Du Ferme
1 Capítulo O1
Notas iniciais
Mais um daqueles papéis preenchiam a porta. O lembrete era mensal, mais um aluguel estava atrasado. A mulher o tirou da porta a abrindo.
– Cheguei. – Anunciou. – Dion? Eu cheguei me ouviu?
“Ótimo” pensou nervosa sabendo exatamente onde Dion estaria. Suspirou e se jogou no sofá assustando o pequeno gato que dormia no mesmo.
– Mas que... – Diz a mulher se levantando em um pulo antes de ser arranhada.
– Oi filha!
– Oh Dieu... (Oh Deus...)
–Não use o nome de Dieu em vão, você sabe que sua mãe não gosta disso Annabelle.
Annabelle se virou para o corredor da cozinha e viu sua mãe já terminando de ferver água para um café e seu pai lendo o jornal.
– Vocês sabem que eu tenho alergia a aquele gato. – Disse se sentando ao lado de seu pai.
– Também sentimos sua falta querida.
– Diga por você Mabel. – A senhora levou um olhar repreensivo para seu marido que, mesmo com o jornal a sua frente conseguiu sentir o clima gelado no ar. Desceu as folhas ao colo e olhou para a filha. – Você sabe que eu amo você, mas eu e sua mãe precisávamos de mais tempo sozinhos... Você sabe... E é mais fácil tirar Olliver de casa do que foi tirar você! Olhe só!
– Papa, por favor, não continue. Eu realmente não quero ter que fazer 3 anos de terapia por causa das coisas que você me faz imaginar entre você e a mamãe... De novo.
Mabel sorri terminando de colocar café em xícaras para todos... Ou quase todos.
– Onde está Dion?
– Je ne sais pas (Eu não sei) – Mentiu a mulher. – Deve estar fazendo hora extra no trabalho.
Se um bar cheio de caras fedendo a Whisky e gritando para uma televisão fosse o trabalho dele, ela não estaria errada.
Enquanto tomava café com seus pais e pensava mais uma vez em trocar a fechadura de seu apartamento para que eles parassem de invadir o mesmo ,pensava também na vida.
Annabelle tinha “juntado as escovas” com Dion apenas para sair de casa. Os pais, apesar da maneira que Marc a tratava, eram bem protetores e Annabelle estava cansada daquilo.
Dion era um cara legal... Por uma noite. Era o cara em que você se enroscava em uma balada e passava a noite atracada. Mas que não ligaria no dia seguinte. Definitivamente. O azar tanto de Annabelle quando de Dion foi que ambas as mães faziam curso de costura juntas e em alguns eventos acabaram se vendo e se conhecendo melhor e por fim uniram o útil ao agradável, já que os pais de Dion só estavam dispostos a ajudar ele se o mesmo se endireitasse, saísse de casa e arrumasse alguém sério na vida.
Annabelle tomou esse papel. Gostava de Dion e ele dela. Eles eram companheiros. Quase cúmplices. O sexo era bom. Mas de um tempo para cá Annabelle parecia não estar exercendo muito bem seu papel em endireitá-lo. Dion tinha voltado aos bares e não pagava sua metade do aluguel deixando ambos em apuros. Já não se deitava mais com Annabelle e pouco freqüentava a casa.
Pai, mãe e filha seguem para a sala. Annabelle e Mabel se sentam no sofá com o le chat (o gato) entre elas. Marc se joga na poltrona brega vermelha que tinham passado mão para o casal.
– Merda, acabei de sentar em cima do seu celular... – Disse levantando o quadril para tirá-lo de baixo de si.
– Isso é o Iphone do Dion, pai... – Bellis se levanta para pegar o telefone.
– Iphone? Não me interessa como essa porcaria se chama, deixe-o longe de onde eu gosto de sentar minha bunda.
Bellis e a mãe trocam sorrisos. O humor ácido do pai a fazia sentir em casa novamente. Ela olhou para tela do celular com algumas mensagens e se segurou para não lê-las ali mesmo na frente dos pais. Ah, aquela tentação de saber onde Dion realmente estava era grande. Mas deixou o celular na mesinha entre o sofá e a poltrona.
– Olliver está indo bem na escola? – Pergunta para os pais.
– Sei lá, aquele menino ta na puberdade. Não tenho certeza se ele tem pensado em algo que não seja os pentelhos no meio das pernas.
– Eu ouvi isso! – Diz o menino entrando pela porta da sala com a bolsa de violino nas costas.
O pai ri e responde:
– Que bom! Você é um pé no saco, mas je t’aime (eu te amo).
– Bem acho que está na hora de irmos antes que seu pai fique mais meloso! – Diz Mabel se levantando e beijando a testa de sua filha. – Vamos queridos?
A família só tinha vindo para Olliver fazer um teste para uma escola de música que o menino sonhava.
Annabelle se despediu de todos, dando um abraço apertado em seu irmão e cochichando em seu ouvido que se ele passasse na escola poderia morar com ela e Dion, mas que ele não poderia trazer aquele gato preto azarado para sua casa de novo.
Olliver era o melhor amigo de Bellis, ela realmente gostava do menino apesar dele ser adotado, considerava-o como um irmão de sangue e cuidou do mesmo com todo o coração desde muito nova.
Foi até a janela do seu apartamento no segundo andar acenar para os pais e irmão.
– Deixe sua mãe sentar na frente Olliver!
Ouviu seu pai gritar.
– Não importa se ela disse que você pode ir na frente, isso é o que ela deve dizer e você deve responder “non, j’insiste” (“não, eu insisto”). Você acha que eu vou dirigir de Paris até a Cannes com minha mulher sentada no banco de trás e um garoto de 15 anos na frente? Ficou maluco cacete?
Annabelle riu e continuou acenando até que eles partissem.
Fechou a janela e voltou para a sala. Ficou admirando o celular de Dion, se perguntando se pegava o celular ou não...
Ao ouvir o tilintar do celular se segurou.
– Eu só vou me espreguiçar um pouquinho... – Disse se inclinando em direção ao celular, esticando a cabeça até o visor, mas o celular desligou mais rápido que ela, a fazendo desistir de se esticar e cair do sofá.
– Mages la merde (vai a merda), agora eu vou olhar essa porcaria. Não cai pra nada!
Esticou o braço e pegou o telefone. No visor leu a mensagem brilhando.
“Estou no camarote entre os jogadores de Poker e o bar. Não demora, tenho umas surpresinhas sem calcinha hoje para todos nós.”
E em anexo uma foto de um fôlder de uma festa a fantasia.
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