Notas iniciais
Gente..ooooooooooie!! Tudo bem?? Desculpem infinitamente a demora. Aumentamos leitores, fiquei bem feliz com isso, mas os coments...ainda não. POxa, vocês podia mesmo fazer uma ficwriter feliz e comentar. Se cada um comentasse, nem que fosse um pouquinho..eu ficaria tão satisfeita...
Ok, eu estou mais do que feliz porque duas fics minhas receberam recomendações ontem: a Living Caos que é a mãe dessa daqui e a Primeiro dia de Trabalho.
Esse capítulo é especial para a Anny-chan, uma porque ela é fantástica e também porque é o tão querido encontro do OTP dela, ok, ainda o início do encontro. Tem rock'n roll, Led Zeppelin e Natsu levando chute nas partes. Stay tuned, comentem. Beijão.

Diante do olhar espantado de Lisanna, Natsu não se deteve. Estava sonhando com ela há tempos, a queria há tempos e nunca foi homem de perder as oportunidades. Jogou-se naqueles lábios como desejava e beijou-a como se aquilo fosse a última coisa que faria na vida.

Dragneel não era um homem de desperdiçar oportunidades. Claro, não parecia certo ele ficar se amassando com ela quando era óbvio que ela não acreditava na veracidade do fato, ela até tinha dito que estava com câncer no cérebro, provavelmente citando aquela personagem do Gray's Anatomy, ele tinha que parar, Deus, ele tinha que parar.

“Eu quero morrer disso” Ela murmurava. “Como eu senti falta! Pena que eu tive que ficar doente, mas quer saber, que se dane.”

Pronto! Aquilo o deixou mais afoito ainda. Era como se ela tivesse concordando, não interessava muito que estivesse se achando doente ou coisa parecida, mas era uma permissão, não? Aquilo era um presente! Era uma reconciliação! Ele tinha que aproveitar o presente celestial. Não imaginava que jogar água em um restaurante finíssimo de Magnólia pudesse trazer tanta sorte. Ele não iria pensar nos prejuízos ou ainda em complicações. Só conseguia pensar no gosto doce que não mudou com o tempo, só ficou mais gostoso, naqueles lábios, naquela voz, naquela mulher.

O universo de Natsu se resumia à Lisanna Strauss. Ele podia morrer ali que tudo valeria a pena. Valeu a pena cada gesto, cada loucura, cada detalhe mal pensado. Ele estava beijando aquele pescoço tão saudoso, aquela mulher que era capaz de fazê-lo realmente ser um homem. Tudo se resumia a ela. Claro, seria bem melhor se ela estivesse ciente, não? Ele achava que ela estivesse ciente, mas estranhou a recepção deveras fácil dela. Lisanna não era assim, não era fácil tocá-la, se aproximar. Ainda mais ele que a tinha magoado tanto. Tudo bem que ela podia ainda gostar dele, mas ao menos uma bronca ele devia levar, não?

“Ah, eu devo ser muito sortudo mesmo.”

Ele a deixou por alguns segundos e fechou a porta do caminhão, logo sentindo falta daquele contato tão desejado. Ele a beijava, sentia o corpo dela quente, mesmo depois de levar aquele banho. Natsu não conseguia se segurar mais.

Natsu realmente sabia que aquilo era errado. Ela estava alucinada, mas seus instintos, ou sua cara de pau, falaram mais alto e ela estava deliciosa demais pra parar. Ele não conseguia, simplesmente não conseguia. Começou a tremer de nervoso quando tirou o sutiã dela e ela tirou sua calça. Lisanna parecia sedenta, aquilo o surpreendeu. Os contatos, tudo era mais intenso, mais visceral. Como se fosse uma outra mulher, mais madura, decidida. Uma mulher melhor, pronta pra ele. Ok, muita presunção! E por que será a cabeça dele estava pensando tanto? Ele nunca foi de divagar nada, sempre foi instinto, puro instinto! E lá estava ele, pensando, pensando. E tinha um pensamentozinho que dizia que se ele esperasse mais, aquilo podia ser melhor, mais certo. Não era pra ser desse jeito, com ela iludida, com ela achando que está alucinada. Aquilo não era mesmo certo.

Só que Natsu não queria nem saber daquilo, ok, ele ainda conseguia ouvir o conflito de sua consciência, mas era uma oportunidade de ouro. Mas o carma existe e tudo o que vai volta, sem falar que Murphy, a lei, estava de plantão por aqueles dias. Alguém tinha que atrapalhar, não?

Natsu estava despindo sua amada, com uma selvageria nunca experimentada por ele e ela parecia muito receptiva, quando repentinamente, a porta do caminhão se abre.

Entra um senhor muito engraçado, parecendo um avôzinho e começa a gritar. “ Natsu, o que diabos você está fazendo? O que você está fazendo com a moça?”

Naquele momento, Natsu percebe que nem a maior sorte é capaz de sobreviver aos desígnios da decência. E percebe que Lisanna 'acorda'.

A platinada percebe que aquilo tudo é real e em vez de ficar feliz, se sente violada. E não deixa barato.

“NATSU, O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? VOCÊ NEM SE DIGNOU A FALAR COMIGO, ME TIROU DO MEIO DO MEU ENCONTRO E IA TRANSAR COMIGO NO FUNDO DESSE CAMINHÃO HORROROSO?”

“Não fala mal do caminhão...” o tio falou

“CALA A BOCA QUE EU NÃO ESTOU FALANDO COM O SENHOR, ESTOU FALANDO COM ESSE CRETINO QUE ME LARGOU E AGORA ME VIU MOLHADA EM UM RESTAURANTE E SE ACHOU NO DIREITO DE ME PEGAR COMO SE EU FOSSE UM PEDAÇO DE CARNE E JOGAR NO FUNDO DESSE CAMINHÃO PRA DAR UMA RAPIDINHA! COMO SE EU FOSSE UMA QUALQUER.” Lisanna esbraveja.

“Lisanna...não foi isso..eu..eu..” Natsu gagueja.

“EU TE AMAVA SEU DESGRAÇADO, OU TE AMO AINDA, SEI LÁ QUE INFERNO. MAS ISSO NÃO TE DÁ MOTIVO, NÃO TE DÁ O DIREITO DE ABUSAR DE MIM! VOCÊ ACHA QUE É O QUE??? VOCÊ NÃO ME RESPEITA? SEU IDIOTA!! COMO VOCÊ PODE FAZER UMA COISA DESSAS, CRETINO.? Lisanna começa a chorar.

“Lis, não chora. Por favor. Não foi essa a minha intenção, não é isso, pelo amor de Deus, do Happy....”

“NÃO ENFIA O HAPPY NISSO, ENFIA ELE NO SEU **. SEU ABUSADOR, VIOLADOR! NATSU, VOCÊ IA MESMO SE APROVEITAR DE MIM? Será que eu me enganei tanto sobre você? Será que eu realmente amo o verdadeiro ou só um moleque que não aceita perder?”

“Lis, não é isso..[KICK]..AAAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIIIIII” Natsu grita e cai no chão.

Lisanna deu um tapa em seu rosto e acertou um chute certeiro em suas partes , pega sua roupa com dignidade e sai daquele caminhão. Ok, ela pega a camisa dele e sai com dignidade daquele caminhão e sai correndo daquele restaurante deixando um ruivo desconcertado e com as partes doendo.

Natsu não era tão ingênuo em achar que não arcaria com as consequências de seus atos, não. Apesar dele ter uma sorte notória, aliada à sua burrice, ele sabia que até mesmo a magia Dragneel não aguentaria tanta palhaçada. Ele não conseguia ouvir a bronca de seu colega de trabalho. Pegava pedaços diversos onde o tio o acusava de ser um tarado sem vergonha, machista, indecente e desrespeitador. A última fala foi a mais dolorida: “Eu achei que você amava essa mocinha do cabelo branco, nunca achei que faria isso com ela. Parece que eu me enganei.”

Natsu se tocou que ele não havia agido como o homem que era em nenhum momento. Agiu como um animal guiado pelo instinto e pela sorte, sem deixar de citar a burrice lendária. Sim, ele amava aquela mulher, mas o que tinha feito com que ele a subjugasse daquela maneira? O que tinha provocado isso? Ele não era nenhum violentador! Ele era um homem que a respeitava. Foi quando ele se tocou.

Tinha admitido a derrota. Coisa que nunca tinha feito, admitiu que a perdera e aquilo foi uma tentativa desesperada de tentar de novo. Ele admitiu internamente que perdeu na guerra do amor e foi aí que ele percebeu que se tornou um homem. E foi na batalha mais importante da sua vida. Sentiu aquele gosto amargo no fundo da garganta. Então era assim que era ser derrotado? Então aquilo era vida real, nada de contos de fada? Aquilo era perder? Aquele gosto amargo e rançoso no fundo da garganta? Aquela dor de estômago misturada com náusea? Era isso mesmo? Subitamente compreendeu. Precisava passar por isso, ele não podia tentar de novo sem mudar internamente, ele tinha que se tornar um homem e essa bestialidade foi uma espécie de ritual. Agora ele era um homem, um homem capenga, mas um homem e ele iria atrás de seus objetivos. Se levantaria e lutaria enquanto tivesse forças. Começou a chorar.

A única coisa que o jovem Dragneel quer fazer é se enfiar debaixo de um caminhão em movimento. Ele a amava, como podia fazer isso com ela? Como pode se deixar levar pelos instintos e esquecer da pessoa? Ele a amava? Sim!! Aquilo era mais do que certo. E ele era um idiota?? Sim! E como era! Deus do céu, como era burro. Sem falar que estava com uma dor nas partes baixas. Onde que Lisanna tinha aprendido a chutar daquele jeito? Será que estava fazendo caratê? “Nada de divagar, Natsu. Agora você tem que consertar mais essa merda que você fez!! Só isso! Já não basta as coisas que você fez no passado, precisa mesmo ser esse idiota e fazer isso? Não tem salvação. Não tem! Vai dar merda.”

Começou a bater a cabeça incessantemente no caminhão, mais precisamente na lateral do mesmo. Começou a sangrar e aquela situação era ate irônica. Ele, o todo onipotente que nunca perdia, chorando e sangrando pela perda da mulher amada. Ser gente grande era realmente muito difícil. Só que algo dizia que as punições não tinham acabado.

Foi quando ele ouviu a voz daquela mesma moça do estacionamento do shopping, a mesma que gritou que ele tinha chance e do namorado dela, aquele idiota que tinha feito sua platinada corar. Mas será que era dele mesmo?

Ouviu o acompanhante da moça de cabelos violeta perguntando: “O que a sua burrice lendária fez dessa vez Dragneel?”

Antes que Natsu respondesse, o companheiro dele respondeu o que ele tinha feito, o que causou fúria em Kinana e Cobra e fez com que a violeta fosse em direção ao moço e desse um tapa furioso em seu rosto.

“Como você fez isso?? Como você pode fazer isso??? Você largou dela e em vez de se desculpar depois de fazer todas as merdas, você a agarra como se ela fosse uma cadela no cio? É isso mesmo?”

Natsu cansou de ouvir tanta coisa e começou a gritar. “NINGUÉM SABE PELO QUE EU ESTOU PASSANDO, NINGUEM SABE TUDO O QUE EU FIZ E EU FIQUEI DESESPERADO!! EU NÃO SABIA O QUE FAZER ENTENDEU? ERAA OPORTUNIDADE E EU APROVEITEI!! MAS DE UMA MANEIRA ERRADA! QUEM DE VOCÊS NUNCA ERROU NA VIDA?? HEIN?? TODO MUNDO FICA SÓ GRITANDO COMIGO MAS NINGUÉM VEIO ME PERGUNTAR NADA! EU NEM CONHEÇO VOCÊS, PORRA!” Natsu falou.

“Bom, você não nos conhece, só que nós sim! Eu pelo menos!” Kinana falou. “Quantas lágrimas da Lisanna eu sequei que eram causadas por você? Porque você a deixou pela Lucy? Você nem quis falar com ela depois! A gente sabe de toda a estória, só que a gente quer que ela seja feliz e aparentemente a felicidade dela está ao seu lado, só que você é tão denso, que não consegue assimilar e faz essas merdas. E o que vai fazer? Vai desistir?” Kinana falou.

Natsu sabia o quanto Lisanna tinha sofrido, mas não sabia que podia ter sido mais do que imaginava. Ele sabia o quanto ela o amava, mas o término deles foi confuso demais. Ela não chorou, ela simplesmente se resignou. Era aquilo que chamavam de abnegação. Começou a lembrar de um versinho que estava em uma coleirinha do Happy. [Não importa que você não esteja comigo, mas me importa se não está feliz.] Mais uma bola fora do Dragneel. Ela achava que não o fazia feliz. Gente, como ele podia ser tão idiota? Como ele podia deixar a mulher da vida dele pensar assim? Como ele podia ter feito uma coisa dessas??? Bem que dizem que as pessoas crescem querendo ou não e agora, Natsu queria crescer. Mais do que isso: precisava. Então falou resoluto:

“Não posso desistir mais, vai ter que ser até o final. Vou tentar até o final.”

“Acho que é mesmo a melhor coisa a se fazer, bombeiro.” Disse Angel “Não se preocupe, vou ajudá-lo.”

Aquilo deixou o ruivo muito surpreso, mas ele assentiu. “Por que você vai fazer isso?”

“Simples, você se desesperou, não é? Pensou que tinha perdido e tinha admitido a derrota. Eu já me senti assim. Me sinto assim, pra falar a verdade.” Disse dirigindo o olhar para Midnight que ficou rubro.

“É, foi bem isso. Eu nunca me senti assim antes, me assustou.”

Kinana e Cobra estavam totalmente embasbacados. Primeiro, que Angel não era lá de simpatizar com todo mundo e ela estava ajudando Natsu? E que estória é essa de assustar? Como que as pessoas assustam e vão abusando das pessoas? Ah, isso era totalmente inaceitável. Só que Cobra percebeu que se as coisas com Kinana estivessem assim, era bem capaz dele ter uma atitude semelhante, se ainda gostasse da garota.

“Gostasse da garota”...com esse pensamento, Cobra também ficou comovido com o garoto desmoronando à sua frente.

Midnight só deu um sorrisinho. Sabia que Angel era assim mesmo, depois de tudo o que ela falou pra ele, era desse jeito que devia ser. Provavelmente, eles seriam peça-chave nessa união, como deveria ser. Estava divagando quando ouviu Angel sugerir pra procurar na casa dela, o que foi veementemente rechaçado por Kinana que parecia estranhamente rubra quando questionada sobre isso.

Os 5 se juntaram e saíram em direção à multidão quando o tio que estava observando muito marotamente àquela confabulação lembrou-se de um detalhezinho:

“Natsu, não quero estragar o seu barato, mas você está em horário de trabalho, lembra? Você encharcou um restaurante, mas não qualquer um, mas somente o mais luxuoso de Magnólia, certo? E se aproveitou desse acidente, pra não falar outra coisa, pra levar uma moça que foi abatida para o fundo do caminhão pra você fornicar com ela. Isso é crime, meu rapaz.”

“Tio, eu não ia fornicar com ela. Eu ia conversar e fazer amor, nada dessas coisas não.”

Os quatro que acompanhavam a conversa só bateram a palma da mão na testa e saíram pra procurar Lisanna.

Natsu tinha ficado contrariado, claro, mas logo o tio o dispensou. Intencionalmente, porque se tivesse algo no meio do povo, Natsu seria mais útil no chão e também, ele não estava uniformizado mais, a platinada tinha levado sua camisa.

Se pôs a pensar onde Lisanna iria e já que a moça falou que ninguém estaria em casa, ele tinha uma ideia de onde começar a procurar. Se jogou no meio da multidão enlouquecida e ativista para tentar encontrar uma platinada linda com uma camiseta dos bombeiros e também para gritar por melhores salários e condições de trabalho.

Enquanto isso, Gajeel e Laxus estavam indo para o karaokê e era incrível como o loiro ainda se aguentava em pé, devido a tudo o que bebeu e a velocidade incrível com a qual consumiu todo o estoque da casa. Uma depressão pós-declaração de Cana Alberona se abateu sobre o gigante e ele tinha que matar aquilo, não diziam que beber era venenoso? Laxus levou essa frase a um outro nível e bebeu extremamente. Se fosse uma pessoa com um tamanho normal ou ainda uma estrutura levemente avantajada, teria entrado em coma com certeza, mas Dreyar era praticamente o Aquiles da bebedeira, mas tinha um bendito calcanhar. Licor de cereja. E ainda bem, não tinha mais licor de cereja na residência deles.

“Laxus, você tá bem?”

“Tô ótimo Gajeel, maravilhoso. Onde que é esse lugar?”

Gajeel alarmou-se. Nada de palavrões e ainda chamou ele pelo nome. “Vai dar merda.”

“Onde que é Gajeel?” Laxus perguntou.

Gajeel começou a ponderar como foi que ele chegou nessa situação. Não era todo dia que você via um homem desabar, um homem como Laxus então, além de desabando, abraçando uns fones quebrados pelo idiota do Salamander e cantando “faz mais uma vez comigo” não era algo assim normal e despreocupado. Não era bom deixar um homem nessa situação em casa, então o moreno de cabelos longos achou por bem simplesmente levar o amigo junto. A situação que ele estava era desesperadora e por mais que Gajeel estivesse esperando ver a cronista e quem sabe conversar com ela, sabia que era “bros before hoes”

E o karaokê era um lugar de gente que precisava se divertir. Pensando nisso, levou-o ate sua tábua de salvação cantante e como chegaram em um horário razoável, tiveram que esperar mais pra começar a cantar. E outra coisa, Gajeel nunca achou que Laxus bêbado fosse tão falante, falando corretamente ainda, sem enrolar a língua. Mundo injusto.

“Gajeel, isso aqui tá parecendo uma boca de peixe. Como que a gente veio parar nessa boca de peixe? Você não acha que aquilo ali se parece com uma baleia? Sabe, a baleia do Jonas e a baleia? Da bíblia? Então, você já leu a bíblia? Eu já li a bíblia e tinha aquele Jonas que era comido pela baleia. Gajeel, você acha que eu me pareço com o Jonas? Da baleia? Você acha que eu engordei?”

O pobre homem não sabia mais o que fazer. Não podia usar a carta Alberona porque essa já tinha sido usada por Gray e o loiro estava em frangalhos, então, pensou em colocar Laxus pra cantar, daí ele ficaria tão puto, que o manteriam em uma sala fechada por causa de todo o estrago que ele ia fazer com seus acessos de fúria. Laxus mantido em segurança, Gajeel podia procurar Levy e quem sabe conversar mais com ela. Plano estruturado, ele sorriu levemente.

“Gajeel, do que você tá rindo? Me conta? Eu quero rir também.”

“Ah, é que eu apostei com o Gray que se um dia você viesse aqui, não cantaria. E como eu estou precisando de dinheiro, preciso que você fique aqui bem quietinho enquanto eu vou ali cantar, ok?” Gajeel falou com todo o cinismo em seu ser.

“Como assim eu não cantaria?” Laxus respondeu com uma espécie de contrariamento em seu tom de voz

Se tinha alguma coisa que Laxus detestava era ser menosprezado, em qualquer aspecto, qualquer atividade, ridícula ou não. E cantar em um palco completamente bêbado se enquadrava bem nessa categoria.

“Você acha que eu estou com medo? Que eu não sei cantar ou ainda que não sou capaz de tal coisa? É isso que você acha?! Gajeel?”

Gajeel estava satisfeito. Tinha conseguido manipular Laxus, agora, era só colocar o cara no palco e esperar o bom senso da platéia aparecer e assim fazer com que seu amigo fosse posto em segurança. Eles até serviam um lanchinho para os tirados do palco e era muito bom. Gajeel comeu aquele lanche em quase todas as vezes que cantou.

“Você vem comigo?” Laxus perguntou.

“Como é?”

“Vem comigo? Eu preciso de um amigo nesses momentos.” Laxus falou

Droga, Gajeel não contava com isso, com Laxus chamá-lo de amigo. Isso acontecia só quando o loiro estava afundado no desespero. Chamar alguém de amigo ou ainda admitir a necessidade de alguém, só quando estava no fundo do poço.

Laxus tinha feito isso duas vezes naquele dia. Disse que precisava de Cana e agora que precisava de Gajeel.

“Droga, vamos lá.”

A música foi escolhida e não era nenhuma surpresa ao ver que era Led Zeppelin e tinha que ser “Babe I'm gonna leave you.” Mas Gajeel duvidava das habilidades de Laxus, sem falar que nunca ouviu ele cantando e bêbado como estava, ia dar merda. Então, fez o que um bom amigo faria, pediu uma guitarra pro pessoal e foi acompanhar o amigo naquela romaria rumo à autodepreciação. Laxus se envergonharia, mas não iria sozinho. Gajeel estaria com ele.

Os dois subiram ao palco e Laxus foi tomado de um medo exacerbado. Sim, até mesmo aquele gigante temia, e quem diria que ele teria medo de palco? Só que ele não era homem de recuar e a tontura que estava sentindo não permitiria tal coisa. Olhou para o lado e viu que Gajeel estava ali, como um bom amigo que era e foi em direção ao microfone. Laxus sentia que Cana estaria ali naquela noite. Não importava como, mas ele sabia, sempre sentia quando ela ia aparecer e sempre estava funcionando, tudo bem que não pegaria bem quando ela o visse naquelas condições, mas ele iria dizer tudo o que estava doendo em seu peito.

Gajeel não viu aquela súbita mudança do ânimo de Laxus com bons olhos, aquilo com certeza iria dar confusão, mas ele afinou a guitarra e começou. Sim, ele tocava essa música em casa, era um clássico!!!

Enquanto Gajeel introduzia a melodia, Laxus agarrou o microfone e começou com uma declaração ébria.

“Não sei se todos vocês conhecem, mas vamos cantar Led Zeppelin, na verdade eu, Gajeel vai tocar guitarra. E essa música é a música da minha vida e da minha adorada que não está aqui comigo. Vou cantar porque cada vez que eu escuto essa música, é como se ela estivesse aqui ao meu lado e sempre estará por todo o sempre.”

Aquilo não fazia sentido algum, era um monte de palavras juntadas em um emaranhado de emoções etílicas, mas arrancou umas lagriminhas da platéia. Laxus era um bastardo sortudo. E ele começou.

Gajeel estava surpreso! Como uma pessoa bêbada podia cantar tão bem assim? E mesmo com essa voz de taquara rouca que ele tinha, não é que tava dando certo? Sem falar que ele estava tocando muito bem hoje, mesmo sem ensaiar. Aquela música era mesmo mágica, tão mágica que Gajeel viu Levy entrando pela porta do karaokê com uma outra mulher mais alta e ele percebeu que era Cana Alberona! Os deuses estavam do lado deles hoje. Levy e Cana se conheciam! Laxus estava mandando ver nos vocais e era a vez dele se destacar! Levy estava olhando! E aquilo o deixou muito feliz.

O moreno mandou ver nas guitarras e aquela foi uma das melhores apresentações que ele já tinha feito. Tinha entendido todas as mudanças da guitarra e conseguia acompanhar Laxus com maestria, sem falar que o olhar embasbacado de Levy e o apaixonado de Cana o faziam continuar. Laxus não estava vendo, além de estar com o spot de luz no rosto, a bebedeira prejudicava e muito sua visão.

A música acabou e a plateia veio ao delírio. As mulheres gritavam e os homens também. Até o apresentador disse que como cantor Gajeel era um ótimo guitarrista e foi quando Laxus tomou o microfone da mão do pobre homem e começou com um discurso entrecortado:

“Muito obrigado a todos por terem nos ouvido e não terem jogado tomates na gente. É uma dificuldade lavar as roupas desse daqui quando ele volta pra casa. Ah, outra coisa. Essa música é em homenagem ao amor da minha vida..[Cana estava aos prantos, já que não achava que era ela..eita mulher complicada de acreditar.], ao meu infinito particular, à minha deusa da luxúria e a única mulher que pode amar um homem mesmo quando ele escuta Sidney Magal.”

Gajeel reparou que Cana ficou em choque, mas feliz ao mesmo tempo, só que ficou intrigado quando viu que ela e Levy deixaram os lugares e foram rumo à entrada dos cantores. Será que elas iriam cantar também? Ele achava que não, mas pegou o amigo que não parava de mandar beijos para as neo-fãs e o arrastou de volta para onde estavam sentados. Ficou procurando Levy o tempo todo pra ver se a encontrava e nada. Onde será que ela tinha se metido? Não podia falar pra Laxus que tinha visto Cana ali, isso faria com que ele esse irrompesse em fúria para encontrá-la onde quer que ela estivesse. Estava divagando quando ouviu Laxus falando.

“Gajeel, a gente foi bem, né? Você acha que eu fiz você passar vergonha?”

“Não Laxus, fomos bem sim. Mas por que você tá perguntando isso?”

“Ah, eu queria que a Cana tivesse ouvido. Só isso. Eu quero resolver essa merda de uma vez, sabe? Eu tô cansado. Só isso.”

Quando anunciaram os outros cantores, Gajeel sabia. Ele simplesmente sabia.

“Laxus, eu acho que você vai se resolver sim. Dá uma olhada só ali no palco.”

E em todo o seu esplendor, em uma roupa que parecia de uma cigana moderna, com os cabelos soltos emoldurando seu rosto, Cana Alberona e Levy, que Laxus não conhecia. Ele iria lá, ele tinha que ir, mas Gajeel o segurou.

“Calma rapaz, ela vai dizer alguma coisa.”

Laxus o olhou admirado, Gajeel estava certo. Cana começou a falar.

“Bom, eu e a minha amiga aqui vamos cantar àquele divo dos divos, Sidney Magal e bombadão, presta bem atenção nessa música, porque ela é toda pra você! Sempre foi e sempre será.”

Ah, Gray e Juvia estavam exaustos depois de tanta atividade física, mas ainda estavam alarmados com os gritos perto da casa dela. Só que não ligaram muito, se abraçaram e foram dormir.

Notas finais
E então? Reviews?