Duas Metades De Mim
38 o último - parte 2
Notas iniciais
muito obrigada pelos comentários suas lindas, logo que voltar faço questão de responder uma por uma.
espero que gostem do cap, boa leitura ♥
[POV Jeremy]
Gravitei em torno da Jenna tentando desesperadamente furar seu bloqueio e roubar uma panqueca de um dos cinco pratos que ela fazia. Estava mega concentrado na minha importantíssima missão quando de repente...
POW.
— AI! – protestei indignado ao sacudir a mão atingida – Essa coisa tá queimando!
Era a terceira vez que ela me acertava com a espátula de madeira pelando e cheia da gordura de fritura.
— Você nunca vai conseguir, Jer – Bonnie deu um peteleco no botão da cafeteira pra ligá-la – A Jenna é anos-luz mais rápida que você.
Minha mão latejava, a palma vermelha. Como aquele bagulho de madeira fazia estrago! E você acha que ao menos a minha NAMORADA dava a MÍNIMA pro meu sofrimento?
— Bem feito, seu tosco! – foram as doces palavras dela ao ver minha careta de dor — Vê se aprende alguma coisa com a Jenna Ninja das Panelas e perde essa mania de meter a mão na comida dos outros.
Jenna Ninja das Panelas apertou os olhos para mim como se dissesse “Tô de olho em você, colega”.
— Ela vai me matar de fome! – reclamei carrancudo.
Bonnie se aproximou quando fechei a mão em um punho e afroxou meus dedos com delicadeza para examinar a palma avermelhada.
- Tá vendo, depois eu que sou dramática – ela abriu um sorrisinho doce – Prometo que não vou deixar ninguém te matar de fome, tá mô?
- Talvez eu devesse mesmo matar ele de fome – rebateu Jenna secamente.
Como ela podia COGITAR isso depois de fazer todas aquelas panquecas? E os ovos mexidos? E as torradas que ainda nem tinham saído da torradeira? E o café? E o pão doce? E MEU ESTÔMAGO DESNUTRIDO E NECESSITADO?!
Pensei melhor e resolvi mudar de tática. Apelei pros elogios, que sempre a amaciavam nas horas mais cruciais.
- Tia linda que eu amo tanto... desculpinha. É que a sua comida é tão deliciosa que eu não consigo me segurar... já pensou em abrir um restaurante? Ia ficar rica!
- Sei, sei. Nem um pouco puxa-saco você hein Jeremy.
- Que é isso, magina! Você é nota mil tia! Melhor cozinheira da cidade! Quer que eu ajude com alguma coisa? – a expressão desconfiada dela me deixou cada vez mais nervoso — Tô muito parado né, podexá que eu fico de olho na cafeteira.
- Já que você quer ajudar pega aquele bolo que tá na janela pra mim Jer, já deve estar frio – Jenna passou os ovos mexidos das frigideiras para o topo das panquecas – MAS – ela parou para me lançar um olhar fulminante – NÃO mete o dedo. Ouviu? Não é para estragar o bolo com essas mãos sujas! E Bonnie, querida, fica de olho nele que eu vou lá em cima e já volto.
Bolado com a falta de confiança da minha própria tia, fui pegar o bolo.
Era enorme, de chocolate, com cobertura de brigadeiro e morangos.
O cheiro delicioso foi demais pro meu estômago vazio, fez minha força de vontade virar pó em uma fração de segundo. Estiquei o dedo para passá-lo furtivamente na cobertura, porém congelei antes de prová-la. Do nada a massa do bolo começara a se remexer... meu queixo caiu enquanto aquela coisa se abria como se tivesse mandíbulas.
BLOSH!
O bolo dos infernos se fechou na minha cabeça.
- M-mas o q-que...? – gaguejei assustado.
- Ai, que peninha! – Bonnie ergueu as sobrancelhas e cruzou os braços no peito – Ser comido pelo bolo ao invés de comer. Irônico, hein?
Tive a impressão que meus olhos saltariam do rosto de tanto que eu os arregalara.
- Jenna te avisou pra não meter o dedo antes da hora – ela completou com a expressão mais inocente do mundo.
Ás vezes é sinistro ter uma namorada bruxa.
- FALA SÉRIO BONN! Precisava mesmo fazer isso? – passei o braço no rosto para tirar a cobertura.
Não adiantou nada. A manga da minha camisa estava tão suja que só consegui me sujar ainda mais.
- Bonnie, você pode por favor tirar as torradas da torradeira, querida? — Jenna passou sem dar a menor atenção à minha humilde pessoa, ocupada demais em conferir suas preciosas panelas e os pratos na bancada.
Bonnie se apressou a fazer o que a minha tia pedira como se fosse a coisa mais normal do mundo metade da cozinha estar coberta de chocolate, glacê e pedaços de morango.
Detalhe: cozinha essa com paredes e piso de azulejos BRANCOS.
Jenna pôs as panelas na pia e encarou a bancada como se desse falta de alguma coisa.
- Cadê meu bolo, Jer...? – ela virou-se para mim e sua voz morreu ao deparar-se com a lambança épica – MAS O QUE ACONTECEU AQUI?
- Tentei impedir o Jer de passar o dedão no bolo e ele acabou derrubando tudo – Bonnie se apressou em explicar.
Ô-ÔU.
- N-não foi bem assim – gaguejei.
- E COMO FOI ENTÃO, SEU JEREMY GILBERT? QUAL É A SUA EXPLICAÇÃO? – Jenna berrou, os olhos fixos na massa melequenta que seu bolo se tornara – SABE QUANTO TEMPO EU LEVEI PRA FAZER ESSE BOLO? SABE?!
Ela estava vermelha de raiva, transtornada, cuspe voando da sua boca.
Não que eu estivesse com medo.
Eu estava APAVORADO.
E o que podia dizer? Foi tudo culpa da Bonnie! Ela se irritou porque eu tentei provar o bolo escondido e fez aquela coisa explodir na minha cara, eu juro! Briga com ela!
AH TÁ. Como se ela fosse acreditar em mim.
- MINHA COZINHA! – Jenna berrou furiosa — NÃO ACREDITO QUE VOCÊ MELECOU TUDO DE BOLO, SEU OLHUDO! PORCO! SHREK! VAI SE LAVAR E DESCE PRA LIMPAR ESSA BAGUNÇA!
- M-mas...
- AGORA!
Achei melhor obedecer e fazer uma retirada estratégica.
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[POV Stefan]
Ela desligou.
Na minha cara.
Passei algum tempo grudado na poltrona, o telefone em uma mão, a segunda garrafa vazia de uísque na outra, sem saber como reagir. Ela demorou um século para atender a ligação, não se desculpou ou disse o motivo da demora, foi seca e nem sequer disse que sentiu minha falta.
Talvez seja só a minha paranoia falando, mas isso não parece um bom sinal.
Por outro lado ela está vindo para cá, então pode ser mesmo só a minha paranoia falando. Quer dizer, a Elena vive dizendo que DR é coisa séria demais para se fazer por telefone, tem que ser pessoalmente pra ter contato olho no olho e todas aquelas frescuras de menina... e se for só isso? Talvez ela só não queira conversar por telefone.
Respirei fundo e apertei os olhos com o polegar e o indicador.
Era a primeira vez desde que pedira o tempo que Elena vinha ao meu encontro e eu não estava sentindo nada do que antecipei durante a interminável semana isolado. Bom, uma pequena parte de mim estava feliz porque ela finalmente ia falar comigo e queria muito que tudo voltasse ao que era antes, mas a maior parte... estava estranha. Eu me sentia infinitamente mais confuso e nervoso que feliz ou animado. Não conseguia entender meu próprio estado de espírito, só fiquei sentado ali mastigando as dúvidas que insistiam em não me deixar em paz.
A ligação teria sido um erro? Seria melhor matar Damon antes de falar com a Elena? Ele está mesmo com ela? O que será que ele disse sobre mim? E o mais importante... ela acreditou?
Espantei as perguntas com uma sacudida firme de cabeça. Não, claro que Elena não acreditaria nele com tanta facilidade. Ninguém me acha perigoso, nem mesmo a xerife Forbes, e olha que o ódio dela por vampiros é ainda maior que o do Ric. Até ela, a rainha dos haters de vampiros, tinha total confiança em mim. Até uns meses atrás nem eu mesmo achava que fosse capaz de fazer o que fiz.
Claro que houve um tempo...
Quase um século atrás, um tempo em que eu faria coisas muito piores. Mas isso foi antes de conhecer a Lexi. Antes de recuperar a minha sanidade.
Eu... estava ficando louco outra vez?
Não. Não pode ser isso.
Eu não tinha perdido a sanidade. Não mataria qualquer humano que aparecesse na minha frente.
Só tinha aprendido a me aceitar melhor. Eu nunca deixaria de precisar do sangue humano, mesmo no meu auge de controle parte de mim via os humanos apenas como uma refeição saborosa. O que mudara fora a minha percepção de certas coisas... eu descobrira que a Miriam tinha razão. Até Damon tinha razão, por mais que eu odiasse admitir. Algumas pessoas são melhores fontes de alimento do que seres humanos. Só porque agora eu me alimentava como o resto da minha espécie eu era um monstro? Ou estava louco?
Lexi fez com que eu enxergasse os vampiros de modo distorcido e fantasioso, como os humanos fazem. Eu não sou humano. Nunca vou voltar a ser. E tenho necessidades. Por que preciso me recriminar sempre que satisfaço minhas necessidades? Por quê?
Elena nunca entenderia essa parte de mim, não enquanto ainda fosse humana. São duas coisas muito diferentes ler sobre a sede que um vampiro sente e senti-la na pele. Os humanos não têm a menor ideia de como realmente nos sentimos. Do quão difícil é lutar com isso. Não sabem o apelo real do sangue para nós. Não sabem de nada. É muito fácil julgar quando o problema não é deles, quando não são eles que contrariam a própria natureza só para se encaixar na sociedade.
Eu nunca seria capaz de machucar Elena, independente de estar me alimentando de sangue animal ou humano. Ela é meu o que me mantêm são, é quem mais importa para mim. Sempre será.
Mas ela não me entenderia se soubesse a verdade... se soubesse o que eu fiz com Caroline...
Levantei-me de um pulo e larguei o telefone.
Não. Isso foi diferente. Caroline, as pessoas assassinadas, as mulheres com quem eu tinha estado... foi para proteger Elena. Tudo foi por ela. As originais podiam nos reduzir a poeira em questão de minutos, eu tinha que fazer o que elas queriam ou poria em risco a vida de quem eu mais amo.
Quem você mais ama, queridinho?, indagou uma voz aguda na minha cabeça, É a Elena... ou a Miriam?
Ah, cala a boca. Nem vou responder uma pergunta tão ridícula.
Não vai porque não quer ou porque não consegue?, a voz aguda e fria destilava veneno, A verdade é que você gostou, e muito, admita. Das mortes, das noites com Miriam e outras mulheres, de tudo. Faz parte da sua natureza buscar o prazer, parte do que você sempre negou e agora diz abraçar por causa dela. Não é por causa dela. Talvez fosse no começo, mas agora... você até se apaixonou por outra pessoa. Como isso seria possível se amasse tanto assim a sua humaninha? Como você pode ter tanta certeza que ainda a ama?
- É CLARO QUE EU A AMO! – gritei, jogando a garrafa vazia contra a parede.
O barulho de vidro quebrado fez a súbita fúria que me cegara vacilar.
O que eu estava fazendo?! Por que estava falando, ou melhor, berrando com a parede?
Meus olhos dispararam dos cacos que brilhavam como cristal no piso escuro para a outra garrafa caída no carpete, com o rótulo virado pra cima e ainda inteira.
É isso. A bebida. Eu estou perturbado porque bebi demais, só isso. Nunca tive muita resistência pra uísque mesmo. Ignorei o tremor em minhas mãos e deixe-me cair na poltrona mais próxima, lutando para me controlar. Era tudo culpa da bebida. Tudo ia melhorar quando Elena chegasse, quando eu pudesse tê-la outra vez nos braços.
Como se ela pudesse ler meus pensamentos, ouvi fracas batidas na porta da frente seguidas da voz dela:
- Stefan?
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[POV JEREMY]
Demorei pelo menos uma hora para voltar à cozinha.
Eu tomara o banho em si em menos de quinze minutos, mas como achei melhor dar um tempinho para Jenna esfriar a cabeça enrolei jogando Combat Arms antes de descer. O plano parecia perfeito na teoria, nas poucas vezes em que vi Jenna se estressar a ponto de explodir ela botava tudo para fora de uma vez e depois se acalmava. Nossa família tem barraqueiras histéricas em todas as gerações, diga-se de passagem. Até as mais compreensivas se transformam em bicho quando ficam com raiva. Por outro lado, apesar de esquentadinha às vezes Jenna não guarda raiva de ninguém, o que é uma das coisas que mais gosto nela.
Se eu soubesse esperar o bastante e aparecer na hora certa, talvez, só talvez, encontrasse tudo limpo, as mágoas deixadas de lado e meu café da manhã enfim servido.
Não custa sonhar, né?
Bom, na verdade custa sim.
Deixa eu reforçar a parte em que eu disse que o plano parecia perfeito na teoria.
Porque, na prática, encontrei as duas fulas da vida com a demora quando apareci. Elas me obrigaram a passar dez minutos INTEIROS limpando a cozinha, tendo que salivar de longe enquanto elas aproveitavam o café da manhã e conversavam DE BOA. Como se a GATA BORRALHEIRA aqui não estivesse tendo todo o trabalho de limpar aquela CATÁSTROFE DO BOLO CARNÍVORO. DANDO O MEU SANGUE PRA LIMPAR OS RESTOS DAQUELA COISA QUE QUASE ME MATOU.
Tá, eu tô exagerando. Mas pô! Custava me esperar pra começarem a comer?
- Ah, e Jer querido, quando terminar aí pega o jornal para mim? À essa hora o carteiro já passou, e você sabe como eu gosto de ler o jornal enquanto tomo meu cafezinho – disse Jenna.
AH, CARA. ESTÃO CLARAMENTE ME AVACALHANDO.
- Mas tia, você não acha que limpar tudo isso já foi castigo o bastante? – protestei energicamente – Vocês nem mesmo me esperaram terminar para começar a comer! E se não sobrar pra mim?
- Agora você tá entendendo o que eu passo quando a gente sai – declarou Bonnie, olhando de mim para a tia Jenna – Ele avança tão rápido na comida que algumas vezes nem sobra pra mim e...
- Não muda de assunto! – cortei – Eu estou com fome! VOCÊ PROMETEU QUE NÃO IA DEIXAR NINGUÉM ME MATAR DE FOME!
- E não vou, criatura. Você percebeu que tem cinco pratos e nós somos só duas? Acha mesmo que a gente come tanto?
Peraí.
Contei nos dedos para tirar a dúvida.
Jenna... eu... Bonnie... Elena....
- Nós somos quatro, para quem é o quinto prato? Por acaso o Ric tá aqui?
Jenna ficou vermelha.
- Quê? Nããão! – ela exclamou toda sem graça – Foi a Elena quem trouxe companhia, não eu.
Fiquei rígido.
- Damon ou Stefan?
- Não é da nossa conta, mô – respondeu Bonnie — Ela já é bem grandinha pra tomar as próprias decisões. Mas... falando no Ric... algum de vocês viu ele ultimamente? Ele nem apareceu na escola semana passada, será que aconteceu alguma coisa?
- Não sei, também não tenho visto muito ele essa semana – Jenna parou seu garfo no ar, pensativa – Vou dar uma ligada mais tarde para conferir, talvez ele esteja doente ou algo assim. Melhor, acho que vou dar um pulo no apartamento dele. Vocês acham que passar lá seria demais? Ele vai me achar muito grudenta?
Sua expressão insegura me deixou chocado. Então não são só as adolescentes que encanam com essas coisas? As mulheres adultas também têm essas frescuras? FALA SÉRIO!
- Claro que não, Jenna, ele é louco por você, vai na fé – opinou Bonnie – Aposto que ele vai gostar da visita.
ASSUNTO. POR FAVOR, PELO AMOR DE DEUS, VAMOS MUDAR DE ASSUNTO.
- Enfim, o lado bom de um dos Salvatore estar aqui é que sobra mais panquecas pra mim – eu disse – Nenhum deles iria querer mesmo, nham.
- Ué, por que não? – agora Jenna parecia ofendida – Não foi você que disse que eu sou a “melhor cozinheira da cidade”? Ou era tudo papinho?
- Claro que o Jer falou sério, sua comida é maravilhosa, mas... – Bonnie me defendeu – hã... digamos que esse não é o tipo de comida que eles gostam.
- E o que eles costumam tomar no café da manhã?
- Tem algum estoque de AB- sobrando aí? O Damon ia adorar – resmunguei.
Bonnie me deu uma cotovelada nada discreta nas costelas.
- Quê? Como assim? – estranhou Jenna.
- N-nada, o senso de humor do Jer é m-mesmo estranho, sabe – gaguejou Bonnie – Vai buscar o jornal da sua tia, Jer, vai.
- Mas...
As duas me olharam feio.
- Tá legal, eu vou! – joguei os braços para cima frustrado e fui resmungando de má vontade até a porta da frente.
Peguei o montinho de correspondência no carpete de entrada e levei para a cozinha, onde minhas duas patroas conversavam sobre quem estaria no quarto da Elena.
- Eu acho que é o Stefan – disse Bonnie – Os dois tem história demais, eu não consigo imaginar a Elena desistindo dele.
- Não, deve ser o Damon – discordou Jenna – Ela parece estar muito apaixonada por ele. Sabe, eu acho que ela deve fazer a escolha que a deixa feliz, não a que esperam que ela faça. Qual seria o ponto dela ficar com o Stefan se amar mais o Damon? Tem alguma coisa mais burra do que ficar com alguém só porque conheceu a pessoa primeiro?
- Tá na mão – tirei o jornal de baixo da pilha de cartas e pacotes e joguei-o para Jenna antes de examinar o resto.
Será que a minha varinha do Voldemort finalmente chegara? Já fazia quase três semanas que eu a encomendara e o troço não chegava.
Fui atirando tudo na bancada conforme via.
Carta para Bonnie... conta... conta... conta... cartão postal para Jenna... conta... revista de fofoca da Elena... carta para Jenna... catálogos... folhetos...
Calminha aí.
Como assim carta para a BONNIE?
Peguei de volta o primeiro envelope. Não tinha endereço, apenas o nome de Bonnie rabiscado apressadamente. Intrigado, abri e puxei de dentro um cartão onde estava escrito na mesma letra desleixada:
Estou com seu Van-Helsing de quinta. Espero que possa vir me ver em breve.
M. B.
M. B.? Mas quem diabos é M. B.? Ela está com o... Ric?! Ric foi seqüestrado??
- Jeremy? Tá tudo bem? – perguntou Bonnie preocupada – Você está pálido.
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[POV Stefan]
Pensei ter ouvido o início de um rosnado no breve segundo que levei para alcançar a porta e abri-la.
- Oi – disse Elena, baixinho.
- Oi – sorri para ela e me inclinei para beijá-la.
Elena se moveu tão brusca e inesperadamente que acabei beijando seu ombro ao invés dos lábios.
Franzi a testa para ela, confuso.
- Eu...hã... posso entrar? — ela pediu.
Estava embrulhada em um longo casaco de lã, os braços cruzados no peito, ligeiramente inclinada sobre si mesma. Estaria com frio? Recuei para deixá-la passar. Mesmo com os sentidos amortecidos pela bebida eu percebia com facilidade a raiva silenciosa por trás da sua expressão cheia de cautela. Fiquei desconcertado. Não esperava que ela parecesse tão... magoada.
- Posso guardar seu casaco? — minha língua se enrolou um pouco no meio da pergunta – Não vai precisar dele aqui dentro, o aquecedor está ligado.
Pela primeira vez os olhos cor de chocolate encontraram os meus. Ela hesitou por um instante, depois abriu o casaco e permitiu que eu o deslizasse por seus braços, revelando o vestido estampado que ela usava por baixo.
- O mesmo que você usou no nosso primeiro encontro – não consegui conter um sorriso largo — Você fica linda nesse vestido.
Elena não disse nada. Só sustentou meu olhar, séria, até sua máscara de cautela começar a ruir. Então ela me deu as costas e disse por cima do ombro, antes de sair andando:
- Vou te esperar na sala.
Continuei encarando-a até suas costas sumirem de vista, atordoado. Ela não estava agindo como eu esperava. Por que ela não me abraçou? Por que nem sequer sorriu ou me deixou beijá-la?
Levei seu casaco para o armário do vestíbulo e demorei-me um pouco mais que o necessário, tentando ganhar tempo para me recompor. Ela estava distante demais para o meu gosto.
Então ela tinha acreditado no que quer que ouviu de Damon? Estava disposta a desistir da gente sem nem sequer ouvir o meu lado da história? Sem nenhuma prova?
Não.
Eu NÃO vou deixar tudo acabar desse jeito. Damon NÃO PODE tirá-la de mim. DEVE ter algum jeito de conquistá-la de volta.
Encontrei-a sentada em um dos sofás de couro, os olhos sem foco deslizando pelas paredes de modo distraído, torcendo as mãos no colo.
- Você não quer saber por que eu queria tanto falar com você? – amaciei minha voz para não assustá-la.
Elena sequer olhou na minha direção.
- Eu quero terminar – ela murmurou – de uma vez por todas.
- Sabe, não foi assim que eu imaginei essa conversa – minha boca separada do cérebro pelo uísque articulou as palavras antes que eu sequer pensasse em dizê-las – Imaginei você pelo menos um pouco arrependida por ter me dado um gelo a semana toda, dizendo que precisava ficar sozinha quando na verdade se encontrava pelos cantos com o meu irmão. Achei que você no mínimo tentaria se desculpar. E com certeza não esperava que você me trocasse por ele sem nem se dar ao trabalho de ouvir o meu lado da história. Independente do que ele tenha falado de mim. Não sabia que significo tão pouco para você.
- CALA A BOCA, STEFAN! – ela berrou, sua expressão impenetrável dissolvendo-se em ódio e angústia – COMO VOCÊ CONSEGUE SER TÃO DISSIMULADO E CÍNICO? TENTANDO FAZER EU ME SENTIR CULPADA DEPOIS DE TUDO O QUE FEZ!
- Tudo o que eu fiz? Mas o que foi que eu fiz?
- VOCÊ MATOU UM MONTE DE GENTE! DORMIU COM OUTRAS MULHERES! MENTIU PRA MIM NA MAIOR CARA DURA! – ela pulou do sofá, completamente descontrolada — ATACOU OS MEUS AMIGOS! COMO EU POSSO SEQUER OLHAR NA SUA CARA DEPOIS DE TUDO ISSO?
- Elena, calma – segurei suas mãos para impedir os socos cegos com que ela tentava me acertar – Se acalme! Não é nada disso... me deixa explicar...
Ela se debateu nos meus braços, lutando para se desvencilhar de mim. O uísque me deixara um pouco lento, porém eu ainda era muito mais forte que ela e conseguia contê-la sem muito esforço.
- NÃO TEM EXPLICAÇÃO QUE JUSTIFIQUE, STEFAN! O QUE VOCÊ FEZ NÃO TEM PERDÃO. EU ESTOU COM O DAMON SIM! EU O AMO! NÃO VOU MAIS ME SENTIR CULPADA POR ISSO! EU O AMO E ACREDITARIA EM QUALQUER COISA QUE ELE ME FALASSE, PORQUE CONFIO NELE! MAS ELE NÃO ME DISSE NADA DOS SEUS SEGREDINHOS SUJOS, NEM PRECISOU, EU VI COM OS MEUS PRÓPRIOS OLHOS NA MANSÃO LOC...!
Eu estava dormente demais para perceber quando ela parou de falar. Não consegui sentir nada. Não consegui pensar. Era mais do que o simples efeito do uísque, era...
- SAI DE PERTO DELA! – berrou uma voz grave.
Então eu fui arremessado contra a parede.
Os tijolos e o reboco cederam como se fossem peças de lego. Fiquei estatelado na terra em meio aos destroços e a poeira sentindo as garras afiadas que rasgavam meu peito, sem saber se a dor vinha do impacto com a parede ou das palavras de Elena se repetindo sem parar na minha mente entorpecida.
EU ESTOU COM O DAMON SIM! EU O AMO!
- Você está bem, Elena? – a voz grave, distorcida de preocupação, perguntou de algum lugar por perto – Ele machucou você?
NÃO VOU MAIS ME SENTIR CULPADA POR ISSO! EU O AMO E ACREDITARIA EM QUALQUER COISA QUE ELE ME FALASSE, PORQUE CONFIO NELE!
- N-não. Eu... acho que não. Ele só me empurrou.
A voz dela fez com que eu ficasse de pé outra vez. Passei pelo buraco na parede e vi Elena caída no chão, os olhos castanhos arregalados de medo fixando-se em mim. Ao lado dela Damon passara um braço protetoramente ao redor de seus ombros. Mas ele não estava olhando para nenhum de nós dois. Olhava para os cacos de vidro ao lado de Elena, remexia com a mão livre no rótulo entre eles, encarando-o como se não pudesse acreditar no que via.
- MEU TRINITAS 64 ANOS! – ele explodiu, assustado-a mais ainda – Cadê a outra garrafa? CADÊ A OUTRA GARRAFA?
- Vazia, do lado da poltrona – fiquei surpreso ao ouvir minha própria voz soar perfeitamente calma – Eu bebi tudo. As duas garrafas.
O ódio se intensificou no rosto dele.
- SEU FILHO DA PUTA! – Damon avançou em mim e senti suas presas retalharem o braço que eu erguera para me proteger.
Notas finais
querem que eu a poste ainda hoje? ou preferem um tempo pra ler essa parte com calma? gostaram do capítulo?
por favor, não deixem de responder.
beijoos ♥
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