Dream

3 Dream - 3


— Nope, sem sinal também — disse Lisa, após checar o celular. Ela andava mais a frente, usando uma pedaço de madeira como cajado. A estrada de terra era cheia de buracos, e isso evitava torcer um tornozelo ou até quebrar uma perna. E isso era a última coisa que precisavam.


Já estavam caminhando a pouco mais de uma hora. Passaram por algumas casas, pequenas e sem vida. Nada que pudessem parar e pedir um copo d'água.
Continuaram a andar, até que Jack quebrou o silêncio:


— Lisa. Preciso sentar um pouco. Acho que to ficando desnorteado. To ouvindo um forró no fundo da minha cabeça. E tu sabe que eu odeio forró. Ha ha...


— Peraí — Lisa começou — eu também tô ouvindo forró. VEM!


Ambos correram até o fim da estrada, onde viram um tipo de galpão, com feixes de luz saindo pelas dobras da madeira. Jack e Lisa olharam um para o outro. Ela com um sorriso que ocupava todo seu rosto. Ele não tão feliz assim.

Lisa pegou da sua mão e correram juntos até o galpão.


Haviam alguns carros e camionetes velhos e sujos estacionados na volta. A música estava absurdamente alta e falava sobre um homem, solitário, que queria um xodó. O galpão de madeira tremia. Incrível como não desabou em cima da cabeça dos caipiras. '' Esse pessoal da roça é absurdo'' pensou Jack.
Lisa ia abrir a porta quando um caipira saiu. Ele usava um chapéu de palha, calças jeans rasgadas na canela, um par de chinelos e uma camisa amarela totalmente desabotoada.


— Opa pessoal. Vocês são novos aqui? Vocês são novos aqui! Entrem! Tem cerveja no barril. — e se dirigiu para o mato para mijar.


'' Porque não?'' pensou Lisa, e entrou.


O cheiro daquele lugar, nossa. Era uma mistura de suor velho com merda de vaca e uma pitadinha de cachaça de butiá. O interior era bem iluminado. Lâmpadas coloridas que giravam e davam um efeito de discoteca. Ao fundo o barril de cerveja, e ao lado uma mesa com comida. Na ''pista de dança'', haviam 3 pessoas, dançando separadamente. Uma delas, uma mulher, estava vestida exatamente como o rapaz da entrada. O resto do galpão, vazio. Jack e Lisa andaram até a mesa, e começaram a comer. Estavam famintos. A comida até que era boa. Jack comia uma espiga de milho com uma mão e um pedaço de abóbora com a outra. Lisa colocava alguns tomates na mochila.


— Vamos comer e perguntar se eles sabem onde fica o tal Templo. Não vou aguentar essa música e esse cheiro por muito tempo — Jack disse com a boca cheia de uma mistura de milho e abóbora. Nojento.


— Para de ser chato. Vamos nos divertir. — Lisa correu até o meio da pista de dança e começou a dançar com um dos rapazes.


Jack revirou os olhos. Encheu uma garrafa de cerveja e foi para fora. Até que não era ruim. A noite calma e cheia de estrelas entrava em sintonia com a cerveja. Nunca tinha experienciado algo desse tipo antes. Era um rapaz da cidade, mas acolheu de bom grado a novidade.


— Bonito o céu né? — questionou o caipira. — Aposto que tu não vê isso todo dia. Meu nome é Thobias. Minha irmã é Thobiana. Nos chamam de Os Thobs.


— Prazer cara. Meu nome é Jack. E parabéns pela cerveja. — levantou a garrafa ao terminar de falar e tomou um gole. Ofereceu para Thobias, que recusou. — Thobias, tu sabe de algum lugar chamado Templo das Acácias?


Thobias arregalou os olhos, surpreso.


— Sei sim. Mas nós não gostamos daquele pessoal não. Muito esquisito, muito relaxado. E não gostam da nossa música.


'' Eles não são os únicos.''


— E pode me direcionar pra que lado é? Um amigo meu anda perdido e vou lá dar uma olhada.


— Só seguir a estrada por mais um tempinho. Boa sorte com seu camarada. Vou voltar lá pra dentro. Não é tão tarde, dá pra chegar lá essa noite. Boa sorte.


Ambos entraram no galpão. Jack puxou Lisa pela manga e Thobias se juntou para dançar com sua irmã. Com dançar eu quero dizer beijar de língua. '' Esse pessoal da roça é muuuito estranho.'' foi o pensamento de Jack enquanto puxava Lisa para fora.


— Awn, que bonitinhos. Tu viu Jack? Eles namoram e se vestem igual. — Lisa disse, inocente.


— Depois eu te conto sobre Os Thobs. Agora vamos encontrar esse templo.