Dos Tons Pastel Ao Vermelho
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Depois de passar mais de uma semana inteira nervosa, por causa dos questionamentos que a visita à casa dos avós de Finn tinham levantado e, consequentemente, bastante distante dele, Rachel percebera a besteira que estava fazendo e decidira recompensá-lo. Ele tinha percebido que ela estava diferente e perguntado várias vezes se alguma coisa a estava incomodando, mas ela desconversara, e, mesmo agora, não planejava dizer a verdade. Estava determinada a usar outras estratégias para fazer com que as coisas voltassem ao normal.
Em primeiro lugar, ela precisava esquentar o sexo que ela mesma tinha deixado morno, durante aqueles dias, e, para isso, todo um cenário foi escolhido. Finn tinha ido ao clube, nadar, depois do expediente de segunda-feira, mas prometera ir dormir na casa dela, que desmarcou a aula que teria com sua personal trainer, a fim de se dedicar completamente aos detalhes. Com tudo preparado, a última coisa a fazer tinha sido tomar um bom banho, vestir a fantasia da noite e esperar.
Não aguardou muito, no entanto, pois o namorado chegou dez minutos depois que ela ligou a música e espalhou fumaça de gelo seco pelo quarto secreto. Ele não encontrou nenhum bilhete com instruções, nem qualquer fantasia, então chamou pelo nome dela, que se aproximou, no meio de toda aquela fumaça, vestida com uma saia de apenas um palmo de malha vermelha, um top na mesma cor e tecido, onde se lia PFD (sigla para Philadelphia Fire Department , ou seja, o Corpo de Bombeiros da Filadélfia), uma botinha de cano curto preta e um capacete.
"É aqui que tá pegando fogo?" Perguntou, maliciosa, alisando o peito dele por sobre a blusa com uma das mãos, enquanto a outra segurava um extintor de incêndio de acrílico, igualzinho aos verdadeiros.
"Eu to sempre pegando fogo, se você vier apagar... gostosa!" Ele disse, a olhando de cima a baixo e alisando a cintura dela, que não conteve o riso.
"Vamos sair dessa fumaça... vem!" Chamou, puxando o rapaz pela mão. "Eu preciso molhar você, pra nós passarmos pelo fogo." Afirmou, entrando com ele no banheiro e encharcando toda a roupa dele com o chuveirinho, como se realmente estivesse em um resgate.
"Rach!" Ele protestou, se arrepiando sob a ducha de água fria.
"Entra no personagem, amor!" Ela pediu fazendo bico. "Você vai gostar." Prometeu e ele relaxou, se deixando levar e apenas tirando, com os próprios pés, os sapatênis que usava. "Vem! Você já tá molhado o suficiente. Acho que é seguro. Coloca isso no rosto, pra não inalar a fumaça." Instruiu, dando a ele um lenço, que ele colocou no nariz, sentindo um cheiro gostoso, sem saber que ela tinha borrifado ali um pouco do mesmo perfume com feromônio que estava usando, para que ele começasse a ser estimulado pelo olfato e não só pelo visual dela.
Não havia mais quase nenhuma fumaça no quarto e Finn, então, pode ver a imitação de extintor no chão, ao lado da cama, bem como camisinhas com sabor e outros apetrechos conhecidos dispostos sobre esta. Havia vendas, lenços, vibradores, bolinhas vibratórias, potinhos com gel de massagem comestível que eles já tinham usado, muitas vezes, antes. Aquela visão aumentou a enorme excitação que ele já estava sentindo, depois de um final de semana que tinha sido, muito provavelmente, o mais frio, em termos de vida sexual, por que ele tinha passado, desde que começara a se relacionar com Rachel.
"Parece que meus colegas já apagaram o fogo e você não vai precisar sair do apartamento." Ela falou, brincando de ser uma profissional da corporação. "Eu posso te ajudar a tirar essa roupa molhada?" Indagou, fingindo inocência.
"É claro." Disse, engolindo seco, enquanto ela tirava sua camiseta, aproveitando que ela grudara no corpo dele para passar a mão lentamente por todo o abdômen e peitoral.
"Me desculpe por isso, senhor. Eu estou em treinamento ainda e fui afoita ao molhá-lo todo, assim." Falou, melosa, enquanto abria o botão e o zíper da bermuda dele, que caiu pesada no chão em seguida. "Até sua cueca ficou ensopada!" Riu, passando a língua entre os lábios. "Devo tirá-la também?"
"E por que não?" Fingiu autorizar e ela se livrou daquela última peça.
"Seu corpo tá quente e eu gosto de quente! Eu sou uma bombeira afinal, não é?" Sorriu, provocante. "MAS... não é seguro ficar quente assim! Eu vou ter que tentar usar os meus conhecimentos para apagar o SEU fogo." Pegando o extintor, ela indicou a cama com a cabeça, para que ele se deitasse.
"Eu disse isso desde o início." Finn observou e ganhou um olhar matador de Rachel, que ainda tinha um lado controlador, afinal. Se ela tinha planejado de um jeito, gostava que as coisas corressem como tinha arquitetado.
"Primeiro, nós vamos tentar o extintor, que é o instrumento mais usado para apagar incêndios." Ela ajoelhou na cama, se aproximando dele, com o objeto na mão, e apontou o bico da mangueira para a parte de baixo da barriga dele, apertando o gatilho e espalhando chantilly gelado pela região. "Agora, a gente tira tudinho, pra ver se a temperatura baixou." Avisou, lambendo tudo logo depois.
"Eu acho que isso tá aumentando ainda mais a minha temperatura, Srta. Bombeira." Falou, sentindo uma vontade louca de acabar com a brincadeira de uma vez.
"Vamos fazer só mais uma tentativazinha?" Pediu, usando o brinquedinho de novo e colocando o creme no membro dele, para lambê-lo com vontade, várias vezes. "Cada vez mais quente, hum... bebê? E como eu adoro brincar com seu fogo!" Falou, e ficou masturbando o namorado, enquanto o encarava, segurando com os dentes seu próprio lábio inferior.
"Se a ideia é me fazer explodir como um vulcão, eu acho que você tá quase lá, bombeirinha GOSTOSA! Só um pouco mais rápido... só um pouco." Implorou, quase delirante.
Então, ela aumentou o ritmo dos movimentos, aceitando a ajuda da mão dele sobre a sua para chegar à velocidade perfeita. Ficaram tocando, juntos, o pênis dele, até o momento em que o ápice se aproximou e ele deixou que ela continuasse sozinha, derramando o prazer em seus dedos, que ela não hesitou em lamber, um a um, até acabar com tudo.
"Eu acho que você tá na profissão, errada, mocinha." Afirmou, quando recuperou o fôlego, sentando-se na cama e dando um selinho nela. "Você tá mais pra colocar fogo do que pra apagar. Eu ainda to QUENTE!"
"Acho que eu sou uma aprendiz rebelde, então. E, sendo assim, por que não aumentar ainda mais a temperatura, hum?" Sugeriu, sapeca, aproximando o rosto do dele, que a agarrou pela nunca, beijando sua boca com volúpia, enquanto jogava longe o capacete dela.
"Adoro essas brincadeiras que você inventa, mas chega de fantasia por hoje. Quero você nua nessa cama, coberta com esse chantilly." Comunicou, tirando a blusa dela e a empurrando para a cama.
Ele se livrou também das botas, da saia mínima e da calcinha de renda, na qual pode sentir uma já conhecida umidade. Teve um pouco mais de dificuldade do que ela para usar a imitação de extintor, mas eventualmente conseguiu espalhar creme pelas coxas e barriga dela, lambendo com calma. Em seguida, foi a vez dos seios ficarem lambuzados de doce e saliva, intumescendo ao contato dos lábios e língua de Finn, que a saboreavam com vontade, fazendo gemidos altos escaparem de sua garganta.
Antes de besuntar o último lugar que ele queria provar com a cobertura apreciada tanto em sorvetes quanto em cafés, mas que ele preferia acompanhando Rachel Berry, Hudson fez uma pausa breve, que ele sabia que triplicaria a antecipação sentida pela morena. Só depois disso, já mais familiarizado com o funcionamento do objeto de acrílico, afastou um pouco as pernas dela, uma da outra, colocando uma montanha de cobertura sobre sua intimidade, e tirando proveito dela, afinal.
Depois de fazer Rachel gozar, Finn a continuou estimulando, enquanto fazia o mesmo com o próprio sexo, para ficar bem duro de novo. Deitou-se por cima dela, na posição mais simples possível, penetrando sua intimidade, e foi mexendo os quadris cada vez mais rápido e forte, até sentir as contrações vaginais, outra vez, o tremor nos músculos dela, o descontrole que veio depois. Pressionou ainda mais o corpo contra o dela, atingindo o orgasmo também, e se jogou para o lado, satisfeito por ora.
Glory Box estava tocando quando ela começou a provocá-lo de novo e, depois de mais dois rounds, com posições mais ousadas sendo experimentadas e alguns itens que estavam sob a cama, usados, Hudson lamentou ter ido nadar antes, porque ainda tinha vontade de sobra, mas já não lhe sobrava energia suficiente. A única atitude que ainda conseguiu tomar foi a de vestir um roupão e pegar sua amada no colo, levando-a para a outra suíte.
A segunda coisa que Rachel tinha decidido fazer, para recompensar Finn pelo seu comportamento, era se esforçar, de verdade, para o relacionamento deles dar certo, inclusive tentando se acostumar com a ideia de se casar e formar uma família com ele. Sabia que, para isso, precisaria contar ao namorado o que acontecera com ela, quando era mais jovem, e isso já não parecia ser um problema tão grande, mas, para ter certeza, decidiu que ele deveria conhecer os Berry.
Julgava que ninguém poderia dizer, melhor do que eles, se ela deveria ou não confiar em Hudson e, caso positivo, que eles também seriam as melhores pessoas para ajudarem-na em relação a quando e como fazê-lo. Além disso, depois de ter conhecido a família dele, sabia que ele ansiava também conhecer as pessoas mais importantes da vida dela, e que era uma pretensão totalmente justa.
"Eu tava pensando, Finn. Que tal se, no próximo final de semana, nós fôssemos visitar os meus tios? Minha tia Shelby não cozinha tão bem quanto a sua avó, mas foi com ela que eu aprendi a sempre ter um bom profissional na minha cozinha." Perguntou, rindo, deitada ao lado dele já na cama de seu próprio quarto. Finn já sabia que os pais de Rachel eram falecidos, como os seus, e, em várias conversas, ela tinha mencionado que sua família era formada apenas por um tio e a mulher dele.
"É claro, Rach. Se você achar que tá hora de eu conhecer os dois. Eu vou adorar." Respondeu, sincero.
"Posso marcar, então?" Confirmou, animada.
"Pode, amor. Claro que pode!" Roubou um beijo dela, sentindo o sono tomar conta do seu corpo, e, como ela também estava cansada, os dois não demoraram a adormecer.
Durante a semana, Rachel e Shelby se falaram várias vezes, combinando os detalhes do jantar em que os Berry receberiam Finn. Hiram e a esposa adoravam a garota, tinham ficado muito felizes ao saber que ela estava namorando, e, ainda mais, ao ver que a relação era séria a ponto de ela querer apresentar o felizardo a eles. Em razão disso, a Sra. Berry queria que tudo fosse perfeito e não mediu esforços, caprichando na decoração da mesa de jantar, na arrumação da casa e na escolha do menu.
Se Finn já não tinha saído de casa nervoso, como acontecera com Rachel no dia da visita aos Hudson, nem tivera problemas para escolher o uísque vinte anos que levou para Hiram e a orquídea que escolheu para Shelby, durante o jantar ele ficou ainda mais relaxado, quase como se estivesse entre velhos amigos. Para tentar deixar o garoto completamente à vontade, depois de ver tudo o que a esposa tinha preparado, o Sr. Berry apostara na informalidade de uma camisa polo com calça jeans e oferecera cerveja ao convidado, ao invés de um destilado.
"Eu só sei que no domingo eu vou estar lá, apoiando meu time. Se quiser se juntar a mim e aos melhores do Tribunal, sinta-se à vontade." Hiram, que era juiz de direito, se referia aos colegas que, como ele, torciam para o Flyers. Tinha ficado decepcionado por Finn não conhecer muito de hockey, sendo mais ligado em futebol e um louco apaixonado pelos Eagles, mas, pelo menos, como o rapaz não tinha preferência por nenhum time daquele esporte, podia convidá-lo para o jogo, vesti-lo com uma camisa em preto, branco e laranja, e até tentar transformá-lo em mais um torcedor.
"Se eu fosse você, não deixaria escapar esse convite, Finn. Eles ficam em um camarote enorme, cheio de mordomias." Rachel comentou, enquanto bebericava um pouco de vinho.
"Mas tudo tem um preço!" Informou Shelby. "Você vai ter que usar uma camisa do time, aprender os gritos de guerra e jamais... e quando eu digo jamais, é em hipótese alguma MESMO... elogiar o outro time ou criticar o Flyers." Implicou.
"São mais de vinte anos de casamento, rapaz. Você sabe o que isso significa, não é?" Finn olhou para Hiram, esperando que ele dissesse que a esposa estava exagerando, mas o homem levou a mão dela aos lábios, tocando sua pele com eles, delicadamente, e sorriu. "Ela me conhece melhor que ninguém." Completou, como se contasse um segredo, e todos riram.
"O Finn também adora Dickens, tio." A menina observou, sabendo que, se nos esportes cada um tinha sua preferência, na literatura tinham uma grande paixão em comum.
"Não é possível!" O homem mais velho duvidou. "Jovens se interessam pela velha e boa literatura, ainda?"
"Meu avô tem uma grande biblioteca em casa e, felizmente, ele fez eu e meu primo lermos várias obras clássicas, e eu acabei gostando muito de algumas. Eu já li Grandes Esperanças mais de uma vez... e também Oliver Twist. Eu não gostei tanto assim de Casa Sombria, pra não dizer que adoro tudo que eu li dele, mas, em compensação, provavelmente Loja de Antiguidades é o livro que eu li mais vezes, na vida."
"Já leu Um conto de duas cidades?" Hiram questionou, empolgado, e foi a última coisa que Rachel escutou da conversa dos dois, antes de ser chamada por Shelby para uma conversa apenas entre mulheres, na varanda.
O jantar foi servido, mais ou menos quarenta minutos depois, mas nenhum dos presentes parecia querer deixar a conversa de lado, enquanto se alimentava. Hiram estava contando ao mais novo amigo coisas sobre seu trabalho, sendo interrompido, algumas vezes, por Shelby, que era advogada e tinha suas próprias observações a fazer sobre as virtudes e os vícios do Tribunal. Os mais jovens, que pouco sabiam sobre Direito, escutavam interessados, até que foi a vez deles de falar um pouco sobre sua rotina.
"Não há muito o que falar sobre contabilidade, não é? São só números!" Hudson deu de ombros. "Mas, como chefe do setor e namorado da CEO, eu também acabo tendo algumas histórias boas pra contar. Outro dia mesmo, um dos rapazes veio me pedir aumento e eu fiquei uns quinze minutos tentando explicar a ele que só quem pode dar aumento é o pessoal dos recursos humanos... que eu não tenho ingerência. Ele ficou nervoso, passava a mão pelos cabelos e pelo rosto sem parar, e, quando não tinha mais o que dizer, é claro que ele apelou pra o argumento de que, se eu realmente quisesse, faria minha namorada dar a ele o salário que ele merece." Contou, finalmente colocando algo na boca.
"E eu que sou bajulada o tempo todo e às vezes da maneira mais escancarada do mundo?" Rachel perguntou, virando-se para olhar o namorado, que estava sentado a seu lado, e percebendo o semblante alterado dele. "Tá tudo bem, Finn?" Indagou preocupada, mas ele fez sinal positivo.
"Pelo menos você não tá numa posição em que ficam tentando te comprar. Pode acreditar que é ainda mais difícil ter jogo de cintura com esse tipo de gente, do que com os 'puxa-saco', minha querida." Hiram afirmou, convicto.
"Tia! A semana todinha, nós nos falamos várias vezes e, então, você muda o cardápio, sem falar comigo?" A garota, que, ao ser interrompida, finalmente provara um bolinho que servia de acompanhamento para a carne, reclamou, de repente.
"O que houve? Alguma coisa de que você não goste?" Perguntou a outra, sobressaltada, mas sem perder a elegância.
"Não é a toa que o Finn tava fazendo careta! Ele detesta espinafre!"
"Rach!" Ele repreendeu. "Tudo bem. Os bolinhos estão bons." Tentou contornar a situação, se dirigindo a Shelby. Por mais que estivesse à vontade com os Berry, ele nunca reclamaria de algo que lhe fora servido ou faria desfeita, deixando comida no prato. Não queria que Rachel tivesse falado nada, deixando a tia visivelmente constrangida.
"Você não precisa comer, meu filho." Hiram assegurou. "Aliás, é até bom, porque assim eu também posso deixar no prato esse cogumelo horrível!" Disse, fazendo uma careta, e Rachel percebeu um sorriso discreto no canto da boca de Finn, quando todos voltaram a comer e esqueceram o assunto.
Ela sabia que, se tinha uma coisa da qual Hiram gostava naquele prato, definitivamente era do shitake e que, portanto, ele queria realmente fazer com que Finn sentisse que podia agir com liberdade, pois estava entre amigos. O silêncio de Shelby, por sua vez, considerando que ela conhecia bem as preferências do marido, demonstrou que a mulher desejava o mesmo.
Rachel ainda teria que descobrir em que momento e de que modo contar a Finn sobre seu passado, mas, com a aprovação dos Berry, ela agora tinha certeza de que realmente queria fazê-lo, para que, juntos, eles pudessem ter um futuro.
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