Duas Metades De Mim

22 mais um POV Stefan - parte 1


Notas iniciais
Muito obrigada a Kath, jessicag, taah CS, - Deeh, karol, ZoeyD, crisruthy, littleclown, Bruna Gabrielle, bruna_TVD, Annia Korsakov, yourheroine, karenbeatriz, BrunaFontana, ElisaStew, Giulia Salvatore, Ferteam e CahNog pelos comentários, hoje terá capítulo duplo dedicado a todas vocês amores!
Boa leitura :*

Tudo explodiu na minha cara muito antes do que imaginei ser possível. Carol se lembrava de relances do que acontecera no Mysthic Grill e eu estava prestes a ser desmascarado. Minha garganta estava apertada e eu sentia como se minhas entranhas estivessem se revirando com aquela mistura desconfortável e amarga de sentimentos. Apesar de ser um hipócrita de primeira, eu não tinha mentido totalmente para Caroline. Eu realmente sou fraco. Devia ter impedido o que aconteceu quando tive chance e ao invés disso me deixei seduzir pelo toque e as palavras sensuais de Miriam. Pelo cheiro do sangue, ainda mais poderoso vindo de outro vampiro. Estava tão inebriado que só notei que era ela ao olhar em seus olhos e ver o brilho vazio da compulsão, porém nem isso me parou.

É hora de enxergar a realidade. Não tenho mais controle sobre mim mesmo.

Eu já sabia, desde o dia em que elas tinham me atacado na floresta, que não podia terminar de outro jeito.

Tudo começou exatamente três semanas antes da briga que tive com Elena por causa do Damon. Eu estava caçando um alce na floresta quando de repente fui atacado por Miriam e Elo. As duas eram novas na cidade e ao me verem caçando resolveram “brincar” comigo. Elas me atacaram e não havia muito que eu pudesse fazer para me defender, lutar com uma vampira original já era extremamente difícil, imagine com duas. Elas tomaram meu sangue e Elo sugeriu que me matassem. Eu estava caído na terra semiconsciente depois que ela e Miriam já haviam sugado uma boa quantidade de sangue, vulnerável, mal conseguia me mexer. Não tinha forças para lutar ou correr caso uma delas quisesse enfiar uma estaca no meu peito ou tirar meu anel e me deixar fritando no Sol.

“Ele é fraco demais” reclamou Elo fazendo beicinho, sua voz feminina e açucarada saindo em um sibilar ameaçador “Vamos matá-lo, já estou entediada”.

Miriam pareceu considerar a ideia. Ela se ajoelhou pensativa ao meu lado e eu me retraí na direção oposta. Era o máximo que conseguia fazer para evitar seu toque. Suas mãos pequenas e macias envolveram meus ombros e ela me puxou para seu colo sem tirar os olhos dos meus. Parecia uma princesa, altiva, o lindo rosto muito sério e friamente gracioso. Uma nobre que tinha minha vida nas mãos. Seus olhos eram de um tom próximo ao esmeralda, um verde alguns tons mais escuro que o dos meus. Eu não sabia o que ela procurava no meu rosto nem o que tinha encontrado. Sentia que a mistura de resignação e súplica era muito mais visível em meus olhos do que eu gostaria que fosse. Queria morrer com dignidade.

Morreria pensando em Elena.

Elena.

Durante todo o ataque estive pensando nela, no que aconteceria a ela quando eu morresse. Eu não queria deixá-la. Mas sua imagem doce se esvaiu enquanto Miriam olhava em meus olhos, enquanto eu reparava na beleza da minha princesa persa, minha salvadora. Seus dedos hesitantes se moveram em meu cabelo como que em uma leve carícia, o que por algum motivo desconhecido me reconfortou. Então ela proferiu as palavras que ao mesmo tempo me salvariam e destruiriam.

“Não vamos matá-lo.”

Elo protestou e Miriam ignorou-a. Ela mordeu o próprio pulso e me deixou sugar avidamente seu sangue.

“Vai ser útil ter um vampiro local para nos ajudar” continuou ela “obviamente ele faz o estilo bonzinho, dá para ver em seu rosto. E parece preferir sangue animal, o que eu acho muito peculiar. Isso vai ser ainda mais divertido do que eu imaginei”.

Elo cedeu de má vontade. Quando eu já estava restabelecido o bastante para me sentar, nós três fizemos um acordo. Elas não abriam mão de tomar sangue humano e atacariam pessoas, com ou sem a minha ajuda. Então em troca de indicar os lugares mais movimentados, arrumar uma casa provisória para elas e ajudá-las no que quisessem eu poderia escolher algumas poucas pessoas que elas não atacariam. Eu sabia que tinha tido muita sorte por Miriam ter gostado de mim. Talvez ela também sentisse o que quer que fosse aquilo que tinha se estabelecido entre nós quando ela deitou minha cabeça em seu colo. Uma espécie de ligação silenciosa e desconhecida, instintiva. No começo foi só isso o que impediu que Elo me atacasse. A forte atração que me ligava a Miriam.

Eu não sabia o que duas Originais podiam querer na cidade, mas para proteger Elena e todos com quem eu me importava fiz tudo para agradá-las. Um instinto adormecido tinha despertado em mim quando tomei o sangue de Miriam e começava lentamente a clamar por mais. Eu sabia como ficava quando tomava sangue humano ou vampírico. Por isso me limitava apenas ao animal. Mas cometi o erro de deixá-las perceber minha fraqueza e as duas levaram a sério a “divertida” tarefa de me transformar em um “mau menino”. Começaram a me tentar, até que eu passei a tomar o sangue de suas presas. E a atacar pessoas. Eu me deixei envolver pelo monstro em mim, mesmo que só até certo ponto. Conseguia fingir estar normal quando estava com Elena, conseguia dizer a mim mesmo que ainda era eu, que só estava me divertindo um pouco.

Até que na segunda semana as coisas ficaram mais complicadas. Elo e Miriam confiavam em mim e estavam determinadas a me fazer deixar que os instintos falassem mais alto. As duas me provocavam e se insinuavam durante as nossas caçadas e eu não resisti. Foi quando voltei a experimentar o prazer primitivo e intenso do sexo regado a sangue. De repente eu não conseguia mais me conter e tinha desenvolvido uma espécie de dupla personalidade em minha vida dupla. Não conseguia deixar de me entregar aos instintos do monstro quando estava com Miriam e Elo, não conseguia deixar de me sentir culpado e me esforçar ainda mais para ser o bom moço quando estava com Elena.

Tudo já estava saindo de controle, mesmo que eu estivesse obstinado em minha negação.

Até a noite com Caroline.

Agora tudo estava por um fio. Eu tinha cometido o único erro que jurei a mim mesmo nunca cometer: prejudicar um dos humanos naquele restrito grupo dos que eram mais importantes para mim, dos que eram intocáveis. E pior, corria o sério risco de ser pego.

Eu estava assustado e nervoso, sem saber muito bem como agir, só sabia que não permitiria que elas a machucassem.

Jeremy e Alaric formavam uma espécie de parede na frente de Bonnie e Carol. A expressão de Jeremy estava dividida entre a confusão, o medo e a resolução. Alaric parecia apenas alerta. Seu corpo estava contraído e ele apurava os ouvidos em busca das vozes de Miriam e Elo, em busca de uma direção para jogar a estaca escondida em sua manga. Damon estava agora ao meu lado, um braço esticado diante de Elena protetoramente, se revezando em esquadrinhar as árvores muito juntas e me lançar um olhar desconfiado. Ele já parecia ter entendido que as vampiras tinham algum tipo de ligação comigo.

Uma pedra veio em alta velocidade na direção de Elena e eu a rebati para o lado. Infelizmente o projétil tinha sido lançado com tanta força que se partiu e um dos pedaços a atingiu na cabeça.

- Elena! – eu e Damon gritamos ao mesmo tempo.

Ela desmaiara em meus braços.

- Merda – eu a aconcheguei contra mim – Damon, me dê cobertura. Eu vou examiná-la.

Ele a encarou preocupado e a fúria encheu seu rosto.

- Vamos ter que dar um jeito nisso agora – surgindo do nada Miriam levantou Damon pelo pescoço, sufocando-o.

Ela era mais forte que ele, era evidente. Mas Damon nunca fora fraco. Ele se debateu em seu aperto até que ela o forçou a olhá-lo nos olhos e sibilou:

- Fique quieto.

Com uma expressão vazia, ele parou de lutar. Então Miriam gritou de dor. Largou Damon e um berro de fúria saiu de seus lábios. Elo assumiu seu lugar e Miriam investiu contra Alaric.

- Não os machuque! – eu gritei.