Duas Metades De Mim

12 saindo de uma fria


Notas iniciais
e agora a gente descobre como a Leninha se livrou haha

Eu vi Damon abrir a boca e me atirei sobre ele, cobrindo seus lábios com as duas mãos. O azul de seus olhos estava cheio de diversão. Era só o que me faltava mesmo. Minha vida aqui por um fio e ele acha a situação ENGRAÇADA.

- Elena? – ouvi as batidas fracas da Carol na porta do reservado – É você aí?

Tapei meu nariz para disfarçar a voz e disse, no tom mais esganiçado e nojento que consegui, na melhor imitação que sabia fazer de Lauren Malory (uma garota metida que disputa o cargo de chefe das líderes de torcida com a Caroline):

- Pelo amor de Deus, Forbes, será que eu posso pelo menos fazer xixi em paz? Eu não sou a Gilbert!

- Lauren? Desculpa! – ouvi Carol exclamar desajeitadamente – Foi mal mesmo, eu... eu vou... é. Te vejo por aí.

Ela saiu apressada do banheiro. Damon me puxou de encontro a seu corpo e eu estremeci da cabeça aos pés. Semicerrei os olhos com o prazer de sentir a pele dele contra a minha, seus músculos deliciosos me pressionando.

Mas aquilo não era certo.

- Não Damon – gemi fracamente.

- Não seja hipócrita, você quer isso tanto quanto eu – sua voz sedutora me deixou toda arrepiada.

- Isso não é certo – eu disse – Não posso trair Stefan desse jeito.

- Mas você já traiu – ele inclinou a cabeça e beijou minha clavícula.

- Não. Pelo menos não fomos até o fim – minha voz falhou quando os beijos dele subiram por meu pescoço.

Minhas pernas cederam e eu teria caído se Damon já não estivesse me segurando.

- Ele não merece isso, Damon – eu reclamei com um fio de voz.

Isso é tão injusto!

Não consigo pensar quando ele faz isso.

- Essa sua mania de mentir para si mesma me irrita muito – resmungou Damon contra a linha do meu queixo.

As mãos dele brincavam com a renda da minha calcinha e eu ofeguei.

- Como assim? – era cada vez mais difícil me concentrar na nossa conversa com seus dedos hábeis tão perto do meu ponto mais sensível.

Difícil, mas necessário. Foca Elena.

- Tem certeza que é o Salvatore santinho quem você ama? – a boca dele alcançou minha orelha – Não é o que parece.

A incerteza que me invadiu ao ouvir a pergunta dele me encheu de revolta e pânico. Por um lado, como Damon podia ser tão arrogante? Tudo bem, ele é lindo e gostoso e eu não consigo resistir a ele. Mas como ele pode questionar o que eu sinto pelo Stefan?

E ao mesmo tempo...

Aqui estou eu com ele. Quase enlouquecendo e mandando o mundo para o inferno. O que eu teria feito, se a Carol não nos interrompesse. É quase como se Stefan não existisse quando estou nos braços de Damon... Só no que eu consigo pensar é em como ele é excitante e intenso, como desperta em mim um lado totalmente novo. E em como eu gosto disso.

Se tivesse me perguntado três dias atrás, eu nem hesitaria em dizer o quanto amo Stefan.

Mas agora... já não tenho tanta certeza.

Isso é apavorante.

- Sempre vai ser o Stefan – eu sussurrei.

Minha voz saiu firme e convicta, completamente o oposto de como eu me sentia por dentro.

Damon parou o que estava fazendo e me encarou em silêncio. Não faço ideia do que ele procurava em meu rosto nem o que achou ali. Poucos segundos depois ele estava se vestindo e jogava minhas roupas para mim de qualquer jeito. Com uma mistura de arrependimento e alívio eu encarei seu rosto inexpressivo.

- Entenda uma coisa, Eleninha – a frieza em sua voz fez meu arrependimento aumentar – Eu não vou esperar para sempre. Não sou o tipo de cara que fica correndo atrás. E definitivamente não gosto de ter apenas as sobras dos outros. Então não fique comigo e depois aja como se a culpa fosse toda minha e eu tivesse te obrigado a algo. Não gosto de gente indecisa e nem preciso de outra Katherine na minha vida. Eu não preciso de você quando tem tantas garotas por aí caindo aos meus pés. Não se esqueça disso.

Então ele foi embora.

Eu desabei no vaso sanitário. E o pequeno alívio que tinha sentido antes virou amargura.

Que droga, por que Damon Salvatore consegue me afetar tanto? Não basta o quanto eu estou me sentindo suja, preciso ficar me remoendo pelo tom frio e as palavras ríspidas dele também? Odeio quando ele é frio comigo. Mesmo sabendo que não tenho o direito de me sentir assim.

Eu fiz a coisa certa, não é?

Tenho namorado. Não posso simplesmente transar com o irmão dele e depois fingir que nada aconteceu.

Então por que eu quero tanto fazer isso?

Merda. Eu sou uma vadia. Não mereço um cara tão legal como Stefan.

Passei a mão por meu rosto e me dei conta de que estava chorando.

E fiquei ainda pior ao me dar conta de que nem eram lágrimas de culpa. Eu estava chorando por uma mistura de raiva e frustração. Por causa do Damon.

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- Onde você se enfiou Elena? – perguntou Carol quando encontrei ela e Tyler depois da aula de física – Te procurei nos banheiros de todos os andares.

- Fui na enfermaria – menti – Não estou me sentindo muito bem.

Ela examinou meu com preocupação. Eu sabia que estava pálida e com o nariz vermelho.

- Estava chorando?

- Não, acho que estou gripada. Ou com alergia, sei lá – desconversei – Minha cabeça está me matando.

- Quer remédio?

- Não precisa, a enfermeira já me deu.

- Hum...

Carol tagarelou sem parar por todo o caminho até o refeitório. Não prestei atenção na maior parte do que ela disse, esse era o lado bom de ter o Tyler com a gente. Ele respondia tudo que ela falava e eu apenas assentia nas pausas apropriadas.

Fomos para a fila da comida e Tyler encheu o prato com tudo que viu no balcão. Carol escolheu uma maçã e um prato de salada e eu optei apenas por um refrigerante. Estava chateada demais para sentir fome.

- É melhor você comer alguma coisa Lena – disse Caroline quando fomos pagar a comida.

- Melhor não, estou meio enjoada – eu disse.

Ela não discutiu mais. Procuramos uma mesa para sentar e logo vimos a que Stefan, Matt, Jeremy e Bonnie estavam sentados. Torci o nariz quando nos aproximamos e sentei do lado de Stefan, o mais distante possível da Ruiva. Ainda estava brava com ela.

- Oi amor – Stefan me deu um selinho e passou o braço por trás da minha cadeira.

Me esforcei para não me encolher com seu toque. Era incrível como eu não estava me sentindo culpada ao estar perto dele, só estava triste e magoada com Damon. Por que ele tinha que ser tão frio e arrogante até nos raros momentos em que demonstrava suas emoções?

- Oi – descansei minha cabeça no ombro de Stefan e prendi um suspiro.

Eu estava parecendo uma maluca. Fui eu que praticamente expulsei Damon do banheiro. Aliás, por que eu ligava tanto para o jeito como ele me tratava? Ou para o que estava sentindo? Tipo, ALOU, meu namorado está bem aqui ao lado. É nele que eu devia estar pensando, não no IRMÃO DELE. Afinal, é o Damon que eu amo né? STEFAN! É o Stefan que eu amo.

ARGH.

- Oi Garota Carbono – disseram em coro Matt e Jeremy.

Fuzilei Bonnie com os olhos.

- AI! – gritou Carol – Quem pisou no meu pé?

- Desculpa Carol! – Bonnie ficou vermelha – Achei que fosse o pé do Je... quer dizer, o chão.

- Sei, me deixa fora dessa sua briguinha idiota – resmungou Carol.

- Ei Carol, é verdade que você e o Tyler estão pensando em se casar? – perguntou Jeremy com um sorrisinho estranho.

Ô-ôu. Conheço essa cara. Vem merda por aí.

- É sim – ela respondeu – Ano que vem. Por quê?

- Porque eu estava pensando nisso outro dia – disse Jeremy – E me veio uma música ótima na cabeça para tocar quando você entrar na igreja.

- Tenho medo de perguntar qual é – respondeu ela.

- Lá vem a noiiiva, toda de braaanco – cantarolou Jer – e atrás o cachorriinho, que com o biscoito ela vai chamandooo...

- Sério, o que você viu nele? E não vale dizer senso de humor porque a gente já viu que ele é meio fail nesse departamento – disse Tyler para a Bonnie.

- Estou começando a repensar sabe? – ela comentou – Às vezes ele parece uma criança de dois anos.

- Ás vezes? – atiçou Carol.

- Ei, eu estou aqui! – reclamou Jer – Consigo ouvir vocês, sabia?

- Vacilou cara – disse Matt – Tem que saber a hora de parar.

- Hm. – Jer encarou a mesa pensativo – Talvez minha eguinha pocotó fosse melhor pro casório. Combina com o vira-lata.

- Cala a boca Jeremy – bufou Bonnie.

- Brinca mas não OFENDE! – gritou Carol – MINHA EGUINHA POCOTÓ É SACANAGEM, VEM CÁ QUE EU TE MOSTRO QUEM É A ÉGUA E...

- Calma Carol – eu saltei da cadeira e tentei segurá-la – Eu sei que ele é um idiota, mas ele não queria te ofender...

Ela era forte demais para mim, obviamente. Tentar conter uma vampira foi idiotice minha.

- Caroline – Stefan sibilou e me tirou da frente antes que ela pudesse me empurrar com força demais.

Ela rosnou e eu vi um relance de suas presas. Stefan a olhava de modo severo.

- Não se esqueça do que você é – disse Stefan – Ele é só um humano.

Aos poucos ela foi se acalmando. Murmurou alguma coisa e Stefan assentiu.

- Não é uma boa ideia provocar uma vampira, Jer – ela disse alto em tom de deboche.

- Principalmente uma novata – concordou Stefan.

Ele riu e veio se sentar ao meu lado.

É por isso que ele é o irmão certo para mim, pensei quando ele me puxou para seu peito.

Ele se preocupa não só comigo, mas também com as pessoas que eu amo. Ele cuida de mim. É a escolha segura. É por isso que eu o amo.

Embora talvez não seja mais só ele quem eu amo...

Meu coração afundou no peito ao reconhecer a verdade naquelas palavras.

Forcei um sorriso para ele e o almoço terminou sem mais incidentes.

O resto do dia escolar praticamente voou. Eu estava dividida entre ficar relembrando a agarração com Damon no banheiro, o medo e a ansiedade em ver se aproximar o momento em que o veria de novo e a preocupação com os ataques em Mysthic Falls. Queria encontrar logo o novo vampiro e acabar logo com aquilo, odiava ver a cidade tão vulnerável e desprevenida. Talvez fosse uma boa ideia pedir ajuda a xerife Forbes?

Eu ia sugerir aquilo mais tarde.

Ficava evitando o toque de Stefan o máximo que conseguia sem ser muito evidente. A culpa estava voltando aos poucos.

Minhas mãos tremiam quando o último tempo terminou. Guardei minhas coisas de qualquer jeito e disse a mim mesma para me controlar. Eu seria fria como ele. Fingiria que nada tinha acontecido. Precisava manter a dignidade que me restava, pelo bem da cidade.

E o principal, precisava parar de me importar tanto com Damon Salvatore.

Notas finais
reviews? :D
se vcs forem boazinhas e comentarem bastante eu posto um capítulo duplo essa semana ;)