Dos Tons Pastel Ao Vermelho
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Logo na segunda feira de manhã, Quinn adentrou o escritório de Rachel com uma agenda na mão para consultar a chefe sobre como proceder em relação a alguns assuntos importantes. Falaram de visitas de fornecedores e compradores, de entrevistas que a CEO precisava fazer para aumentar a equipe de designers, uma vez que a produção aumentara no último ano e ela estava envolvida demais com a parte administrativa e criando muito pouco, e também de reuniões de rotina com os acionistas.
"Você tem alguns convites. Quer vê-los?" A loira perguntou, apenas porque era parte de suas atribuições, mas imaginando que seria, como sempre, orientada a responder a todos com agradecimentos e desculpas pela impossibilidade de comparecer.
"Quais são os eventos, dessa vez?" A pergunta em si já foi uma grande surpresa, apesar de Rachel não ter mostrado interesse suficiente para tirar os olhos da tela do computador.
"Tem um casamento, um batizado, um aniversário e dois bailes de gala beneficentes. Um deles é daquela instituição pra pessoas com necessidades especiais, pra qual você doa todo ano. O outro é de um hospital." Informou, conferindo a lista.
"Faz uma doação pro do hospital e manda aquela mensagem de sempre." Disse, olhando, enfim, para a outra jovem. "Quando é o daquela instituição?"
"No final da próxima semana." Respondeu, consultando as muitas anotações para não errar. "Já faz bastante tempo que você não vai a nenhum evento!" Ousou observar, diante do comportamento diferente da morena.
"Não dá pra ir a esses casamentos e batizados de gente que só me convida por educação, né? E esses bailes tem glamour, mas normalmente são um tédio." Observou. Não teria sequer pensado em ir, um tempo antes, porém, agora que poderia ter a companhia de Finn, talvez não fosse má ideia. Teria ao menos um bom pretexto para vê-lo em um belo smoking e desfilar linda em um vestido novo.
"Como você é uma das maiores doadoras, você recebeu vários convites. Talvez, se levar alguns amigos, possa ficar divertido." Sugeriu.
"Você gostaria de ir a um baile desses, não é, Quinn?"
"Não! Eu não quis insinuar..."
"Tá tudo bem! Você trabalha comigo há bastante tempo e eu sei que você e o Noah não tem muita oportunidade para sair e ir a lugares legais."
"Eu nem teria um vestido." Retrucou, sem jeito.
"Isso não é problema. Eu tenho muitos! E você tem seios maiores, mas eu tenho certeza que Mercedes daria um jeito nisso, facilmente. Você teria com quem deixar as crianças?"
"Eu poderia pedir à minha mãe." Respondeu, tentando conter a animação que, no fundo, estava sentindo.
"Então, tá decidido. Dois dos convites são pra você e pro Noah. Eu vou falar com a Mercedes sobre as roupas de vocês." Sorriu e a garota retribuiu.
"Obrigada."
"Não precisa agradecer, Quinn. Eu nem sei como não pensei em te mandar no meu lugar antes." Riu.
"Então... você não vai?" Indagou, desanimando um pouco. "Eu devo mandar uma mensagem pra eles também?"
"Por enquanto, não. Eu te falo mais tarde." Avisou, pensativa."Quantos convites eu recebi?"
"Dez."
"Ótimo." Sorriu, achando que com nove pessoas conhecidas uma festa chata poderia mesmo adquirir potencial. Voltou, então, a mexer no computador, e a funcionária deixou o cômodo, aonde, mais ou menos quinze minutos depois, chegava o namorado.
"O que era tão urgente? Trabalho?" Finn perguntou, fechando a porta atrás de si. Tinha recebido praticamente uma intimação por sms, para comparecer à sala dela.
"Assuntos pessoais, senhor contador." Ela disse, brincalhona, levantando-se e abraçando o rapaz pela cintura. "Eu tenho um convite pra te fazer."
"Eu aceito." Assegurou, acariciando o rosto dela e roubando um rápido beijo.
"Você nem sabe pro que é!" Riu.
"Aonde eu não iria com você, Rach?" Foi a vez dela de colar os lábios nos dele, impossibilitada de resistir a tanta perfeição!
"Ótimo, então. Temos que ir ao ateliê da Mercedes, pra que ela providencie seu smoking. Eu vou falar com ela e te aviso quando. E o baile é no final da semana que vem e seu primo Rory também pode ir, se quiser. Eu tenho dez convites..." Continuou falando, e ele não prestou muita atenção à lista de pessoas que ela disse que ia convidar, muito mais interessado em observar o entusiasmo dela.
Os próximos dias foram agitados, com várias visitas de Rachel ao ateliê de Mercedes, pois ela acabou acompanhando tanto as amigas Kitty e Harmony, quanto Quinn e Brittany, a quem também resolveu presentear com um convite, e, ainda, Finn e Rory, que contaram com a stylist para comprar seus trajes de gala. Somente Puck e Sam foram sozinhos experimentar as roupas, cujo aluguel foi custeado pela generosa chefe.
Rachel não tinha amigos que já não tivessem sido convidados para o baile e eram os seguranças, a secretária e a governanta as pessoas que faziam parte de sua vida há mais tempo. Por mais que pudesse parecer estranho, uma vez que ela era uma jovem milionária, não teria nenhum problema em conviver um pouco mais com eles, fora do horário de trabalho. Não poderia ter, quando ela mesma já tinha passado por privações talvez maiores que as deles durante parte de sua vida.
Chegado o grande dia, os nove se dividiram em dois carros e foram para o evento, e Finn ficou grato por Rachel não ter alugado uma limousine. Já estava se sentindo o suficiente como um nerd que vai com a garota popular para o baile de formatura, porque, mesmo que já não fosse mais tão tímido e inseguro quanto antes, via nela sempre aquela mulher que conseguia ser imponente e marcante, e chamar a atenção de todos a sua volta, mesmo não tendo sequer um metro e setenta de altura.
Além disso, imaginava que esse tipo de evento devia ficar cheio de fotógrafos e jornalistas na entrada, e já estava se vendo em situação parecida com a do personagem do Hugh Grant em Um lugar chamado Notting Hill, saindo do carro todo sem jeito, sem saber o que fazer, com a garota deslumbrante a quem se dirigiriam os holofotes a seu lado, achando graça da situação. Por isso, quando segurou a mão de Rachel, sentada a seu lado, a sua estava suada e fria.
Foi um pouco constrangedor explicar a ela o motivo de seu nervosismo, mas ela o surpreendeu ao não rir, como ele imaginara que faria. Na verdade, assegurou a ele que também não gostava dos flashes sobre si e das perguntas clichê que os enviados das revistas e jornais faziam, e que, por isso, eles entrariam, como ela já tinha feito outras vezes, por uma porta que era disponibilizada aos mais discretos, na lateral do hotel onde seria a noite de gala.
Assim o fizeram, adentrando o salão nobre e ocupando uma grande mesa, reservada pelos organizadores especialmente para a Srta. Berry. A partir daquele momento, poderia ter sido um baile como qualquer outro, com música boa tocando, pessoas dançando, comendo e bebendo muito e observando umas às outras com olhar predominantemente crítico, e mulheres tecendo, com as amigas, comentários sobre as duvidosas escolhas de moda das demais ou olhando as bem vestidas com inveja típica.
Dessa vez, no entanto, Rachel tinha com quem comentar, o que tornava tudo muito mais divertido. Também tinha com quem dançar, apesar de não tê-lo feito logo, ao som de clássicos como Let's do it, Night and Day e I've got you under my skin, porque era preciso ter alguma técnica, para se juntar aos casais que estavam na pista no momento em que elas tocaram sem passar vergonha. Pouco mais tarde, quando uma banda substituiu a orquestra, apresentando sucessos mais recentes, como You've got a way e Wonderful tonight, Finn, finalmente, a tirou para dançar e eles não saíram mais da pista.
Pararam somente quando a música foi brevemente interrompida para que fosse feito um leilão de antiguidades, obras de artes, joias e objetos que antes pertenciam a artistas famosos, todos fruto da doação de parte dos convidados. E foi nesse momento que Finn teve a maior das surpresas, que faria valer a pena ter ido àquela festa, mesmo que ela estivesse sendo chata, o que nem era o caso.
"Hudson?" Um rapaz em uma cadeira de rodas se aproximou dele, sorridente.
"Artie?" Ele levantou da própria cadeira, em um impulso, fazendo o outro rapaz gargalhar.
"Eu, cara!" Finn hesitou em abraçar o velho amigo, graças a tudo o que tinha acontecido no passado deles, mas o sorriso no rosto de Abrams o encorajou.
"Como é que você tá? Que bom te ver, cara!"
"Também é muito bom te ver." Falou, sincero. "E eu to bem! Eu agora sou um dos coordenadores dessa instituição. E você? O que anda fazendo?"
"Trabalhando com contabilidade. Nada demais." Riu. "Deixa eu te apresentar a Rachel, minha namorada." Disse, mostrando a garota, que estava sentada perto da cadeira dele, e os dois se cumprimentaram, enquanto Finn ocupava seu lugar novamente.
Os três começaram uma longa conversa, que não acabou nem com o fim do leilão e o retorno da banda ao palco. Somente um bom tempo depois, eles foram interrompidos por Kitty, que se jogou em um assento próximo, queixando-se de monotonia. Para Quinn, Brittany, Sam e Puck, tudo era novidade, então era natural que eles estivessem se divertindo, mas a veterinária já tinha ido a algumas festas daquele tipo com os pais e não se encantava mais com o luxo e a fartura, então, depois que Harmony aceitou o convite de Rory para dançar e ela se tornou a única do grupo sem um par, a festa praticamente acabou para ela.
"Eu deveria ficar ofendido, porque sou um dos organizadores da festa. Artie Abrams." Observou, oferecendo a mão à loira, mas não se restringindo a um aperto de mão para cumprimentá-la e levando a dela aos lábios.
"Kitty Wilde." Sorriu de volta, admirada com o gesto galanteador dele.
"MAS eu concordo que isso aqui é uma coisa meio terceira idade." Piscou, fazendo a garota corar, o que não passou despercebido por Rachel. "E eu sei de uma festa que vai rolar depois daqui, na cobertura de uma ricaça... e dizem que as festas dela são tudo menos entediantes. Se vocês quiserem ir, eu posso colocar todos vocês pra dentro."
Finn e Rachel se entreolharam, enquanto Kitty dizia que era óbvio que eles iriam. Sorriram um para o outro, cúmplices, decidindo que não iam estragar os planos dos outros. Além do mais, eles mesmos não achariam nada mal prolongar a noite, junto com os amigos, em uma festa de reputação elevada. Chamaram os demais, que também concordaram e, não muito tempo depois, seguiram para a tal cobertura, que mais parecia uma casa noturna lotada de gente vestida em traje a rigor.
As únicas semelhanças entre aquela festa com a outra, de onde tinham saído, eram as roupas dos convidados e a champagne gelada. Não havia banda, e sim DJ, as músicas eram dançantes e bastante atuais, e não lentas e clássicas, e o comportamento dos convidados não era formal, mas descontraído. Estava escuro o suficiente para que os casais trocassem beijos e carícias, encostados nas paredes e até no meio da pista de dança, roçando seus corpos ao ritmo de canções como Burn, e deixando queimar, como dizia a cantora.
"Eu acho que bebi demais." Rachel declarou ao namorado, às gargalhadas, já no meio da madrugada, mas sem que a festa tivesse esvaziado nem um pouco.
"Eu também acho que exagerei hoje." Ele se juntou a ela no riso, alisando sua cintura e beijando seu pescoço em seguida.
"Eu preciso de ar, bebê." Ela declarou, fazendo bico. "Vamos tomar um ar!" Pegou a mão dele e saiu andando por entre as pessoas.
"Mas onde, amor?" Questionou, ao pé do ouvido dela, que não respondeu, porque ele não a escutaria com o som naquele volume.
Os dois chegaram a uma escada, que ficava do outro lado da sala imensa, depois de terem passado por Quinn e Noah, que estavam trocando beijos apaixonados, Sam e Britt, que estavam tomando shots de tequila, e Kitty, que estava sentada no colo de Artie, rindo da dança que ele fazia com a parte de cima do corpo. Rachel ficou na dúvida se o casal que estava virando quase uma pessoa só em um canto era formado ou não por Harm e Rory, mas deixou para descobrir isso depois e puxou Finn escada acima.
"Pronto! Ar puro... ou o mais próximo que podemos chegar disso na Filadélfia." Ela brincou, ao adentrar o terraço.
"Como você sabia disso aqui?" Falou um pouco arrastado, com um sorrisinho safado surgindo em seu rosto.
"Eu vi alguém falar sobre ter vindo de helicóptero." Disse, apontando para o veículo, e mal acabou a frase, antes de sentir os lábios e a língua do namorado nos seus, e as mãos dele na sua cintura, puxando-a para si.
Não houve conversa entre eles. Finn olhou em volta e escolheu uma pilastra que não pudesse ser vista logo que uma pessoa saísse das escadas, levando a namorada até lá, erguendo o corpo dela e ficando entre suas pernas. Todos os movimentos foram muito rápidos, desde os beijos na boca, no pescoço, no colo e nos seios, que ele tirou de dentro do vestido, até a renda da calcinha dela sendo rasgada, e o cinto e a calça dele abertos.
Cada um deles tocou o outro, enquanto se beijavam mais um pouco, de uma maneira apressada e até um pouco atrapalhada, mas logo ele já estava dentro dela e era a vez de seus quadris se mexerem com velocidade. Finn tirava praticamente todo o seu membro de dentro de Rachel e investia contra ela de novo, batendo seu corpo no dela, que gemia alto. Ela apertava as costas dele e as pernas em volta dele, rebolando tanto quanto podia naquela posição um tanto quanto ingrata.
De repente, eles ouviram vozes vindas de perto, ali mesmo do terraço, e tiveram que diminuir o ritmo e controlar os gemidos, mas não pararam de transar. Finn fez movimentos rápidos, mas de menor extensão, mantendo o corpo perto do dela e deixando o atrito em seu clitóris enlouquecê-la, o que, misturando-se à adrenalina de estarem em risco de ser flagrados, fez com que logo gozassem. O sexo foi rápido mas muito intenso e uma ótima maneira de acabar aquela noite diferente.
Depois daquele baile, vieram vários outros, tão bons quanto, e Rachel acabou esquecendo que não fora apenas a possibilidade de entediar-se o que a mantivera longe dos grandes eventos.
A jovem estava tão mais relaxada e feliz do que em qualquer outro momento de sua vida, que acabou deixando de lado alguns cuidados com sua própria segurança, sem se dar conta disso.
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