca-los. Eu tive que tocar na mão dele mais vezes do que segurava as minhas próprias mãos. Não sei se ameaçaram ele, se disseram algo... Sensação ruim, que se chama. Quando cheguei no dormitório peguei o celular para ligar para Armin, mas, ele não atendia; eu tenho problema no coração! Ele sabe disso! Troquei de roupa rápido, e comecei a pensar onde ele poderia estar, mas, nenhum lugar ainda fazia sentido. Onde ele poderia estar que era escola, teatro ou na biblioteca ele não estava...
—Como está? – Fui surpreendida enquanto estava descendo a escada. Deixei meu celular cair, mas, ele não chegou ao chão. – Ops.
—Ah! Max! – Coloquei a mão no peito e em seguida peguei meu celular. – Não me dê esses sustos. – Ele sorriu. Maxwell era um cara gentil, prestes a fazer 16 anos, de olhos âmbar, cabelos castanhos escuros, aparelho azul e uma cicatriz na sua temporã direita. Ele era um pouco alto e musculoso. Como esse ano ele faria 16, ele já estava no 6º andar. – Que surpresa. Digo, não imaginava que...
—Ah, qual é, relaxa. Como você está? – Ele tinha sotaque estranho, e era uma mistura de inglês, português e francês, que ás vezes mal dava para entender o que ele falava.
—Bem, e você? Como você está?
—Feliz. – Ele me acompanhou descendo a escada junto comigo.
Claro. Que estava. Ele é muito gentil e calmo; um bom garoto para andar com pessoas tão erradas.
—No que posso te ajudar Max? – Ele tirou um envelope roxo do bolso. – Oh! Uma carta! Estou lisonjeada! – Ele abaixou a cabeça sorrindo. Talvez achando graça.
—É para você! E fique sim, lisonjeada! – Eu peguei o envelope e ele desceu na minha frente. – Depois, bem depois, me conte o que achou. Bom jantar.
“Sonhos se tornam realidade. Sim, os meus se tornam aqui em Paris. Eu dei meu tempo.
Eu aceitei o que foi me presenteado. Não estou mais preso, já vejo um futuro.
Foi ótimo uma mudança de cenário. Longe de notícias ruins, e pessoas que as trazem.
Ah, minha Alpheratz... Eu acho que posso gastar minha vida inteira sonhando contigo; porque isso é tudo que eu sei fazer desde que te vi. Mas, quando vi que outros braços te esperavam, eu congelei; então sei qual é o meu papel...
Nós nos amamos quando ninguém vê... Então, se me perguntarem sobre você direi que é mentira e que toda uma vida eu sonhei contigo. Direi que dói que você não esteja comigo. Eu quero você comigo. E essa é a sensação que ninguém vai tirar de mim.
Mal posso esperar para me encontrar contigo na biblioteca novamente.
Ass. Azevedo, Victor. ♥”
Mas, o que? Como assim? Do nada? (...) Tão doce. Romanticamente; lindo. Apertei a carta entre o meu peito, o único problema é que ele está do lado errado; mas, está mais ousado que eu imaginei que estivesse algum dia; e antes que pudesse sorrir e respirar fundo, fui interrompida.
—Hey, desculpe não ligar antes! – Respirei fundo, era Armin, quando me virei para começar a falar um monte, fiquei muda. Depois de um bom tempo com os cabelos patinados, ele mudou de cor do cabelo. Ele se aproximou de mim com aquele belo sorriso.
—Seu cabelo está verde! – Exclamei.
—Verde turquesa mon’ amour... – Ele respondeu.
—Porque? Você não é mais um Coloré! – Ele sumiu uma tarde inteira para poder pintar o cabelo? Óbvio, nunca pensei que ele estivesse em um salão de cabeleireiro.
—É porque “Le vert est l’ennemi! ” – E dizendo isso, ele colocou os braços em volta de mim, eu fechei a mão que estava segurando a carta, e Armin simplesmente me deu um beijo. Na frente de todo mundo.
Verde é o inimigo! Inimigo dos Colorés. Mensagem mais clara que essa só se estivesse tatuado na testa.
E meu coração parou por alguns segundos e meus ouvidos tamparam. No foco de tudo, na frente da plateia; nem tanto, estávamos bem na entrada do refeitório. Mas, mesmo assim, naquele instante, meu maior fã da minha plateia era o Victor. E se ele viu, eu não era mais.
Só estava feliz porque enfim, por hora, Armin saiu do seu profissionalismo. E é um inimigo dos Coloré.
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