E Eu sou o Amor da Sua Vida?
44 De Encantada á Assustada (...) Ou Sendo Enganada?
Notas iniciais
Mika
O que eu vou fazer? O que e tem a fazer a partir de uma informação, uma pergunta, um sorriso, um jeito? Já estive do lado da história que suplica por amor, por um sim, por ser correspondida...
Primeiro Antonie.
Depois Cainan.
Então Armin.
Tem Victor.
Eu nunca sei o que fazer exatamente quando estou com uma pessoa. Acho que só espero para tudo dar errado. Desde quando conheci Victor, meu calouro favorito, eu quis largar Cainan; que desde que o conheci quis largar Antonie. Menos Armin. Armin foi formidável e cavalheiro o suficiente para esperar o seu tempo, preparar tudo antes de eu ir para o telhado me acabar em lágrimas. Já Victor ele apareceu tão de surpresa que não deu tempo de eu planejar alguma coisa. Foi tudo saindo no improviso. Notre Dame, sorveteria, biblioteca... Tudo no mais puro improviso do nervosismo da minha mente.
Então, eu me deparo com a perguntas como minha cor favorita e porque não namoro com ele. É tudo tão encantador, e ao mesmo tempo tão assustador. Porque sei que a chave é conquistar pouco a pouco; e ele está disparando na frente, me assustando. Porque, desse jeito ele não está sendo ele. Está sendo um “Coloré”. Assim como Kathy. Não que ela se juntou à eles, mas, ela beijou Luco. E tem me evitado; eles não voltaram se beijar; até porque ela parece se divertir muito provocando Seward.
Só me sinto confusa. Atordoada, assustada. Parece que Victor foi engolido por uma seita demoníaca e se transformado em outra pessoa. Ok, não precisa ser uma seita; nem ser demoníaca. Só, que eles são extremamente bons de lábia. E é isso que me incomoda. Incomoda? Estou com um turbilhão de emoções que não consigo raciocinar.
No último fim de semana fui ao Ópera Garnier, ou como Armin chamou; Palais Garnier, Ópera Bastille; uma casa de opera com uma arquitetura fabulosa, linda para assistir a Ópera de Don Giovanni, de Mozart. Que foi interpretado e coreografado divinamente, em italiano, posso dizer; relaxante, que era o que ambos estávamos precisando.
Armin me levou de carro, mas, não no carro dele, ele nem dirigiu; essa questão de ele não querer dirigir o próprio carro era estranho, porque se eu tivesse um carro ia sair dirigindo pra todo lugar.
Seria um encontro muito clichê romântico se ele me levasse para um jantar em um restaurante, mas, eu sinto que é meio estranho ir só nós dois, na verdade, ainda sair com ele, estar com ele, estar namorando com Armin Rowell me parecia muito surreal. Um surreal bom. E só de pensar que eu mordo os lábios porque, nosso passeio sobre um rio sena meio congelado foi magnifico.
Agora eu preciso de verdade me focar nisso, me focar que eu estou tendo um relacionamento de verdade; e não interessa nas coisas que eu ganho tendo esse relacionamento com Armin, é que; ele não chegou com tudo, chegou calmamente, e isso é o que importa, o que faz eu pensar; céus, quando que Armin começou a se interessar por mim? Mas, o fato é, como é que Victor pareceu tão vidrado em mim? Certo, eu provoquei, mas, ele não me parecia assustador como. Assustador como Luco Seward. Rápido, carismático e direto.
Meus devaneios são interrompidos quando ouço alguém batendo na porta. Largo tudo o que eu devia estar fazendo e me surpreendo quando abro a porta.
—Mateus? – Eu não tinha reparado no quanto Mateus deixou a barba rala crescer, nem no tanto que seu cabelo cresceu e estava bagunçado, como se ele tivesse acabado de acordar de uma longa soneca.
—Oi Mikaele; nós podemos conversar? Na verdade, aí dentro? – Mateus é brasileiro, mas, dentre nós, ele é o único que tem um sotaque muito francês. – Tipo, tem algum problema se eu ficar dentro do seu quarto? – Ele encolheu os ombros como se fosse uma criança assustada.
—Aan... Claro, entre; não tem problema nenhum. – Inesperado demais. – Eu acho. – sussurro baixinho. Até porque não vejo problema dele estar no meu quarto para conversar, eu não sou Luco, nem estou com Kathy; ou seja, ele não poderia ser louco o suficiente de se ferrar mais ainda.
—Obrigado. –Ele diz entrando no quarto, depois de uns segundos; parecia hesitante. Quando ele entrou no meu quarto deu uma olhada antes de dizer algo, era estranho; meu ex cunhado no meu quarto.
—Senta aqui. – Apontei para a poltrona perto da mesa do meu computador. – E eu fico aqui. – Sentei na minha cama. – Então; você está mais tranquilo?
—Faz muito tempo que eu não estou tranquilo, e imagino que eu nunca mais vou ficar. – A voz dele sai um pouco falha.
—Olhe pelo lado bom... – Disse repentinamente soltando uma respiração presa. Ele me olha sem entender. – O senhor Seward não quer denunciar você! – Françoise me fez ligar, entrar em contato com os pais de Luco enquanto eu estava no trabalho. Não foi lá muito fácil entrar em contato com o Sr. e a Sra. Seward.
—Não?
—Não; já a Sra. Seward quer que você pague uma pequena taxa pelo trauma.
—O que? Mas, ele não mora com eles!
—Para o Luco. – Mateus ri sem acreditar no que eu falei, de fato, o pedido me pareceu bem absurdo, mas, contando que Mateus tem uma mão pesada, Luco ficou de olho roxo, é compreensível. – Poderia ser pior, os pais dele poderiam vir pra cá e causar-lhe uma segunda demissão. Te processar...
—Não poderiam ferrar mas com a minha vida do que ela já está. – Ele pensa em algo de súbito. – Você mencionou isso com Cainan ou Guilherme? –Neguei.
—Eles não precisam saber disso.
—Obrigado. – Ele diz aliviado.
—Então, sobre o que veio conversar? – Esfrego as minhas mãos uma na outra, é um clima estranho, hora mais cedo estava repreendendo ele, reportando toda a briga a Françoise e desmarcando um passeio pelo rio Sena com Armin. Não é lá um grande passeio, mas a noite está estrelada, então, porque não? Porque Mateus resolveu jogar sua fúria em Luco.
—Eu estava no meu quarto... – No segundo dormitório. – E pensei em uma coisa importante; foi muito errado ter empurrado o Cainan para você. – Fico surpresa. – Você estava com Antonie, e pareciam tão felizes.
—Hãn; na verdade... – Estou sem graça. – Eu não lembro bem como era o meu namoro com Antonie. Mas, obrigada por dizer isso, significa bastante.
—Eu tirei Katherynne de Luco porque, ele era extremamente descuidado com ela. Tipo, quem consegue rir daquele jeito?
—O Coringa, e o Gato de Cheshire... E óbvio, Luco Seward. – Fico quieta.
—Qual é; eu via como ele era. – Ele revira os olhos. – Não que ele mudou alguma coisa; sempre atrevido, debochado; não dando o mínimo da atenção que ela merecia... – Mateus respira fundo, prende o ar e o solta com mais calma. – Eu não gosto de depender sempre do meu irmão. Guilherme é extremamente egoísta.
—Você não recebe nada por ser demitido? Aliás, imaginei que ninguém é demitido na França. – Ele ri, parecia ser pânico.
—Claro! Mas, kv há demissões. Quando há uma quebra de contrato, sempre há um... – Ele coçou a cabeça. – Mas, o que quero dizer é que; se dependesse do meu irmão, uma hora ou outra, eu iria voltar para o Brasil! – Ele balança a cabeça.
—E você não guardou dinheiro para poder ficar aqui?
—Não é isso... É solitário, não quero ficar aqui sozinho, e outra. – Ele mexe os ombros, está tenso. Cainan também faz isso quando está tenso. – Eu só queria ficar perto dela, até saber o que fazer. Mas, não saiu como eu imaginei. Só queria que fosse como antes, ajudando ela a fugir do louco do Luco. Ela sempre o achou repulsivo! Até quando namoravam! – Ele hesita. – E quando eu a vi beijando ele, fiquei careca de ódio. – Começo a rir, porque aquela expressão é magnifica.
—Desculpa; eu... – Preciso cobrir a minha boca, porque, “careca” de ódio não se aplica nele.
—Tudo bem, pode rir. Eu sou um babaca, disse pra ela encontrar outra pessoa. – Ele joga a cabeça para trás pensando em algo. Ou só ficando em silencio, não saberei.
Ficamos em um longo silêncio, aquele que incomoda o ouvido.
—Olha. – Ele me interrompe.
—Eu lembro de quando você namorava Antonie... Passeios divertidos, todo fim de semana; – É como se fizesse uma década, desde eu e Antonie, quando se faz no máximo 2 anos e meio. – Poemas, apresentações em dupla. – Fico em silêncio por uns segundos; porque ele está falando disso? – Foi nessa época que eu disse comigo mesmo; “se eu não arrumar um emprego e sair daqui não vou poder ficar com ela. ”
—Own, que fofo. – Digo baixinho.
—Agora tudo é solitário. – Ele respira fundo. – Ao menos você está com o meu irmão e.
—Céus! – Exclamo. – Verdade, não nos falamos desde o dia dos namorados. – E estou surpresa que Kathy não contou. – Eu e Cainan terminamos. – A expressão dele é de choque.
—O que? Como assim? O que ele fez? – Eu dou uma risada sem jeito.
—Longa história. Mas, para dar uma encurtada; não estávamos mais na mesma sintonia. Ocorreram outras coisas... – Armin, Victor... Um mata leão... – Ciúmes excessivo.
—Eu sinto muito por isso. – Mexo os ombros como se dissesse: “Ocorre”. – Aparentemente todo mundo está terminando. – Ele abaixa a cabeça. – Eu não sei quem contou para Kathy que foi a Simone que entrou em contato comigo; a ideia de tentar ficar mais perto dela, foi de Simone... – Ele fez uma longa pausa. – Aliás, como ela soube da minha conversa com ela? – Fico muda. Ouh!
—(...) Né; nossa, quem você acha que faria uma coisa dessas? – A culpa foi dele, quem mandou terminar com palavras tão destruidoras? – Totalmente deselegante. – Digo contornando a situação. – Mas, acho que ela só beijou ele para te provocar.
—Você acha? – Ele parece esperançoso.
—Claro. Ela pode fazer algumas coisas no impulso. – Penso nas coisas que ela faria. –Mas, se tem uma coisa que você não pode fazer é agir no impulso. – Ele me olha sério. – Eu nunca imaginei que você bateria no Luco. Com ódio ou não; bater em alguém aqui, não vai dar em nada!
—A boca do meu estomago dói só de pensar nos dois juntos. – Dói o meu também. Na verdade, não lembro porque comecei a ter repulsa dele... Ah, claro, quando Kathy terminou com ele, ele a infernizou até onde conseguiu; ela compartilhou o ódio dela comigo, Niedja e algumas pessoas, enfim, odiamos Luco por igual, como ela. Por isso, Katherynne Kurz não pode simplesmente voltar com Luco Seward; odiamos ele! – Então se eu tentar conquistar ela não conseguiria.
—Pode ser que sim. – Ou não. – Você não quer tentar? – Eu falando parece mais difícil.
—Hãn. Ela nunca vai aceitar nada menos do que ela merece.
—Então para você; ela não merece ficar contigo? – Ele balança a cabeça. – Você deve melhorar um pouco; você não é assim Mateus! Você é confiante, não é? – Antes dele responder eu o faço –É! Kathy sempre merece o melhor! Seja o melhor! Você já foi uma vez, não foi? Não pode ser de novo? – Ele respira fundo. – Mateus Silva?
—Eu. – Ele se perdeu nos seus pensamentos.
—Te fiz uma pergunta!
—Ah, claro... – Ele engole secamente. – Eu não sei o que te responder. (...) Porque eu não prestei atenção.
—Poxa Mateus!
—Seward não é lá melhor que eu; mas... – Ele parece com dor. – Ele namorou ela primeiro que eu, ele é mais interessante que eu. Mais rico que eu.
—(...) Você é um produtor famoso! Pare de pena de si mesmo... Por favor. Você nasceu brasileiro! E brasileiro não desiste nunca! – Ele dá uma risada quando alguém bate na porta. – Um instante, foca em não desistir! – Me viro para frente e dou de cara com Armin. – Oh!
—Por um minuto achei que você perdeu o celular. – Ele parecia desesperado. – No minuto seguinte achei que você passou mal, depois eu me desesperei e como você não estava com nenhuma amiga sua, eu vim aqui antes de. – Seguro em seus ombros.
—Calma. Eu estou bem. – E pego o meu celular. – Ah! Ele estava no silencioso. Desculpa, estava resolvendo uns assuntos de dois residentes e.
—Por Deus, Mika... Eu fiquei preocupado. Achei mil e umas coisas; não gosto de pensar coisas ruins sobre você. – Ele olha para cima, com as mãos no pescoço. – Achei que você tinha saído, e.
—Me desculpa, eu não vi que você ligou. E está descarregando, não fui tão atenta. Fique calmo, estou bem. – Então ele aponta para Mateus.
—Estamos conversando.
—Rowell. – Mateus cumprimenta.
—Silva Segundo... – O cumprimento é totalmente amigável, mas, me incomoda.
—Porque raios Segundo? – Armin se escora na porta sorrindo.
—Ele é o 2º, dos três Mosqueteiros. – Mateus o olha de cima a baixo. – O irmão do meio.
—Ah, só para ter certeza. – Digo.
—Eu já cansei dessa de Silva 2º. E os mosqueteiros são quatro!
—Eu sei. – Armin me olha depois.
Ele se afasta um pouco.
Está tudo bem? Quer que eu fique?
Ele pergunta em libras.
Nego.
Certo, coloque o celular para carregar. E tire do silencioso.
Eu dou um sorriso e acaricio a ponta de seu nariz. Não me sinto confortável para beija-lo na frente de Mateus. Mesmo que já tivéssemos combinado que chega de “profissionalismo”, fico sem jeito. E acho que Armin entende porque me dá um beijo na testa, e depois na bochecha; a coisa mais fofa do mundo.
—Bons sonhos. – Ele diz baixinho. – Boa noite Mateus.
—Boa noite Armin.
—Fiquem atento na hora. –Em seguida eu fecho a porta e Mateus ri.
—O que foi?
—Você e o Rowell... – Ainda não entendo a risada. – São fofos juntos.
—Ah...
—Fofos no sentido; “ele está vivo porque está suspirando por você”. – Meu rosto queima; sério que aparenta isso? – Deviam estar juntos.
—Aan... Como você por Katherynne?
—Não. Eu sem que sem Kathy eu não vivo. – A frase sai dolorida. – Eu sei que eu a perdi, mas, não sei como reconquista-la e.
—Refaça seus passos. – Digo antes dele continuar. – Recomece, eu sei que ainda dá tempo. Ah! – Estralo os dedos. – Tem Simone, Assim como eu, você tem que conversar com ela. – Ele pode retrucar que eu não preciso conversar; mas, sei que preciso.
As duas são minhas amigas, e nós não podemos nos separar. Ponto final. E além de tudo, segundo Armin, falar com Simone é complicado, tem que ser gentil, ter palavras certas, quando eu estiver pronta para isso vou conversar com ela. O que eu devia ter feito a tempos, mas, quero palavras certas.
—Vocês estão juntos, não estão? – Ele fala depois de um longo silêncio.
—Oi?
—Você e Armin estão juntos né? – Meu coração dispara, a última pessoa que eu pensaria em contar sobre meus relacionamentos seria com meu ex cunhado, ex da minha amiga. Como não respondo, ele dá um sorriso. – Eu sabia. Na verdade, eu vi.
—Viu?
—Deixa eu te deixar se sentir especial... – Ergo uma sobrancelha. – Ele não usa libras á anos. – Fico surpresa. – Você óbvio devia saber disso; se não, ele só está usando porque ele te considera muito especial. – Eu sou muito especial. – Estavam com vergonha de se beijarem porque eu estava aqui?
—Talvez. – Começo a rir. – É que você está desolado aí com um termino; fiquei mal.
—Não fique, está tudo bem; é o que acontece né? Pessoas ficam tristes, enquanto outras estão felizes. – Ele ainda está ferido. – Não sei se consigo. Kathy não fica satisfeita com pouco, ela merece o mundo.
—Se você realmente quiser, você dá o universo pra ela. – Ele concorda, porque, Kathy merece muito, ela não pode se contentar com pouco, e Mateus sabia disso, então já era um ótimo primeiro passo.
As coisas pareciam estarem entrando aos poucos nos eixos; já é sábado, está chovendo horrores e está frio; há o ensaio para os testes e apresentações; e bem na última hora descobrimos que não poderíamos ensaiar mais no teatro de sempre, o “Christopher W. Smulders”.
Porque os ensaios para Ragtime estão precisando de mais espaço, então vamos para o Elisabeth Dorléac, o teatro fabuloso que começamos primeiro.
—Nada contra. – Começa Armin enquanto vamos de um teatro para outro. –Nem a favor, gostaria de ter sido avisado ontem, ou quinta.
—Mas, você está bem? – Ele parece agoniado.
—Claro. – responde com um sorriso. Armin sempre fica à vontade nos palcos, isso é um fato! Vê-lo se esforçando para estar em um, é mega assustador. Tipo, o fim do mundo.
Meu andar ficou com o horário das 8 ás 9; mais cedo, para depois eles ficarem livres, descanso é importante; mas, os testes logo vão começar e um esforço extra precisa ser aplicado.
Durante o ensaio com Armin, teatro; foi possível ouvir uma enorme confusão no teatro Christopher W. Smulders ao lado; na verdade; a confusão é tão grande que é possível ouvir de longe, já que os teatros têm uma distância razoavelmente grande. É uma gritaria, e não uma cantoria, que era o esperado de se ouvir.
—Monitora Mikaele! – Alguém abre a porta do teatro com tudo. Alvoroçado. – Tem alunos do 4º andar brigando no teatro! – (...) Me viro rapidamente para ver quem poderia ser esses alunos, Kathy não era, ótimo! Mas, é claro que a presença cintilante de Luco fazia falta. Claro que só podia ser ele. Minha cabeça começou a doer.
—Eu já volto. – Digo indo em direção ao outro teatro. O que me vem à mente; “Luco e seus amigos batendo nos outros que estavam ensaiando a peça”, ou “expulsando eles do palco”. Porém, ninguém batia em ninguém, Colorés de um lado, estudantes do outro; Alex, Shin e Déia, debatiam com eles.
—A nossa peça é Ragtime! Não venham inventar! Se juntem a nós ou deem um fora! – Berrou Shin.
—Ah, vai ser sim! – Luco gargalhou.
—Não vai! – Gritou Déia, enquanto os alunos estavam filmando com seus celulares tudo.
—Bom, será espetacular, não? Hamilton, sendo eu? – Luco disse. – Todo mundo pode participar! – Então no meio do grupo grande, encontro o topete roxo, Victor também está no meio? Claro que está.
—Você não pode ir chegando e decidindo as coisas assim...
—Eu posso sim! – Ele ia rir.
—Luco Seward! – O chamei cortando seu controle, na mesma hora todo mundo se virou para mim. – Você devia estar no ensaio!
—(...) Mas, eu já sei tudo aquilo! – Ele resmunga.
—Não quero saber se, sabe ou não. – Tentei não ser ignorante ou grossa, mas, acho que não deu. – Sei que como está no meu andar, como sua monitora tenho responsabilidade sobre você e; você deve ir para o ensaio! – Apontei para a porta. – Agora! E deixar eles ensaiar. Por favor...
Luco arfou e jogou os ombros para trás saindo do palco. Voltando em seguida para puxar Victor para ir também. Fiquei olhando para eles por uns segundos, Luco pediu para os outros saírem também.
—Obrigada Sales. – Shin disse depois de uns segundos.
—Se houver uma próxima vez, me chamem.
—Espero não haver. – Diz Alex com uma expressão irritada.
Enquanto voltávamos para o teatro Elisabeth evito contato com os dois, me mantenho séria e me pergunto como deixei Luco e Victor longe da minha supervisão. O que ele está e tornando? O que Luco quer mostrar? O que eu vou fazer?
—Hora da confissão? Aqui está a minha. – Luco começa, respiro fundo.
—Seward; só faça o ensaio. –Ele ri.
—Claro, o farei. – Soa tão falso; como uma mentira.
*
Hoje é 1º de abril, finalmente chegou abril, uma quarta feira. E só hoje todos têm aula até as 12hrs. É o dia que entro cedo no trabalho e saio mais cedo também; e também o dia que todo mundo prega peças insuportáveis que eu odeio.
Faz quatro dias que tive a conversa com Mateus; o lado bom é que Kathy não está ficando com Luco, porque quando ele se aproximar ela se afasta.
Depois das aulas, corro para ver se consigo conversar com Simone. Ela estava trabalhando na Cinémathéque française; um museu com acervo cinematográfico, livraria atividades culturais e exposições; ao contrário de mim, que vou direto para a biblioteca, ela ainda vai para o dormitório e depois para o trabalho. Então, a conversa tinha que ser nesse tempo.
—Simone! – Gritei quando a avistei. – Espera um pouco! – Ela me esperou.
—Há algo errado? Está bem?
—Preciso te pedir desculpas! Pelo dia em que Katherynne te agrediu e eu não fiz nada. Ela é minha responsabilidade e ela não tinha esse direito e. – Ela levanta a mão.
—Não precisa pedir desculpas por ela. – Ela estava calma. – Imagino que você deu algum aviso pra ela.
—Bem; talvez seja por isso que ela não esteja falando tanto comigo. – Simone compreende. – Mas, sinto por não tê-la impedido.
—Você não ia conseguir parar ela. Ela estava com ódio acumulado, e tudo bem ser em mim, não no coitado do Mateus que perdeu quase tudo. – Concordo. – Armin foi conversar comigo depois que eu não fui pra aula por causa dos arranhões. – Fico surpresa. – Seu namorado é muito prestativo.
—Que?
—Ele me contou que vocês estão namorando.
—Contou?
—... Sim. Porque? Não podia? – Ela parece confusa, e eu mais ainda.
—Pode, mas, ele queria descrição e...
—Não se preocupe, não vou contar para ninguém. – Ela sorriu.
—Bom, mas, se ele contou para você, não duvido que ele conte para mais pessoas. – Ela concordou.
—Não se preocupe; Armin sabe manter a descrição; ele é impecável.
Como assim, Armin foi no quarto da Simone e não me contou? Bom... Ele também teve uma surpresa quando viu Mateus no meu; mas ele viu. Eu não tinha nem ideia disso; porque ele não me contou?
(...) Mas, porque ele iria contar? O fato me distrai durante todo meu horário de trabalho dividi meu horário de almoço de 1h30 em vários 15 minutos. Estava inquieta e só no meu 3º intervalo percebi o que era.
Luco e sua trupe estavam na biblioteca. Mesmo em silêncio, sua presença era incomoda; mas, de fato entre as estantes, de uma sala eles estavam rindo e conversando, os vejo perto da sala de audiovisual do 1º prédio. Respiro fundo e evito olhar para eles, porque não quero conversar; dou meia volta, minha cabeça estava a milhão, minhas mãos estavam suando, tinha o sentimento de que algo iria acontecer, e odeio essa sensação.
Então dou de cara com Victor que estava no corredor ao lado; dou três passos para trás com tudo, mas ele me segura pela cintura, e simplesmente me aproxima dele.
—Para... – Ele sorri passando o seu dedo indicador nos meus lábios. – Azevedo. Se afasta, por favor. – Assim, eu gosto do jeito que ele se aproxima de mim; mas, mesmo assim é assustador.
—Já fizemos algo parecido uma vez; a diferença é que dessa vez estou pronto.
Meu cérebro começa a paralisar, estralar, perdi a capacidade de falar, apenas, de sentir. De sentir seus lábios nos meus, de sentir sua língua na minha; de um beijo digamos, necessitado, de quem esperava aquilo a muito tempo. Meu coração batia desregulamente, rapidamente, ansiando por aquilo, aquele toque. Por ele, por Victor. E quando me dou conta agarrou seus cabelos, assim como ele passa a mão por minha nuca.
(...)
Mas, é errado! Então eu solto, ainda com o corpo tremendo o encaro; e vejo a coisa mais assustadora do mundo. (...) Ele sorri como Luco.
—Isso foi errado. Você não devia ter feito isso. – Digo saindo de perto dele. – Quem é você? O que fizeram com você Victor? – Tremendo, respirando fundo, me sentindo culpada. Se Armin descobrir vai me odiar. Eu traí Armin. É um misto de vergonha com raiva por deixar-me levar. Tristeza. Desejo. Uma dor dentro de mim tão forte que eu não sei como deixei fazer isso.
...
Foi igual Armin fez quando eu estava com Cainan. E como Cainan fez quando eu estava com Antonie.
Mais que inferno! Como eu sou uma... vadia? Serve para me descrever?
Passo o resto do meu expediente olhando para a tela do computador e para o relógio. Ignoro as mensagens de Armin e evito olhar para ele. Eu gostei do beijo sim. E daí? Armin vai brigar com Victor? Minha pele e sua pele, minha respiração e a dele se misturaram, minha cabeça gira em completa agonia e quando o trabalho acaba vou para o vestiário e toda aquela imagem fica se repetindo. E se repete insanamente. Fecho meus olhos assim que encosto no meu armário e fico imóvel por um tempo, pensando no ser humano cruel que eu sou; até que ele chega.
—Porque não respondeu minhas mensagens? – Ele não está bravo. – Precisei de ajuda com os novos livros, houve algum problema? – Ele joga seu colete dentro do seu armário e então se vira pra mim.
—Mika? Você está bem?
—Beijo.
—O que?
—Calouro... – Armin me olha confuso.
—Não entendi...
—Ah. – É como se algo estivesse preso na minha garganta.
—Garoto.
—Garoto?
—Beijei.
—Você beijou um garoto? – Ele deduz. Sua voz parece dolorida.
—Eu..
—Ele te beijou?
—Ele... – Ele morde os lábios, e eu olho para o chão.
—Mikaele, conte o que aconteceu! – E algumas lágrimas começam a cair do meu rosto. – Alguém te machucou? – Não consigo falar. – (...) Estrelinha; se você não me dizer o que tá acontecendo, eu não posso te ajudar. – Armin precisou se abaixar para ficar na altura dos meus olhos. Aqueles olhos azuis encantadores, exalando preocupação e aflição. – Eu te machuquei?
—(...)
—Não me deixa nervoso, por favor... – Ele se afasta. – Eu quero te abraçar, mas, se eu te machuquei não posso. – Ele estrala os dedos. Chegou ao ápice do nervosismo. – Eu disse algo de errado? Me desculpe. Me perdoe. Eu. – Não tinha porque ele pedir desculpas, ele não fez nada, e só a dor nas palavras me enchem de culpa.
—Eu beijei um calouro... E gostei disso. – Acrescento.
—Ele te machucou? – Ele ainda me olha nos olhos.
—Não.
—E porque você está chorando?
—Culpa. Remorso. Medo de você. – Ele respirou aliviado.
—Você me disse que gostava de outra pessoa; que nada que eu fizesse ia mudar isso e.
—Mas, eu... – Parece algo afiado querendo sair. – Estou feliz com você.
—Está? – Só aí eu percebo que ele também estava chorando, estava secando as lágrimas. – Eu te faço feliz? – Abraço ele com forte, e parece que ele levou um choque de tanta surpresa.
—Faz. E eu não quero deixar você. – Respiro fundo. – Você é especial pra mim...
-Fico feliz que queira ficar. Você também é especial para mim. Muito especial.
—Eu sei... – Ele parece querer dizer alguma coisa, mas, não diz.
Eu tenho um badboy que me assusta.
Eu tenho um goodboy que me encanta.
Mas, no momento eu estou mais feliz com Armin do que já estive antes.
E talvez eu só esteja sendo enganada.
—Você me odeia? – Pergunto recebendo o calor dele de volta.
—Na verdade, é tipo uma revanche. Cainan está vingado. – Eu dou uma risada suave, porque meu corpo ainda treme e ainda não consigo parar de chorar.
Talvez eu só devesse aproveitar.
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