Du Ferme

2 Capítulo O2


– A pior coisa que você pode ser na vida é mentiroso. — Ouviu seu pai ao lado no carro. – Non, non. A pior coisa que você pode ser é nazista... Mas mentiroso também é bem ruim. Nazista, un (um). Mentiroso, deux (dois).

Anabelle tirava os cacos de vidro da mão enquanto ouvia os “bons conselhos” do pai.

–Papa.. Posso voltar para casa ? Só durante um tempo, até eu me estabilizar ?

Marc riu.

–Tudo bem... Caramba, você não precisava ter quebrado uma garrafa de vodka na cabeça de alguém. Você sabe que pode ficar em casa. Tudo o que peço é que cate suas tralhas e não deixe seu quarto parecendo que foi usado para suruba. — Ele fez um pequena pausa e completou. – Aliás, é uma pena você ter dado um pé na bunda do seu namorado Bellis. — E riu estacionando o carro em casa.

__________________________________________

Ao ler a mensagem Anabelle ficou triste e irada. Muito irada. Estava triste porque bem... Que droga. Não conseguia se quer manter seu homem dentro de casa, muito menos dentro de suas pernas e IRADA por ele estar lhe traindo. De novo. Não sabia o que fazer.

– Droga, droga, droga. – Falou andando de um lado para o outro do corredor do apartamento.

Pegou o celular e leu e releu mais algumas vezes a mensagem. Essa e outras, dessa tal festa que ele ia hoje, uma festa a fantasia, regada de mulheres e bebidas e claro... Dos bons amigos dele que frequentavam a casa de ambos e SABIAM da existência de Bellis.

Anabelle se jogou na cama dos dois e olhou para a foto na parede...

– Merda. Que se foda. Je suis fait! (Eu estou farta!)

Lembrou de como ficou na primeira vez que descobriu que ele o havia traído com a vizinha, na própria cama dos dois.

Levantou e se arrumou para sair.

Pouco depois das 10 horas da noite a mulher estava em um táxi. Desceu no ponto anotado no papel, pagando o senhor ao volante.

Colocou sua máscara para completar a fantasia e prendeu seus cabelos longos e castanhos em um emaranhado coque no topo da cabeça.

Anabelle se achava uma mulher sem graça. E realmente podia ser considerada assim. Nada nela era por assim dizer, espetacular. O cabelo longo e castanho jogado de lado era simplesmente normal, nem liso, nem cacheado, nem ruivo, nem loiro. Os olhos eram grandes e castanhos. Nem pequenos, nem puxadinhos, nem azuis, nem verdes. Ela tinha um belo corpo afinal, mas não era alta. Então todas aquelas curvas passavam desapercebidas dentro de seu um metro e sessenta. A cor não era negra, não era branca. Assim era Anabelle. Bonita? Sim. Mas sem graça. Nada de espetacular ao ponto de vista dela. Ela gostava de seu pé. Para um pé ele era bonito. E seu sorriso... E talvez seu nariz pequeno e reto.

Anabelle terminou com o cabelo e criou coragem para entrar. Se deixou levar pela batida da música, o cheiro de maconha que pairava no ar e as muitas pessoas levando ela para lá e para cá no embalo do som.

Ela o viu. E era ali que a noite começara a ficar interessante e estressante. Dion estava cercado de seus amigos no bar, com algumas mulheres a sua volta, estavam todos esbanjando seu dinheiro e apostando quem pegaria a mulher mais gostosa da lugar esta noite. A aposta era alta.

Um dos marmanjos apontou para uma mulher que subia as escadas de maneira sexy.

A roupa preta colada, as orelhinhas de gato... Ah homem, aquela garota era quente!

Dion não perdeu tempo... Precisava do dinheiro para pagar o aluguel atrasado antes que isso gerasse uma briga tremenda em casa com Anabelle de novo. E bem... Não seria exatamente um sacrifício vencer aquela aposta, certo?

–Avec des coureurs licence...(Com a licença dos cavaleiros) Eu vou estar ganhando nossa aposta e já volto.

Se levantou antes dos outros com dois Martínis na mão e foi em direção a moça.

__________________________________________

–Olá ma chérie (minha querida), se importa se eu chegar um pouco mais perto? — Dion deixou as palavras saírem da sua boca de maneira sensual, oferecendo a bebida a moça.

A mesma sorriu como forma de agradecimento e tomou o copo para si. Então juntos começaram a dançar sob as luzes e os flashes do lugar. O corpo de ambos se tocavam de forma sutil.

–Então... — Começou a moça, sussurrando em seu ouvido. — Está sozinho?

–Bem estou com mais alguns amigos, mas te garanto que nenhum deles é tão interessante quanto eu. — Disse inclinando a cabeça para o grupo de amigos que estava mais para trás.

–Hum... Você parece ter bons amigos, acho que eles não transariam com sua namorada. Se você tivesse uma, claro.

Dion ri e começa a mentir entre os dentes novamente.

–É, acho que eles não transariam com minha namorada se eu tivesse uma, claro.

– Você a ama?

Como poderia a amar com tantas outras por ai?

Pelo jeito da garota, ele conhece bem o tipo. Honestidade é coisa que ela gosta. Dion ri e a beija no pescoço sussurrando um belo “Vamos esquecer disso...”

Ela sorriu.

–Ótimo... – A mulher gato passou os braços em volta do pescoço alto do homem e enroscou os dedos finos nos cachos negros. – Posso te levar a algum lugar?

Dion sorriu e acenou com a cabeça com um sim. Noite ganha.

– Nós podemos ir a qualquer lugar que você queria ir...

Levantou o braço em sinal de despedida para os amigos, passou o outro pelo cintura dela já bêbado e seguiu a mulher.

Ao chegarem a porta dos fundos da balada já estavam se agarrando. O beijo era feroz e o sabor era conhecido para um deles.

O rostos se esbarravam vez e outra e a língua dele tomava a dela que parecia insistir em ficar dentro da própria boca.

– Por que você não tira essa máscara pra eu poder ver esse rostinho lindo hum?

Dion tentou tirar a máscara da menina mas ela segurou a mão dele.

– Me diga algo antes... – Fez uma pausa e mudou a tonalidade de voz. — Como você pôde ser tal frio?

Dion permaneceu com as mãos a baixo das dela, pequenas e tão frias quanto ele. E quando ela tirou as mãos, ele tirou a máscara reconhecendo finalmente a voz dela que o paralisou.

Como pode ser tão estúpido. Ao ver aqueles olhos mesmo que bêbado não poderia errar quem era a pessoa. Ela era uma morena expressiva. Expressava bem quando estava de bom humor, expressava bem quando estava de mau humor. Se expressava quando estava feliz e se expressava muito bem quando estava irritada.

– Eu poderia te matar, mas você não vale a pena o problema que isso iria me causar Dion. — Anabelle disse que a voz chorosa, mas firme.

–Bellis, que merda você estava fazendo nesse clube?!

O sangue de Anabelle ferveu. Ela pega o seu homem a traindo (com ela mesma!) e ele a pergunta o que merda “Bellis” estava fazendo naquele lugar?!

Anabelle não se aguentou, olhou para os lados e pronto, plano bolado! Bellis pega a garrafa de vodka vazia no lixo que vira de relance e acertou logo a cabeça.

– Sua putain! (puta) – Dion cuspiu as palavras caído ao chão. — Se isso deixar uma marca sequer no meu rosto, eu vou comer seu fígado viva.

A mulher não deixou por isso, tomou coragem que só um coração destroçado teria para pisar no lindo rosto de Dion com o salto e falou:

– Se falar mais alguma coisa faço você engolir esse sapato. Quero suas coisas fora do apartamento amanhã até as 10 ou coloco fogo, o que acha?

Chutou a barriga homem ao chão.

– Ah, e sua mãe ainda vai achar você bonito e te amando mesmo com essa cicatriz na cara. Este deveria ser um dia empolgante para você. Afinal, alguém ainda te ama. Ou aguenta... Suporta, não sei. Você sabe como seus pais são.

__________________________________________

Até que foi tudo bem, a não ser pela parte que não foi bem. Que foi uma, hum... Grande parte.

– Eu sempre disse pra você me ligar apenas se algo tivesse pegando fogo na sua casa. Pelo que eu saiba você não mora em uma delegacia para estar me ligando dela. Você não colocou fogo em uma delegacia, colocou Anabelle? – Ouviu do outro lado da linha — Por que diabos você jogou uma garrafa na cabeça de alguém?! – Ouviu novamente a voz do pai em um grito e resumiu um pouco a situação. Tinha sido pega saindo da viela pelos seguranças que chamaram a polícia para leva-la a delegacia. — Bem, esse motivo é bastante razoável. — Ouviu novamente o pai falando e rindo. – Eu não gostava dele mesmo. — Um suspiro. — Não posso fazer nada para aplacar a irritação dos policiais, mas eu e você estamos entendidos ok? Estou indo te pegar.

Notas finais
E agora, alguém tem algo a dizer? Não? ok :c