Duas Metades De Mim

21 na floresta parte II


Notas iniciais
e lá vem o resto hehe
só mais uma coisa que eu esqueci de dizer no outro capítulo, para a Ana (Annia Korsakov): pode deixar que a sua fic é a próxima tá amr? eu só não tinha feito antes pq tava seguindo a linha da ordem das recomendações, não quero que vc fique chateada comigo kkkk já te add no msn, e muito obrigada por recomendar as duas fics :D
eenfim, espero que gostem dos capítulos amores, e muito obrigada pelos comentários fofos que sempre me inspiram :)

– Ei Elena, por que não veio com a gente? – perguntou Ric.
Baixei os olhos para a figura encolhida de Caroline, incomodada. Eu não sabia responder aquela pergunta.
– Não sei, eu estava... em choque. Não sei direito o que estava fazendo. Só queria vir logo buscar a Carol.
Stefan se aproximou e pegou minha mão, apertando-a como que para me lembrar que ele estava ali comigo.
– Eu entendo amor – ele disse.
Era impressão minha ou havia um brilho culpado em seus olhos verdes? Ele fez uma careta quando o examinei com mais atenção e percebi que estava certa. A culpa era muito visível em seu rosto agora.
Ele me soltou e foi até Caroline, pousando uma mão em seu ombro.
– Me desculpa, Carol. Você esteve tão perto da gente ontem e eu não pude de proteger, nem ao menos percebi que você estava por perto... – ele hesitou, dividido entre a culpa e o constrangimento – Podia ter impedido que isso acontecesse a você. Lamento muito mesmo. Eu... eu sou fraco. Damon estava certo, ele devia ter ido.
Ela sacudiu a cabeça fracamente.
– Não foi sua culpa, Stef – ela murmurou – Era eu quem estava andando sozinha. E quem não avisou a ninguém onde estava. Acho que só posso culpar a mim mesma por tudo isso.
– É claro que não foi sua culpa Carol! – exclamou Bonnie furiosa – Você não pediu que três monstros a atacassem, ou que abusa...
– Três? – Stefan a interrompeu assustado – Eram três vampiros?
– Eu acho que sim – disse Caroline sem muita firmeza.
Ela se enrolou como uma bola, abraçando seus joelhos e balançando o corpo para frente e pra trás na pedra em que estava sentada. Eu sentei de um lado dela e Bonnie do outro, instintivamente. Agora que estávamos juntas, nós não podíamos deixá-la sozinha. Caroline parecia uma criança desamparada, e eu queria tanto poder fazer alguma coisa para que ela se sentisse melhor...
Arrisquei pegar sua mão e ela apertou a minha com força.
– Você se lembra do que aconteceu? – Stefan perguntou hesitante.
Ela repetiu tudo o que tinha dito para nós. Quando terminou estava chorando de novo e enterrou a cabeça nas mãos, sua dor era quase palpável.
– Por que Stefan? – ela perguntou – Por que fizeram isso comigo? Eu achei que vampiros não passavam por isso. Achei que não ia mais me sentir tão fraca. Que não seria usada, que poderia desligar esse tipo de sentimento. Por que dói tanto?
Para minha surpresa, quem respondeu foi Damon. Impassível, ele se aproximou da nossa pedra e se abaixou na frente de Caroline. Não fez nenhum tipo de gesto para tocá-la ou confortá-la, apenas disse naquela mesma voz anormalmente gentil que tinha usado no carro:
– Não acho que você vai querer se livrar dos seus sentimentos, Caroline. – era a primeira vez que eu o ouvia chamá-la pelo nome, não por Barbie ou outra coisa no estilo – Se quiser se livrar da sua humanidade, vai ter que livrar-se de tudo. Sentimentos ruins e bons. Você só vai se sentir vazia, sem estar ligada a ninguém, sem se importar com nada. Acha que vale a pena?
– E você acha que passar por isso é melhor? – ela gritou com um misto de raiva e frustração.
– Não. Mas você não pode achar que a vida de um vampiro é um mar de rosas, porque não é – sua voz ficou mais firme, embora ainda gentil – Eu mesmo já passei por coisas piores no último século. O que você sofreu ontem a noite foi uma coisa extremamente difícil de se acontecer, porque o único modo de você ser compelida é se for por um vampiro extremamente mais forte que você. Como um Original. Como eram os que te atacaram? Consegue se lembrar?
Ela levou alguns minutos para responder, provavelmente digerindo o que Damon tinha dito.
– Eram duas mulheres e um homem – ela fungou – Acho que uma era ruiva e a outra morena. Não consigo me lembrar de nada do homem. Quer dizer, quase nada. Eu me lembro dos olhos deles... não sei ao certo o porquê. Dois tinham olhos verdes, um tinha olhos azuis, mas não tenho certeza de quem era quem.
– Você se lembra de muita coisa até, é uma vampira forte – disse Damon – Deve ter resistido bastante à compulsão. Nada mal para uma vampira tão nova, nada mal mesmo.
Um pequeno sorriso curvou os lábios dela, porém logo se apagou.
– Eu bebi o sangue deles – ela confessou – Talvez tenha bebido o de humanos também, realmente não consigo me lembrar de mais nada. Só sei que estou mais forte por dentro, mais rápida, mais ágil. Sinto correr em minhas veias todo o sangue que bebi ontem. E é muito mais encorpado do que o que estou acostumada a beber.
– Porque você só bebe sangue de esquilinhos – Damon apertou os lábios – Beber sangue humano não é uma coisa ruim, Caroline. Tecnicamente eles deveriam ser como vacas para nós. Acha que hesitariam em comer sua preciosa carne se os animais começassem a falar com eles? Eu duvido. É o ciclo da vida.
Carol, Bonnie e eu estremecemos. As palavras dele eram um tanto cruéis, mas não deixavam de ser verdade. Pelo menos um pouco. Aquele era o modo como a maior parte dos vampiros nos via... até como Damon me via antes de me conhecer.
– Não devia ser assim – sibilou Stefan.
– Ah é, maninho? – Damon virou-se para ele com um brilho zombeteiro nos olhos – E como deveria ser? Você tem se mantido forte com a sua dieta de esquilos? Porque só o que um de nós consegue se alimentando de animais é virar um louco quando prova de novo o sangue humano. Aposto que você massacraria essa cidade se voltasse a beber sangue humano, porque não conseguiria se controlar. Sangue animal nos deixa fracos.
Stefan virou o rosto como se já estivesse cansado de ter essa discussão com Damon. Por que eu continuava a ter a impressão de ver culpa em seu rosto? Ele se sentia tão culpado assim pelo que acontecera a Carol? Ela tinha razão, a culpa não tinha sido dele...
Movida pela compaixão, eu me levantei e fui abraçá-lo. Ele enterrou o rosto no meu ombro e suspirou.
– Não foi sua culpa, Stef – eu disse docemente – Vai ficar tudo bem.
– Você disse que tecnicamente nós deveríamos ver os humanos como vacas. Por que tecnicamente? – perguntou Caroline.
– Porque não vemos. Alguns de nós podem pensar assim da maioria dos humanos, e ter aqueles que não querem machucar. Aqueles que não conseguem ver como apenas pedaços de carne. E alguns de nós não veem nenhum assim, muito poucos é verdade, mas não veem. – Damon soava quase pensativo agora – Vê, o lado que essa comparação, usada por muitos vampiros, não leva em conta é que um humano nunca foi uma vaca. Ele não sabe como sua presa se sente. Procura não pensar nisso, para o que o trabalho sujo seja mais fácil. É mais ou menos o que nós tentamos fazer, só que nós já fomos humanos. E alguns ainda têm um pouco de sua humanidade, mesmo que seja bem no fundo. Ou não tão no fundo, como é o seu caso. E é essa humanidade que nos impede de atacar humanos.
– E como então beber sangue humano não é errado? – aquela era a primeira vez que eu via Carol levar realmente a sério o que Damon falava.
Não só ela, mas todos nós estávamos prestando atenção. Principalmente eu. Mal percebi que Stefan ainda tinha um braço envolvido ao redor da minha cintura de forma possessiva. Só o que eu via era Damon, dizendo todas aquelas coisas. Há poucos meses, ele falava de como os humanos eram exatamente como pedaços de carne para ele. Agora, sua visão estava mudando. Ele realmente se importava. Mesmo que fosse só um pouco, era um sentimento genuíno. E aquela mudança mexia muito mais comigo do que deveria.
– Beba sangue de bancos de sangue. Não beba diretamente da fonte, assim a tentação é menor. – Damon deu de ombros – E se beber, tente não tomar demais. É instintivo, todo vampiro sente quando a resistência da presa se esvai e ela começa a morrer.
– Vamos sair daqui – eu falei, e todos olharam para mim – Não me parece uma boa ideia ficarmos assim no meio da floresta. É dar sopa demais.
Bonnie assentiu e começou a ajudar Carol a se levantar. Damon olhava fixamente para o braço de Stefan na minha cintura e parecia não estar gostando nada daquilo. Quando percebeu que eu tinha notado seu rosto se tornou frio e inexpressivo.
– Ah, Stef... – ouvimos uma voz feminina vir repentinamente das sombras no meio das árvores – Eu disse que não era uma boa ideia ter deixado a vampirinha sair viva. Por que você não me disse logo que ela era vampira?
– Estou com uma dor de cabeça tremenda por causa dela – acrescentou uma segunda voz.
Olhei para Stefan sem entender nada. Um sentimento apavorante começava a tomar conta de mim, eu me sentia encurralada. Podia ver olhos ameaçadores nas sombras e sentia uma presença pesada. Não fazia ideia do que era tudo aquilo. E por que as vozes estavam falando com Stefan?
O braço dele me apertou protetoramente. Damon estava se aproximando de nós, assumindo uma postura protetora também. Ele parecia ao mesmo tempo confuso e desconfiado. Bonnie se inclinara protetora por cima de Carol, Jeremy e Alaric logo formando uma espécie de parede na frente delas.
Eu me lembro de sentir muito medo.
Então tudo ficou escuro.