Dovahkiin, A Renascença do Caos

2 Um - Pescadores de Dawnstar


Notas iniciais
Gente, eu sei que "Jarl" não quer dizer Rei ou Rainha, mas achei melhor já que colocar "Conde" ficaria meio babaca em português. Bem, o primeiro capítulo ficou meio grande, mais do que eu imaginava. Geralmente os primeiros capítulos que eu escrevo são meio curtos, mas esse foi diferente. Bem, aproveitem! Ah, e se quiserem, chequem nas notas da história qual ator/atriz representa o personagem. Espero que gostem.

As pequenas cidades de Skyrim agora estavam maiores, mais povoadas e cercadas por muralhas que as dividiam das perigosas aranhas da floresta e os temíveis dentes de sabre. Porém isso não se aplicava em Dawnstar, que havia regredido com o passar do tempo e perdido toda a sua importância em Skyrim. Dawnstar agora era um vilarejo, um dos mais pobres vilarejos, mas não para Ethan, que havia morado ali a vida toda.

Apesar de que o lugar o limitava, ele estava feliz por estar com sua mãe naquele lugar, e agora já tinha seus vinte e cinco anos. Ethan era o filho que todos desejariam, um filho grato, o mais grato já visto na província de Skyrim, por mais que sua vida fosse a mais miserável de Dawnstar. Ethan não era perfeito, e sua crenças e superstições deixavam isso avulso. Mas era um dia tranquilo, e Ethan não pensava em mais nada a não ser descansar.

O som da flauta soava por todas as extremidades da estalagem Windpeak, o único lugar bom que sobrara em Dawnstar. A mulher de compridos cabelos ruivos e pele pálida era habilidosa com a música, deixando bem claro para as sete ou seis pessoas que estavam ali. Todos sendo viajantes, com exceção de Ethan.

Ele degustava de sua bebida fermentada na espera de seus amigos, cujos trabalhavam junto dele no barco de pesca. Seus cabelos eram castanhos e curtos, mas estavam despenteados e sujos, assim como sua barba rala e mal feita. Os olhos eram cativantes num castanho avermelhado, uma beleza amenizada pelas feições rígidas de Ethan. O nariz era reto, com muito poucas curvas, maxilar largo e um queixo suavemente quadrado. Uma aparência de encantar qualquer donzela, sendo nobre ou plebeia.

Sem demora, ambos chegaram juntos na estalagem, sem nenhum traço de emoção.

O mais velho, e mais alto, era Laufey. Tinha braços fortes, assim como seu peitoral e suas pernas. Músculos desenvolvidos com o trabalho duro de Laufey. Seus cabelos eram aparados bem curtos, porém sua barba era um tanto protuberante num tom castanho claro. O mesmo tinha um rígido par de olhos azuis que eram envolvidos por olheiras leves por cima de sua pele alva.

Grid era o mais novo, mas ainda assim, era mais velho que Ethan. Loiro, com cabelos na altura de seu queixo, mas não deixava um pelo sequer crescer em seu rosto. Alto, sendo minimamente maior do que Ethan, possuindo alguma musculatura em seu corpo. Seus olhos eram azuis escuros, e sua face tinha feições amigáveis. O mesmo, por mais cansado que estivesse sempre tinha um discreto sorriso estampado em seu rosto.

Os dois cumprimentaram Ethan de longe, que em resposta ergueu a taça de madeira que estava em sua mão com uma expressão cabisbaixa.

– Como assim? – Perguntou Laufey puxando uma cadeira para se sentar-se à pequena mesa onde Ethan estava. Grid fez o mesmo.

– Ahn? – Ethan não entendeu realmente a pergunta de Laufey, que não fazia muito sentido para ele.

– Você está bebendo. Como pode estar com essa cara de bunda? – Os três amigos riram brevemente entre si. Um desconhecido poderia muito bem se ofender, mas Grid e Ethan estavam acostumados com os comentários grosseiros de Laufey, que muitas vezes acabavam sendo engraçados.

– O que houve dessa vez, Ethan? – Grid perguntou. Desleixado no encosto de sua cadeira, de olhos fechados como se quisesse relaxar um pouco.

– Na verdade, não aconteceu nada. Esse é o problema. Estou a dias gastando a minha parte do ouro com ervas e poções, e ela não melhora! – Ethan parecia irritado, mas irritado consigo mesmo, lamentando-se por não conseguir ajudar a mãe a se curar. – Mas o pior é que ela não piora também, é uma dor que não tem fim. Ás vezes acho que seria melhor... Que acabasse de uma vez por todas, só pra não ter que vê-la sofrendo naquela cama, onde ela está passando o resto de seus dias. – Ele olhou para o chão frustrado, logo amenizando sua irritação. – Mas ela também é tudo o que eu tenho... Não posso perder ela também.

– Ethan. – Grid abriu os olhos. – E a Saijha? – Grid pôde ouvir o suspiro de Ethan após fazer a pergunta.

– Nenhuma notícia dela, Grid... – Seu tom era de decepção. Saijha era a irmã mais velha de Ethan, que desapareceu assim que Ethan completou doze anos de idade, mas desapareceu por que quis, deixando uma carta na mesa de jantar. Saijha deveria ter pelo menos trinta anos agora.

– Ah... Tão doce... – Comentou Laufey para si mesmo, bebendo mais um gole do vinho que enchia a taça de Ethan. Aquilo definitivamente havia quebrado o clima dramático do momento. Ambos olharam para Laufey com estranheza. – Quê? – E bebeu mais um gole de vinho, retribuindo os olhares.

– Tá legal... Enfim, eu chamei vocês aqui pra discutir sobre negócios. – Ethan discretamente apanhou a taça da mão de Laufey, mas puxou bruscamente em encontro aos seus lábios. Após tomar um pouco de vinho, continuou. – Recebi uma carta ontem que o nosso barco não poderá mais ficar aqui, no pequeno porto de Dawnstar.

– Ora, mas por quê? – Grid se endireitou na cadeira, estando um tanto preocupado.

– É. Por que não podemos mais deixar o barco lá? Nós estamos lucrando bem, e além do mais temos um contrato de posse. – Laufey não mostrou preocupação em seu tom, mas o desentendimento ficou claro.

– E não faço a menor ideia. – Respondeu Ethan gesticulando a cabeça em negação.

– Mas quem foi que mandou essa droga de carta? – Perguntou Laufey levantando a voz. Enquanto Ethan e Grid costumavam ser um pouco mais pacientes, Laufey era escandaloso e afobado.

– Tenha calma, Laufey. – Disse Grid – Pode ser alguém com motivos.

– Motivos? Eu não acho que uma pessoa tenha motivos pra nos tirar o emprego. – Laufey parecia bufar de raiva.

– Diga, Ethan. Quem mandou essa carta? – Grid não estava com a mínina vontade de discutir com o amigo, e resolveu prosseguir com o assunto que lhe interessava.

– Rinda. – Respondeu como se fosse algo normal.

– Ahn? – Grid estranhou completamente a resposta – Você está lúcido? Acho que você deve ter bebido demais aqui.

– Rinda? Só pode estar de brincadeira. – Laufey soltou um riso alto, porém curto. — Até parece que a rainha de Windhelm iria perder tempo com isso. – Aquilo soava como uma piada, tanto para Laufey quanto para Grid.

– Mas estou falando a verdade. – Ele vasculhou o bolso de sua calça e retirou um papel dobrado de dentro. – Aqui, olhem. – Ele abriu e começou a ler em voz alta. – “Ethan Wodansberg. Pelas palavras ditas de sua majestade, seu contrato com o porto de Dawnstar estará sendo definitivamente cancelado. Você, Grid Bredablik, e Laufey Hoenir estão recebendo uma semana para conseguirem outro lugar para deixarem seu barco. – Rinda, a Fiel.” – Ao terminar, mostrou a carta para os amigos.

Era realmente uma carta do Palácio dos Reis, com um selo do Palácio dos Reis, e também escrita por Rinda Stormcloack, que tinha Ulfric como seu antepassado. Rinda se negou a casar com qualquer um homem que lhe aparecesse, dizendo que teria sido como um ato de fidelidade ao povo de Windhelm, com medo de que alguém o fizesse mal. Os dois amigos se entre olharam, Laufey estava boquiaberto.

A mulher parou de tocar flauta, devia estar completamente sem fôlego depois de tanto tempo tocando. A porta da estalagem se abriu, um homem encapuzado com um sobretudo preto havia acabado de chegar. O mesmo chamou a atenção de Ethan, que o fitou como suspeito.

– Legal, e o que vamos fazer agora? – Grid perguntou retoricamente, sem muitas esperanças.

– Bem... Meu filho, eu já tenho trinta e nove anos. Acho que dá pra aproveitar a minha vida com o resto de ouro que tenho. – Laufey aproveitou para roubar o vinho de Ethan, mas dessa vez bebeu diretamente da garrafa.

– E como?

– Ah... Sabe como é. Bebendo, festejando, Pagando algumas dançarinas... – Laufey não conseguiu segurar o riso, mas dessa vez ria estranho. – Ai ai, mas antes de tudo, quero ir para Riften.

– Por que Riften? As pessoas de lá não são muito amigáveis, é o que dizem.

– Eu também não sou amigável... Olhe para mim. Se eu não fosse seu amigo há anos, você me daria uma paulada na cabeça a cada brincadeira de mau gosto que eu faço com você. – Os dois riram, e Laufey continuou bebendo, mas Ethan estava completamente desligado, o que fez Grid estalar os dedos perto do rosto dele.

– Ahn? Ah, oi. – Ethan respondeu, deixando de franzir o cenho. Os dois amigos riam como retardados, nem mesmo eles sabiam o porquê. – Do que estão rindo? – Ethan passou a rir de jeito modesto ao ver as caras bizarras que os dois faziam. – Talos me livre disso... – Comentou rindo discretamente dos amigos enquanto virava a cabeça para voltar a observar o homem.

– Ethan Wodanserg? – Quando menos esperava, o homem do sobretudo negro estava bem ao seu lado, em pé, esperando uma resposta. Ethan assustou-se levemente com isso, mas não deixou que o estranho percebesse.

– Cruz credo! – Havia escapado da boca de Laufey, um tanto alto. Ambos pararam de rir imediatamente.

– Sou eu, algum problema? – Ethan respondeu ao homem, sério como nunca antes.

– Você e seus amigos precisam ser levados agora mesmo. – A voz do homem era suave, mas ao mesmo tempo, amedrontadora. Ele aparentava ser um homem de idade, as rugas o entregavam, e o mesmo parecia ser cego do olho esquerdo.

– Levados? Como assim, que história é essa? – Ethan realmente não fazia ideia do que o homem estava falando.

– À execução em Riften. Onde mais seria? – O homem pareceu um pouco confuso com o desentendimento de Ethan.

– Como é? Execução? – Agora teria sido a vez de Grid desentender a história do homem. – Por que a gente vai assistir á uma execução?

– Assistir? – O homem riu. – Oh não, vocês serão executados... – No mesmo instante uma pequena tropa de soldados Stormcloacks entrou na estalagem, indo em direção aos três. Rapidamente sentindo uma pontada na parte de trás de seu pescoço.

– Merda. – Laufey pareceu também ter sentido, e havia retirado um dardo venenoso de sua nuca, enquanto Grid parecia estar inconsciente.

Ethan se sentiu tonto. Seu rosto estava dormente, assim como o resto de seu corpo, e aos poucos sua vista começou a ficar embaçada até o rapaz não enxergar mais nada além de uma completa escuridão e finalmente desmaiar, caindo para o lado, de cara no chão.

O homem fitou os três com um sorriso cínico no rosto. – Levem eles para a prisão, o efeito do veneno irá durar uns dois dias... Mas podem levá-los para Riften amanhã mesmo. – E então se virou para a porta, caminhando em direção á mesma. Ele se satisfazia vendo as pessoas chocadas que restavam na estalagem Winpeak, mas logo teve que deixar de escutar os cochichos e sentir a brisa gelada de Dawnstar bater suavemente em seu rosto.

Ele caminhava calmamente á caminho de uma carruagem belíssima que estava a sua espera. – Pescadores idiotas... – Sussurrou para si mesmo, deixando seu sobretudo cair sobre a neve...

... Se transformando em uma das mais lindas mulheres.

Notas finais
Ceeeerto... Eu sei que esse final foi bem podre. Mas foi a melhor coisa de tipo "Wow" que eu consegui pensar. AUIHESAUH. Já estou tendo ideias para o capítulo 2, só não sei quando irei postar.