Notas iniciais
Gostaria de dedicar este capítulo à Jes, não somente porque ela recomendou a fic e eu sempre gosto de dedicar um capítulo a quem recomenda porque acho que é o mínimo que eu posso e devo fazer quando a pessoa é tão carinhosa comigo, mas também porque ela é uma pessoa muito legal, com quem eu tenho conversado bastante no twitter, e eu valorizo muito as nossas "trocas".
Jes, muito obrigada por tudo!! Espero que goste do capítulo tanto quanto gostou da fic até o momento em que recomendou =)
Beijo bem grande!

Boa leitura, gente!! Obrigada por lerem, comentarem, serem ainda desse fandom e tudo mais!!
Espero que gostem desse capítulo diferente...
Beijos!!

Surpreendentemente, as palavras de Finn se mostraram corretas e Rachel percebeu, enfim, que poderia mostrar todas as suas cores e tons sem perder a autoridade.

Depois de quase uma semana enrolando, ela aproveitou a sexta-feira, que era um dia em que as pessoas iam mais casuais para a empresa e ela não costumava receber ninguém importante, para vestir a camisa que Finn lhe dera, apenas para que ele visse que ela tinha feito uma experiência. No entanto, acabara tendo que participar de uma reunião importantíssima com acionistas da empresa e outras duas com distribuidores, e amaldiçoou mentalmente sua vontade de agradar Finn, enquanto se dirigia à primeira delas vestindo rosa choque e cinza.

Na primeira reunião, percebeu alguns olhares de surpresa ao apertar as mãos de seus companheiros de conselho diretor, mas tentou agir normalmente e tudo correu incrivelmente bem. Ela foi ouvida com todo o respeito de sempre e todas as suas opiniões foram consideradas nas decisões tomadas, naquela manhã. Ela ficou admirada porque sempre tinha considerado que a sobriedade no vestir era uma necessidade dentro de um ambiente majoritariamente masculino, como ainda era o da direção da empresa, e se espantou mais ainda com as palavras proferidas pelo vice-presidente e por um de seus maiores acionistas, quando conversavam antes do início da segunda reunião.

"Você está muito bem, Rachel. Muito bonita, se não for abuso da minha parte elogiar." Disse o primeiro, sem qualquer malícia felizmente, porque seria estranho se houvesse alguma, uma vez que ele devia ter idade para ser avô dela.

"Eu concordo plenamente e, se me permite dizer, você nunca esteve tão adequada para representar a Red Rave Jewelry frente a nossos parceiros." Observou o segundo.

"É isso mesmo!" Voltou a se manifestar o outro. "Você sempre foi belíssima e elegante, mas está com um brilho maior agora. Um brilho condizente com nossos metais e pedras preciosos."

"Espero que não estejam sendo apenas gentis, pois vou ter isso em mente agora, quando me arrumar para reuniões importantes." Brincou, mas, no fundo, sentiu-se aliviada e até animada pelas palavras dos companheiros de conselho deliberativo.

Na reunião seguinte, como na primeira, o rosa choque não pareceu assustar e nem chamou mais atenção do que as observações que a Srta. Berry fez durante as negociações, e ela saiu convencida de que não precisaria mais trabalhar com roupas que eram quase um uniforme. Entrou em seu escritório, sentou-se, e girou a cadeira a fim de contemplar a vista, com um sorriso no rosto. Mal poderia esperar para ver o semblante de Finn, não naquela tarde, quando a visse com a blusa comprada por ele, mas na semana seguinte, quando percebesse que ela tinha mudado o visual de trabalho completamente, que era o que ela tinha acabado de decidir fazer.

Ele comentou que estava feliz por vê-la usando a camisa, quando os dois se encontraram no final do dia, para irem juntos a um happy hour com as amigas dela e dois colegas de faculdade dele. No entanto, ela apenas sorriu e não comentou nada sobre as reações positivas das pessoas e sua consequente decisão. Aproveitou um momento no qual ele não estava perto para combinar uma ida ao shopping, no dia seguinte, com Harmony e Kitty, e disse a ele apenas que elas iriam almoçar juntas e fazer um programa de meninas.

"Eu acho que é a primeira vez que fazemos compras juntas." Harmony comentou, enquanto as três andavam pelo primeiro corredor do King Of Prussia Mall, por volta das onze horas de sábado.

"Há muito tempo eu não entro num shopping! A Sugar, secretária da Mercedes Jones, sabia bem o tipo de roupa de que eu precisava pro trabalho, e do que eu gostava pra usar lá no clube ou nas nossas saídas. Então, ela fazia uma seleção inicial e, depois, eu passava no estúdio, uma vez por mês, vestia tudo e, se caísse bem, só tinha o trabalho de assinar o cheque." Explicou Rachel, se referindo à estilista que desenhara seus vestidos, para as poucas festas a que ela comparecera nos últimos anos, e cuja equipe acabara funcionando como uma espécie de personal shopper.

"Perdeu toda a diversão!" Kitty assegurou, sorridente, parando para observar uma primeira vitrine.

"É que eu nunca considerei ir às compras divertido. Eu tive uma experiência péssima quando era adolescente! As vendedoras não foram legais comigo. Aliás, não acho que elas sejam nada amigáveis com as pessoas." Berry aproveitou que elas tinham parado para guardar os óculos escuros, que havia empurrado para o alto da cabeça, em um estojo.

"Você tem razão. Elas não são amigáveis com pessoas. São amigáveis com cartões de crédito e isso você tem! Mais de um e com limites astronômicos, que eu sei." Riu Kitty. "Concordo que isso é nojento, mas se o que queremos é comprar, vamos apenas garantir que elas se esforcem muito para conseguir as gordas comissões que vão ganhar."

"Eu gostei dessa blusa azul. Vamos entrar!" Harm decidiu, empurrando Rachel em direção à porta de vidro aberta.

"Olha esse vestido! É a minha cara." Disse a única loira, tirando um cabide de uma das araras.

"Combina mesmo com você." Rachel sorriu, ainda apenas observando as amigas mexerem em tudo.

"Olá! Eu sou Sebastian Smythe, o gerente. Posso ajudar com algo?" Um rapaz bonito e elegante se apresentou.

"É claro!" Kitty respondeu, fazendo questão de parecer um pouco arrogante. "Como gerente, eu tenho certeza que você vai colaborar muito, providenciando para que tenhamos mais gente nos ajudando, além da mocinha magricela que está colada em nós desde que entramos, já que pretendemos gastar uma quantia obscena de dinheiro aqui."

"Precisamos apenas de uma quantidade profana de bajulação!" Interferiu Harmony, também adotando um tom esnobe.

"Oh! É... é claro." Gaguejou o gerente. "Estão na loja certa, senhoritas." Afirmou, saindo para falar, reservadamente, com a vendedora que já tinha cumprimentado as garotas, que fez uma careta ao ouvir o que ele tinha a dizer, provavelmente nada feliz com o fato de que teria que dividir a comissão com algumas colegas de trabalho.

"Vocês são loucas!" Rachel cochichou com as amigas e as três riram.

"Será que eu posso começar oferecendo a vocês um pouco de Veuve Clicquot?" A vendedora pálida e magra de cabelos vermelhos falou, esforçada, enquanto Sebastian instruía outras garotas.

"Qual é mesmo seu nome?" Questionou Harmony.

"Mary Kelly." Repetiu a informação já oferecida quando as clientes entraram na loja, conforme instruções.

"Muito bem, Mary, querida. Estou vendo que você está dando o seu melhor!" A amiga de Rachel sorriu amarelo. "Mas não nos ofereça Veuve Clicquot se só pudermos consumir um pouco." Criticou.

"Ah, mas é claro." Disse Mary, sem jeito, saindo. "Eu vou providenciar para que não falte champagne."

"Meu nome é Ann e estou à disposição de vocês. O que gostariam de ver primeiro?" Perguntou outra vendedora.

"O meu é Dora e acho que já tenho em mente um modelo perfeito para cada uma de vocês. Trago num instante!" Afirmou uma terceira, nitidamente disputando espaço com Ann.

Rachel, Harmony e Kitty foram servidas da bebida espumante considerada símbolo líquido de glamour, sentaram-se em poltronas confortáveis no meio da loja e foram vendo um desfile de peças passar em frente a seus olhos, em cabides, pelas mãos de Dora, Ann, Mary Kelly e até do gerente, que viu nas três mulheres vestidas com roupas e acessórios de grife, a oportunidade de bater a meta do mês antecipadamente.

"Este aqui é Oscar de La Renta." Ann mostrou um vestido curto azul claro.

"Separa pra mim." Kitty fez um sinal e a vendedora juntou o vestido a algumas outras peças, que já estavam separadas para a loira experimentar, em um provador.

"Essa calça é Narciso Rodriguez."

"Vou experimentar." Avisou Rachel.

"Pensei que queria coisas mais coloridas, amiga." Harmony comentou, uma vez que a calça era azul marinho.

"Mas a roupa não pode ser inteirinha berrante, mesmo nessa minha nova fase." A amiga respondeu, rindo.

"Chanel!" Dora balançou, orgulhosa, uma saia godê.

"É a cara da Harm!" Kitty sentenciou e a amiga apenas concordou com um meneio de cabeça, fazendo com que a vendedora a colocasse na cabine reservada para a garota, ainda mais exultante.

"Tenho certeza que este Dolce cairá como uma luva em você!" Sebastian disse, mostrando um vestido a Rachel.

"Estou querendo roupas pra trabalhar, na verdade." Berry esclareceu.

"Ela vai vestir!" Afirmou, categórica, Kitty, e a amiga a olhou, franzindo a testa. "Você tá namorando, tá saindo mais. Precisa de roupas pra isso também e este vestido é bem feminino... com uma cor alegre, leve. Tem tudo a ver com a nova Rachel."

"Tudo bem, Sebastian." Autorizou e o vestido foi para junto das coisas de que ela tinha gostado.

Alguns minutos e taças de champagne depois, elas estavam trocando de roupa, se admirando nos muitos espelhos da boutique, fazendo uma espécie de desfile privado, e ajudando umas às outras a escolher quais seriam as melhores aquisições. Depois de pagar, repetiram a maratona em mais duas lojas de roupa e uma de sapato, e tinham tantas sacolas para carregar no final que tiveram que chamar Noah Puckerman, para que ele levasse as compras para o carro, antes de almoçar e continuar caminhando pelos corredores de vitrines.

"Obviamente, essa não nos interessa!" Disse Harmony, rindo, ao passar pela Tiffany, provavelmente a maior concorrente da Red Rave.

"Mas, em compensação, aquela ali nos interessa e muito." Kitty apontou a Victoria's Secret. "Agora que o Finn não é mais sub da Rach, ele deve apreciar uma lingerie mais convencional."

"A gente voltou a usar fantasias e acessórios, ok? E as coisas tão melhores do que nunca!" Informou, parando para obter a atenção das demais, com um sorriso safado no rosto.

"Tenho certeza que ele adora as calcinhas comestíveis e também as de fio dental, Rach... mas concordo com a Kitty que ele deve gostar de uma coisa mais normalzinha, de vez em quando. Quando ele te deu uma blusa rosa e te falou tudo aquilo que você contou mais cedo, ele demonstrou que gosta de ver todas as suas personalidades se manifestando."

"Falando assim, parece que eu tenho múltiplas personalidades." Rachel disse, um pouco incomodada, voltando a caminhar na direção da loja de roupa íntima.

"De certa forma, você tem mesmo... ou tinha. A gente conhece bem quem você é, e agora ele também tá conhecendo, mas você tinha separado apenas algumas características suas pra usar na hora de trabalhar, como se você fosse só aquilo... e o mesmo na hora do sexo."

"Tá sendo bom relaxar um pouco, eu reconheço. Apesar de ainda ter um pouco de medo." Suspirou. "Eu gostei desse conjunto." Mudou de assunto, finalmente cara a vidro com a vitrine da mundialmente famosa loja. "É convencional o suficiente pra vocês?" Debochou e as amigas a arrastaram para dentro do local, onde permaneceram por quase uma hora.

Todas compraram vários conjuntos de calcinha e sutiã de diversas cores e tipos, além de camisolas, baby dolls, loções para o corpo, hidratantes e nécessaires. Entregaram as sacolas a Puck, que agora ficava dentro do shopping, acompanhando-as à distância, e seguiram para a Abercrombie, onde Rachel comprou uma camisa polo e um casaco de moletom para Finn, e para outras lojas, onde adquiriram acessórios, como bolsas, cintos, luvas, meias, chapéus, lenços e echarpes.

Kitty se apaixonou especialmente por uma echarpe plissada verde escura, que estava no manequim de uma loja. Afirmando ter certeza de que o pedaço comprido de tecido, ao ser enrolado em volta de seu pescoço, faria seus olhos parecerem maiores e seu corte de cabelo parecer mais chique, jurou que precisava efetuar a compra, apesar de ter comentado, menos de cinco minutos antes, que não levaria mais nada.

"Eu posso usá-la com tudo! É um investimento." Comentou, já no caixa, esperando uma outra cliente pagar.

"Usar com tudo? Ela é verde!" Rachel duvidou, mas a amiga deu de ombros.

"Vou levar isso." Entregou à moça que operava o caixa a peça delicada.

"São cento e vinte dólares. Como quer pagar?"

"Aqui estão cinquenta em dinheiro. Pode botar trinta nesse cartão?" Deu a ela o Visa, primeiro. "E vinte nesse." Apresentou o Mastercard. "E mais vinte nesse." Tentou usar o American Express, mas o mesmo foi recusado.

"Deve ser porque o crédito está comprometido com parcelas da passagem aérea. Toma!" Rachel salvou a pele da amiga lhe dando os vinte reais, e ainda tentando minimizar a vergonha que ela estava sentindo na frente da funcionária da loja. Contudo, quando fora do estabelecimento, ela questionou o comportamento da loira, que possuía bons limites nos cartões, mas não tinha qualquer crédito no momento, nem dinheiro no bolso.

"Isso acontece porque o meu pai cismou que eu tenho que viver com meu salário ridículo de veterinária e cortou a mesada enorme que ele mesmo me acostumou a receber a vida inteira." A garota tentou explicar.

"É mentira! Ela não usa metade do que compra, Rach! Eu fui à casa dela pra pegar um vestido emprestado, porque surgiu uma festa formal de última hora e eu não tive tempo de comprar nada... nem podia ir vestida como uma pin up... e tinha várias sacolas cheias de roupa com etiqueta ainda, espalhadas pela sala!" Interviu Harmony.

"É como se as manequins me chamassem... apontassem as coisas pra mim e implorassem pra eu comprar! Eu não consigo me controlar!"

"Eu não posso quebrar os seus cartões de crédito, amiga, mas eu acho que a gente deveria combinar alguma estratégia!" Rach sugeriu.

"É! Com certeza! E eu já sei qual. Você vai ter que nos mostrar tudo que comprar e explicar por que comprou." Harm determinou.

"E a gente vai passar na sua casa uma vez por mês, e o que não tiver sido usado a gente vai doar!"

"Obrigada, gente. Eu juro que vou tentar só comprar o que realmente precisar. Me desculpem pela vergonha." Tapou o rosto e sentiu os braços das amigas em volta de si, em um abraço triplo.

Rachel chegou exausta em casa, e cheia de sacolas de roupas, que ela pediu a Brittany para passar e colocar no closet. Guardou ela mesma os acessórios e descansou até anoitecer, quando, então, colocou um dos vestidos novos que já estava adequado para uso, uma sandália nova e um conjunto de brincos e cordão da última coleção de sua própria joalheria, e foi com Sam buscar Finn, para irem ao teatro e depois jantar em um restaurante japonês bastante tradicional.

Se aquele dia tinha começado bem diferente, a maior parte da noite, ao contrário, seguiu o curso natural dos últimos tempos, com o casal conversando muito e rindo junto, na rua, e depois fazendo amor, mais de uma vez, no apartamento dela.

Para Finn, teria sido um sábado completamente comum, se a noite dos dois não tivesse terminado de forma ainda mais inusitada do que o início do dia da garota, com ela relaxando totalmente e dormindo na sala de TV... nos braços do namorado!

Notas finais
O capítulo foi inspirado em cenas de Uma linda mulher e Delírios de Consumo de Backy Bloom. Algumas frases dos filmes foram usadas aqui, com mudanças. Também usei O diabo veste Prada pra fazer a parte em que as vendedoras mostram as peças de grife.
Espero que tenha ficado legal.
Beijocas!