Doze Verões
2 2001
Notas iniciais
Tenho que admitir que estava com saudades de Damon, durante todo o ano a maior parte de meus pensamentos foram dedicados a ele. Tudo muda somente com a presença de sua voz e foi por isso que aguentei firme o ano com minha mãe e seu marido idiota. Damon telefonava todo fim de semana para saber como eu estava e exigia ferrenhamente que eu contasse todos os detalhes do que estava acontecendo assim que ele fazia o mesmo, ele sempre trazia cor a minha vida, mas infelizmente eu não tinha a chance de vê-lo pessoalmente, afinal nós nem morávamos na mesma cidade.
Só havia um período do ano em que eu o veria. E era por isso (e por uma decisão judicial) que eu voltava para Chicago novamente, precisava todas as minhas cores novamente, principalmente o azul-mar dos olhos de Damon.
John não fez a mínima questão de se despedir de mim, enquanto minha mãe quase quebrou minhas costelas implorando para que eu ficasse. Foi no avião que finalmente senti O alívio e felicidade também, eu veria Damon e meu pai em poucas horas, finalmente a vida tornaria a ser boa novamente.
* * * * *
Ao chegar ao aeroporto arrastei minha mala deveras pesada pelo enorme piso brilhante e já começava a me desesperar quando alguém toca meu ombro.
Era Alaric que me encarava com um sorriso enorme.
— Meu anjinho!Como é bom ver você! – Abraçou-me.
— Também estava morrendo de saudades pai! – Sorri com os olhos marejados por vê-lo novamente.
— Eu trouxe companhia!–Sorriu.
E então eu o vi, Damon estava ali, parado um passo para trás com o mesmo sorriso lindo de sempre e os olhos mais brilhantes que nunca.
— Lena! – Disse ele me abraçando apertado – Senti saudades.
— Eu também Dam –Sussurrei para ele.
— Parem de melação – Guinchou Alaric – Vamos comer alguma coisa, parece que tem um buraco negro no meu estômago.
Na lanchonete papai nos distraiu com seu número de cachorros-quentes e a incrível velocidade com que ele comia, isso não deu muito tempo para Damon e eu conversarmos.
Ao voltarmo, quase dormi no carro, mas Damon não deixou, suas piadinhas eram tão ridículas que eu tinha que dar o braço a torcer e me acabar de dar risada.
— Eu vou entrando, vocês podem ficar conversando aí fora – Disse papai pegando minha mala e as levando.
Caminhei até a grama e me sentei nela, observando Damon fazer o mesmo e se aproximar de mim.
— Então? Como foi o seu ano?–Perguntei o olhando nos olhos – Sei que conversamos sempre pelo telefone, mas é outra coisa te ter por perto.
— Eu sei, também sinto isso – Confidenciou ele – Meu ano, como você mesma já sabe foi cheio de advertências e brigas com meu pai – Suspirou – Eu realmente acho que ele não se importa com o jeito com o qual está me criando.
— Você não gosta muito de falar do seu pai não é? – Sempre fala sobre as brigas, mas não me conta muito delas...
Ele olhou por um segundo em meus olhos, me encarando verdadeiro e então confirmando minhas suspeitas com um aceno.
— Meu pai e eu temos uma relação complicada. Pode-se dizer que ele é muito irresponsável e eu nunca gostei disso.
— Eu e minha mãe nos damos muito bem, menos quando o assunto é John – Disse tentando consolá-lo – Eu já te disse que o odeio?
— Sim você já disse isso Elena – Ri Damon abaixando a cabeça e apoiando seu braço esquerdo na perna dobrada..
— Mais alguma coisa sobre suas férias?
— Bom, tem a Katherine, não largou do meu pé o ano inteiro, aonde eu ia ela ia atrás – Suspirou.
—E o que você fez?–Perguntei com medo da resposta.
Eu sabia que a resposta não seria boa só de olhar em seus olhos, que tinham um toque sonhador e realizado, que cortava cada vez mais fundo em meu peito.
—A beijei, pra ver se ela calava a boca, não funcionou muito, porque ela começou a insistir mais e mais, só que não fiz nada, por incrível que pareça estou começando a gostar dela.
Naquele momento tive vontade de chorar e assim que ele voltou seu olhar para a rua, deixei que uma ou duas lágrimas escapassem de meus olhos as secando rapidamente.
— Que história!– Digo em falsa animação.
Ele assente e me olha sorrindo fofo e acaricia meus cabelos em uma tentativa de finalizar o assunto.
* * * * * * *
— O dia está perfeito para uma corrida, não acha?
Olho para o céu assim que ele diz isso e concluo que ele tinha razão, era um dia lindo.
— É mesmo – Concordo.
— Acho melhor você correr! –Diz ele.
Entro na brincadeira e começo a correr desesperadamente, ele vinha atrás de mim gritando que me encheria de cosquinhas, corri o mais rápido que pude em direção ao parque e me aventurei por entre as árvores. Meu riso parecia-se mais com um guincho, mas não estava ligando, tudo que importava era que era bom tudo isso, Damon estava quase me alcançando, quando sem querer tropecei em uma pedra e rolei para o chão, Damon não havia visto em que eu havia tropeçado e ao passar pela mesma pedra que eu, caio também e rolou sobre sobre mim.
— Você quer me matar? – O empurro.
— Você que cai e eu que levo a culpa? – Disse segurando a gargalhada.
Depois de alguns segundos não nos contivemos mais e caímos na gargalhada.
— Acho melhor voltarmos – Disse me levantando.
— Me ajuda a levantar? – Estica os braços.
—Levanta sozinho folgado!
Infelizmente ele faz um biquinho lindo e me vejo estendendo a mão para ajudá-lo. No mesmo instante Damon me puxa com toda sua força e caio ao seu lado em um tremendo tombo.
— Quem chegar por último perde! – Disse ele se levantando e batendo em retirada na minha frente.
Infelizmente não consegui alcançá-lo, mas pude me vingar dele quando passamos a tarde na piscina e não deixei que ela chegasse na frente na aposta de quem chegava ao outro lado primeiro.
A noite tentei piamente dormir, mas a tempestade que corria lá fora não deixava, ela estava muito forte me trazia lembranças desagradáveis, do dia em que meu pai descobriu que mamãe o traia com John. Me lembrava exatamente dele pegando suas malas, me dando um beijo na testa e dizendo que em breve voltaria para me pegar.
Mas ele não voltou, esperei semanas até que recebi seu primeiro telefonema, então vieram as discussões e as brigas pela minha guarda que me aprisionaram em um buraco negro, do qual só fui retirada quando conheci Damon.
Mais tarde, um nome começou a vagar em minha mente, Katherine, a menina que Damon havia beijado, esse era o momento perfeito para desabar, ali pude deixar que minhas lágrimas caíssem e molhassem o travesseiro, por mais que tentasse não fazer barulho, parecia que meus soluços eram altos, me deixando com uma forte dor de cabeça. E realmente tinha esperanças que talvez Damon gostasse de mim no sentido romântico. Em uma tentativa desesperada de descontar o que estava sentindo, mordi o travesseiro e chorei audivelmente, deixando tudo sair, limpando tudo que havia dentro de mim e acompanhando a correnteza da chuva que corria lá fora.
Aos poucos me levantei e acendi a luz, correndo para frente do espelho e me encarando por algum tempo e assim que me senti melhor dei um sorriso fraco para mim mesma.
Eu não sabia o que estava sentindo, mas eu soube que era o melhor que eu tinha e o melhor que eu podia.
No outro dia um Damon completamente encharcado batia na minha porta ostentando um sorriso irônico e olhos brilhantes no belo rosto.
— O que você está fazendo aqui? Não devia estar na sua casa? – O olho confusa.
— Minha mãe saiu – Explica ele – Qual o sentido de vir para cá se não ficar com minha mãe e você?
Dou passagem depois de rir de sua situação e ele entra sem nem pensar duas vezes.
— Você está completamente molhado! – Digo incrédula.
— E agora você também está! – Dz ele vindo em minha direção e me abraçando apertado.
— Seu idiota! – Digo fugindo de seus braços e lhe jogando as almofadas do sofá.
Mas infelizmente ele consegue pegá-las e inicia uma pequena guerra de almofadas na sala, que depois ficariam ensopadas.
Quando finalmente paramos, estamos molhados e cobertos de espumas, riamos histericamente e não nos importávamos com a bronca que levaríamos de Alaric.
— Elena você andou chorando essa noite? – Pergunta ele derrepente — Seus olhos estão inchados...
— Meus olhos estavam coçando! – Invento.
— Vou fingir que acredito – Murmura– Quer assistir um filme?
— Contanto que não seja de terror estou dentro!
— Então qual é a graça? –Mostra a língua.
—Nada muito pesado Damon!Eu não gosto! – Argumento.
Decidimos assistir a hora do pesadelo e é lógico que quase morri de medo, a toda hora soltava gritinhos assustados e Damon gargalhava ainda mais.
E assim o mês foi se esgotando, Damon passava boa parte dos dias comigo, me levando a parques e me forçando a assistir filmes de terror, até que no último dia ele finalmente disse o que mais sonhei.
— Vou sentir sua falta – Murmurou pegando minha mão – Vou pensar em você a cada instante, como no ano passado.
— Eu também Dam, mas você pode me ligar, tem meu numero, lembra? – O consolo.
Ele suspira triste e me dá um demorado beijo em meu rosto, perigosamente perto de minha boca.
— Para você não esquecer de mim – Sussurra ele.
Sorrio breve e também lhe beijo o rosto no mesmo lugar em que ele depositou seu beijo.
— Para você lembrar de mimtambém...
Ele sorri e então me abraça forte logo me soltando ao ver Alaric na porta.
— Sentirei saudades –Beija minha testa – Só estou repetindo para você não esquecer.
—Eu também vou sentir saudades dela Damon, mas não é por isso que estou quase arrancando o braço dela e me derretendo – Corta Alaric rindo – Aprende a ser homem moleque.
Nós dois gargalhamos e damos o último abraço, nos dando longos acenos quando entro no carro e ele se põe em movimento.
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