E Eu sou o Amor da Sua Vida?
1 A Veterana se sente Sortuda
Notas iniciais
Mika
Eu encarava meu reflexo na janela, deitada na minha cama, coberta e quentinha, oh inverno europeu, porque és tão frio? Mas a neve dá aquele belo efeito cegante de manhã e o prédio á frente me permite de ver o meu reflexo, então estou na decisão cheia de dúvida existencial:
Levanta... Um dois, três...
De novo, um, dois, três...
Mais uma pequena vez...
Un... Un...
Ok, são apenas nove da manhã e não há motivos para eu me levantar nesse inverno, nessas férias, agora, já tomei meu remédio e posso dormir mais trinta minutos ou uma hora, acabou de amanhecer, seja boa consigo mesma... Não quero que Déia me acorde agora, juro que se ela pedir para tomar mais um café e for de trem até Metz, nesse fim de semana eu vou enlouquecer. Está tão frio. Ela é adorável, mas o problema é sua grande necessidade de comprar coisas baratas para viver de utensílios que usará apenas uma vez para chamar atenção de todos os garotos. Uma vez no primeiro ano em que tivemos uma folga dos estudos, fomos á Metz e ela gastou setenta Euros, em pulseirinhas, dezenas de anéis, além de quarenta euros em outras coisas como bijus, xales, colares, cachecóis e boinas que nunca foram usadas. Tudo bem, talvez ela só seja muito compulsiva, e isso me cansa muito, mais eu tenho que manter minha postura de
“Cão chupando manga”.
Se eu não me fizer de mandona, durona, coração duro e ruim, os calouros me ignoram e tudo vira uma bagunça, e como já me ignoram evito a bagunça. Mas nos acalmamos e resolvemos as coisas sem precisar telefonar para os pais que muitas vezes estão em outro continente como os meus; e nisso criamos u grupo: “Raposa Francesa” onde os alunos instalados aqui há mais tempo é indicada á monitorarem cada andar e dependendo do andar um corredor. Somos cinco com sete andares e diversos alunos em diversos quartos que estudam em um programa de talentos francês. Estou com 18 anos, irei em breve fazer 19 anos; estamos em janeiro e ninguém chegou ou voltou das férias de fim de ano. Aqui damos uma boa folga.
Em 2010, 13 alunos sul americanos foram sorteados para estudar Artes Cênicas, no final do curso terá uma apresentação artística no Louvre (Para os talentos de artes) e depois de todo curso, a chance de ter o filme mostrado no Festival de Cannes, o maior festival de cinema realizado depois do Oscar em Hollywood. Ou seja, uma chance de ouro que ninguém gostaria de perder, tanto como artista, como roteirista, figurinista, maquiador, cabeleireiro. Mas grande parte dos alunos desistiu. Ou porque não queriam ficar muito tempo ou porque tinha saudade da família, ou coisa fresca assim. Então em 2015, dos mais de seis mil alunos só restou cento e nove para estudar no intercâmbio. Ou seja, só 109 ficaram; e eu sou um dessas cento e nove. Mais há os que estão partindo, pois, após o terceiro ano de curso começam as dificuldades, antes dela lidamos com matemática, inglês e francês...
Estamos na França. Em Paris!
É... Tão complicado para quem estuda escrita, leitura, maquiagem e tudo junto antes de estar verdadeiramente preparado para aparecer no Louvre e em Cannes; por isso tantos desistem tão rápido. Em vim para cá com 13 anos e ainda não sei muita coisa francesa; vivo dentro dos dormitórios, do colégio e da biblioteca, mas, sei o suficiente para me tornar uma monitora –quase- veterana, pois, sempre entram novos alunos para o colégio: Macmilliam Depardieu. Estudamos no fundamental se for preciso, no médio (no meu caso) e na faculdade; sou a monitora do 4º andar, cuido do corredor dos estudantes de 14 anos até o final desse ano letivo; e me esforço com eles para manter as regras, pois garotos e garotas não podem ficar juntos nos dormitórios, achar uma garota grávida séria uma dor de cabeça não só para os educadores, como uma punição para quem não prestou atenção.
Como á cada ano escolar eles me mudam de andar eu não tenho um quarto fixo, mas como eu insisti muito e estou com o quarto residencial do quarto andar; lindo demais, “presidencial”. Então não vou precisar ficar mudando de quarto sempre, acordando de duas á três horas e descer ou sumir um ou dois andares para vigiar as crianças que sejam ou não marotas. Isso acontecesse mais do que se imagina, mais do que meu corpo aguenta, e quando chego à época escolar, eu meio que morro de cansaço por não dormir e tirar as garotas safadas do quarto dos garotos.
E como ainda estamos em janeiro, e eu não voltar para casa esse ano até o final de junho ajudo os alunos que estão saindo da 8ª para o 1º ano, no Brasil eles estariam entrando na 8ª série, aqui eles vão entrar no 1º ano em setembro, ou seja, até setembro eu os auxilio e ajudo todos á “*parler en Frances!” e “*Trés bien”, em setembro começo as minhas aulas, ajudo os novatos do meu corretor e tudo vai só piorar, pois se eu não fizer meu trabalho bem, eu vou pro outro prédio e perco o dormitório presidencial. E François não vai me mudar de andar, então nesse momento; eu vou me virar e dormir.
Bonjuor!
Agora não é uma boa hora bombonzinho; ignore que ele vai embora.
Eu sei que está acordada, te ouvi brigando com o despertador.
Você está dormindo profundamente, ignore assim do nada.
Eu vou abrir!
Oh céus...
A porta se abriu e pularam em cima de mim me tirando todo o ar. Eu quis gritar mais se Françoise ouvisse meu grito não seria bom, nós estaríamos descumprindo algumas regras e eu amo esse quarto enorme e lindo. Virei-me atirando-o para o chão e me cobri novamente, meu pijama era longo e de inverno mais eu não iria levantar naquela hora, não iria mesmo.
—Estou dormindo!
—De olhos abertos? Com essa força? Ora; essa é boa! – Esse era o veterano do segundo andar, C. S. para os demais, Cainan para os conhecidos e amigos e “Amor” para mim, sua amiga, sua ficante á alguns meses, acho que namorado, pois, aqui na França se alguém sai ao menos duas vezes com alguém é considerado estar namorando sem um pedindo formal; mais ele gostava mesmo de me encher e mesmo assim nunca me deixou irrita-lo ou mostrou-se fraco, ou menos estudioso que eu, porque sinceramente sou uma coração mole e mesmo que ele seja mais novo ele, sabe administrar o espaço dele muito melhor que eu.
—O que foi? Eu quero dormir!
—Mais eu quero deitar e conversar com você!
—Não. Hoje não, hoje estou em demasiada preguiça pra te dar atenção. –Ele me encarou feio. –Não estou brincando. – E me encarou feio e friamente. – Tudo bem, pode ficar.
Ele deu um sorriso aliviado e trancou a porta, e pulou em cima do cobertor e ficou me encarando, enquanto eu me sentava seguida dele. Então surgiu a duvida do que poderíamos fazer. Ás vezes a gente se pegava debaixo dos cobertores com beijos, abraços e mordidas, até eu sair correndo com medo de algo mais profundo. Não tinha porque o porquê de sujar os lençóis com uma coisa que descobririam depois e poderiam me expulsar; expulsar-nos. Mas, ultimamente, esse não é nosso foco, uns beijos é o suficiente.
Esse ano o 1º andar é da Alexandra (ou Alex ela não gosta de Alexandra, embora todos a chamemos assim.), ela é uma bela americana da Califórnia que está aqui á mais tempo que eu, cinco anos, e parece que nunca vai sair daqui. No 2º andar fica o Shin, eu não sei muito dele, só sei que ele e seu francês saem tão coreanos como ele e a irmã dele. Isso junte uma coreana e um francês, se separem, jogue os filhos em um internato francês depois de anos de convivência e fujam para Suécia. Poe hora eu entendo o que ele diz, por outra não entendo nada, nem os professores entendem, então ambos começamos á conversar por músicas. E aprendemos um novo idioma. Não culpo a família dele, só os culpo por ter os abandonado; Mi-cha, a irmã dele mais velha tem que suportar as loucuras do irmão, mesmo sabendo que só mais um ano de estudo e ela vai ter que tentar sua sorte artística. Ninguém o aguenta mesmo. No 3º andar fica Andréia, nossa Déia; ela é a prova viva de que o mundo sim é uma mistura de cores, formas, nacionalidades que já se viram, seus avós eram brasileiros, então sua avó fugiu casou-se com um mexicano, teve a mãe dela que é mexicana, seu pai é italiano, ela cresceu na Bolívia e de quebra entendo ela mais que ninguém porque quase falamos o mesmo idioma. Quase não é nada. O 4º andar é o meu; o 5º é do Cainan que é o brasileiro que veio junto comigo; ambos de São Paulo. Mais se lembrem, não é porque morávamos em São Paulo que nos conhecíamos, esse estado é enorme. O 6º fica com o Pierre, um verdadeiro francês de Bordeaux; ele falou tanto de sua cidade que eu gamei no nome, se escreve BORDEAUX se lê BORDÔ. E o resto dos andares não há um veterano fixo, há apenas Françoise como monitor desses dormitórios para quem está terminando o curso, ou vão terminar a faculdade mesmo, ou os que trabalham para arrumar uma casa aqui na França e sair daqui ou estão desistindo de tudo e voltando para casa, ou simplesmente esperam transferência para Cannes; são sempre os alunos dentre 19 á 25 anos. A França te convida á tudo isso, mesmo com a saudade de casa a gente tem o risco de se acostumar e de não se acostumar.
—Quer sair hoje? – Perguntou ele mexendo em seus cabelos e deitando-se em meu peito, todo aquele peso dele me deixou sem ar, quase morri mas, eu adorava quando ele fazia aquilo.
—Sair pra onde? Estou me escondendo de Déia, não queria sair da cama. – Ele riu.
—Eu sei. Deu pra perceber, acho que ia dormir tanto que passaria o dia inteiro dormindo, lembrando que no inverno anoitece ás 17 horas você iria hibernar como um urso! – Ele parou. – Gostei do eu cabelo. Quem fez?
—Deus; quem o arrumou foi Simone.
—Porque não pediu para Éponine arrumar? Sempre que ela arruma fica, inusitado, diferente, digno de palmas, ela é mágica e se ele vai arrumar o cabelo dos atores acho que você como futura atriz devia sempre fazer com ela.
Franzi a testa, como ele pode desprezar o talento de Simone assim? Ela é tão boa.
—Aan, deve dizer á Simone que gostou do meu cabelo.
—Ué, primeiro eu elogio você, depois falo com ela. Do que adianta um cabelo lindo e uma pessoa feia? – Não devo esquecer-me de dizer que ele é um crítico de mão cheia; mais ele é, critica, tudo, todos, tudo o que me envolve, que me envolve com ele, simplesmente eu. Ás vezes magoa ás vezes, eu deixo pra lá, por que... Ele é um fofo, um lindo e muito sábio, mesmo que ele seja um ano mais novo que eu, parece ser dois anos mais velho. Eu fico me perguntando como eu consegui ficar com ele, lembro que sentamos um do lado do outro no avião, ele segurou a minha mão e entregou meu urso que eu havia esquecido na poltrona, depois só me lembro de que um tempão depois, ele me deu um sorriso e me chamou para ir visitar as Catacumbas que se constituem em um ossuário subterrâneo, cavernas... Cheias de ossos. – Concorda comigo?
—Absolutamente.
Ele tem o dom de fazer amigos muito rápido, até porque ele já esteve por aqui, pelo fato dos irmãos mais velhos dele estudarem aqui. Então quando ele e os amigos dele me chamaram para ir ver o tal ossuário dito como “Les Cerriéres de Paris” eu não fazia ideia do que era eu concordei de boa. Estava apenas á catorze meses na França, e como eu estava lá sem fazer nada, não havia andado em nada nem passeado; Éponine me chamou. E vou revelar que quando descobri que era um sistema de túneis oficialmente designado como as pedreiras de Paris ou as catacumbas, guardando ossos de mortos desde 1785 eu não teria ido. São cerca de seis milhões de pessoas despojadas ali, e tal passeio me deixou tonta, louca, assombrada; pois, eu devo ter tombado e atrasado os demais turistas diversas vezes. É aterrorizante; já fui lá mais de doze vezes com alunos novos e é a mesma coisa sempre, toda vez. Mas, o que importa é que no final quando eu ia caindo da escadaria que se leva á saída, ele me segurou me deu um sorriso como deboche e murmurou.
—Não está com medo, está?
Na verdade eu caí, tropecei e tombei para trás e caí nos braços do Cainan como na primeira vez que eu o vi, era para eu levar todos os turistas juntos, sou muito desastrada. Mas, então começamos á ir aos mesmos restaurantes, padarias, sorveterias, cinemas e quando nos encontrávamos eu me sentia tão feliz. Aí então a Alex nos juntos e cá estávamos nós olhando um para o outro, quem acorda e se levanta primeiro vai à cama do outro dar beijos estalados, gostosos como diz a alemã Simone: “Equis!” Essa é minha colega que eu nem sei como comecei á conversar ou seu destino ou sua meã. Apenas ela está lá. Conosco na lanchonete, todas as manhãs, ninguém sabe da sua vida, do seu passado, mesmo ela estando aqui á mais de quatro anos, não sabemos nada. Só sabemos que ela chora até dormir e depois dorme vencida pelo sono. As paredes são finas demais.
—Você quer chocolate quente ou café?
—Vai me trazer na cama? – Fiz biquinho e ergui a sobrancelha. – Que fofo...
—Não; eu vou te levar até lá; eu não sou seu empregado, ué! – Disse ele mexendo no meu rosto. Ok, talvez “C.S” não seja um verdadeiro príncipe mais é um conde, ou um rebelde; não importa, ele é tão bonito e charmoso que sempre vai estar no papel principal em qualquer peça, filme... Em tudo. Ao menos no meu coração é assim. Aqui é como um colégio interno, um prédio como dormitório, atravessamos uma rua e viramos uma esquina, tem o colégio. E assim será por todo tempo que estivermos em Paris. Cada sala com cerca de trinta e cinco alunos e nós brasileiros preferíamos juntar os que falam espanhol e português brasileiro e português de Portugal, mas no final todos falamos francês e a comunicação fica mais dinâmica e divertida. Sem hesitação.
Olhando para aqueles olhos castanhos claros, tão lindos que me deixam á suspirar.
—Eu não te acordei por acordar hoje, meu amor. – Ele passou a mão no meu rosto.
—Então? Vai me levar para passear? – Me deixei levar pela sua carícia.
—Tem turma nova chegando. Vai ajudar á recepciona-los enquanto os garotos vão busca-los no aeroporto. – Travei.
—Aah não.
— Pois é, levante seu belo corpo quase real daí Constance, que o seu mosqueteiro Artagnan quer te dar alguma coisa para te animar de vez. – Enfiei a cabeça no travesseiro e ignorei-o. Oh, por favor, aquilo não podia ser verdade. Em pleno inverno de janeiro, pós-festas ele me fala isso. Ora meu doce, se levante, não dê uma de bela adormecida. Quer chá?
—Me dá café. Preciso ficar de olhos abertos para lidar com alunos novos. Quem contou? Françoise?
—A Alex, ela sabe de tudo, de todos, ela sabe de tudo, e ela ouviu a Camélia conversando com a diretora; o lado bom esse de ter muitos amigos. É muito feio esse negócio de fofocas das suas amigas.
—Mais feio pra vocês ficar repassando. –Falei prendendo meus cabelos em um coque muito mal feito e me sentei na cama. Confesso que não pude me admirar na paisagem de inverno porque o garoto me puxou pra trás me dando um beijo d e tirar o fôlego. – O que foi isso?
Ele riu.
—É que quieta você fica melhor. Quando fala, você me estressa e acaba com todo o clima. – E mordeu aqueles lábios carnudos dele.
—Eu? – Ri. – Disse que adorava a minha voz!
—Cantando; adoro sua voz cantando. Mas doce, pense como é sexy e misterioso o silêncio. – O encarei. – E é muito feio chamar um monitor de fofoqueiro! E vou ter que te torturar por tal ofensa, assim como a esposa de Macbeth que foi torturada por visões.
E dizendo isso pulou em cima de mim pretendo meus braços e sentando nas minhas pernas, beijando meu pescoço fazendo meus pelos se arrepiarem. Meu Deus! Beijamos-nos por um longo tempo até perdemos o ar, deitamos um do lado do outro e ficamos um olhando para o outro fazendo diversas carícias, eu estava encantada por ele, e com certeza ele estava encantado por mim.
—Acha que vai demorar em termos algo bem mais sério, gostoso e essencial? – O olhei assustada. Aquele assunto de sexo de novo.
—Está ainda cedo demais para isso. – Falei fechando os olhos enquanto ele beijava a minha testa.
—Ah, de novo Mikaele com esse assunto? Cedo demais? Está me enrolando á meses.
—É só isso que você quer? – Ele ficou quieto.
—Não, eu gosto de você. Só queria algo serio para concretizar a nossa relação. Entende? A gente não vai casar em Berlim? É assim que você vê todo o nosso entrosamento?
—Não é o clima agora; não no frio.
—Só porque tá frio?
—Éh, eu odeio frio.
—Só podia ser preguiçosa mesmo. – Rimos e deparamos com uma Éponine alterada invadindo o meu quarto e topando comigo e com Cainan, ela parou por um instante, ficou irritada por um segundo, mais nos olhou várias vezes e aí começou á gritar pra nós dois, palavras tão rápidas que eu não sabia se era francês ou inglês, ou alemão, ou haitiano, ou outra coisa ou se ela inventou todas as palavras dita.
Ela podia falar com nós dois, mais eu sabia do que na verdade ela gostava do Cainan, só do jeito dela falar com ele, de ela olhar para ele, conversar com ele, rir com ele, e do jeito que me encrava iradamente quando me via com ele na cama; essa foi à segunda vez, na primeira vez ela surtou e Françoise deu uma advertência para o Cainan, pois eu fingi que não estava no meu quarto na hora. Garota pestilenta nesse assunto.
—Vocês...
—Não! –Exclamei levantando a coberta e mostrando que estávamos de roupa – Vê?
—Oh, tudo bem.
— O que foi? – Perguntei me levantando enquanto Cainan com seu tédio natural fingia que não estava vendo nada. Como ele é amoroso.
—Vocês sabem que horas são? – Ela aprendeu á falar português com o Cainan; seu português era ruim, mais dava para entender. – São dez e cinquenta! – Ela apontou para seu relógio de pulso de diamante que eu não sei se era verdadeiro, só sei que estava confirmado que era 10 horas e 50 minutos. Dei um sorriso sem jeito, Cainan nem ligou.
—Aan, Bonjour?
—Bonjour nada! Se levantem precisamos organizar tudo para a chegada dos estudantes.
Passei a mão no rosto e continuei ouvindo Éponine gritando que eles deviam chegar á qualquer momento, que devíamos preparar os quartos, ver se daria para todos os alunos se precisariam colocar em dupla.
—Que horas eles chegam Éponine? Se acalme, estou, estou ficando, sério, você me irrita garota. – Ela bateu os braços nas coxas sem músculo e deu um grunhido desesperada, ela franziu a testa.
—Todo mundo te irrita jovem. – Ela se voltou para o Cainan. – Nem vamos conseguir tomar café, nem almoçar. Eles vão estar aqui ás 16 horas, como vamos fazer tudo isso?
Encaramos Éponine incrédulo.
—A gente achando que eles chegariam ás 11 horas, meio dia, vocês nos alarma, nos assusta, invade meu quarto e fica assim? – Ela cruzou os braços depois da pergunta de Cainan.
—Não arrumamos nenhum folheto de boas-vindas, nem nada.
—Você nem é monitora. – Falou Cainan nervoso se levantado, me puxando para um beijo e me levantando. De fato nós não fixemos nada, mais não precisava de alarme, Cainan não gostava de ser interrompido quando estava comigo; aliás, nem eu; e for alarmada com este: “pequeno chilique” mata ambos de nós dois. É a morte um retardado te acordar e implicar com você, você de cabeça quente o ouve, e quando nas suas férias está no melhor sono de sua vida uma filhinha de mamãe invade seu quarto e interrompe seu clima é o cumulo.
—Vai vendo o seu andar “Constance”, que eu vou ver o meu; qualquer coisa me chama e Éponine...
—Oui? – Ela fez olhos cachorrinho pra ele.
—Vai arrumar uma faixa de boas vindas pra fazer.
E meu pesadelo começa agora.
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