Notas iniciais
oi meninas, primeiramente quero agradecer o apoio de vcs, muito obrigada por entenderem e mandarem melhoras, fiquei muito feliz com a compreensão e a força que vcs me deram ♥
em segundo, eu não tive nenhuma complicação e graças a deus agora já estou boa e pronta pra voltar com tudo o haha
infelizmente eu ñ tenho muito tempo no pc, então hj só vai dar pra postar um capítulo mesmo, mas como tenho um triplo pronto no caderno durante a semana dou um jeito de postar mais dois.
boa leitura e mais uma vez brigada pelo apoio lindas ♥

Damon soltou um palavrão em italiano. Suas mãos apertaram meus quadris e uma rápida brisa em meus cabelos foi acompanhada de uma leve tontura. Quando me dei conta estava fechada no banheiro com ele.

Tranque a porta, sua voz ordenou em minha cabeça.

Sua mão cobriu minha boca quando tentei discutir.

Vai me agradecer por isso mais tarde. Só tranque a porta e entre no banho agora.

Vou agradecer pelo quê? Damon, tira a mão da minha boca!

Ele me soltou, trancou a porta e lançou-se janela a fora. Estática, fiquei encarando a janela aberta. Até que alguém tentou girar a maçaneta.

— Elena? – a voz grave e ansiosa me fez dar um pulo de susto.

Stefan!

Ai merda, por que eu sempre me esqueço dele?

— No banho! – gritei.

Disparei para a porta de vidro do boxe, abri o registro e a água gelada jorrou em minha cabeça. O choque térmico fez calafrios percorrerem minha coluna e soltei um lamento estridente.

— O que foi? Tudo bem aí dentro? Sua dor de cabeça piorou? – Stefan parecia muito preocupado.

Por que você não se preocupou com isso antes de ir embora, cabeçudo? Saídas dramáticas são mais importantes para você do que ela?

Damon! Fica quieto! Ele ouviu isso?

Não. E não vou embora até que ele vá também.

— Você precisa ir – sibilei furiosa.

— Preciso? Para onde? – perguntou Stefan confuso.

Oops.

Cuidado com a língua, princesa.

— Nada, esquece – eu disse nervosa – Tudo sim amor é que eu tô tomando banho frio. Bonnie já me deu remédio, estou bem melhor. Onde você estava?

No lugar dele: longe de você, curtindo com as esquiletes.

Ninguém pediu sua opinião.

— Por aí – Stefan respondeu de modo vago – Precisava de ar fresco e aproveitei pra caçar um pouco.

Traduzindo, esquiletes na veia. Literalmente. Talvez fosse uma boa ideia mandar um guarda florestal atrás dele... não seria tão divertido quanto matá-lo com as minhas próprias mãos, mas até que dá para o gasto. Talvez.

Ignorei Damon e mantive minha atenção fixa no ato de derramar um pouco de xampu na mão e espalhar pelo cabelo. Minhas mãos tremiam de nervoso. Eu estava muito, muito perto de ser pega no flagra. Precisava me livrar do cheiro de Damon antes que Stefan chegasse perto o suficiente para senti-lo.

Assim você me magoa. E ele já deve ter sentido meu cheiro.

— Por que você está cheirando ao Damon?

Falei.

— Peguei outra camisa dele emprestada – respondi rápido demais.

— Mas e as roupas que você deixa aqui?- uma nota de desconfiança se insunuava em sua voz.

Talvez o cabeçudo não seja tão burro como eu pensava.

Cala a boca Damon, estou tentando raciocinar!

— Eu estava com muita dor, Stefan. Tinha me esquecido disso e estava imunda. Tinha terra até no meu cabelo, e eu nem sei como consegui isso! Não me lembro de ter deitado no chão.

Minha boca nervosa falou antes que eu sequer tivesse tempo de pensar nas palavras. Meu primeiro impulso foi morder a língua. Aquilo tinha soado quase como uma acusação, e eu só pude torcer para que ele não tivesse notado. Ao mesmo tempo, porém, por mais sem noção que fosse, o que eu tinha dito era verdade. Eu me lembrava das vampiras, da dor e de ter apagado, mas não de ser deixada na terra. E de acordo com Damon aquilo nem tinha acontecido de verdade. Eu estava delirando, certo? Não tinha como Stefan ter algo a ver com as mortes. Ou com as vampiras que eu imaginara ter visto.

Não tenha tanta certeza assim. Tive um vislumbre da culpa. Ele está se sentindo tão culpado que nem notou a sua desconfiança.

Como você sabe?

Posso sentir.

Pode ler os pensamentos dele também?

Não. Ele está muito mais forte que antes. Interessante.

Não tem nada interessante nisso! Se aquele ataque aconteceu mesmo então...

— Nós estávamos no meio da floresta, amor – disse Stefan em um tom relaxado e descontraído – Não é nada estranho ter terra no seu cabelo. O mais importante é que você esteja bem. Tem certeza que a enchaqueca passou?

Galhos secos talvez amor, mas terra não. Não no meu cabelo, não na quantidade que tinha. Ninguém jogou terra em mim e eu duvido que os grãos brotem em árvores na quantidade que ficou agarrada no meu cabelo. Tem algo que você não está me contando, pensei em responder.

Responda, sugeriu Damon, vai saber a verdade pela reação dele.

Meu estômago se revirou enquanto eu tirava o condicionador. Minha boca estava seca. A pergunta estava na ponta da língua, mas eu não conseguia pronunciá-la.

— Você tem razão – me ouvi murmurar – Tenho sim, amor. Estou muito melhor.

Ele soltou um suspiro aliviado.

— Que bom, amor. Pode abrir a porta para mim? – pediu ele, ansioso.

Silêncio. No fundo da minha mente, eu pude sentir a perplexidade de Damon.

Eu mesma não estava entendendo o pânico que borbulhava na boca de meu estômago. Eu não queria fazer a pergunta, mas não era só por medo de descobrir a verdade. Tinha outra coisa, disfarçada no receio. Era... culpa?

— Já estou acabando...

— Posso te ajudar a terminar – o tom sugestivo na voz dele causou uma reação que me deixou surpresa.

Não apenas pela onda de raiva e possessividade primitiva que senti emanar da mente de Damon, mas porque a reação foi desconforto. Eu me sentia desconfortável com a ideia de tomar banho com o meu namorado.

A raiva de Damon se suavizou, mas não sumiu. Ele estava com ciúme?

Não precisa ficar tão metida, grunhiu ele em minha cabeça, estou tão surpreso quanto você.

Pude notar claramente a mentira. Ele já tinha sentido ciúme de mim antes.

Por que nossas mentes estão tão ligadas?

São Stefan ainda está esperando uma resposta cunhadinha.

Eu odiava ouvir Damon me chamar de cunhadinha, e ele sabia disso. Lembrava o quanto era errado o que estávamos fazendo.

— Tudo bem amor, falta pouco mesmo. Já vou abrir – eu disse.

Responda a minha pergunta.

E se eu não quiser?

Vou fazer com que responda.

Venha aqui fora e eu respondo.

Um tremor percorreu meu corpo enquanto me enxugava na toalha grande e macia de Stefan. Aquilo era loucura. Eu não sabia em qual dos dois devia me concentrar, nem como reagir. Senti-me como uma barata tonta tentando responder aos dois ao mesmo tempo sem que Stefan percebesse algo.

Tudo bem, vou me comportar. Por enquanto.

Olhei para a pia de granito. Onde estavam minhas roupas?

Um flash do corpo musculoso de Damon me prensando contra a parede surgiu em minha cabeça. Em meio ao prazer enlouquecedor, eu deixara as roupas caídas ao lado da cama...

Teria que encarar Stefan usando apenas uma toalha.

Damon rosnou contrariado em minha cabeça.

Ignorei e fui até a porta.

-Amor, esqueci de pegar uma muda de roupas – eu falei ao abri-la.

Um sorriso safado curvou o canto da boca de Stefan enquanto ele descia os olhos pela toalha.

— Ajudo você com isso mais tarde – ele me puxou para seus braços – Mas agora...

Seus lábios encontraram os meus.

Stefan aprofundou o beijo e eu senti que estava sendo carregada.

Uma onda conflitante de sentimentos me atingiu.

Eu ainda sentia alguma coisa, não o desejo que sentia com Damon, mas algo que não sabia muito bem definir, quando ele me beijava. Era um sentimento estranho, de um jeito quase bom. Mas também havia dúvida, culpa e desconforto, sem falar na fúria e o ciúme que emanavam de Damon. Ele parecia furioso a ponto de partir para cima do irmão.

Interrompi o beijo, um pouco ofegante e me afastei dele. Seus olhos verdes se dilataram divididos entre o desejo e a incerteza.

— E-eu... estou enjoada... – bulbuciei.

E estava mesmo. Todas aquelas sensações misturadas estavam me levando à beira da insanidade, e eu não conseguia parar de me sentir mal por Damon ter presenciado aquilo e por como Stefan se sentiu quando interrompi o beijo. Ele não tinha culpa se eu tinha me apaixonado por seu irmão. Não tinha culpa por eu o estar traindo. Mas talvez tivesse culpa pelos assassinatos, talvez tivesse algo com as vampiras que tinham nos atacado, se é que elas tinham mesmo nos atacado. Eu estava tão confusa que meus pensamentos já nem faziam sentido.

Cambaleei e senti Stefan me amparar.

— Você está verde – ele disse preocupado.

Vou entrar aí.

Damon, não! Isso só vai piorar as coisas!

Você está passando mal!

Ele já está cuidando de mim.

O efeito que a resposta causou em Damon fez com que eu me arrependesse imediatamente.

Não amor... eu não quero magoar nenhum de vocês. Não foi o que eu quis dizer. Tenho medo da reação do Stefan se você entrar aqui agora.

Eu sei. Você tem medo de tudo, a mágoa ácida em sua voz fez lágrimas brotarem em meus olhos.

O que você espera que eu faça? O que quer de mim?

Não sei. O que você está disposta a dar?

Tudo!, eu quis gritar. Mas não consegui. Não com as mãos de Stefan me tocando, não com a preocupação estampada em seu rosto. Não com tudo que tínhamos passado juntos. Ele não merecia que eu o trocasse pelo irmão. E Damon não merecia ser magoado ou rejeitado.

— Elena? Amor? – Stefan me deitou na cama e sentou-se ao meu lado, deslizando um dedo carinhosamente em minha bochecha – Quer que eu pegue remédio para você?

— Quero. – murmurei.

Na verdade eu só queria uma desculpa para que ele se afastasse. Queria me sentir menos sufocada, mas não adiantou. Eu precisava de um tempo. Deles dois. Tinha de pensar e escolher de uma vez por todas.

Você disse que não pediria tempo.

E você disse que iria embora junto com ele.

Eu não quis dizer nesse sentido, e você sabe.

Não vou conseguir decidir de outra maneira. Preciso ficar sozinha, você mais que ninguém pode me entender. Acabou de ver em primeira mão a bagunça que está minha cabeça.

Eu vou ficar quieto. Não precisa ser sempre assim...

Para mim é. O tempo todo.

Silêncio. Ele parecia estar avaliando minha determinação.

Tudo bem, Elena, sua voz soou fria em minha cabeça, Se você quiser esquecer tudo que tivemos, não sou eu quem irá impedir. Adeus.

Eu estava chorando para valer agora. As lágrimas escorriam abundantemente por minhas bochechas. Stefan voltou com o remédio e eu agradeci, forçando um sorriso. Tentei não pensar mais em Damon. Ele continuou a me fazer perguntas sobre como eu me sentia e me contive para respondê-las com paciência. Me deu um beijo rápido. Não reclamei. Pude sentir o vazio, a ausência dos comentários sarcásticos de Damon, e percebi que ele tinha mesmo ido embora. Talvez para sempre, se aquela fosse minha decisão definitiva. O vazio se espalhou em meu peito, e meu coração doía a cada batida. A dor se espalhou por meu corpo. Ele tinha levado uma grande parte de mim com ele, mesmo sem saber, e eu estava prestes a me livrar da que tinha restado.

Não sou como Katherine. Se não consigo me decidir, então não terei nenhum dos dois.

Engoli o comprimido que Stefan trouxera e tomei a água, depois deixei de lado o copo pela metade. As lágrimas queimavam meu rosto e eu tinha que me segurar muito para conter os soluços. Não vou desabar agora, ainda não. Não na frente dele.

— Por que está chorando? – Stefan limpava minhas lágrimas carinhosamente.

Porque estou tomando a decisão mais difícil da minha vida.

— Stefan, precisamos conversar.