Notas iniciais
obrigada pelas visualizações no último capítulo ^^ fiquei muito feliz mesmo! até teve um comentário ;_; me animei bastante! desculpem por não ter postado antes, era pra ter sido na quinta-feira, mas eu fui viajar e n tinha computador nem internet até hoje :P mas eu vou postar na quinta essa semana! (assim espero) bom, como eu estou muito doente e cansada, não vai dar pra fazer uma nota inicial bacana, eu só liguei o computador pra postar a história >.< desculpa, gente! mas espero que curtam o capítulo. ele é menor do que os dois últimos, mas espero que esteja bom!

Capítulo 3: Flores Cintilantes

“I know it's true
Our sweat and blood
And armored skirts crimson
Story book pretty soldiers”

Um mês antes do sequestro de Izuki e Takao.

Miyaji caminhou calmamente pelas ruas da periferia da cidade. Pegou um cigarro do maço que carregava no bolso e acendeu com seu isqueiro. Deu uma tragada, soltando a fumaça e vendo-a enevoar o ar ao seu redor. Se seus pais soubessem o que fazia, ele sabia que iriam surtar, provavelmente iriam trancá-lo em casa para nunca mais sair.

Se ele se sentia culpado? É claro que sentia. Mas não conseguia evitar. Ele era assim, não podia evitar, gostava do perigo e se sentia atraído por ele. A vida na floricultura o estressava, como se as pessoas sorrissem completamente alheias à realidade em que viviam. Oprimidos pela terra acima de suas cabeças, vivendo às luzes de árvores brilhantes, sempre com medo do governo e da polícia. Aquilo era demais para ele, e Miyaji havia descoberto que o perigo o acalmava.

Assim, andava pelas ruas escuras, as paredes pichadas com tinta fosforescente, enquanto caminhava para o bar que estava acostumado a frequentar. O 7Sins era um lugar escuro, que dava bebidas a quem pudesse pagar, não importando a idade, e era freqüentado por todo o tipo de gente, desde pais de família que haviam perdido o emprego a mercenários e piratas. Miyaji abriu um sorriso. Era daquilo que gostava.

Chegou ao lugar, em meio a casas pobres e sujas, e entrou. O lugar estava abafado e cheirava a tabaco e álcool, e uma ou duas lâmpadas o iluminavam. Como sempre, havia flores espalhadas pelo lugar, deixando-o com um ar ainda mais sombrio.

Miyaji se sentou no balcão do bar, e o bartender logo veio atendê-lo.

– Miyaji – cumprimentou. – O que vai querer?

– O de sempre – ele disse, fazendo um gesto com a mão. O homem logo pegou um copo e cerveja, e os colocou na frente do rapaz.

– E então, vai jogar hoje? – perguntou, os olhos brilhando.

– Acho que não, Kento – Miyaji colocou a bebida no copo e tomou um gole. – Estou meio dolorido. Trabalhei a semana inteira sem descanso.

– Você fala como se fosse pior do que o jogo – o homem riu. – Mas sério, você devia tentar. Parece que tem um cara novo aí, e ele está detonando.

Miyaji de repente começou a prestar atenção. Kento percebeu, e abriu um largo sorriso.

– Estão dizendo que ele é melhor que você – ele provocou.

– Há! Não me faça rir, Kento. Ninguém é melhor do que eu nesse jogo há anos.

– Mas o cara tem potencial. Ele ganhou de todo mundo – ele ergueu uma sobrancelha. – Por que não tira a prova?

– Veremos se ele é tão bom assim – Miyaji terminou sua cerveja e se levantou. – Ninguém é melhor do que eu.

Em alguns minutos já estava na arena atrás do bar. Não era uma arena de coliseu, mas era grande o suficiente para um campeonato de luta. Miyaji era o campeão do jogo, que se chamava Barehands, e ouvir que alguém poderia vencê-lo o deixava irritado. Iria acabar com o cara exibido que estivesse tentando se mostrar, e depois iria... Atropelá-lo com um caminhão, com certeza.

– E então, onde está o cara? – perguntou a Kento.

– Ali – ele apontou para um grupinho que se preparava para mais uma partida.

Miyaji não disse nada mais, apenas caminhou rapidamente até o grupinho. Quando se aproximou, foi cumprimentado por alguns, e observado por outros.

– E aí, Miyaji? – disse um rapaz.

– Quem é o novato que está pensando que pode me derrotar? – ele disse, secamente.

Todos ficaram em silêncio, ligeiramente assustados. Até que uma voz soou atrás do grupo.

– Sou eu – todos abriram caminho para que Miyaji pudesse vê-lo. – Você é o tal de Miyaji?

Miyaji não respondeu. Na verdade, estava meio chocado. Esperava qualquer coisa, menos o rapaz parado à sua frente. Era um garoto alto, de pele branca, e de olhos enormes. Miyaji encarou aqueles olhos maníacos por um momento, surpreso. Ele usava um gorro, de forma que Miyaji não podia ver a cor de seus cabelos. Mas o que mais o surpreendeu na aparência dele eram seus dentes: ele tinha caninos pontudos, como um animal. Ele teve uma bela visão de suas presas quando o garoto abriu um largo sorriso.

– Eu sou Hayama Kotarou – ele se apresentou. – E eu não acho que posso te derrotar. Eu tenho certeza.

Miyaji sentiu seu ego explodir dentro de si.

– Seu merdinha – ele disse, apertando os punhos. – É realmente muito presunçoso para dizer um troço desses na minha cara.

– O que acha de resolvermos isso com uma partida? – ele sorriu ainda mais.

– Com prazer.

Miyaji então foi até seu armário particular, abrindo-o com a chave que sempre carregava e pegando sua arma, que atirava bolinhas duras, mas que não eram suficientes para matar. Não podia levá-la para casa, então era obrigado a deixá-la ali, mas ninguém se atrevia a mexer com Kento de olho. Miyaji então caminhou para uma das portas da arena, entrando. Havia vários lugares para se esconder ali, perfeito para o jogo, que era bem simples: acerte seu oponente. Miyaji sorriu: era um jogo de velocidade. Tinha que ser rápido o suficiente para desviar do oponente e impedir que ele te derrubasse, e ao mesmo tempo derrubá-lo. Era como um protótipo do grande jogo que acontecia todos os anos, realizado pela rainha. Mas isso é outra história.

Ele olhou para Hayama quando o rapaz entrou, e se surpreendeu ao ver a arma que escolhera.

– Ficou maluco? – ele gritou, para que pudesse ser ouvido. – Me subestima ao ponto de achar que tem chance contra mim usando isso?

– Por quê? – Hayama terminou de enrolar as bandagens ao redor da mão. Eram bandagens especiais que protegiam as mãos, mas não acrescentavam nada mais. Eram usadas no estilo das mãos nuas, mas ninguém o usava. Por um momento, Miyaji ficou inseguro. Se aquele garoto estava derrotando todos daquele jeito, ele provavelmente era bom com o estilo.

– Vou acabar com você e tirar esse sorrisinho idiota da sua cara – ele disse, rosnando, mas o garoto somente sorriu ainda mais.

– Mal posso esperar! – ele exclamou, confundindo Miyaji. – Você parece muito mais forte do que os outros caras!

– Eu sou – Miyaji sorriu, e ouviu o sinal para que o jogo começasse. Antes que o outro tivesse tempo de reagir, ele deu o primeiro tiro, mirando certeiramente na testa do garoto. Talvez depois se arrependesse do local escolhido, que podia machucar muito, mas naquele momento estava muito irritado para se importar.

Ele sorriu quando viu a bala se aproximar. Mas seu sorriso desapareceu ao perceber que o garoto não estava mais lá. Ele desviou precisamente da trajetória da bala, e já começava a andar na direção de Miyaji. Este rapidamente deu mais dois tiros, um para cada lado do corpo de Hayama, mas o garoto se abaixou, rolando no chão. O coração de Miyaji começou a bater mais forte. De todas as vezes que havia tido dificuldades em uma luta, não era por aquele motivo. Hayama simplesmente desviava da rota das balas, como se não fossem nada.

– Maldito! – Miyaji praguejou, andando para trás e dando mais dois tiros, que também foram desviados. Hayama investiu contra ele, mas Miyaji também era rápido, saltando para longe enquanto atirava. Um dos tirou atingiu Hayama no braço, e ele ouviu os que assistirem soltarem uma exclamação. O garoto de gorro olhou surpreso para o local em que havia sido atingido. E Miyaji aproveitou a distração para correr para trás de um latão de lixo.

Atirou mais uma vez, mas Hayama se esquivou novamente. Ele não sorria mais, e isso agradou Miyaji, que tomou isso como um sinal de que ele não era assim tão bom. Saltou em cima do latão, e quando Hayama se aproximou o suficiente ele saltou por cima do rapaz, dando uma cambalhota e atirando em pleno ar. Hayama se esquivou, mas a bala pegou de raspão. Miyaji quase riu, aterrissando atrás do garoto e mirando a arma em sua cabeça.

– Acabou – ele disse, sorrindo, mas Hayama foi rápido demais. Virou-se, desferindo um golpe em sua barriga que quase o derrubou. Miyaji saltou para trás, com a mão livre sobre o estômago. Hayama investiu novamente, e parecia ainda mais rápido. Miyaji atirou duas vezes, fazendo-o perder tempo ao se esquivar, e rolou para o lado. A multidão que assistia havia triplicado de tamanho, e todos gritavam e torciam.

Mas Miyaji estava muito ocupado com a luta para perceber. Hayama parecia um tigre, pronto para atacá-lo, investindo sem parar na direção dele. Miyaji conseguia se esquivar na maior parte das vezes, mas tinha sido acertado duas vezes no braço, que começava a doer muito.

Deram uma pausa para respirar, e Miyaji se afastou do garoto. Estava suando e ofegando, e Hayama parecia estar ficando cansado também. Ele percebeu que teria que terminar aquilo logo, antes que ficasse cansado demais para se esquivar. Sabia que não ia aguentar muito tempo contra as investidas rápidas do oponente.

Antes que pudesse pensar mais, Hayama se impulsionou na direção dele, e Miyaji quase não conseguiu desviar. Hayama acertou sua cabeça, deixando-o tonto, mas conseguiu mirar um tiro bem no peito do rapaz de gorro, fazendo-o cambalear e dando tempo para que ele corresse até o outro lado da arena. Abriu a arma rapidamente, constatando que tinha somente cinco balas. E Hayama já estava vindo.

Respirou fundo. Ainda tinha um último truque. Uma coisa que havia aprendido com seu pai, mas que não poderia usar nas competições oficiais. Concentrou energia sombria na última bala, e disparou o primeiro tiro contra Hayama.

O outro desviou, como Miyaji esperava. Mirou o segundo tiro onde Hayama havia se movido, mas ele desviou. O terceiro tiro foi desviado também. Hayama estava apenas fazendo ziguezague, enquanto andava na direção de Miyaji, mas ele queria que o outro fizesse isso. Precisava que ele estivesse próximo o suficiente. No quarto tiro, Hayama estava há alguns passos de Miyaji, e desviou com precisão do tiro. Miyaji nem respirava. Mirou o último tiro, a bala impregnada de energia negra, mas não fez um como nos outros tiros. Mirou no mesmo lugar do quarto tiro, e Hayama desviou de um tiro que nunca veio, fazendo o ziguezague. E a bala foi certeira em sua direção, perto demais para que ele tivesse tempo de desviar, e cheia de energia que acertaria no meio de seu peito, fazendo-o cair.

Ou, pelo menos, era para ter acontecido.

Por que Hayama fez uma coisa impossível.

Miyaji viu quando os olhos dele se arregalaram, olhando para a bala. Então algo se moveu à volta dele, como uma névoa negra, e ele desviou do tiro energizado. Miyaji não pode acreditar. Era impossível, ele havia se movido rápido demais para uma pessoa normal. Mas a névoa negra desapareceu no instante que havia aparecido, e Hayama já estava de pé na sua frente. Deu um soco em seu peito, fazendo-o voar para trás e cair de costas no chão.

O jogo havia terminado.

As pessoas gritaram e aplaudiram, mas Miyaji só conseguia encarar o teto. Impossível. Havia sido derrotado por aquele garoto irritante. Não podia acreditar. Sua mão soltou a arma, vazia, e apoiou-a sobre o peito, onde havia sido atingido. Doía, e muito. A humilhação era grande demais.

Levantou-se, sem olhar para o oponente, e saiu da arena. Surpreendentemente, ninguém o vaiou ou coisa do tipo. Apenas disseram “foi um bom jogo!”, “quem sabe na próxima vez” ou “ah, mas ele era um oponente forte”. Mas Miyaji não queria ouvir aquilo. Saiu do bar sem se despedir de ninguém, sentindo o ar frio do subterrâneo bater em seu rosto suado, bagunçando ainda mais seus cabelos. Respirou fundo, pegando um cigarro e acendendo. Tragou-o, soprando a fumaça e vendo-a sumir. Então caminhou para casa, perguntando-se como iria explicar os hematomas aos pais.

Uma semana depois, ele estava no balcão da floricultura. Não havia conseguido esconder dos pais os hematomas, e eles haviam encontrado o maço de cigarros em seu bolso. Seu pai havia lhe dado um sermão sobre responsabilidade, e suas mães haviam o abraçado e dito que era muito perigoso fazer aquele tipo de coisa. Ele não ficou proibido de sair de casa, mas teria que fazê-los somente com autorização de seus pais, e sempre acompanhado por alguém, geralmente seus pacientes irmãos.

E ele teria que ficar sempre na loja, ajudando o pai, que agora podia descansar um pouco. No começo, Miyaji havia ficado revoltado, mas então parara para pensar em quanto seu pai trabalhava para que ele tivesse aquela vida. Sentiu-se arrependido por ser um filho tão ingrato, e não reclamou de cuidar da floricultura, dedicando-se a ela. Também não tentou voltar ao bar ou à periferia. Primeiro em respeito aos pais, que confiavam nele mesmo depois de tudo. E segundo por que, depois daquela revolta humilhante, ele não tinha coragem de voltar lá. Que o garoto, Hayama, tivesse sua glória como campeão.

Cansado de ficar de pé, ele sentou-se em uma cadeira atrás do balcão, e pegou um mangá para ler. Felizmente os japoneses não haviam perdido aquilo quando foram para o subterrâneo, e ainda desenhavam mangás, embora em menor quantidade. Distraiu-se com aquilo por alguns minutos, até que ouviu o sininho da porta de entrada se abrir, e fechou o mangá.

– Bom-dia, em que posso ajudá... – ele parou quando viu quem havia entrado. – Você.

– Oh! – Hayama sorriu, os enormes olhos brilhando em sua direção. – Não acredito que te encontrei! Finalmente! Eu estava procurando por você, quer dizer, não exatamente procurando, mas eu estava curioso para saber onde você poderia morar, mas eu não te procurei exatamente, é, nossa, estou tão feliz que te encontrei!

– Certo – Miyaji massageou as têmporas. Aquele garoto era realmente irritante, e não calava a boca. – O que você quer aqui?

– Eu vim comprar flores, ué!

– E você gosta de flores? – Miyaji lançou um olhar de descrença na direção dele.

– Não, é para o aniversário da minha avó, sabe, ela é muito legal, e esta tão velhinha, mas pelo menos está viva, e nós vamos fazer uma festinha para ela, e ela adora flores.

– Você pode se acalmar, por favor? – a animação de Hayama era irritante. – Está animado com o quê?

– Você! – ele praticamente saltitava. – Sabe, desde aquele dia em que nos enfrentamos, eu não consegui parar de pensar em você! Você é tão forte, com certeza o mais forte daquele lugar, e eu nunca tinha enfrentado alguém que conseguisse me acertar e desviar de mim daquela forma! Eu tive que me esforçar muito para ganhar!

– E está animado por isso? – Miyaji ainda não conseguia acreditar.

Hayama balançou a cabeça animadamente, ainda parecendo se conter para não saltar em cima de Miyaji. Ele achou melhor mudar de assunto.

– Certo... – ele se afastou um pouco. – Que flores você quer?

– Não sei, eu não conheço muito esse negócio de flores... – ele se aproximou de Miyaji. – Faça três arranjos bem coloridos e luminosos!

– Espere um minuto – Miyaji se afastou do garoto, agradecido, e se abaixou para pegar embrulhos para colocar as flores. Enquanto fazia isso, viu que Hayama havia tirado o gorro, e que ele tinha cabelos curtos e loiro-claros. Os olhos enormes analisavam a loja, brilhando.

Parece até que os olhos dele estão cintilando... Será que as estrelas são assim? Espere, no que eu estou pensando? Miyaji se deu um tapa mental, abaixando-se para pegar os embrulhos o mais rápido possível. Queria que aquele cara fosse embora logo. Rapidamente pegou as flores mais bonitas que havia, fazendo três arranjos coloridos, e os entregou para Hayama.

– Pronto, são 40 mowds – ele disse. Hayama enfiou a mão no bolso da calça, e pegou o dinheiro. – Agora cai fora daqui.

– Miyaji-san, qual é o seu telefone?

– FORA!

Hayama não parecia se abalar com a rispidez de Miyaji, pois saiu sorrindo e saltitando, acenando para Miyaji na porta da loja. Ele se sentou na cadeira, sentindo-se mentalmente exausto. Francamente, qual eram as chances de encontrar aquele garoto novamente? Quase nulas. Abriu novamente o mangá, tentando se distrair, mas cada vez que olhava para os olhos dos personagens, lembrava-se dos olhos cintilantes de Hayama.

Suspirou. Seria um longo dia.

No dia seguinte estava de novo cuidando da loja. E, ao escutar o sininho da loja, não se surpreendeu ao ver que Hayama havia voltado, animado como sempre.

– Bom-dia, Miyaji-san! – ele se apoiou no balcão, sorrindo.

– O que você quer agora? – Miyaji nem levantou os olhos de seu mangá. Embora eu esteja curioso para saber se os olhos dele ainda estão brilhando, ou se foi só impressão...

– Você podia pelo menos me dar um oi! – Miyaji não aguentou e olhou para ele, no momento em que ele fazia um biquinho.

Ele sentiu seu rosto corar ao pensar no quão fofo ele era, e rapidamente virou o rosto.

– Veio aqui só para me dar oi? – perguntou, rude como sempre.

– Exatamente! – aquilo definitivamente chocou Miyaji, que olhou para o rapaz na sua frente.

– Está brincando comigo? – ele fechou o mangá, sabendo que não conseguiria mais ler. – Caia fora daqui!

– Mas eu não tenho nada para fazer – ele apoiou o queixo na mesa.

– E o que eu tenho a ver com isso? – Miyaji havia corado novamente. Droga! – Eu estou trabalhando!

– Eu só vim te fazer companhia – Hayama se endireitou. – Por favor, Miyaji-san! Por favor, por favor, por favor, por favor...

– Não ouse! – Miyaji sentiu o rosto esquentar quando Hayama agarrou seu braço.

– Porfavorporfavorporfavorporfavorporfavor...

– Tudo bem! – ele se desvencilhou. – Mas só se você não me atrapalhar!

– Certo! – Hayama estava radiante. Saiu saltitando pela loja, observando as flores, e Miyaji suspirou. Teria uma longa tarde pela frente, assim como a anterior. Cheia de Hayama.

O garoto insistia em conversar com ele, e por mais que o achasse irritante, Miyaji não conseguia parar de achá-lo fofo. O modo como seus olhos pareciam brilhar, aqueles dentinhos pontudos, os sorrisos infinitos... Corou com os pensamentos. O que estava acontecendo com ele?

Então lembrou-se de que, apesar da aparência, Hayama era a pessoa mais forte que conhecia. O jogo na semana anterior voltou-lhe à mente, e ele interrompeu Hayama.

– Ei, você ainda é o campeão do bar? – ele perguntou, meio arrependido e envergonhado pela derrota.

– Ahn? – Hayama olhou para ele. – Ah, não, você ainda é o campeão.

– Você me derrotou, idiota. É lógico que não sou mais o campeão.

– É sim! – ele sorriu. – Não deixei que registrassem minha vitória. Eu estava jogando apenas por diversão, procurando alguém forte. E então eu te encontrei! Na verdade, eu nunca mais voltei lá. Você ainda é o mais forte.

– Nossa – Miyaji não sabia o que dizer. – Mas por que não registrou a vitória?

– Por que... – Hayama pareceu envergonhado pela primeira vez. – Eu achei que se fizesse isso, você nunca iria gostar de mim – ele corou.

Miyaji estava sem palavras. Mas que raios era aquilo? Hayama queria que ele gostasse dele? Miyaji sentiu o rosto ficar quente novamente, e decidiu mudar de assunto antes que as coisas ficassem piores.

– No jogo... – ele começou, e Hayama voltou a observá-lo. – Aquele último tiro que eu dei... Não era para você ter desviado. Não estou dizendo isso por que acho que sou melhor do que você, por que já provamos que não sou, mas eu tinha certeza de que aquele tiro iria acertá-lo. Não tinha como você desviar – ele olhou para os enormes olhos brilhantes. – Como você fez aquilo?

Hayama se encolheu, corando. Era impossível acreditar que aquela coisinha havia derrotado Miyaji.

– Eu não posso contar para você... Ainda – ele mordeu o lábio inferior. – Talvez depois...

– Nem vem! – Miyaji se levantou, segurando seu braço, surpreendendo o outro. – Eu vi uma coisa quando você desviou. Uma sombra ao seu redor – ele estreitou os olhos. – Não tente me enganar. Você não é um Sombrio, não é?

Hayama não sorria, e havia empalidecido visivelmente. Seus olhos haviam perdido o brilho, o que fez Miyaji se arrepender momentaneamente, mas não o deixaria escapar facilmente.

– Diga-me, Hayama, o que você é? – ele aproximou seu rosto do outro, tentando intimidá-lo. Então travou, ao perceber que Hayama corara com a proximidade. Largou-o imediatamente, afastando-se enquanto corava também. Maldito moleque pervertido!

– Não posso dizer, Miyaji-san. Me desculpe – ele ainda estava corado, o que não contribuiu para o humor de Miyaji.

– Certo – ele concordou, à contragosto, sabendo que não conseguiria tirar mais nada dele. – Mas eu vou cobrar depois, hein?

Hayama assentiu, então mordeu o lábio inferior, aproximando-se de Miyaji.

– Miyaji-san... Sabe que dia é hoje?

– Quinta-feira? – olhou para o garoto.

– Não! Quer dizer, é quinta-feira, mas não é só isso. Hoje é meu aniversário – ele deu um sorriso radiante.

– Oh, parabéns – disse Miyaji, cruzando os braços, mas Hayama parecia querer algo mais. – O que você quer?

– Quero que você me dê um presente! – ele saltou de animação.

– Pode esquecer, pirralho. Não vai ter presente.

– Aww, então faça uma aposta comigo! – ele se debruçou sobre o balcão novamente. – Por favor, por favor, por favor...

– Não ouse começar com isso! – Miyaji massageou as têmporas novamente. Além de pervertido, é irritante... – Certo, que aposta você quer fazer?

– Eba! – ele se afastou. – Amanhã vai acontecer uma competição oficial de Barehands. Com juízes e tudo. Vamos jogar uma partida, e se eu ganhar você vai ter que passar um dia fazendo tudo o que eu quero!

– Ei, isso não é muito válido... – Miyaji imaginou Hayama pedindo todos os tipos de presente.

– Eu não vou pedir para me comprar nada! Só passar o dia comigo – ele fez um biquinho.

– E se eu ganhar? – Miyaji disse, antes que se deixasse levar pela expressão absurdamente fofa que o outro fazia.

– Se você ganhar, eu paro de vir aqui – ele sorriu. – Prometo, não vou mais te incomodar.

Miyaji suspirou. Sabia que não teria como recusar a aposta... Pelo menos os termos eram satisfatórios. Um dia com o pirralho irritante, ou todos os dias sem ele...

– Tudo bem, eu aceito – ele sorriu. – Mas vai ter que cumprir tudinho!

– Certo! – Hayama estava praticamente brilhando de alegria.

E Miyaji soube que teria outro longo dia pela frente...

Notas finais
n sei oq tá acontecendo, mas eu n to conseguindo escrever nas notas finais! ele n me deixa escrever tudo o q eu quero ;_; mas enfim, eu só queria dizer q MiyaHaya é meu ship favorito depois de MuraHimu ;) então espero que todos tenham gostado também! o próximo capítulo é o fim da historinha deles 03~ beijinhos, comentem o que acharam, please!