Dumb
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Depois do jantar ficamos mais um tempo estudando as linguagens de sinais.
-Frank, não está ficando tarde? –Helena me perguntou.
-É, eu acho que sim. –Eu respondi.
Gerard me olhou triste e depois pra avó dele: Ele pode dormir aqui hoje?
-Querido, temos que pedir para os pais do Frank.
-Eles não estão em casa. –Eu respondi. –Eles nunca estão, está tudo bem em eu dormir aqui.
-Bem, sendo assim e então tudo bem. Não vão dormir muito tarde.
Balançamos a cabeça e o Mikey foi tomar banho e a Helena subiu para seu quarto e ficou só eu e o Gerard na sala.
-Ah... E esse aqui? –Eu falava e ele me ensinava e escrevia no papel. Eu olhei um estranho e perguntei e novo. –E esse? Parece aqueles de rock. –Imitei.
Gerard escreveu: Eu te amo.
Por algum motivo aquilo me fez corar, eu fiquei mais vermelho que uma pimenta e olhei pra baixo, eu sabia que ele estava me explicando, mas eu fiquei com vergonha. Eu acho que estou gostando do Gerard.
Mikey saiu do banho e me olhou vermelho.
-O que houve?
-Nada. –Eu respondi.
-Frank, eu acho que você vai ter que dormir com um de nós.
-Não tem problema. –Eu disse.
-Comigo. –Gerard fez sinal.
Eu fiquei mais vermelho ainda, mas depois disso eu tomei uma ducha e usei um pijama do Mikey, eu sou baixinho e então do Gerard ia ficar muito grande.
Fui até o quarto dele e tinha um colchão no chão.
-Dorme comigo aqui. –Ele me disse com as mãos. –O colchão é duro no chão, e eu não gosto de dormir sozinho.
-Mikey não dorme com você? –Eu perguntei enquanto me incomodava na cama do Gerard.
-Passado.
Eu agarrei no Gerard, ele era gordinho e eu adorei abraçá-lo, ele então apagou o abajur e eu disse.
-Boa noite Gerard. Amanhã eu começo com psicologia pra te ajudar.
Ele balançou a cabeça e dormimos juntinhos, eu estava tão feliz por dormir com ele. Eu realmente estava gostando dele, só estou com vergonha de me declarar.
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Acordei e o Gerard ainda estava na cama agarrado em mim, eu fiquei mais de dez minutos acariciando sua cabeça e passando a mão em seu cabelo e o vendo dormir. Eu queria roubar um beijo, mas eu acho que seria muito apressado, sendo que só somos amigos na visão do Gerard e eu não quero apressar isso.
Estou me sentindo um puto falando assim, eu nem viro amigo do cara direito e já quero ser namorado ou algo do tipo, mas eu estava realmente gostando dele.
Só não vamos colocar a carroça na frente dos bois. Eu me repetia.
Gerard acordou e ficou me olhando fixamente em meus olhos.
-Bom dia. –Eu disse.
Ele me deu um beijo em minha testa e eu fiquei vermelho, muito vermelho.
-Porque fez isso? –Eu perguntei olhando para o lado.
Ele nada me disse e eu me levantei e fui ao banheiro e fiquei refletindo sobre aquele beijo, o que o Gerard queria me dizer? Será que é tão difícil eu o entendê-lo? Ou vise versa? Como é difícil entender alguém que só fala com mímicas... Ou não, eu também estou falando com mímicas com o Gerard.
Primeiro eu tenho que entendê-lo e assim ele vai me entender. Sai do banheiro e fui até a cozinha, estava cheirando café fresco.
Os irmãos Ways estavam lá.
-Ué, onde está a Helena? –Eu perguntei.
-Ela trabalha em dia de sábado também. VIDEO GAME O DIA TODO! –Gritou o Mikey.
Eu olhei pro Gerard e ele balançava a cabeça negativamente.
-Gerard, eu vou começar hoje a sua “terapia” tudo bem?
-Ok. –Dizia com um gesto.
Como o Mikey estava na sala se divertindo eu e o Gee, subimos no quarto dele com meus livros de psicologia... Sozinhos.
Entramos e sentamos na cama e eu abri o livro no capitulo um, e eu li calmamente sobre o que tinha que perguntar ao Gee. E francamente eu não entendi porra nenhuma daquilo misturada com filosofia.
-Acho que é melhor eu fazer perguntas de amigos. E seus pais Gee?
Eu fazia a pergunta é claro com a base do livro, só disse aquilo pra ele se sentir mais confortável em responder.
-Separaram. –Ele disse com seus dedos.
-E onde eles estão?
-Sei lá. Eles não vem visitar nós. Minha avó que cuida de nós.
-E porque você não quer falar? Gerard, não é certo você ficar assim fechado pra todos. Isso me machuca...
-Por quê?
-Porque eu sou seu amigo... E isso atinge quem te ama.
-Você me ama?
-Estamos invertendo os papeis aqui Gerard.
-Você me ama? –Ele insistiu.
-Sim. Eu nunca senti nada assim por ninguém eu sempre fui um punk sem jeito, até eu me importar com você sobre se fechar pro mundo e viver só no seu mundinho. Isso me incomodou e eu quero te ajudar e entender o que se passa na sua cabeça, eu quero ouvir você falando, se expressando e tudo mais e então me deixar te ajudar, porque isso também me machuca. Não só em você, mas em mim, o Mikey e sua avó.
Nesse momento Gerard ficou me olhando fixamente e começou a escrever aceleradamente em seu bloquinho, muito rápido e com caligrafia até que bonita. Eu fiquei sentando olhando o que ele estava fazendo com a caneta e o bloquinho.
Ele escreveu muito, o que será que era? Minha curiosidade estava aumentando casa vez mais que ele passava de página, ele estava parecendo uma máquina de escrever de tão rápido e expressivo.
O pequeno bloquinho estava mais de que com 16 páginas escritas, e quando o Gerard terminou ele me deu com um olhar bem nervoso e quase chorando.
Eu peguei o pequeno e comecei a ler na minha mente.
-Alto.
Ele me avisou e então eu abri e comecei a ler alto pra ele também ouvir.
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