Dungeoneer - Interativa

6 Rosas são azuis - parte 1


Notas iniciais
Desculpem a demora, estava sem tempo. Além disso, esse capítulo é muito importante para a trama, não podia escrever de qualquer jeito. Ele seria maior, mas se eu fosse colocar tudo o que eu queria ia levar uns dois meses pra sair, então coloquei a parte 1, em breve postarei a segunda parte. Ah é, teremos um personagem de leitor, Uroro Morpheu, criado pelo Kenji Shinta, e também um personagem de outra fic que foi emprestado pela Lyel, valeu mesmo. Boa leitura para todos.

Após mais algumas horas de viagem, finalmente nosso grupo chegou a outro porto, aonde, onde a tartaruga foi “ancorada”.

– Muito obrigado por escolherem a Kame Transportation, apesar do incidente na Ilha das Virgens, foi uma viagem muito tranquila – disse o mestre.

– Tranquila? Nós quase morremos – retrucou Junpei.

– Nenhum passageiro foi comido por algum monstro marinho, isso já faz a viagem ser boa – falou o velho.

– Ele está certo, eu já lutei contra várias bestas nessas águas, e aquela luta que travaram foi um bom treino para vocês – completou Sortudo.

– Esse mundo é bastante selvagem – disse Beatrice.

– Com certeza nós dois em uma cama seria bem mais selvagem – falou Kon, levando um tapa da Beatrice logo em seguida.

– Antes de partirem, gostaria de informar que sou dono de uma ilha paradisíaca que é como um resort, é ótimo para passar as férias. Só tem um problema, eu tenho vagas apenas para mulheres, e não sei se eu mencionei antes, todas as praias são de nudismo – informou Kame.

– Só se o Sony puder vir também – disse Loren, fazendo o garoto ficar vermelho.

– Parece que esse cara aí é a versão mais velha do Kon – desconversou Sony.

– Sigam-me, temos que chegar ao castelo o mais rápido possível– ordenou Sortudo.

– Tá certo macaco, quanto mais rápidos formos mais tarde saímos desse mundo maluco – falou Kon.

Sortudo foi voando, enquanto todo o grupo o seguiu. O local por onde estavam caminhando parecia ser uma grande cidade para os padrões de Dungeoneer, com muitas lojas, bancas onde se vendiam todo tipo de produto, e muitas pessoas passando. Depois de algum tempo, avistaram um monte com um grande castelo em seu topo.

– Posso supor que esse seja o tal castelo não é Sortudo? – presumiu Beatrice.

– Você está certa – confirmou Sortudo.

– Aposto que eu chego no castelo antes de você – Junpei provocou Kon.

– Uma corrida? Observem garotas .

Kon saiu correndo em direção ao castelo antes mesmo do seu amigo estar preparado. Junpei começou a correr também, xingando o garoto que não esperou por um “já”, mas mesmo assim, conseguiu chegar aos portões do castelo antes do rapaz de cabelos laranja.

– Há, cheguei primeiro, viu como a trapaça não compensa – comemorou o grandalhão.

– Tanto faz, minhas pernas foram feitas para o amor e não para corridas – falou Kon.

Logo depois o restante do grupo chegou e se dirigiu a um enorme portão de madeira, que encontrava-se fechado. Dois sentinelas altos, portando espadas de duas mãos amaduras metálicas que cobria todo o corpo guardavam a entrada.

– Ei, as visitas são às quintas-feiras e tem que ser agendadas com os burocratas de Aysen, então daqui a uns dois anos vocês devem conseguir – informou um dos guardas.

– Não é isso, eu sou o grande Sortudo, saí em uma missão a mando da rainha e reuni os mais bravos guerreiros para lutar contra o grande mal que se aproxima – Sortudo aponta para os heróis, no momento em que Junpei estava tirando meleca do nariz, Loren bocejando, Sony fazendo cócegas na barriga do Hamlet e Beatrice batendo no Kon.

– São eles que vão nos salvar? – estranhou o guarda.

– É o que diz a profecia – concluiu Sortudo.

– Vamos abrir os portões.

Os portões foram abertos, porém antes que entrassem, foram interrompidos por um homem loiro e musculoso, usando uma bermudinha e uma camisa quase transparente, segurando uma pequena katana. Para completar o look, um capacete com asas.

– Onde pensam que vão? Vocês não podem entrar no castelo sem permissão – disse o homem.

– Olha, os cara de lata da portaria nos deixaram entrar – disse Loren.

– Caso não saiba, eu sou o Sortudo, o grande mago e profeta, voltei de uma missão onde reuni os heróis que vão enfrentar perigos, sofrer, se machucar e quem sabe morrer para salvar nosso mundo.

– Peraí, você não tinha falado essa parte do quem sabe morrer – protestou Kon.

– Ah tá, e você quer me convencer que vamos ser salvos por um puro músculo e nada de cérebro, um shinigami que pinta o cabelo e mal sabe segurar sua zampankutou, uma garota inexpressiva, outra vulgar e essa...coisa? – falou o sujeito, apontando sua katana na direção do Sony.

– Você disse que eu sou puro músculo? Eu também tenho ossos muito fortes, eu tomava iogurte todo dia – bradou Junpei.

– E meu cabelo é natural – Kon segurou passou a mão entre seus fios.

– Vulgar? Acho que vamos ter uma conversinha seu foragido da parada gay – Loren formou sua armadura e espada e só não partiu para cima do estranho porque Beatrice a segurou.

– Fale o que quiser de mim, mas não admito que insulte minha amiga desse jeito – Sony falou em um tom baixo, porém muito intimidador.

No meio da confusão, surge do nada um "homem" aparentando ser um pouco mais velho do que nossos heróis, com cabelos azuis lisos na altura dos ombros. Carregava um florete em uma das mãos e uma rosa azul na outra.

– O que está acontecendo aqui? – perguntou elegantemente o homem.

– Mestre, esses intrusos querem entrar no castelo – respondeu o loiro.

– Sortudo, quanto tempo, esses são os heróis do outro mundo?

– Exatamente. – respondeu o macaco.

– Desculpem os modos rudes do meu subordinado, ele é feroz na defesa da nossa rainha, porém não sabe nada sobre diplomacia. Apresente-se para os convidados! – ordenou.

– Meu nome é Uroro Morpheu, sou um tenente shinigami que cuida da defesa do castelo. Desculpem pelo modo como os tratei, mas é que temos sofrido tentativas de invasão ultimamente – disse Uroro.

– Não seja exagerado Morpheu, aquele garoto que pulou o muro pra pegar uma pipa avoada não pode ser chamado de um invasor que quer matar a rainha e destruir Dungeoneer – falou o homem – Vocês não me conhecem então deixem que eu me apresente, sou Zerus Rose, capitão chefe da guarda do castelo, conselheiro pessoal da rainha, especialista em etiqueta e faço lindos arranjos de flores nas horas vagas.

– Acho que esse cara morde a fronha nas horas vagas – Loren cochichou no ouvido da Beatrice, que riu discretamente.

– Vejo que vocês duas já estão bem a vontade não é? Eu e meu subordinado já nos apresentamos, é educado que vocês façam o mesmo.

– Beatrice Armstrong, encantada.

– Loren Raisen, entediada.

– Junpei Ryuzouki, campeão de karatê dos jogos estudantis.

– Kon da Silva, não tem nenhuma garota bonita nível deusa nesse castelo?

– Sony Vlade, sempre disposto a ajudar.

– Agora que todos já fomos apresentados, os levarei até a sala de reuniões, onde encontraremos a rainha. Depois de ouvirmos o que ela tem a dizer, vocês poderão comer e descansar, ou se preferirem, existem várias maneiras de se divertir no castelo, eu mesmo posso te entreter cenourinha – Zerus olha fixamente para o Kon.

O chefe da guarda conduziu os visitantes através do castelo, que era enorme, com muitas portas que eles não faziam ideia de que tipo de cômodos protegiam. Seus corredores eram largos e pavimentados com pedras similares a mármore multicoloridas, e os heróis subiram muitas escadas, até chegarem a uma grande porta feita com uma madeira preta e com um brasão talhado nela.

– Entrem por favor, a rainha os espera! – solicitou Zerus.

A porta foi aberta e os viajantes entraram. Era um salão grande e retangular, com várias cadeiras enfileiradas. Na extremidade da sala, um trono e sentada nele, uma elfa de cabelos e olhos roxos, usando um vestido verde longo com detalhes dourados e uma coroa de ouro com pedras vermelhas. Ela aparentava ter uns trinta e cinco anos terrestres, e apesar do vestido não ser decotado, podia perceber-se que ela tinha seios fartos.

Ao ver a mulher, Zerus, Uroro, Sortudo e Sony se curvaram, enquanto os demais ficaram apenas olhando.

– Saudações viajantes, eu sou a rainha Cunegundes.

Kon imediatamente aproximou-se da elfa e segurou sua mão.

– Eu sou o Kon, prazer – ele beijou o rosto da rainha – você é muito bonita, e essas orelhas pontudas dão um charme especial.

Cunegundes ficou em choque e paralisada, então Uroro deu um salto, segurou Kon pelo pescoço e o arrastou para fora da sala.

– Seu insolente, isso é jeito de se portar diante da grande rainha, responsável pela manutenção de toda Dungeoneer? Prepare-se para morrer! – o loiro empunhou sua espada.

– Fique calmo tenente, essas pessoas vieram de um mundo muito diferente e não conhecem nossos protocolos – falou a rainha.

– Mas rainha...

– Solte-o agora! – ordenou Cunegundes.

– Sim senhora – Uroro soltou Kon e ambos rapidamente voltaram para o salão.

– Esse bruto te machucou minha cenourinha? Quer uma massagem? Quer que eu mande açoitá-lo? – Zerus segurou na mão do Kon.

– Eh...eu estou bem, obrigado!

– Aff, tem alguma coisa errada com esse cara, não gosto dele – Beatrice falou no ouvido da Loren.

– Isso se chama ciúme – Loren cochichou com a amiga.

– Já vem você de novo! Não sei, tenho um mau pressentimento...

– Queridos amigos – a rainha dirigiu-se ao grupo – agradeço por terem vindo de tão longe para salvar nosso mundo.

– Viemos não, fomos praticamente arrastados pra cá na marra – observou Loren.

– Ela tá certa, não conheci o outro mundo por querer! – completou Junpei.

– Desculpem nossos métodos, mas todos os universos são interligados, se algum mal muito grandioso atingir Dungeoneer, o mundo de vocês também será afetado.

– Concluindo, de qualquer jeito estaríamos ferrados – disse Beatrice.

– É justamente para evitar que isso ocorra que vocês estão aqui. O Sortudo, que é um grande mago, estudou profundamente antigas profecias do nosso mundo e chegou a conclusão que um ser maligno muito poderoso está prestes a se revelar e dominar Dungeoneer ou quem sabe até destruí-la! E segundo essas mesmas profecias, nenhum nativo poderá enfrenta-lo, apenas heróis de outro plano, nesse caso, vocês.

– Ainda não sei que mal é esse, mas estou aqui pra ajudar linda rainha – falou Kon.

– Nem nós sabemos, provavelmente alguém tentará matar a rainha, por isso os trouxe para cá porque se qualquer coisa acontecer, vocês estarão aqui para impedir – falou Sortudo.

– Não vejo o porquê disso, temos dezenas de guardas e até shinigamis aqui no castelo prontos para abater qualquer invasor, não precisamos de quatro guerreiros destreinados – disse Uroro.

– Tá se achando né? Vem pra mão, te quebro agora se você quiser – Junpei armou guarda.

– Calma meus caros, deixem a rainha falar – falou Zerus calmamente.

– O Sortudo está certo. Nosso mundo foi criado e é regido por uma deusa, que chamamos de Deusa, porém ela não age diretamente em nossas vidas, mas se manifesta através das rainhas. Eu sou a rainha da matéria, cuido da estabilidade dos aspectos materiais de Dungeoneer. Além de mim, ainda existe a rainha da energia, que rege os fenômenos mágicos, e ainda a rainha bestial, que representa o aspecto destrutivo da Deusa. Essa ultima, apesar de necessária, enlouqueceu e foi banida muitos séculos atrás.

– Qualquer um que queira dominar ou destruir Dungeoneer certamente irá cometer algum atentado contra alguma das rainhas – disse Zerus.

– E o que acontece se alguma rainha morrer? – perguntou Beatrice.

– Se alguma de nós morrer antes do tempo, ocorrerão catástrofes relacionadas ao aspecto da Deusa que nós regemos. Por exemplo, se eu for morta, a matéria do mundo começará a se decompor, levando ao desaparecimento de tudo. – respondeu a rainha.

– Obrigada pelo momento educativo, mas quando podemos comer? – perguntou Loren.

– Se vossa majestade permitir, conduzirei nossos convidados à sala de jantar, e em seguida aos seus quartos, eles devem estar exaustos da longa viagem – solicitou Zerus.

– Eu permito, já terminei por hoje.

Quase todos se curvaram e enfim deixaram o salão. Zerus foi conduzindo o grupo pelo castelo, enquanto ele descaradamente dava em cima do Kon, deixando Beatrice roxa de raiva. Chegaram a uma sala de jantar, onde havia uma enorme mesa de madeira, onde todos comeram, beberam e conversaram durante horas.

– Já está anoitecendo, vou leva-los aos seus quartos – anunciou Zerus.

– Eu quero ficar no quarto da Beatrice e da Loren – falou Kon.

– Desculpe cenourinha, é contra as normas homens e mulheres ficarem no mesmo quarto, mas não se preocupem, o meu quarto é o segundo maior do castelo, perdendo apenas para os aposentos da rainha, eu posso dividir ele com você se quiser – ofereceu o chefe da guarda.

– Não precisa se incomodar, esse moleque aí tá acostumado a dormir em qualquer lugar, não é Kon? – disse Beatrice.

– De preferência bem confortável encostado nos seus seios – completou o garoto.

– Olha sua mal comida, estou oferecendo o melhor para o seu amigo – provocou Zerus.

– Mestre, eu posso acomodar os homens no alojamento dos guardas, e posso falar para as empregadas conseguirem um quarto confortável para as duas garotas – ofereceu Uroro.

– Como quiser! Madame – Zerus bateu palmas, e imediatamente uma empregada surgiu – leve nossos convidados até a área de banho, e depois traga-os de volta até mim.

A mulher guiou os aventureiros para outro andar, enquanto Zerus e Uroro permaneceram no local.

– Você percebeu o mesmo que eu mestre? – perguntou Uroro.

– Claro que percebi, aquela recalcada usa lente de contato.

– Não é isso, estou falando daquele moleque, acho que é Sony o nome dele. Certamente ele não é confiável.

– Hum, você está certo. Vou te dar uma missão: não tire os olhos dele nem por um segundo.

– Sim senhor!

– Agora pode ir atrás dele. Agora irei sair, tenho mais ordens para dar.

****

A serva levou os convidados até um local com duas portas idênticas.

– Aqui está a sala de banho. A porta da esquerda é do banho dos homens, e a da direita, das mulheres. Também posso providenciar roupas de gente pra vocês – falou a empregada.

– Ei, qual é o problema com nossas roupas? Minha roupa pode não ser “de gente” pro padrão desse mundo doido, mas garanto que sua cara é mais feia– reclamou Loren.

– Tá bom, to entrando – Kon se dirigiu para a porta da direita, até ser impedido pelo Uroro, que surgiu do nada.

– O que pensa que está fazendo? – falou o loiro.

– Ah tá, me enganei de porta – Kon foi para a outra porta.

– Tchau meninos, nos vemos na saída – sorriu Beatrice cinicamente.

– Estou doida por um banho, acho que a Beatrice que vai ter que ajudar a trocar de roupa – provocou Loren.

– Hunf, nem queria mesmo, garanto que consigo tirar a roupa de uma garota mais gostosa que vocês aqui em Dungeoneer – desdenhou Junpei.

– Beijinho então. E Sony, adorei o jeito que você me defendeu quando esse cosplay de Apolo me chamou de vulgar, você não admite mas sei que gosta de mim – falou Loren.

Sony deu um sorriso discreto, enquanto Uroro bufou. Então, cada grupo entrou na devida porta.

As garotas entraram no “vestiário” feminino. Era um cômodo quadrado com uns vinte metros quadrados, pavimentado com pedras brancas. Havia um grande banco também de pedra e no meio, uma grande, porém rasa banheira.

– Vamos sacanear os garotos? – propôs Loren.

– Como assim?

– Veja: Ai Beatrice, que massagem gostosa você está fazendo! – a mulher falou bem alto.

– Tenho que caprichar, sua pele é tão macia – Beatrice embarcou na brincadeira.

Na outra casa de banho, que ficava separada dali apenas por uma parede, os rapazes já estavam tirando a roupa para entrar na banheira.

– Você está ouvindo isso? Assim eu não aguento, vou furar essa parede – Kon estava desesperado.

– Sai de perto, se esse negócio aí crescer perto de mim eu te desço a cacete – ameaçou Junpei.

Enquanto isso, Uroro olhava fixamente para o Sony, sem sequer piscar.

– Cuidado aí Sony, acho que não é só o cara da rosinha que é gay – falou Junpei.

– Seu mentecapto, quando sair daqui vou te matar – brigou Uroro.

– Quê, o cara da rosa é gay? Não parece – assustou-se Kon.

– Não acredito nisso Kon, o cara tava quase te agarrando – disse Sony.

– Idiotas – Uroro resmungou, enquanto ficou apenas observando os outros terminarem o banho.

Após todos estarem limpos e vestidos, as meninas foram levadas por uma das empregadas para um quarto que as duas dividiriam, enquanto Uroro conduziu os garotos até um quarto coletivo onde os guardas dormiam.

****

A noite finalmente chegou. Em algum lugar do castelo, Zerus Rose conversava com uma mulher alta, com cabelos grisalhos presos em um coque, usando um longo vestido preto e branco.

– Mobilize suas subordinadas para distrair as duas recalcadas e também o grandão e o garoto de cabelos laranja, e não precisa se preocupe com o outro, meu tenente o deixará ocupado. Só deixo um aviso, vocês devem mantê-los distraídos, porém se alguma vadia tocar no meu cenourinha vai descobrir em quantas partes se divide o corpo humano – ordenou o comandante.

– Sim senhor!

A mulher partiu, enquanto Zerus soltou uma risada maligna.

Notas finais
Espero que tenham gostado, e espero postar o outro mais rápido. Beijos a todos.