Dungeoneer - Interativa

16 De volta pra minha Terra.


Notas iniciais
Olá leitores. Eita capítulo sofrido, mas consegui. A narrativa é um pouco diferente do habitual e além disso, está bem maior que os outros, espero que vocês gostem. Quanto ao título, será que nossos heróis voltaram para casa? E a resposta é Não. Boa leitura.

Beatrice etc estavam sentados ao redor da rainha, que então começou a contar o que aconteceu muito tempo atrás e que acabou acarretando nas tretas que estão ocorrendo agora.

DE VOLTA PRA MINHA TERRA

Faltava pouco para o ocaso, o céu estava avermelhado e muitas pessoas, entre humanos, fadas, gnomos e o diabo a quatro estavam silenciosamente reunidas em uma clareira, e no centro dessa aglomeração, o corpo de uma fada repousando sob belas e perfumadas flores. Preciso dizer que era a antiga rainha, também conhecida como minha mãe? Pois bem, assim que o sol se pôs, ela virou purpurina, como acontece com todas as fadas na primeira noite após sua morte.

Depois da despedida, todos voltaram para suas casas, árvores ou buracos. Eu ainda permaneci no lugar pensativa, até que Geodésica, uma das minhas irmãs vadias, veio voando até mim.

— Você deve estar bem feliz não é? Agora você finalmente se tornou a rainha.

— Eu preferia não ter sido a escolhida, minha vida será toda dedicada às minhas obrigações com rainha.

— Você não me engana!

Ela saiu puta da vida, então eu resolvi dormir por ali mesmo. Sabia que muitos acreditavam que ela se tornaria a sucessora? Desde criança ela era muito experta e puxa saco, todo mundo ficava falando “nossa, como ela é inteligente, como é educada, blá blá blá” e assim ela se sentia. Mas os anos foram passando, ela continuou sendo pintora de rodapé e eu fiquei grande e bonita, provando que eu seria a sucessora.

Nos dias seguintes, fiquei ocupada com os meus afazeres. Eu fui bem treinada para ser a rainha, as orações, meditações, harmonia com a natureza e seus elementos mágicos...essa foi a parte fácil, porém o maior desafio ia muito além disso. Os habitantes da floresta frequentemente brigavam entre si e eu tinha que resolver esses conflitos, e algo me dizia que tinha um dedo da Geodésica nesse rolo. Mas essa não era a pior parte, frequentemente a floresta sofria ataques de monstros, o que aparentemente não era um grande problema pois na época eu tinha um grande e poderoso exército de rangers, só havia um problema: eles não me respeitavam.

Cansada dessa situação, convoquei uma reunião com o líder do exército, um homem chamado Lordam. Ele tinha a reputação de ter sido o maior ranger de todos, serviu fielmente minha mãe por muitos anos e diziam que era um guerreiro implacável, apesar da idade avançada. Ele veio ao meu encontro junto com dois discípulos, Allan Hank, você era bem garoto lembra disso? E um velho conhecido seu chamado Zerus Rose.

DE VOLTA PRA MINHA TERRA INTERROMPIDO

— O que, quer dizer que o cara da rosinha é um ex power ranger? – Beatrice estava espantada.

— Exato. Nós fomos treinados pelo mestre Lordam. Quando ele chegou na floresta eu já era um aprendiz avançado, e Zerus dizia ser um shinigami e que queria se tornar um ranger para ser capaz de lutar contra inimigos mais poderosos do que simples hollows. Eu fui contra isso desde o começo, um homem que acumule poderes dessas duas classes será tão poderoso que pode ser uma enorme ameaça, porém meu mestre quis treiná-lo, acreditando que ele pudesse sucedê-lo um dia – contou Allan.

— Obrigada por terem me interrompido, agora vou continuar e guardem suas opiniões para vocês.

DE VOLTA AO DE VOLTA PRA MINHA TERRA

Lordam e seus discípulos vieram ao meu encontro. Até hoje lembro da cara de desdém dele, mas fazer o que, se eu ganhasse o seu apoio as coisas ficariam muito mais fáceis para mim.

— Rainha, espero que tenha um bom motivo para ter me chamado até aqui, sou um homem ocupado – falou o ranger.

Se fosse hoje, eu teria mandado quebrar as articulações dele, mas eu era muito boba e resolvi conversar.

— As coisas não andam bem na floresta desde que a minha mãe morreu. As fadas e gnomos brigam o tempo todo e quando eu tento uma solução diplomática, eles brigam mais ainda. Os trabalhadores estão preguiçosos, temo que daqui a algum tempo falte comida, mas o motivo que o chamei foi outro. Nós estamos sendo atacados diariamente e pelo que sei, o exército está desorganizado e desmotivado, nos tornando excessivamente vulneráveis. Por favor, preciso da sua ajuda para unir os rangers e tudo voltar a ser como antes, pelo bem de Dungeoneer.

— Sua mãe era uma excelente rainha, delicada como uma flor na maior parte do tempo, porém dura como uma rocha nos momentos de crise. Foi uma honra ser o líder do seu exército durante quase dois séculos, e infelizmente, o tempo dela acabou antes do meu. Se me permite, tenho muito o que fazer.

— Por favor, me dê uma solução, não podemos deixar o trabalho da minhas antepassadas ruir.

— Como você quer que os rangers te respeitem se você não bota ordem nem em um bando de fadas fofoqueiras? Quer respeito? Imponha respeito.

Lordam e seus discípulos saíram da minha presença me deixando no vácuo. Naquela tarde, um gnomo veio me chamar dizendo que duas das minhas irmãs estavam brigando, então eu fui tentar resolver.

— Sua piranha, o Sortudo é meu! – uma das fadas puxava os cabelos da outra.

— Foi por sua causa que ele foi embora – a outra deu uma mordida na primeira.

— Parem com isso, vocês são irmãs, não vale a pena brigar por causa de um macaco – tentei acabar com a briga, sem sucesso.

— Pra você é fácil, daqui a algum tempo vai chegar um príncipe lindo só para você, já nós temos que disputar os poucos homens que tem por aqui – a fada falou comigo, antes de levar uma unhada da outra.

Acho graça elas considerarem o Sortudo como um homem e ainda brigarem por ele. Se ele não tivesse saído da floresta, com certeza então teria se tornado um grande mago, era tanta fada querendo dar que ele não ia ter tempo pra isso. Se fadas comuns não fossem estéreis haveria vários sortudinhos andando por aqui. E quem diria que quando meu príncipe chegasse seria esse inútil do Edward.

Enfim, não consegui separar a briga, então chegou Zerus e calmamente segurou uma fadinha em cada mão.

— Meninas, não vale a pena ficar brigando por causa de um bofe que já meteu o pé faz tempo. Vamos parar se não eu arranco suas asinhas.

A briga parou, cada uma foi para um lado e a plateia que assistia rapidamente se dispersou.

— Obrigada...como é mesmo o seu nome?

— Zerus Rose.

— Como você conseguiu acabar com a briga? Pareceu tão fácil.

— É simples, periguetes vulgares sempre reconhecem a superioridade de uma diva como eu. Também gostaria de pedir desculpas pelos modos rudes do meu mestre quando você o chamou, ele é um ótimo lutador mas não passa de um velho conservador. Mas se a senhora me permitir, posso ficar sempre ao seu lado e tenho certeza que em pouco tempo, você será uma rainha tão respeitada quanto a sua mãe foi.

Eu fiquei muito feliz e aceitei sua generosa oferta. Eu o nomeei como meu secretário de assuntos gerais, cargo que eu inventei para justificar a saída do Zerus do exército. Em pouco tempo as brigas entre as fadas e gnomos diminuíram e a coleta de frutos e animais comestíveis aumentou. Faltava apenas reorganizar o exército para meu reinado ficar perfeito.

Dias depois, em uma noite escura, eu estava me preparando para dormir quando Geodésica veio até mim gritando desesperadamente.

— Calamidade calamidade!

— O que houve sua doida?

— Uns monstros gigantes estão atacando a floresta. Ouvi dizer que já mataram vários rangers e estão quase chegando até aqui!

— Obrigada! Procure um abrigo seguro, preciso falar com Zerus.

Voei até o campo de flores onde Zerus costumava dormir, e o encontrei penteando os cabelos, então contei o que estava acontecendo.

— Muito bem minha rainha, acabarei com esse monstro que ameaça nosso lindo reino. Me acompanhe, quero que me veja em ação.

Ele correu como um leopardo, e mesmo com asas, foi difícil segui-lo. Eu devia ter desconfiado que ele tinha alguma coisa a ver com o ataque, eu não falei onde os monstros estavam ele foi até o local correto. Continuando, não muito longe dali dois gigantes vestindo mantos negros e máscaras brancas com nariz de Pinóquio destruíam as árvores, e um pequeno grupo de homens tentava detê-los, sem sucesso. Até mesmo Lordan e Allan tinham dificuldade em segurá-los, todo tipo de plantas que eles invocavam eram imediatamente destruídas pelos monstros.

— Que droga de monstros são esses? – Allan gritava.

— São menos grandes, evolução dos hollows. São raros e muito perigosos – disse Lordan, enquanto invocava uma barreira de espinhos.

— Deixem eles comigo!

Zerus sacou sua espada... zam qualquer coisa como os shinigamis costumam chamar. Ele saltou muito além do que um humano conseguiria e deu um golpe na face de um dos monstros, que caiu morto instantaneamente. O outro deu mais trabalho, o monstro e Zerus trocaram vários golpes até que em um momento, o menos deu um grito ensurdecedor, e a onda sônica foi tão intensa que jogou todos nós longe.

— Monstro maldito, despenteou o meu cabelo. Transforme os meus sonhos em realidade Morpheus.

Rose pronunciou tais palavras com elegância, então sua espada se transformou em um chicote, e este sugou as flores da floresta para si como se fosse um imã atraindo ferro, níquel, cobalto ou ligas feitas com esses metais. Ele então deu uma chicotada a la Beto Carreiro, o chicote de flores cresceu e finalmente, acertou a face do monstro, destruindo-o.

Sua espada voltou à sua forma original.

— Rainha, rogo que não tenha se ferido – ele estendeu a mão, me ajudando a levantar.

— Eu estou bem. – me refiz, tentando aparentar que tinha achado tudo muito normal – Agora preciso de um relatório do ataque.

— Será feito.

Antes que eu me retirasse junto com meu novo conselheiro, Lordan veio até nós.

— Zerus Rose, vejo que não tenho mais nada a te ensinar, na verdade, tenho certeza de que você já me superou. Anuncio minha aposentadoria e te indico para me suceder como líder do exército de rangers.

— Ai que dúvida...sei que a responsabilidade é grande, mas aceito receber tal honra.

Perceberam que ninguém pediu a minha opinião?

— Mestre, o senhor não pode nos deixar nesse momento de crise, além disso, percebeu que ele não pediu permissão das flores para usá-las como arma? – contestou Allan.

— O momento é de crise e é por isso que passo o meu posto para um hom...pessoa mais preparada do que eu. E você, como um jovem promissor, deve estar sempre ao lado dele para o que ele precisar.

Nesse momento, Zerus deu um olhar malégno para Allan.

Na manhã seguinte, Lordan passou o seu posto oficialmente para Zerus, sob aplausos dos rangers, muitos deles feridos pela luta da noite anterior. Além disso, os mortos foram sepultados com honras militares.

Os dias que se seguiram foram calmos. Não sofremos ataques e o exército voltou a patrulhar e treinar com afinco, porém, essa calmaria não iria durar. Em outra noite como aquela, fomos novamente atacados, porém dessa vez, quem nos atacou foi um demônio, ou assim Zerus me contou. Em síntese, eu e as outras fadas passamos a noite escondidas em uma caverna sentindo a terra tremer e sem saber ao certo o que estava acontecendo, e ao fim daquela noite o demônio foi derrotado, porém mais da metade do nosso exército foi dizimado.

Convoquei uma reunião de emergência com representantes de todos os setores da nossa floresta. Obviamente Zerus estava presente, assim como Allan. Convidei Lordan, porém ele se recusou a comparecer, e chamei até a minha irmã Geodésica, eu devia ter merda na cabeça, só pode. Enfim, todos estávamos lá.

— Eu agradeço a todos pela presença. Fico feliz que a maior parte dos nossos problemas estejam sanados, porém voltamos a sofrer ataques e tivemos muitas baixas e se continuarem nos atacando, não resistiremos.

— Isso não acontecerá, a defenderei com minha vida – bradou Allan, puxando o saco.

— Já considerou pedir ajuda às outras rainhas? – sugeriu um gnomo que eu não lembro o nome.

— Não é comum as rainhas interagirem entre si. Eu perguntei uma vez à minha mãe sobre as outras rainhas e ela me disse que só esteve com a rainha da Matéria uma vez e não conhece a rainha Bestial, não sei se receberei algum tipo de ajuda.

— Pela primeira vez você falou alguma coisa sábia “rainha” – Geodésica frisou bem a palavra rainha – não sabemos nada sobre as outras rainhas e pouco sobre o mundo fora da floresta. O único que não nasceu aqui foi o Zerus, o que tem a nos dizer?

— Sim, eu conheço muito sobre o mundo. Eu fiz parte do guarda da rainha da Matéria, mas como estamos sendo atacados por monstros malignos a pessoa mais apta a nos ajudar é a rainha Bestial – Zerus deu uma cafungada na sua rosa azul enquanto falava.

— Eu sei que já fomos atacados antes, geralmente por bandos de orcs ou ogros ou na pior das hipóteses, por algum dragão cospe fogo, mas dois Menos Grandes? Demônios? Não acham estranho? – Geodésica jogou dúvidas no ar.

— Pelo que eu sei, é a rainha bestial quem controla os monstros não é verdade? – lembrou Allan – concordo Zerus que talvez ela possa nos ajudar.

— Está decidido, faremos uma visita oficial à rainha besta. Gostaria que Zerus e Allan viessem comigo, e por favor, instruam muito bem nossos poucos rangers para que protejam a população enquanto estamos fora. E Geodésica, sei que queria muito ser a rainha, então vou te dar a oportunidade de ficar no meu lugar enquanto estou fora.

— Acha que quero esmolas? Vou assumir a responsabilidade apenas porque se eu não o fizer, vai tudo vira uma zona novamente.

DE VOLTA PRA MINHA TERRA INTERROMPIDO MAIS UMA VEZ

— Rainha bestial? Deve ser feia que nem um catiço – manifestou-se Kenta.

— Nada dsso, é a mais bela de todas. Mas não se engane, apesar de sua imensa beleza, é feroz como um dragão e dizem que põe um exército para correr apenas com um olhar. Mas para não ser interrompida novamente, CALATE A BOCA DE GERAL.

Todos ficaram mudos com o feitiço lançado pela Catenária, que continuou contando sua história.

DE VOLTA PRA MINHA TERRA DEFINITIVO

Fizemos uma longa viagem ao encontro da rainha bestial, sendo guiados por Zerus, o único que sabia como encontra-la. Depois de dias, chegamos a uma caverna.

— É aqui que ela vive? – eu estava achando tudo muito estranho.

— Cada rainha tem seu ambiente natural. Muitos achariam estranho que você, a bela e poderosa rainha da energia, durma no chão ou em cima de árvores – comentou Zerus.

Eu achava super normal dormir no chão ou em cima de árvores, mas como o Zerus conhecia o mundo inteiro e eu estava saindo da floresta pela primeira vez, ele devia estar certo.

Entramos na caverna, que apesar de feia por fora, até que era limpinha e iluminada por dentro. Andamos um pouco e logo fomos abordados por um monstro de pedra com o aspecto de um humano bombado e medindo uns três metros de altura.

— Voltem por onde entraram ou serão esmagados – falou o monstro, que possuía a voz de vocalista de death metal.

— Não vamos recuar – Allan já pegava algumas sementes em seu bolso.

— Contenha sua testosterona Allan. Essa fada é a rainha da energia, queremos conversar com a rainha bestial – falou Zerus elegantemente.

— Hum...fiquem aqui, vou enviar uma mensagem que deverá ser entregue à nossa rainha. RAINHA, TEM UMA FADA E DOIS BAITOLAS QUERENDO FALAR COM A SENHORA! – o homem pedra deu um grito ensurdecedor.

— MANDA ENTRAR – uma voz feminina muito alta gritou de volta.

— MAS RAINHA, E SE ELES QUISEREM TE MATAR?

— E VOCÊ ACHA QUE EU TENHO MEDO DE DOIS BAITOLAS E UMA FADA? MANDA ENTRAR LOGO!

O monstro mandou seguirmos pela caverna. Andamos bastante, até chegarmos ao fundo, onde estranhamente, havia uma porta entreaberta e resolvemos entrar. Chegamos a um local que parecia uma espécie de galpão todo feito de pedra, e apesar de ser uma caverna, no seu interior era claro como o dia. Havia pedras preciosas e moedas de ouro simplesmente largadas no chão e monstros de todos os tipos andavam tranquilamente pelo lugar. Então uma humana loirinha e delicada, usando um top e uma micro saia veio andando até nós, enquanto devorava uma enorme coxa de algum tipo de ave.

— Secretária, estamos aqui para falar com a rainha bestial, pode nos levar até ela? – pedi educadamente.

— Secretária? – ela deu uma risadinha – eu sou a rainha bestial, em que posso ajuda-los?

Era difícil acreditar que ela era a rainha, enfim, comecei a contar o meu dilema.

— Por favor, me desculpe pelo meu erro. Eu sou Catenária, a rainha da energia, e esses são os melhores homens do meu exército – eu apresentei Zerus e Allan – Meu reino vem sido atacado constantemente por monstros, e no último ataque, perdi a maior parte do meu exército.

— Você vive na floresta das fadinhas felizes não é mesmo?

— De certa forma...

— E esses são seus melhores homens? Não é a toa que estão sendo atacados.

— Ora sua... – Allan fechou a mão e estava pronto para ataca-la, porém foi impedido por Zerus.

— Me permita linda diva – falou Zerus – pedimos humildemente ajuda militar. Outra coisa, gostaríamos de saber por que estamos sendo atacados por tantos monstros de alto nível, como Menos Grandes e até demônios.

— Respondendo suas perguntas, sim, vou fornecer ajuda militar. Segundo, seu reino é fraco, se torna um alvo fácil. Quanto aos menos grandes, eu estou procurando uma solução diplomática para o problema de ataques de hollows que toda Dungeoneer está sofrendo, eu já conversei com o rei dos hollows sobre eles comerem apenas criminosos condenados, e ele me prometeu dar uma resposta em breve. E sobre demônios, duvido que tenham sido atacados por um, eu mesma os matei ou bani há mais de cem anos.

— Fico muito agradecida. E quando poderemos contar com alguns dos homens do seu exército? Não precisamos de muitos, uns cem está bom – falei.

— Posso dar essa ajuda instantaneamente. Zezinho, venha aqui!

Rapidamente um molequinho ruivo, magro e cheio de sardas com aproximadamente dez anos de idade se apresentou.

— Essas três moças são da floresta da fadinhas felizes, e a que tem asas é uma rainha. Vá com eles e defenda a floresta de qualquer inimigo que ataque.

— Dois homens e uma moça – corrigiu Allan.

— Fale por você, um cara e duas divas – disse Zerus.

— Não querendo ser desrespeitosa, mas até o que sobrou do nosso exército deve ser algumas dezenas de homens, bem mais do que um garotinho.

— Tenha certeza que esse molequinho vale mais do que suas dezenas de fadinhas. Zezinho, assuma sua forma verdadeira só por uns instantes.

O garoto começou a crescer, se transformando em uma serpente verde gigante, e ao invés de uma, três cabeças. Uma das cabeças era de um dragão vermelho, a outra de lobo e a terceira parecia a de uma formiga gigante. Depois de aterrorizar os visitantes por alguns segundos, voltou à sua forma de garoto.

— Como já disse, ele vale mais do que o seu exército inteiro.

Tentei conter o meu pavor diante daquela visão, mas fiquei feliz pela ajuda que ela me forneceu. Agradeci novamente e fomos embora.

As semanas que se seguiram foram tranquilas. No início, os rangers se sentiram insultados pelo reforço ao nosso exército ser um garoto pequeno e magrelo, mas depois que eles o viram aniquilar um bando de zumbis sozinho, até que eles começaram a se sentir melhor com a sua presença.

Passamos dois meses sem ataques. Aproveitamos o momento de calmaria para preparar o festival da primavera, que é um festival que fazemos na primavera. Na noite do festival reunimos toda a floresta aqui onde estamos, bebemos, alguns comeram, outros foram comidos, mas o importante é que todos estávamos aqui, inclusive os rangers e até o Zezinho.

Quando o relógio deu as baladas das dez e quarenta e três, o Zezinho começou a ficar estranho. Eu não fiquei preocupada, achei que fosse só um porre mesmo, porém ele cresceu não como o monstro de três cabeças, mas como estivesse virando um homem adulto. Tá, nada de mais, até que ele começou a lançar chamas negras pelas mãos, incendiando árvores e fadinhas.

— É um demônio, peguem ele!

As fadas e gnomos fugiam por suas vidas, enquanto os rangers tentavam contê-lo, sem sucesso. No meio da confusão, Geodésica me puxou pelas mãos até um lugar seguro.

— Obrigada mas...por que fez isso se me odeia?

— Apenas não sou louca, se você morrer agora, será o fim de Dungeoneer e de todos nós.

Mesmo escondida, fiquei observando o que acontecia. Foi uma luta terrível dos nossos remanescentes contra o Zezinho, era desesperador ver minha linda floresta pegando fogo e meus rangers morrendo um a um, mas no fim, Zerus usou aquela técnica de transformar a espada em um chicote e com ela, acabou com o demônio. Quando tudo estava seguro, eu voltei ao campo de batalha, onde ele estava imponente, mas com um olhar triste.

— Rainha – ele se curvou – o demônio foi abatido, mas infelizmente, todos nossos homens foram aniquilados.

Nesse momento, Allan se levantou, ainda que ferido e chamuscado.

— Me perdoe rainha, não consegui vencê-lo.

Eu fiquei feliz por ele estar vivo, e apenas o abracei. Como eu era lerda, não percebi a cara de decepção quando do Zerus quando descobriu que o Allan não estava morto.

No dia seguinte, convoquei uma nova reunião. Para quê? Não sei, a única coisa que eu sabia é estávamos sem defesas e que a rainha bestial não era confiável.

— Nós estamos sem defesas e a rainha bestial não é confiável – assim comecei a reunião. Na verdade, era basicamente um bate papo com o Zerus e a Geodéisica, já que o Allan ainda estava muito machucado e se recuperava em uma caverna.

— Agora temos certeza que a responsável pelos ataques que estamos sofrendo é a rainha bestial, porém mesmo eu sendo uma diva poderosíssima, não creio que consiga detê-la sozinho. Além disso, a situação irá piorar se ela morrer, e não sabemos se existe alguém apta a substituí-la – falou Zerus.

— Você deveria estudar mais “rainha”. Você não pode nem deve mata-la, porém é possível bani-la – contou Geodésica.

— Como assim? A quem devo recorrer?

— Apenas a rainha da energia pode faze-lo, ah tá, é você. Procure nos livros proibidos que a mãe guardava no interior do tronco da árvore de cristal.

— Mas são proibidos...

— Vai logo porra!

Fiz o que ela mandou. Li livros enormes, aprendi feitiços nada ortodoxos, até que encontrei a magia de banimento. O livro dizia que é um feitiço tão poderoso que apenas a rainha da energia é capaz de executá-lo, e que a vítima seria enviada para o vácuo entre os universos e ficaria presa para sempre no vazio. Depois de aprender sobre sua existência, passei vários dias sem dormir o estudando e treinando para finalmente realizar o feitiço quando chegasse a hora e, definitivamente, eu não poderia errar.

Eu sabia como banir a rainha má, mas para isso, eu precisaria estar cara a cara com ela. Eu poderia ir até sua caverna, mas tinha certeza de que não sairia viva de lá se a banisse, então o Zerus teve uma ideia: convidá-la para um festival de frangos gigantes assados. Mandei um mensageiro levar o convite e para minha surpresa, ela confirmou presença.

Preparamos tudo para “recepcioná-la”. Mandei preparar um frango gigante e deixei meu exército, ou seja, Zerus e o Allan, a postos. No dia combinado ela chegou acompanhada de de um garoto moreninho de uns quinze anos de idade, gatinho por sinal.

— Seja bem vinda e obrigada por aceitar o meu convite – agradeci educadamente.

— Dinada, agora cadê o rango? – ela já estava munida de garfo e faca.

— Já vamos servir.

O frango foi servido, e era incrível como uma mulher tão magra conseguia comer tanto. No fim, ela e seu acompanhante apenas encostaram em uma árvore e dormiram.

“Agora é a minha chance” pensei, e então, comecei a recitar o feitiço.

— Mete o pé para sempre rainha mau caráter!

Pode parecer simples, mas tais palavras sendo emanadas por mim tinham um poder incrível. Uma grande energia mágica saiu do meu corpo e a envolveu, e nesse momento, ela acordou com sangue nos olhos.

— SUA VACA, VOU TE MATAR....

Antes de terminar a frase, ela simplesmente desapareceu. Eu fiquei fraca e caí no chão, e garoto que estava com ela também acordou, muito assustado.

— O que...o que fizeram com a minha rainha?

— Pode assumir sua forma real que ainda assim poderei mata-lo – falou Allan, já recuperado dos ferimentos que sofreu dias antes.

— Forma real? Essa é minha forma real, vocês estão pensando que sou um super monstro de combate? Ela só me trouxe por que, como ela mesma dizia, eu tenho uma língua mágica.

Rapidamente Zerus furou o pescoço do rapaz, que sangrou muito e morreu em pouco tempo.

— Por que você fez isso, ele era só um intérprete – reclamou Allan, sem entender o que que Zerus fez e nem qual era a verdadeira função do rapaz.

— Ele é testemunha. Imagina se aqueles monstros descobrirem que a Catenária baniu a rainha bestial? Seremos aniquilados.

Eu também não concordava com o que ele havia feito, porém o feitiço de banimento consumiu todas minhas forças que eu sequer conseguia falar, apenas fiquei no chão imóvel, porém ainda consciente.

— Está quase terminado, só falta uma coisa.

Zerus pegou sua espada, ainda suja com o sangue do rapaz que havia acabado de assassinar, e a levantou, pronto para fincá-la em mim, porém antes de cumprir seu objetivo, seu braço foi envolto por cipós.

— Não vou deixar que mate a rainha sua bicha louca – Allan controlava os cipós, que apertavam o braço de Zerus com muita força.

— Não seja ridículo, acha que pode me vencer? Eu não pretendia te matar, mas já que você insiste – Zerus simplesmente fez os cipós murcharem e em seguida, viraram pó.

— Zerus – Geodésica gritou – por favor, não a mate.

— Tolinha, estou realizando o seu sonho e quer me impedir?

— Quando você disse que me tornaria rainha, não falou que ia matar a minha irmã.

— Você é burra mesmo. Não se preocupe, eu mato a sua irmã, te dou uma poção de crescimento, você vira a nova rainha mas no fim quem vai mandar em tudo sou eu. Um belo plano não é mesmo?

— Não esqueça, eu ainda estou vivo!

Allan jogou algumas sementes, das quais brotaram plantas carnívoras com pernas, que atacaram Zerus, porém a maligna retalhou todas com sua espada.

— Já que insiste, vou acabar com você primeiro.

Zerus transformou sua espada em chicote, e quando ia acertar Allan, alguém segurou o chicote com a mão.

— Lordan! – todos os presentes se espantaram, pois ninguém via o velho ranger há meses.

— Allan...rainha, me desculpem por não ter percebido as intenções desse ser maligno antes.

— E o que pretende fazer seu velho caquético? – Zerus desdenhava.

— Sei que não posso te vencer, e quando for morto, estarei pagando pela péssima decisão de treiná-lo e de tê-lo posto como o meu sucessor. Mas posso afastá-lo daqui antes de morrer.

Lordan lançou cipós em alta velocidade contra o inimigo, de forma que Zerus não conseguiu se defender e levou uma espécie de tapa dos cipós. O impacto foi tão forte que arremessou o corpo do afeminado a centenas de metros dali.

— Allan, proteja a rainha! Geodésica, se pretende se redimir de seus crimes perante a deusa, use o feitiço de restrição, tenho certeza que você sabe como fazê-lo!

O velho ranger correu até Zerus, que estava se recuperando do ataque sofrido. Os dois ficaram medindo forças, e nesse momento, Geodésica começou a recitar um feitiço.

— Manter-te viadom longe darrente!

Zerus foi novamente arremessado para muuuuito longe, desta vez pela força da magia da Geodésica. Porém, antes de desaparecer do nosso campo de visão, ele decaptou Lordan.

Logo depois de utilizar o feitiço, Geodésica me olhou com tristeza e logo virou purpurina. Um feitiço de restrição é exclusivo da rainha da energia, e como ela não era a autência rainha, seu corpo não resistiu. E o que eu pensei naquela hora? Bem feito desgraçada! Foi naquele momento que eu deixei de ser bocó.

Nos dias que se seguiram começamos a contar os estragos. O meu feitiço funcionou, pois nunca mais ouvimos falar da rainha bestial. O feitiço da Geodésica também deu certo, Zerus nem ninguém enviado por ele jamais conseguiu entrar na minha floresta novamente, porém, ocorreu um efeito colateral inesperadado: todos os seres vivos que estavam dentro da floresta no momento em que o feitiço foi lançado nunca conseguirão sair daqui. Pessoas de fora conseguem entrar ou sair normalmente, mas os nativos não conseguem ir embora por mais que tentem, uma barreira mágica impede que o façam.

Aos poucos nossa vida foi voltando ao normal. Allan treinou garotos que ainda eram crianças naquela época, e hoje temos um grupo de rangers pequeno, porém forte e leal. Tentei de todas as formas contactar a rainha da matéria, mas infelizmente não tive sucesso, então me restou esperar pelo meu príncipe e pelos heróis do outro mundo como previsto na profecia, e espero que esses não me decepcionem.

FIM DO DE VOLTA PRA MINHA TERRA

Catenária desfez o feitiço Calate a boca de geral.

— Que história triste – lágrimas escorriam dos olhos de Beah.

— Não fique triste, eu te dou um abraço – Edward deu um forte abraço no Kenta.

— Sai daqui, por que você tá me abraçando se é a garota que está chorando? – Kenta protestou, tentando se livrar daquele contato inconveniente.

— Agora que você sabe de tudo isso, conte aos seus amigos, quando reencontrá-los. Aliás, por que você se separou deles mesmo? – perguntou a rainha.

— Me disseram que existe uma tal de Maga Lee, que pode me ensinar a usar melhor os meus poderes. Até agora fui um peso morto, mas quero ficar forte e lutar junto com eles.

— Você é realmente única, está se arriscando para salvar um mundo que nem é o seu – comentou Allan.

— Espera aí, a vaga de galanteador já está ocupada – reclamou Kenta, que já havia se livrado do abraço do “vampiro”.

— Já está de noite. Esperem amanhecer e então partam, há muito tempo que eu não vejo a maga Lee, mas dizem que ela aparece de vez em quando no lago Hylia. Ordeno que vocês, Edward, Allan e o outro que não sei o nome, cuidem para que essa garota chegue até lá em segurança. Agora estou cansada de ficar horas falando, vou para minha árvore e vocês podem dormir em qualquer lugar. Ah é, e podem comer qualquer coisa que encontrarem pelo caminho.

Nessa hora, Kenta deu um olhar faminto para Beatrice.

— A rainha está falando de comida, nem pense em se aproveitar dela – falou Allan, com um tom ameaçador.

Todos comeram e então foram dormir. Novamente, Beatrice usava o corpo do Allan para se proteger do Kenta, e mal sabiam eles o que os esperava no dia seguinte.

Notas finais
É isso. Peço desculpas pelo outro grupo, Kon, Junpei, Loren, Sony, Uroro e Hyugi não terem aparecido nesse capítulo, mas eu precisava contar essa história. No próximo, teremos uma longa participação deles. E se você estiver aborrecido por passar o carnaval em casa, lembre-se, você poderia estar em um hospital. Ou preso. Até o próximo capítulo e obrigado por lerem.