Notas iniciais
esse ficou meio grandinho pra compensar a demora :)

Estávamos todos na mansão Salvatore. Alaric andava de um lado para o outro ansiosamente, quase abrindo um buraco no chão com suas voltas. Ele numerava os assassinatos e murmurava sua opinião a respeito:
– Quatro mulheres, quatro homens e duas crianças. – dizia ele – O estranho é que parecem se formar dois padrões: as quatro mulheres tinham aproximadamente a mesma altura, tipo corporal e cor de olhos e cabelos. Os homens também, mas as pobres crianças... eu não consigo entender.
– Tá é trágico, pobres crianças – interrompeu Damon com cara de tédio – Vamos pular a parte novela mexicana. Se chorar no meu tapete eu arranco a sua cabeça.
– Sr. Sensibilidade – ironizou Bonnie.
Então se virou para mim.
– Como você consegue acreditar que não foi ele?
Eu ainda estava brava com ela, então mantive meus olhos fixos em Damon ao falar. Eu não fazia ideia se ele estava ressentido por eu estar sentada no colo de Stefan. Me encarava com total falta de interesse e sua indiferença fez uma sensação fria e desagradável espalhar-se por todo o meu corpo.
– Porque isso não é do feitio dele – respondi seca.
Damon olhou de relance na direção de Bonnie e depois de volta para mim. O canto de sua boca se retorceu um pouco, porém logo em seguida sua expressão voltou para o impenetrável.
– E desde quando alguma coisa não é do feitio do Damon? – resmungou Stefan apoiando a mão na minha coxa.
Eu sabia que não devia descontar minha frustração nele, mas simplesmente foi mais forte que eu.
– Você melhor do que ninguém devia saber, Stefan – eu disse ácida – Seu irmão não é burro de sair matando um monte de gente em uma cidade com um conselho anti-vampiros.
– Se ele estiver entediado o bastante eu não duvido de nada – insistiu ele.
– Mesmo que estivesse eu duvido muito que ele fosse fazer isso – rebati – Ele não é nenhum monstro descontrolado.
– Descontrolado não é mesmo, mas todo monstro se descontrola de vez em quando.
– Ele não é um monstro.
– Muito obrigado Eleninha, mas eu não preciso que você me defenda – disse Damon – O devorador de esquilos hipócrita pode pensar o que quiser, eu não dou a mínima. Eu não sou do tipo que fica dizendo coisas no estilo "eu sei o que você fez no verão passado", mas o Tetef julga demais para quem já matou tanta gente.
Mordi a língua. O que eu esperava, que ele fosse me agradecer por defendê-lo? Deus, eu odeio tanto quando Damon fica desse jeito! Dane-se também, vou guardar a minha opinião para mim mesma.
– O que vocês acham de pedirmos ajuda a xerife Forbes? – mudei de assunto – Ela está envolvida com as investigações e com certeza vai concordar.
– Ela é só humana – protestou Caroline – Deixem a minha mãe fora disso.
– Amor – argumentou Tyler – Talvez seja melhor contar com a ajuda dela. Pelo menos podemos descobrir a quantidade real de assassinatos, e detalhes do lugar onde os corpos foram encontrados...
– Eu posso dizer tudo isso. – declarou Alaric – Hey gente, caçador de vampiros aqui! Conseguir esse tipo de informação é uma das minhas especialidades.
— Sério? Informações são a sua especialidade? Você deve ser muito solitário hein Rickie – debochou Damon.

– Eu acho que é mais de um vampiro – Alaric o ignorou – Por ter dois padrões distintos: Um gosta de morenas de olhos escuros, razoavelmente altas e por volta dos dezoito anos. O outro, provavelmente uma mulher, homens na casa dos trinta de olhos claros e loiros. Ou seja, temos um problema.
– Você finalmente se tocou que como caça vampiros é um ótimo professor de história? – arriscou Damon — Porque isso é fato, Rickie.
— Rickie é nome de mulher — grunhiu Alaric.
— E o que isso diz sobre você? — Damon sorriu sugestivamente.
Alaric fez uma pausa e respirou fundo. Sua mão tremeu na direção do próprio casaco. Será que ele tinha uma estaca escondida? O pensamento me deixou um tanto agitada.
– Olhe para a Elena – ele disse entredentes.
Todo mundo olhou para mim.
Bonnie e Carol ofegaram.
– Que foi? – eu era a única que não tinha entendido o que ele quis dizer?
– Você se encaixa na descrição – murmurou Carol.
– Hum. Morena, 18 anos. Metade das garotas na cidade se encaixam descrição – eu dei de ombros.
– Pode até ser, mas nem todas têm aproximadamente a mesma altura e tipo de corpo das meninas assassinadas, como você – replicou Alaric.
– Eu acho que vocês estão exagerando – disse Stefan – Até parece que algum de nós vai deixar a Elena ser atacada. E ela nunca fica desprotegida, então não tem perigo.
– É – eu concordei.
– Não custa prevenir Stefan, com vampiros à solta todos podem estar em perigo – opinou Tyler.
– Depois eu que me preocupo demais – Stefan revirou os olhos.
Franzi a testa para ele. Até o TYLER estava mais preocupado comigo do que ele, o que era muito estranho, mesmo que eu não corresse nenhum risco grande.
– Perdi alguma coisa? – Jeremy chegou e foi se sentar ao lado de Bonnie no sofá mais afastado da lareira.
– Perdeu tudo, como sempre. – respondeu Damon – Deviam mudar seu nome para Lerdo.
– Talvez assim você acertasse meu nome né – retrucou Jer – E ainda me chama de lerdo.
– Tem uma diferença, Jason.
– Jeremy.
– Tanto faz. Eu não aprendo seu nome porque não quero. Você é lerdo porque já nasceu assim. Acorda cara! Um pouco de noção faz bem pra todo mundo sabia?
– Falou o senhor Sensibilidade. – Bonnie disse, ríspida – O dia que você tiver noção o inferno vai congelar.
– Melhor comprar logo seu casaco, isqueirinho.
– OKAY – Carol interrompeu – A gente estava falando sobre os assassinatos e...
Enquanto ela falava eu olhei na direção de Damon e o encontrei sorrindo para Bonnie sarcasticamente. Ela parecia prestes a voar no pescoço dele. Pelo menos até que Jeremy pegou a mão dela e começou a brincar distraidamente com seus dedos enquanto ouvia Carol. Lentamente ela foi relaxando, depois se concentrou na conversa deles. Por um minuto eu senti inveja daquilo...
O simples toque de alguém acalmar daquele modo. Ela nem pareceu notar o que estava fazendo, apenas mudou a postura aos poucos e se aconchegou no peito dele. Ela tinha com Jeremy o que eu já tinha tido com Stefan. Naquele momento o toque dele não me acalmava, muito pelo contrário. Eu estava cada vez mais nervosa e desconfortável, porque era o toque de outra pessoa que eu queria. O toque de alguém que estava mais distante de mim do que nunca, mesmo que estivéssemos no mesmo cômodo.
– E o que a gente pode fazer para impedir isso? – indagou Jeremy apreensivo.
– A Elena não está em perigo – bufou Stefan.
– Como você tem tanta certeza? – não consegui me conter.
Estreitei os olhos para ele. Tinha alguma coisa muito estranha em sua postura, embora eu não conseguisse definir ao certo o que era. Parecia quase... defensiva.
– Nós nunca a deixamos sozinha – ele explicou – E esse assassino não vai matar alguém que é protegido por outros vampiros.
– E você não quer parar o assassino? – ergui uma sobrancelha.
– Claro que quero Elena – ele trincou os dentes.
– Vamos nos dividir em turnos para procurar pela cidade – disse Alaric – Será mais prático para todo mundo.
– Parece um bom plano – concordaram Carol e Tyler.
– Eu vou no primeiro turno – ofereceu-se Stefan – Jeremy, Elena e Bonnie podem ficar aqui. Todos vocês podem, se quiserem.
– Não seria melhor pelo menos dois vampiros por turno? – sugeriu Caroline – Quando for a minha vez eu preciso que alguém fique lá em casa, não quero que a minha mãe fique desprotegida.
– Todo mundo tem gente que não quer deixar desprotegido – disse Stefan – Vamos fazer o seguinte, Jeremy, Bonnie e Elena ficam aqui com o Damon. Carol e Tyler ficam na casa da xerife e o Alaric vem comigo caçar os vampiros.
– Como você é egoísta maninho, querendo ficar com toda a diversão – bufou Damon – Por que você não fica aqui e deixa a caçada pros mais fortes? Não tô a fim de ficar de babá para a sua namorada e os amigos dela.
– Eu preciso caçar Damon. Posso aproveitar que já estou fora mesmo e assumir o primeiro turno – argumentou Stefan.
A raiva subiu à minha cabeça. Stefan estava tentando me evitar?
– Mas não faz nem três dias que você caçou – protestei.
– Estou com fome, amor – ele disse – É melhor que eu vá caçar logo do que me arriscar a machucar alguém.
Deixei minha cabeça pender um pouco para o lado. Stefan não costumava falar assim. Seus senões costumavam ser seguidos de “vou ficar muito fraco”, não “posso machucar alguém”.
– Está tudo bem com você, Stefan? – eu perguntei lentamente.
– Claro que está. Por que amor?
Porque você anda muito estranho.
– Nada... tudo bem, é um bom plano.
Jeremy e Bonnie concordaram. Só faltava Damon, que parecia muito contrariado em ter que ficar conosco.
– Eu também quero caçar, irmãozinho.
– Mas você já se alimentou hoje, tenho certeza. Eu não me alimento há três dias.
– Não é problema meu.
– Vocês não precisam ficar discutindo – eu disse.
Os dois olharam para mim. Eu estava sendo movida pelo orgulho ferido, sabia disso. Nenhum dos dois queria ficar em casa comigo. Bom, Damon não queria, o que era compreensível depois do que aconteceu de manhã. Stefan só precisava se alimentar. Corrigindo, um deles não queria ficar em casa comigo. O que me chateava, porque era ele quem eu queria que ficasse, mesmo sabendo que não devia querer.
– Os dois vão – continuei – Bonnie, Jer e eu ficamos aqui.
– Por mim tudo bem – disse Stefan.
– E deixar ela sozinha só com uma bruxa de poderes duvidosos como proteção? – falou Damon incrédulo.
– Ei! – protestou Bonnie – Eu não...
– O que tem de ERRADO com você hoje, irmãozinho?
– Preciso me alimentar e não posso te obrigar a permanecer em casa, infelizmente. A Bonnie é muito capaz sim, e eu não acho que a Elena corre tanto risco como vocês parecem pensar.
Deslizei para o lado no sofá, ficando fora do alcance das mãos de Stefan. Mesmo que ele estivesse certo, por que estava sendo tão... racional? Ele não quer ficar comigo?
– Eu já disse, vão os dois – tentei soar como quem não se importa.
Por dentro me sentia rejeitada por ambos.
– Tá legal cacete. Eu fico. Depois se acontecer alguma coisa com você eu que vou ter que ficar aguentando os choramingos dele mesmo – resmungou Damon de má vontade.
Depois bufou e saiu da sala.
Todos ficamos encarando o vão que separava a sala do hall.
– Eita. – Carol foi a primeira a se manifestar.
Bonnie olhou para Stefan como se também perguntasse qual era o problema dele.
– Cada vez mais eu vejo como sou importante para você – eu murmurei – Ações falam mais que palavras, Stefan.
Virei as costas e saí andando.
– Elena, eu não... – ele tentou protestar.
Corri para o quarto dele o mais rápido que pude e tranquei a porta. Não sei como ele não me alcançou antes que eu pudesse fazer aquilo, mesmo se alimentando de animais ele era mais forte que eu, mas não alcançou. Joguei-me na cama e encarei o teto. Eu senti que devia chorar, que devia estar me sentindo triste... mas não estava. Não conseguia sentir nada. Só confusão e um pouco de desapontamento. Mas a maior parte de mim só conseguia se concentrar no fato de que Damon quis ficar comigo, mesmo que ele não me amasse, ele quis ficar. Porque realmente não tínhamos como obrigá-lo a fazer nada que não quisesse. E eu não acreditava nem um pouco no papo do “se acontecer alguma coisa eu que vou ter que aguentar as lamentações dele”. Damon nunca foi o tipo de cara que se importa com essas coisas.
Pelo resto da tarde eu ignorei Stefan. Ele tentou se desculpar, tentou dizer que não achava que eu estivesse em perigo e que ele me amava muito e...
– Não quero conversar agora Stefan. Faça o que achar melhor – foi a minha resposta fria.
No início da noite Stefan, Alaric, Carol e Tyler foram embora. Tanto Carol quanto Bonnie tentaram falar comigo, mas eu me esquivei. Disse a elas que não queria falar sobre aquilo e as duas pareceram achar melhor não insistir. Stefan tentou me dar um selinho antes de ir, mas eu virei a cara e pegou na bochecha.
Ele parecia magoado ao sair. Bem feito. Ninguém mandou me magoar.
Eu sabia que estava sendo injusta. Ele só queria se alimentar e aproveitar pra assumir o primeiro turno de caçada aos vampiros. Era o mais prático a se fazer. Eu, por outro lado, tinha acabado de traí-lo naquela manhã. Quem era eu pra falar de qualquer coisa? Ele devia terminar comigo.
Desci e fui assistir tv com Bonnie e Jer. Eu não conseguia me concentrar em nada direito, só ficava lembrando da expressão fria e indiferente de Damon e do modo quase ríspido que ele tinha me tratado o dia inteiro. Uma coisa estava muito clara para mim: eu não conseguia suportar a distância e a hostilidade que surgiam entre nós.
Estávamos voltando ao clima antigo, de como era antes que eu ficasse amiga dele. E eu não gostava nada daquilo. Sentia falta dos beijos dele. Sentia falta de ver o desejo nos olhos dele, de sentir seus braços ao meu redor.
Eu sabia que ia me arrepender daquilo. Muito. Sabia o quão errado era.
Mas estava cansada de tentar resistir.
– Vou dormir, gente, boa noite – eu disse e me levantei.
Bonnie e Jeremy murmuraram boa noite. Eles pareciam preocupados, então fui embora antes que pudessem pensar em me seguir. Subi as escadas e fui até o quarto de Stefan, peguei a chave e o tranquei por fora. Só em caso de Bonn ou Jer resolverem checar se eu estava bem mais tarde. Depois caminhei pelo corredor até o quarto do Damon. Hesitei. Ergui a mão.
E finalmente bati na porta.
Depois da quarta batida ele abriu.
– O que você quer Eleninha? – ergueu uma sobrancelha com uma expressão impaciente.
Ele tinha apenas uma toalha enrolada na cintura e obviamente tinha acabado de sair do banho.
Eu não disse nada. Só atirei meus braços em seu pescoço e o beijei.
Damon ficou sem reação. Pressionei meu corpo contra o dele com força e senti sua pele ainda úmida pressionar minhas roupas. Fiquei na ponta dos pés para morder o lóbulo de sua orelha e murmurei rouca em seu ouvido:
– Só me mostre que também precisa de mim.
Então voltei a seus lábios e ele me beijou vorazmente.
Um calor delicioso se espalhou por meu corpo ao sentir que ele correspondia minhas carícias. Damon me puxou para dentro do quarto e chutou a porta atrás de si para fechá-la. Derreti contra ele. Eu não queria ser responsável ou pensar no que estava fazendo. Só queria sentir.
Daquela vez nada iria nos atrapalhar.

Notas finais
parei na melhor parte de novo #bixamá
só digo uma coisa gente: no próximo ninguém interrompe, eles finalmente vão até o fim ^^
obrigada pelos comentários e por acompanherem a fic amores *-*
não me matem nas reviews okay?
lembrem-se, se eu morrer, quem vai continuar a fic? >.