Duas Metades De Mim
25 meu paraíso particular
Notas iniciais
muito obrigada a Zoey D, CahNog, larisantana, -Deeh, jessicag, Naatalia, BrunaSalvatore, Bruna Gabrielle, yourheroine, Annia Korsakov,karol, jullysalvatore, crisruthy, infinite, Kath, K Langdon, KaroolMoura, garotavampira e Jenn pelos comentários, esse capítulo é dedicado a todas vocês :)
– O quê? – rosnei entre dentes – O que você quer pra me deixar em paz, Damon? Eu não quero conversar agora!
Eu me encolhi na cama, de lado, puxando o travesseiro de encontro ao meu rosto. Não queria que ele visse as lágrimas de raiva que se acumulavam em meus olhos. Minha cabeça latejava mais do que nunca e meus nervos estavam à flor da pele. Eu sentia a bile borbulhar em meu estômago. A dor e a frustração se emaranhavam dentro de mim em um grito mudo de revolta, querendo encontrar o caminho para fora, forçando passagem para cima. Não aguentei. Saí correndo para o banheiro quase atropelando-o no caminho. O suor gotejava em minha testa, encharcava minha blusa. Meu estômago revirava e eu me sentia ainda mais vulnerável. Nem deu tempo de tirar meu cabelo do caminho. Sorte que Damon o segurou para mim no último segundo possível.– Shhh, shh princesa – a voz profunda e grave dele soou em meus ouvidos – Eu estou aqui. Bote tudo para fora piccola mia. Não tinha muita coisa em meu estômago para sair. Quando terminei percebi que estava tremendo. Muito.– Respire – um dedo frio roçou meu queixo e puxou-o com delicadeza fazendo com que eu encarasse seus olhos claros – Devagar piccola mia. Deixei que minha testa caísse contra seu peito e me esforcei para me recompor.– Elena, eu disse devagar – a mão grande e máscula que segurava meu cabelo agora estava na minha cintura me puxando com cuidado para o colo dele – Solte o ar. Respire. Ascoltami, amore mio. [N/A: escute-me, meu amor.] Eu ainda estava sem fôlego. Parecia nunca conseguir sugar oxigênio o bastante, aquele enjôo idiota insistia em fazer com que eu me contraísse toda. Os lábios de Damon encontraram minha orelha e ele continuou a murmurar palavras de incentivo. Envolta por sua voz grave e aveludada, eu fui me acalmando lentamente até que a náusea passou.– Como está se sentindo? – seu polegar acariciava minha bochecha.– Como se tivesse levado uma marretada na cabeça – grunhi.– E o enjôo?– Passou.– Tem certeza? – o braço musculoso em minha cintura deslizou para a parte de trás das minhas coxas. Ele ia me carregar de novo.– Consigo andar sozinha – eu fiz bico. Já era ruim o bastante que ele tivesse me visto tão acabada. Eu queria ao menos salvar o que me restava de dignidade.– Não seja ridícula. Ele deu impulso e me ergueu no colo com um só braço. Meu peso não pareceu incomodá-lo nem um pouco.– Exibido – murmurei. Damon piscou para mim e foi até o espelho acima da pia, abriu-o e examinou seu conteúdo.– Achei que o cabeção deixava remédios para você aqui – ele resmungou.– Ele deixa. A caixa branca do lado da escova de dentes. Tylenol. E ei, a cabeça dele não é tão grande. Ele abriu um sorriso torto que fez meu coração dar uma cambalhota no meu peito.– Admite Eleninha, é sim. Ele parece um cotonete ambulante.– Não exagera – revirei os olhos.– É sério! A cabeça do Stef é tão grande que ele sempre cai quando espirra. Eu ri e dei um soquinho fraco no ombro dele.– Pega logo o remédio e pára de falar besteira – eu disse.– Falou Eleninha. Mas só porque você tá passando mal, vê se não se acostuma. Ele pegou a caixa de Tylenol e me carregou até o próprio quarto.– Damon, me leva para o quarto do Stefan.– O meu não é bom o bastante para a senhorita? – ele ergueu uma sobrancelha – Estou ofendido.– Você sabe que não é isso – eu apertei a ponte do nariz com o polegar e o indicador.– O perigo deixa tudo mais gostoso, cunhadinha. – Chega de problemas por hoje, ok? Minha cabeça está explodindo e eu preciso de paz.– Como você fica chata com dor de cabeça. Ele recuou e me levou para o quarto certo. Deixou a caixa do remédio na mesinha de cabeceira e me pôs na cama com cuidado. Depois começou a se afastar.– Damon — minha boca falava sozinha, sem um comando do meu cérebro – eu sei que disse pra você ir. Mas... pode ficar aqui comigo? Só mais um pouco. Ele disse que voltaria logo e saiu do quarto. Sozinha no escuro eu desabei nos travesseiros. A dor pulsou ainda mais forte no lado direito da minha cabeça. Tateei onde estava mais dolorido e meus dedos encontraram um enorme calombo. As pontas dos meus dedos ficaram úmidas. Que merd...? A porta se abriu outra vez e eu vi Damon voltar com um copo d’água e uma xícara de chá.– Toma – ele me entregou o copo e a caixa de Tylenol. Então franziu a testa para mim.– Que cheiro é esse? Toquei o rosto dele com meus dedos úmidos. Damon pegou minha mão e virou minha palma para cima.– Por que tem sangue nos seus dedos? Sem dizer nada girei minha mão na dele e a guiei até minha cabeça, até que ele sentisse o enorme galo. Gemi de dor. Damon praguejou em italiano e franziu o nariz como se sentisse um cheiro ruim. Ele se sentou na beirada da cama e me virou de costas para si, afastando meu cabelo com delicadeza para poder examinar aquele maldito calombo na minha cabeça. Depois de alguns segundos pensei ter ouvido um meio suspiro aliviado.
– É um corte bem superficial, logo em cima do galo – ele disse – Nada sério. Só ralou um pouco. Como você se machucou?– Não faço a menor ideia. E lá estava de novo aquela sensação de que eu estava esquecendo algo. Abri a caixa do Tylenol e peguei um comprimido. Coloquei-o na boca e virei toda a água de uma vez, depois deixei o copo na mesinha. – Eu... acho que jogaram alguma coisa em mim – minha voz soou incerta, mas mal as palavras saíram da minha boca, percebi que era a verdade.Tinham jogado alguma coisa em mim. Eu me lembrava de sentir algo bater com muita força na minha cabeça e depois tudo ficou escuro. Mas como...?Ah, Stef... Eu disse que não era uma boa ideia ter deixado a vampirinha sair viva. Por que você não me disse logo que ela era vampira? As vozes na floresta. Tinham vozes na floresta...– Que vozes? – Damon me olhava como se eu tivesse enlouquecido. Eu estava pensando em voz alta. E não conseguia botar meus pensamentos em ordem.– Damon, o que aconteceu quando fomos buscar a Carol?– Ela nos disse que tinha sido atacada, nós a acalmamos um pouco e a trouxemos pra cá – ele respondeu prontamente.– Não é disso que eu me lembro. – estalei os dedos, nervosa – Eu acho que elas conheciam o Stefan... Do que eu me lembrava? Stefan tinha algo a ver com o que tinha acontecido? Não, não é possível.– Quem? Do que você está falando? – Damon parecia perplexo agora.– Eu não sei... nada faz sentido. Veja – eu afastei meu cabelo do pescoço em um gesto impulsivo – Pode morder. Não sei se consigo explicar muito bem tudo isso. Damon arqueou uma sobrancelha perfeita.– Deixa eu ver se eu entendi... você não quer magoar o Stefan ainda mais, certo?– Certo. – Não quer ir pro meu quarto, mas quer que eu te MORDA no quarto DELE com o risco de sermos pegos no flagra a qualquer momento. – É isso – resmunguei – Mas parece bem idiota quando você fala assim. Ele tinha razão. Era uma ideia idiota.– Só tava checando – ele deu de ombros e se inclinou para mim – Ei, Não precisa mudar de ideia, eu não estou reclamando. Ele se sentou na beirada da cama e me puxou pela cintura. Poucos centímetros nos separavam e eu estava completamente arrepiada. Seus lábios frios tocaram a minha garganta e eu estremeci. Então veio uma rápida fisgada de dor e eu via a curiosidade e a preocupação nos pensamentos dele. Repassei mentalmente o que eu me lembrava de ter acontecido. Fomos buscar Carol na floresta, ela nos contou sobre o ataque dos três vampiros, sua mãe tinha descoberto a tal Miriam Harper, nós chegamos a conclusão de que as vampiras eram originais. Então ouvimos aquelas vozes...Ah, Stef... Eu disse que não era uma boa ideia ter deixado a vampirinha sair viva. Por que você não me disse logo que ela era vampira?Estou com uma dor de cabeça tremenda por causa dela. Eram duas vozes claramente diferentes, apesar de serem ambas femininas. Então eu senti medo, um baque forte na cabeça, e tudo ficou escuro. Damon estava tão desnorteado quanto eu. Ele não conseguia acessar aquela lembrança, por mais que tentasse. Seu cérebro travava e ele automaticamente sabia que tinha conversado com Caroline e nos trazido para a mansão. Só isso.– Porca miseria – ele sibilou – farabutto! [N/A: porra, filho da puta!]– O que? – eu não fazia ideia do que ele tinha dito. Pelo tom não parecia ser coisa boa. – Espera – ele se inclinou para mim outra vez e sua língua roçou meu pescoço bem em cima das feridas sensíveis. Eu arfei.– Pronto... Ele tinha fechado as feridas.– Obrigada – rezei para que ele não tivesse percebido como meu coração disparara. Os olhos de Damon percorreram meus braços arrepiados e tive a impressão de ver um pequeno sorriso brincando em seus lábios. Havia um pouco do meu sangue em seu lábio inferior e eu tive uma súbita vontade de provocá-lo, de me inclinar para aquela boca carnuda e... Eu estava me distraindo. E não era um momento para distrações.– O que você disse antes? – disparei – Alguma coisa sobre miséria. Ele franziu o cenho e sacudiu a cabeça.– Nada, não é importante. Acho que o Stefan mandou me compelirem.– O quê?– A todos nós, menos você pelo visto – ele continuou – Eu não consigo me lembrar de nada que você me mostrou. Aliás, não consigo me lembrar de nada. O que aconteceu na floresta está muito confuso, eu só sei algumas coisas. Como se fosse uma voz me contando o que eu não consigo lembrar. As vozes que você ouviu antes de te atingirem na cabeça – ele deixou escapar um pequeno rosnado – pareciam conhecer o Stefan. Sei lá, ficou muito mal contado isso.– Você acha que ele tem algo a ver com os ataques? – meu coração afundou no peito.– Talvez. Não sei. Antes de tirar conclusões precipitadas vou falar com a xerife Forbes e perguntar sobre essa Miriam Harper. Se o nome bater, aí teremos um problema sério. Ele pegou minhas mãos e me puxou para mais perto. Nossos narizes quase se tocavam agora.– Elena – ele disse em um tom urgente – Olha, eu sei que você confia no Stefan, mas... fique atenta, ok? Não quero que você se machuque. – Mas o Stefan sempre me protege! – eu protestei energicamente – Ele não pode ter algo a ver com isso! Damon hesitou.– Nunca se sabe. Fiquei tensa. Será que o Stefan poderia...? Não. Não o meu Stefan. Eu não sabia o que pensar. Meu cérebro rejeitava as novas informações, se recusava a sequer cogitar a ideia de Stefan tentando machucar a mim ou a qualquer outra pessoa. Ele simplesmente não podia ter algo a ver com os assassinatos. Não ele, não um vampiro que se sentia culpado até ao tomar sangue de animais. Ele nunca faria algo assim. Os pensamentos confusos só estavam piorando minha enxaqueca. Não percebi que estava chorando até sentir as mãos de Damon secando minhas lágrimas.– Descanse um pouco – ele murmurou ternamente – Quando você acordar a gente vê o que vai fazer, ok? Como está a cabeça?– Explodindo – aninhei meu rosto nas mãos dele. Fechei os olhos e toquei aquelas mãos grandes e tão frias, tão necessárias. No meio da confusão de sentimentos que se reviravam eu senti gratidão, Damon fazia com que eu me sentisse amada e segura. Queria poder puxá-lo para a cama comigo, adormecer abraçada a ele. Mas eu não podia. Aquele era o quarto de Stefan, e mesmo que eu fosse uma vadia desalmada por ter me apaixonado pelo irmão dele não era baixa a ponto de fazê-lo nos ver dormindo abraçados em sua própria cama.– Eu te amo – as palavras escorregaram da minha boca sem que eu tivesse tempo de impedir minha língua traidora. O polegar de Damon que afagava minha bochecha congelou. Arregalei os olhos e me esforcei para ver a expressão dele no escuro. Por mais que eu forçasse a vista não conseguia, só pude ver as sombras em seu lindo rosto e sua boca franzida. Merda de visão humana fraca demais! Ai Deus, eu acabei de estragar um momento perfeito. Qual é o meu PROBLEMA?– Desculpe, eu não sei de onde...– Não. Não ouse retirar o que disse, Elena Gilbert — havia algo diferente no tom de Damon — Eu sei que você pode mudar de ideia e escolher o Pastor dos Esquilos Sofredores, sei que se sente culpada, mas não faça isso. Pelo menos me deixe ter esse momento. Eu não sabia o que dizer. Ou como agir. Estava confusa. Então só esperei.– Eu nunca fui capaz de confiar em alguém, muito menos em uma humana, como confio em você – ele continuou — E preste bastante atenção, porque eu só vou dizer isso uma vez: eu te amo. Mesmo que não me escolha, mesmo que ache que eu sou inconstante demais e que não vale a pena arriscar tudo por alguém imprevisível como eu, isso não vai mudar. Eu vou te proteger sempre, e quero que você tenha uma vida feliz.–Ah Damon... – eu estava chorando de novo. Eu o amava tanto! Só estava começando a me dar conta daquilo, e eu teria que escolher. Naquele momento só o que eu queria era escolher Damon e fugir com ele, não precisar encarar seu irmão e as consequências da minha escolha. Meu coração doía. Minha cabeça doía. Minha alma doía. Tudo em mim gritava que Damon era a escolha certa, que eu merecia ser feliz e, principalmente, fazê-lo feliz. Era tão absurdamente difícil que ele falasse de seus sentimentos. E parecia tão injusto decepcioná-lo quando eu o amava tanto quanto ele me amava.– A vida é tão injusta – solucei.
Ele me abraçou e murmurou no meu ouvido:– É. A vida não é fácil meu anjo, se fosse se chamaria Katherine Pierce. Soltei um ruído estranho, algo entre um soluço e uma risada. Envolvi seu pescoço com meus braços e murmurei:– Eu te amo, Damon. Muito. Independente do que acontecer, não esqueça disso. Ele grunhiu e me beijou. Foi um beijo longo, profundo, carinhoso. E eu não consegui me importar com nada que não fosse ele, seu gosto, seu corpo musculoso pressionado contra o meu. Não me importava se Stefan podia nos pegar. Não importava se era errado. Damon era meu paraíso, bem no meio do inferno. Ele era tudo que eu queria. Tudo que eu precisava.
Fale com o autor